Podcast #061 – Dieta Low-Carb, Colesterol, Triglicérides E A Saúde Do Seu Coração, Com O Cardiologista Dr. Ricardo Schneider

A doença cardiovascular tem sim um componente hereditário… mas se a gente for colocar isso em parcela de doenças que a gente atende hoje em consultórios, mais de 90% das doenças é adquirida mesmo. Não é hereditária: é má alimentação.”

No episódio de hoje, trazemos o médico cardiologista Dr. Ricardo Schneider para falar sobre alimentação saudável e a saúde do coração.

E você vai ver que vamos muito além disso.

Porque o Dr. Ricardo vai fundo para explicar a você os exames do dia a dia, as medidas simples de saúde, e os hábitos de estilo de vida que fizeram parte da transformação de centenas de pessoas.

Uma transformação pela qual ele passou também.

Então escute atentamente as palavras deste sábio médico.

Porque, ouvindo o episódio até o final, você vai saber exatamente:

  • por que um cirurgião cardiologista começou a se preocupar com alimentação,
  • por que as pessoas culpam a gordura pela doença cardíaca (e quanta verdade de fato há nisso),
  • existem dois tipos de LDL — com qual você tem de se preocupar?,
  • qual a “combinação fatal” de alimentos e nutrientes que detona a saúde cardíaca,
  • qual a relação entre dietas low-carb e saúde cardiovascular,
  • quais são alguns marcadores de saúde úteis no seu exame de sangue,
  • o que LDL, HDL, triglicerídeos, insulina e proteína C-reativa podem dizer sobre a sua saúde cardíaca?
  • quais sinais e sintomas você pode observar no seu dia a dia para saber como está seu risco cardiovascular,
  • a influência da genética na doença cardiovascular,
  • por que uma dieta low-carb bem feita previne a doença cardíaca,
  • como prevenir doenças cardiovasculares,
  • como conversar com seu médico sobre alimentação,
  • quais os hábitos saudáveis que salvaram o dr Ricardo,
  • quais sintomas ele sentiu ao tomar medicação para abaixar os triglicérides (e como ele abriu mão da medicação e abaixou os triglicerídeos sem precisar de remédios),
  • qual a mensagem final do Dr. Ricardo para você,
  • por que começar a dieta ainda hoje,

e muito, muito mais.

Escute a entrevista toda no áudio abaixo.

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Você pode acompanhar o trabalho do Dr. Ricardo Schneider:

A transcrição completa do episódio está disponível abaixo.

Transcrição Completa Do Episódio Com Dr. Ricardo Schneider

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Guilherme: Fala tanquinho! Fala tanquinha! Bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast.

E hoje contamos com o Dr. Ricardo Schneider como convidado. Tudo bem Ricardo?

Dr. Ricardo: Tudo bem.

Roney: Opa, Ricardo! Boa noite, prazer falar com você.

E, para quem não conhece, o Ricardo é um médico especialista no coração, cardiologista, e vamos começar perguntando como que o Ricardo começou a se interessar por medicina e, mais adiante, como que começou a se interessar por alimentação low-carb e por aí vai.

A História Do Ricardo Schneider E A Descoberta Da Low-Carb

Dr. Ricardo: Então tá, meu nome é Ricardo Schneider, eu sou médico especialista em cirurgia cardíaca, sou responsável pelo transplante cardíaco aqui do Hospital Angelina Caron, aqui na região Sul, próximo de Curitiba.

Sou também mestre em clínica cirúrgica e já desde a minha época de faculdade eu sempre tive interesse um pouco maior voltado a questão das doenças — principalmente, claro, envolvendo minha área, que seria a de doenças cardíacas.

Porque infelizmente o problema é que a gente vê hoje nas faculdades — seja de medicina, seja de nutrição, seja de qualquer outra área — é que, o médico principalmente, ele aprende a diagnosticar doença e a dar remédio para tratar a doença, poucos se foca em como que a gente faz para prevenir essa doença.

Tanto que a área de nutrição, por exemplo, uma cadeira sobre alimentação, a gente não tem na faculdade de medicina, isso é realmente um absurdo.

A gente acaba tendo no primeiro, no segundo ano, noções básicas de bioquímica, de biologia celular… até numa época, eu acredito, muito errada.

Porque você ainda é uma criança, acabou de sair de uma escola, chega lá e começa a estudar bioquímica e você não entende porcaria nenhuma daquilo, e nem dá atenção devida para isso.

E depois, mais para frente, você fica na verdade tentando fazer diagnóstico de doença e esquece aquele básico que, muitas vezes, é só mudar uma questão de alimentação para evitar tanta complicação no futuro.

Relacionado: a graduanda em medicina Débora Di Matteo falou sobre alguns problemas sobre o ensino de medicina no Brasil.

Então desde que eu entrei na minha especialização como o cirurgião cardíaco e vendo sempre que a gente só pega a consequência — você pega lá um paciente que tem que fazer ponte safena, trocar válvula, transplantar o coração…

E, muitas vezes, se você conseguir pegar ele antes de ter a doença, você evita de ficar tendo que tratar a consequência.

O que as vezes não é um tratamento efetivo, o paciente tem que operar mais do que uma vez e fica restrito muitas vezes, e com complicações, e limitado a problemas aderentes à doença.

Então eu sempre tive essa procura, até para a questão dos meus pacientes e para a questão minha também: da minha família, de como que eu poderia estar educando melhor até os meus filhos a se alimentar evitar essas doenças.

A Verdade Sobre Comer Gorduras E Infarto

Guilherme: Excelente! Acho que você já tocou aqui em vários pontos que a gente tá animado para conversar a respeito.

Então falando sobre educação, e falando um pouco sobre essa vertente alimentar, o fato é que muita gente que nos escuta segue uma dieta que é um pouco mais alta em gordura do que a da maioria das pessoas.

E as pessoas escutam, ouvem falar — de família, amigos, enfim, de todo mundo — opiniões que elas não pediram.

Opiniões como “mas comendo gordura, comendo bacon, você vai infartar!” justamente porque elas têm alimentação mais rica em gorduras.

Você poderia falar um pouquinho sobre isso, por favor? Se tem algum mérito nessa ideia, por que as pessoas falam tanto isso?

Dr. Ricardo: Infelizmente, criou-se um dogma da cardiologia.

Se você for hoje em 90% dos consultórios médicos cardiológicos e você falar para o médico “o quê que eu tenho que fazer para ficar saudável?”

Ele vai dizer para você não comer gordura e para não comer sal, para não ter pressão alta e para não ter entupimento das artérias… mas é um dogma que vem já é de muito tempo.

Infelizmente essas diretrizes que a gente segue, que os cardiologistas seguem, elas já caducaram há muito tempo.

Isso infelizmente aconteceu lá detrás, da época de 50, quando foram feitos alguns estudos epidemiológicos, principalmente o dos 7 países do Ancel Keys, que acabou associando o consumo de gorduras (principalmente as saturadas de origem animal), associadas a doenças do coração.

Mas a gente já reviu, pouco tempo depois de 58, em 72 através do John Yudkin e outros nutricionistas, já se provou que não é gordura o problema associada à doença cardiovascular.

Por Que O LDL Não Causa Infartos

O quê que acontece: quando a gente se alimenta, todo alimento vai ser oxidado. A gente precisa oxidar o alimento pra conseguir metabolizar e utilizar os nutrientes desse alimento.

Então nós temos lá nos nossos macronutrientes, as proteínas, as gorduras e os carboidratos.

Todos eles vão sofrer oxidação e o resultado disso é a formação de espécies reativas.

O que é isso? A gente chama de radicais livres, são espécies que acabam provocando uma atividade inflamatória e dentro dos três macronutrientes o que mais faz isso são os carboidratos — porque eles não possuem nenhuma maneira de ser “antioxidados”.

Quando a gente fala em carboidrato, não são todos os carboidratos que são vilões, nós sabemos que existem alguns que até podem ser consumidos sem trazer a atividade inflamatória.

Mas os que têm alto índice glicêmico e alta carga glicêmica, que está presente, principalmente nos alimentos ultraprocessados… esses sim a gente tem que tomar cuidado.

Porque eles aumentam muito a atividade inflamatória que é a produção desses radicais livres.

A presença desses radicais livres vai começar a lesionar células.  E o principal local onde isso acontece é no trato digestivo (onde está sendo digerido o alimento, começando a oxidação), e em seguida no vaso sanguíneo (que é onde entram os alimentos e os metabólitos que esse alimento está começando a produzir, que são os radicais livres).

Então essa inflamação na parede dos vasos sanguíneos começa a destruir as células e provocar microlesões na camada interna, que é o endotélio.

Se você come uma exagerada alimentação, que aumenta muito essa oxidação, aumenta muito o stress oxidativo, você aumenta muito a sua atividade inflamatória, e vai começando a ter microlesões na parede dos vasos sanguíneos.

Aí se criou a ideia de que a gordura seria o problema porque quando a gente vai examinar, o que tá na parede do vaso sanguíneo é o colesterol.

O colesterol ele se deposita nessas lesões, nessas microlesões, mas por que isso acontece?

Nós temos o colesterol, ele sempre foi considerado um vilão por ser uma gordura, porque na hora que ele é consumido ele vai ser absorvido pelo trato intestinal e ele vai ser carreado no sangue se unindo com proteínas.

Então essas proteínas são as lipoproteínas, chamadas LDL (low density lipoprotein), que são menores e que levam os colesteróis para onde eles tem que ir: a célula, os tecidos, os órgãos.

Isso é importante salientar, o ser humano não vive sem colesterol.  O colesterol é importante e sem colesterol a gente morre. 

Então as pessoas não precisam ter medo do colesterol e ele vai ser levado para os tecidos pela corrente sanguínea, o LDL o carrega.

E quando chega lá, o excesso que não é utilizado, é trazido de novo para o fígado, onde ele vai ser armazenado na bile para ajudar na digestão das próximas gorduras que você consumir.

E daí o que acontece? A LDL está ali, passando no vaso sanguíneo e tentando levar o colesterol para o lugar certo, ela vê essa microlesão e ela vai funcionar como um efeito tampão, um efeito anti-inflamatório.

Ela passa por cima dessa microlesão, ela encontra os radicais livres, que são moléculas altamente reativas, e ela oxida, ela se oxida em cima dessa lesão.

E começa a ter uma reação que não deveria acontecer: ela não deveria estar ali, ela tinha que estar levando o colesterol para o lugar certo mas ela acabou caindo nesse buraco, nessa microlesão.

O organismo não entende essa célula no lugar errado e manda o mecanismo de defesa, que são os macrófagos, ir lá e vai fagocitar, eliminar essa célula que tá no lugar errado.

E ele destrói a lipoproteína, na hora que ele destrói a lipoproteína o colesterol fica ali depositado no vaso sanguíneo e inicia então lá o processo da aterosclerose, que são as placas de gordura.

Então criou-se a sua ideia. “Não, mas pera aí, LDL é um problema, LDL está oxidando e está entupindo a artéria. Como é que aumenta o LDL? Quando eu como gordura. Ah então a gordura um problema.”

É esse que é o problema dos estudos observacionais: é tentar achar uma relação causa e efeito, ele não tem essa capacidade.

Por Que Culparam O LDL

Eu sempre cito o exemplo simples e básico que é o da água. Se você fala “olha, todo mundo toma água.” Isso tá certo.

“Todo mundo morre.” Isso também tá certo.

Daí eu coloco numa mesma frase. “Todo mundo que toma água morre.” Essa frase está certa, mas ela não tem correlação: a pessoa não morre porque toma água.

E a mesma coisa que eles fizeram nesses estudos observacionais dizendo.

“A LDL entope artéria”. Está certo.

“A gordura aumenta o LDL” — está certo.

“então a gordura entope artéria”. Não, não é gordura.

A LDL que passou ali, ela só parou ali pela atividade inflamatória, gerada por uma alimentação errada e rica em produtos que fazem auto-oxidação e estresse oxidativo.

Além disso, nós temos dentro das frações das lipoproteínas LDL, 2 tipos: A do tipo A e a do tipo B.

Elas são diferentes na sua densidade, as do tipo B, elas são mais densas, o que faz com que a camada externa dela, onde existem apolipoproteínas, que são outras proteínas aderidas às células dessas lipoproteínas, sejam mais próximas. E nós temos as menos densas, que são as LDL do tipo A.

As que oxidam facilmente são as do tipo B, essas são produzidas endogenamente. Agora para a gente entender isso: nós temos uma lipoproteína LDL que não oxida, que é do tipo A, e uma que oxida do tipo B.

Como é que eu sei qual que é a que eu tenho? Se eu tenho um LDL alta, o quê que tá acontecendo? Será que eu tô oxidando, será que eu não estou, será que eu vou fazer placas de gordura ou não?

Então nós temos um mecanismo interno de produção de colesterol.

Como eu já tinha explicado, o colesterol é essencial para a vida animal, e para a vida do ser humano.

E 80% do nosso colesterol a gente produz: a gente não precisa consumir.

Mas tem 20% que estão faltando.

E é por isso que aquelas cadeias, aquelas pirâmides falam sempre de um “consumo de 30% de gordura” — porque a gente não consegue metabolizar e criar toda a gordura, a gente tem gorduras essenciais (que a gente tem que comer).

Então a partir dessas vêm em forma de colesterol também.

E quando a gente começa a comer mais gordura, nós temos um mecanismo chamada de feedback, que diminui a produção endógena.

Então se você come mais gordura, você não vai criar mais LDLs, você reduz a produção do seu colesterol endógeno.

E você vai acabar equilibrando o seu nível de LDL. Então não é um problema o consumo da gordura.

Gordura Mais Carboidratos: A Combinação Fatal

Agora, se além da gordura que você tá consumindo você consome alimentos ricos em açúcares, que são os carboidratos, ele acionam o mecanismo interno de maior produção de colesterol.

Isso estimula uma enzima chamada 3-HMG coenzima A redutase.

Ela é acionada devido à ação da insulina, que é liberada pela presença da glicose no sangue, e que ativa a cascata interna de produção de colesterol.

Você come gordura, você tá aumentando a sua LDL.

E você come carboidrato junto, você aumenta a produção endógena de LDL.

Aí você começa a explodir: porque você associar a gordura com açúcar é a combinação do diabo.

Isso aí vai levar a destruição das suas células.  Porque daí você vai ter sim, muita LDLs circulando, que vão acabar provocando maior oxidação.

Lembrando ainda que a que aumenta é justamente é endógena, que é a LDL do tipo B (aquela pequena que oxida).

Então o açúcar aumenta a do tipo B, enquanto que as gorduras que você come externamente aumenta a do tipo A, que não oxida.

Então comer gordura nunca vai entupir a sua artéria, desde que você não coma gordura com açúcar, com carboidrato.

Agora, se você não come gordura, você faz uma alimentação low fat mas faz high carb, com muito carboidrato, você vai, com certeza entupir suas artérias porque além da chance de você estar precipitando um diabetes, uma síndrome metabólica você está acelerando o processo de aterosclerose.

Dietas Baixas Em Carboidratos E Saúde Cardíaca

Roney: Perfeito, Dr Ricardo. Perfeito. Nossa, achei que a explicação ficou muito boa e fácil de entender sobre esse assunto.

E já até pincelou naquilo que a gente gostaria de falar, que a relação das dietas baixas em carboidratos, low-carb, cetogênica ou num extremo a mais, carnívora com relação à saúde cardíaca.

Até porque muita gente se preocupa que fazendo essas dietas mais ricas em gorduras saturadas, vai haver um aumento do colesterol e, de fato, até pode haver…

Mas será que isso é realmente prejudicial para saúde cardíaca?

Então qual que é o seu insight nessa questão da saúde do coração, com essas dietas baixas em carboidratos e mais elevadas em gorduras saturada?

Dr. Ricardo: Então, na verdade a gente precisa até estimular para que os pacientes façam a low-carb— e é uma mudança de paradigma difícil, sabe?

Então como a gente consegue realmente demonstrar isso — digamos, bioquimicamente, através de exames laboratoriais — que um alimentação rica em gordura não é prejudicial… enquanto uma alimentação rica em açúcar é prejudicial?

A gente vai dosar simplesmente pela atividade inflamatória. Você pega lá, faz uma dosagem sanguínea de uma proteína C-reativa (que é uma molécula de uma atividade inflamatória).

Pacientes que consomem açúcar vão ter alta incidência de inflamação e vão ter essa PCR alta, então é o primeiro fator que já chama atenção para a gente.

A própria dosagem da insulina basal, mostrando que a pessoa come muito carboidrato, então a insulina também sobe, a insulina também é uma atividade inflamatória, também aumenta a atividade inflamatória.

E nós temos também o perfil lipídico.

O perfil lipídico avalia, aqui no Brasil:

  • a LDL total, que para mim pouco importa praticamente, não tem significado nenhum,
  • avalia os triglicerídeos,
  • e avalia as HDLs.

Os triglicerídeos, HDL, e colesterol total podem te ajudar a ter uma ideia e uma definição de como está a sua saúde, e a questão dos riscos de aterosclerose e doenças cardiovasculares.

Relacionado: veja no vídeo abaixo como abaixar os triglicerídeos de maneira natural.

Quando a gente come muito açúcar, o açúcar vai ser digerido, produzindo ATP — e o que você não consome na forma de energia vai ter que ser armazenado.

Você comeu demais, o organismo entende que está armazenando e ele começa a produzir mais gordura.

Então ele vai fazer ácidos graxos, esses ácidos graxos não conseguem ser armazenados dentro do fígado.

Ele joga para fora, na forma de triglicerídeos, e vai ser armazenado então na periferia da gordura branca (que é a gordura que começa a se exteriorizar, começa na barriga e assim vai).

Quando a gente tem níveis de triglicerídeos altos, então é porque você está consumindo muito açúcar.

Só há uma única maneira de subir o seu triglicerídeo, e é com açúcar.

(E “açúcar” que eu digo é carboidrato em geral: não é só o açúcar refinado, é o açúcar que está presente no amido, e em vários carboidratos ultraprocessados.)

E o HDL é o mecanismo de retirada do colesterol que tá na periferia.

Quando você está com uma relação de triglicerídeos muito alta, você acaba estocando a gordura e você não consegue fazer retirada de volta para o fígado, então os níveis de HDL baixam.

Então o paciente que comeu carboidrato, ele tem a sua proteína C-reativa (atividade inflamatória) alta, ele tem seu triglicerídeo alto e ele tem o seu HDL baixo.

Então a pessoa faz exame, e a lipoproteína vai vir às vezes normal.

Mas será que essa lipoproteína que ele tem, mesmo estando em níveis normais, é perigosa para fazer aterosclerose ou não?

A gente faz o cálculo.

Relações Úteis No Seu Exame De Sangue

A gente pega e divide os triglicerídeos pelo HDL e essa relação tem que ser menor do que 1.7.

Se isso acontecer, pouco me importa se ele tem 300 de LDL ou seja qual foi o valor do LDL, que eu sei que esse LDL não é ruim porque ele não vai oxidar.

Significa que é uma pessoa que consome pouco carboidrato. E a mesma coisa você pode fazer com relação ao HDL e colesterol total.

Você pega o HDL e divide pelo seu colesterol total e ele tem que dar uma relação maior do que 0.24.

Que também demonstra que você está consumindo poucos açúcares.

Agora se essa relação está invertida (se o teu triglicerídeo é muito alto, o teu HDL é muito baixo), você começa a ter relações aí 2, 4, 6 que são justamente o perigo associado a suas LDLs, de riscos de doenças cardiovasculares.

Às vezes o cara tem uma relação triglicérides-HDL de 4, com uma LDL de 60, aí eles falam assim “A LDL do cara tá bom, então beleza. Tá tudo tranquilo”.

Não! Ele está correndo alto risco de ter um infarto.

Porque justamente a LDL que ele tem, mesmo sendo pouca, é a que vai oxidar, é essa que vai trazer doença.

Então a LDL sozinha não deve nem ser utilizado como parâmetro de doença cardiovascular.

Inclusive aqui no Brasil nós estamos sempre atrasados: aqui a gente tem como dosar as nossas LDLs ruins, que é LDL peroxidada… só que isso custa R$ 1.600 reais.

Não tem convênio que pague, não tem SUS que pague, e a pessoa não vai pagar todo mês R$ 1.600 reais para ver se a LDL dela tá boa ou tá ruim, nem a cada 6 meses, é um absurdo esse valor!

Então a gente tem que fazer essas correlações para conseguir associar ao LDL ruim ou bom.

Lá fora, nos Estados Unidos, eles têm o VAP, que é o Vertical Auto Profile, eles conseguem definir bem umas 14 tipos de LDL.

Os caras estão muito mais avançados e sabendo controlar muito melhor a questão de controles de colesterol e da sua alimentação, do que nós estamos aqui no Brasil.

Infelizmente aqui sempre atrasa a evolução, né?

E, além de a gente não ter acesso, parece que não existe muita força de vontade de fazer as coisas acontecerem.

Porque as mentiras, as diretrizes, elas vão se enraizando e, quando você começa a mudar, tenta fazer essas mudanças de paradigma, vem cacetada para tudo que é lado.

O pessoal não aceita, e fala mal, e xinga — e xinga até a mãe da gente quando começa a falar.

Mas infelizmente alguém tem que começar e a gente tem começado esse trabalho, estamos com um grupo forte, bastante gente atuando na área, tentando elucidar um pouco mais, esclarecer um pouco melhor.

Hoje é muito fácil, inclusive essa iniciativa de vocês, os podcasts e tudo, é muito fácil a gente ter acesso à informação.

E essa informação é fácil de ser achada na internet: você publica alguma coisa, mesmo que você não coloque o link, a pessoa pega pela chamada e já consegue achar o link, é muito fácil.

Então não são mais inverdades. você consegue ter fundamentos embasado, estudos randomizados, as coisas sendo demonstradas… e aos pouquinhos vamos mudando esses conhecimentos, essas ideias.

Sinais E Sintomas Para Observar No Dia A Dia

Guilherme: Com certeza, com certeza. Um movimento que é difícil de parar.

Só recapitulando um pouquinho, você mencionou os triglicerídeos, que são um bom marcador disso, a proteína C reativa…

Nesse contexto de que esses exames mais específicos custam uma fortuna, o que a pessoa pode olhar também no dia a dia dela, nos exames normais?

Além desses marcadores, tem outra coisa que ela deveria observar? (Talvez, por exemplo, se olhar no espelho).

O que que ela tem que prestar atenção para poder dizer e ter uma noção se ela está com risco cardiovascular, se ela não está, se ela tem que se ligar no consumo dos carboidratos refinados, que é algo que aumenta os triglicerídeos.

O que que a pessoa do dia a dia pode tomar como uma medida base para ela se orientar?

Dr. Ricardo: Veja, pessoas que se alimentam mal, principalmente por consumo de carboidratos em excesso, elas vão ter sinais e sintomas bastante parecidos.

Então fadiga, cansaço, aquela pessoa que tem fome o tempo todo, ela vai querer comer a cada 3 horas, que nem o cardiologista dela orientou, ela vai ter uma insônia, ela dorme mal, ela começa a ter déficit de memória, ela começa a ter alterações até urinárias.

Outro marcador que eu não citei mas também que começa a subir, é o ácido úrico.

Porque quando você começa a ter muita glicose, você faz hiperglicemia, você aumenta os níveis de insulina circulando, então a insulina basal consegue dar uma noção para nós de quanta insulina está sendo utilizada e começa a fazer resistência à insulina.

E, quanto mais insulina você disponibiliza, menos ácido úrico vocês excreta.

Então você começa a fazer uma hiperuricemia, o paciente “estou com gota, tô fazendo crise de gota, dor articular”… e daí ele acha que é porque tá comendo carne, porque falaram para ele que a proteína aumenta o ácido úrico.

E ele para de comer carne, e continua tendo crise — porque ele come açúcar. São sinais e sintomas muito parecidos e muito semelhantes.

Claro, a pessoa vai notar um sobrepeso, vai aumentar, muitas vezes até os níveis de obesidade.

Se ela realmente fizer um acompanhamento médico, é importante o acompanhamento nutricional para conseguir saber os seus percentuais de gordura, saber quanto que tá acumulando.

Porque às vezes a gordura não se exterioriza tanto, a pessoa tá um pouquinho só acima do peso mas ela tá com uma gordura visceral alta, com riscos de uma doença cardiovascular, risco de diabetes, de resistência à insulina, síndrome metabólica, essas coisas.

São parâmetros que a gente vai ter que fazer um acompanhamento, claro, mas que a pessoa já vai perceber.

A pessoa sabe quando ela não tá bem, ela começa “eu não durmo direito, eu tô cansado, eu fico o dia inteiro cansado, eu acabei de acordar e já tô cansado, eu acabei de comer e já tô com fome, eu como e fico com sono”, entendeu?

São coisas que são associadas a essas alterações de insulina rápida, alterações de glicose no sangue, aumento de glicose, baixa de glicose, sintomas de hipoglicemia, a pessoa começa a ter taquicardia, a pessoa começa a ter sudorese.

Então são sinais que acompanham uma má alimentação — isso é, infelizmente, associado ao consumo em excesso de carboidrato.

A Influência Da Genética Na Saúde Cardiovascular

Roney: Com certeza, Ricardo, e além desse fator de alimentação e estilo de vida — como, por exemplo, ser fumante, que pode ser pior também para saúde cardíaca — existe uma parte genética?

Um fator genético para as pessoas terem preocupação com a relação da saúde cardiovascular?

Dr. Ricardo: Existe, claro. Nas doenças cardiovasculares não é a grande parte, mas muitas pessoas têm uma predisposição já a ter um aumento dessas doenças.

Então existem doenças, dislipidemias familiares onde a produção endógena é acelerada demais, mas não é por questão de alimentação, por alterações enzimáticas, então a pessoa já tem esse histórico.

E você faz um exame e encontra 500 de LDL, de colesterol total alto demais, e é uma pessoa magra… você começa a associar doenças, você vai fazer alguns estudos, alguns exames específicos. Mas existem essas doenças hereditárias.

A própria hipertensão, ela também pode estar associada a problemas hereditários, doenças valvares também.

A cardiomiopatia, que é a doença que acomete o músculo cardíaco, ela pode sim também estar envolvida com problemas hereditários.

Mas se a gente for por isso em parcela de doenças que a gente atende hoje em consultórios, mais de 90% das doenças é adquirida mesmo, não é hereditária, é má alimentação.

Então, claro, se você tem uma história familiar, é um adendo a mais, é um dado a mais que precisa ser controlado: quanto antes de você começar a fazer os seus acompanhamentos, os seus check-ups, melhor.

Porque a gente sabe que a chance de você desenvolver é maior do que uma população normal.

Mas isso não é uma regra: não é necessário também uma pessoa que tem uma predisposição, desenvolver a doença.

Porque se ela conseguir manter hábitos de vida saudável, muitas vezes, ela evita o problema.

E daí a gente entra na questão da atividade física, porque atividade física tem benefícios como o condicionamento cardiovascular, controle de inflamação, consumos certos dos seus alimentos (e a atividade física consegue fazer com que você utilize os alimentos que você está comendo), então a atividade física é essencial também para a saúde cardiovascular adequada.

Guilherme: Perfeito, doutor Ricardo.

E, nesse ponto de pessoas que têm essa tendência genética, que observam que gerações anteriores de suas famílias infartaram, ou tiveram doença cardíaca…

Elas têm de fazer alguma coisa diferente da pessoa normal que não tem essa tendência ou os cuidados de prevenção são os mesmos?

Dr. Ricardo: Veja, o acompanhamento, claro, eu acho que tem que ser mais precoce.

Sempre temos que estar de olho porque a gente não sabe em que momento da vida a pessoa pode desenvolver.

E quanto antes ela aprender, principalmente a fazer atividade física correta e até uma alimentação correta, mais rápido vai ser a chance da gente prevenir que ela desenvolva o problema.

Quando a gente fala em questão de infarto e a doença aterosclerótica, isso aí tem que ser acompanhado de perto mesmo.

Se ela já tem histórico na família… claro que você vai ter que ver o histórico da família.

Porque às vezes o pai infartou mas o pai tinha 70 anos e a vida inteira come açúcar, então na verdade ele adquiriu uma doença, não significa que ele passou isso para outra pessoa.

Agora, “não, meu avô morreu de morte súbita quando ele tinha 40 anos”. Opa!

Aí já tá menos claro que seja um problema alimentar.

Não foi uma doença crônica, ele teve uma doença aguda, então provavelmente tinha alguma alteração arterial, ou às vezes uma dislipidemia que não tava tratada, algum diabetes, alguma coisa assim.

Tem que saber bem o histórico, colher bem essa anamnese, e tem que fazer o seguimento.

Agora basicamente, a pessoa tem que cuidar da sua alimentação.

Se ela não começar a reduzir desde cedo os seus carboidratos, começar a ter uma alimentação regrada, uma atividade física correta, ela vai desenvolver mais rápido do que outras pessoas.

Porque a tendência hereditária, na verdade se acelera com seus hábitos do dia a dia.

Tomemos o cigarro, como você comentou ali. Cigarro não tem nem como dizer, porque ele é um um veneno.

Não é só pela toxina que ele traz, mas também pelo calor que ele provoca: na hora que desce aquele calor pela traqueia, a traqueia está grudada ao coração. Só presença do calor ali chega a 1000 graus, você queima o coração praticamente.

E você começa a ter aquele estímulo de calor que faz as células quererem se defender e fazer placa para se defender do calor.

E isso além da toxina: que tem 300 mil tipos de coisas tóxicas que aumentam as atividades inflamatórias, os radicais livres, e toda aquela ativação inflamatória.

Aí se o cara fuma, se o cara bebe, se o cara não faz atividade física, é sedentário, começou a comer muito carboidrato, faz um acúmulo de gordura… pronto!

Não tem mais o que salvar, vai entupir.

E não vai entupir só a artéria do coração, vai entupir o corpo inteiro.

Então pode acontecer um AVC, derrame cerebral, começa a ter obstrução periférica, começa a amputar membros, e assim vai.

Dieta Low-Carb E Cetogênica Pode Reduzir Risco Cardiovascular

Roney: Com certeza, e só para deixar bem claro, como a maioria dos nossos seguidores já são pessoas que, ou seguem uma alimentação baixa em carboidratos ou um pouco mais restrita como a cetogênica

Ou se interessa por esses assuntos e pensa em seguir ou migrar a sua alimentação para alguma dessas duas, então para deixar mais claro, para resumir, fechar esse para o pessoal.

Uma alimentação low-carb ou cetogênica pode então ajudar a diminuir o risco de doenças cardíacas ou depende? E, se depende, do que depende?

Dr. Ricardo: Uma alimentação em baixo consumo de carboidratos sempre vai ajudar e vai prevenir doenças cardiovasculares.

Os vasos sanguíneos, como eu tinha explicado anteriormente, são os principais envolvidos na atividade inflamatória que a gente gera durante a nossa alimentação — e quem mais gera atividade inflamatória é carboidratos.

Então é aquela velha história, nós temos proteínas essenciais. Se você não consome, você fica doente, ou faz carência, ou até pode morrer.

A mesma coisa com gordura: se você não consumir determinados tipos de ácidos graxos você vai ter carências e pode morrer.

Agora carboidrato, nós não não temos carboidratos essenciais. Se você comer 0%, no caso numa cetogênica, uma carnívora, 0% de carboidratos, você não vai ficar doente e você não vai morrer.

E, melhor ainda, você vai continuar saudável — e muito saudável.

A gente sabe dos benefícios da dieta cetogênica, a níveis do sistema nervoso central, a nível cardiovascular, a nível até da questão de ajuda no emagrecimento.

Então pode ficar tranquilo que você sempre vai ter benefícios com alimentação low-carb controlando seus carboidratos.

Como Prevenir A Doença Cardíaca

Roney: Certo, perfeito Ricardo. E quando a gente fala em prevenção de doença cardíaca, do que exatamente a gente tá falando?

Quais os tipos de exames principais e quais os marcadores que as pessoas devem se ater mais?

Dr. Ricardo: Nós temos exames físicos, a primeira anamnese, claro, o médico vai sempre perguntar alguns detalhes, procurando até se há história hereditária, procurando algum outro tipo de doença que o paciente já tenha.

Temos os marcadores laboratoriais, onde você vai estar pegando todo esse perfil lipídico, atividade inflamatória… procurando ver função renal, função hepática — porque até a função hepática fica alterada na presença de inflamação.

Você vai ter que também tá sempre pesquisando a questão hormonal — porque pacientes que consomem carboidratos demais alteram até a produção hormonal.

Porque, se você diminui gordura, você diminui a produção de hormônios.

Então a pessoa tem que ter esse acompanhamento, a gente tem que saber como é que tá.

Às vezes ele para de produzir hormônio de crescimento — e a massa magra começa a virar massa gorda.

E tem outros fatores ali no exame físico, a gente tem que estar sempre pegando alguns marcadores de doença cardiovascular que é justamente você medir a circunferência abdominal, você saber a tua relação quadril e cintura, saber se essa relação está adequada ou não.

Você vai ver, num parâmetro geral, além da pressão e da frequência cardíaca, da ausculta que você vai fazer no seu exame físico, você vai conseguir ver se o paciente tem perda de massa muscular.

Você consegue ver isso com uma fita métrica: você vai medir a panturrilha, você vai medir uma medida do braço, e assim você consegue ter alguns parâmetros de exame físico.

E claro: para saúde cardiovascular, o teste de esforço ainda é um teste bastante acessível.

Ele consegue trazer pelo menos a questão da aptidão cardiorrespiratória, se o paciente está tendo aptidão certa.

Se ele realmente faz atividade física que ele fala que faz — ou se ele não faz, quanto que tá acometendo essa questão.

Se ele está ou não apto para fazer uma atividade física, se altera o eletro na hora que ele faz um esforço, se ele tem algum tipo de sintoma.

Então isso já ajuda para gente a ter um condicionamento.

É muito melhor do que só um eletrocardiograma: porque o eletrocardiograma é um momento, a pessoa parada em repouso. Muitas vezes não traz uma boa informação para nós.

Só traz o ritmo, se o ritmo está regular ou não. E quando o paciente faz um esforço, esse eletro sim, pode alterar, pode ter para nós alguma interação que seja significante para dar a sequência até a outros exames mais específicos, procurando outras doenças.

Então, basicamente, tem que ter um check-up.

Você vai passar por um exame físico, vai ser retirada uma história sua, você vai fazer exames laboratoriais que nos ajudam a ver os marcadores de doenças.

Você vai fazer alguns exames a mais, que vão ajudar a esclarecer como é que está a sua saúde cardiovascular, principalmente em teste de esforço.

Em alguns casos o ecocardiograma em pacientes que já estão com muitas sobrepeso, obesidade já mais acentuada, que já tem um histórico de pressão alta, já está mais taquicárdico, esses aí a gente tem que fazer um ecocardiograma para ver questão de musculatura, para ver se o coração já não está muito hipertrófico, se está alterado… e tudo o mais.

Mas basicamente, se você tiver um bom exame físico laboratorial, um teste de esforço, você já consegue fazer um check-up quase que completo.

Como Conversar Sobre Alimentação Com Seu Médico

Guilherme: Eu gostei da ideia de “ver se a pessoa faz exercício que ela fala que faz”, muito bacana.

E falando em falar e conversar, por um lado é claro que a gente não tá falando para ninguém sair fazendo low-carb, cetogênica e ignorar o acompanhamento médico que é algo importante e necessário.

Porém, por outro lado, tem aquele ponto que você mesmo mencionou: o de que 90% dos consultórios de cardiologia que a pessoa vai entrar, (ou seja, a maioria deles se ela entrar aleatoriamente), ela vai ouvir dizer que a gordura faz mal, que a carne faz mal, etc e tal.

Então qual é a melhor forma de abordar essa mudança alimentar com seu o médico, se ele porventura, discordar do seu ponto de vista inicialmente?

Dr. Ricardo: Basicamente, o paciente que vai procurar uma ajuda ele tem que procurar, ou um profissional que já saiba que atua nessa área de alimentação, ou ele tem que questionar.

Infelizmente ele tem que chegar lá dizer “olha doutor, eu ouvi falar, ou eu li, eu sei que eu precisava, queria dosar, não sei se o Senhor pede esse tipo de exame, ou será que recomenda alguém que eu possa fazer”.

Porque tem, realmente, muitos médicos que não vão mudar e o que eu vejo de problemas, muitas vezes, é que é uma ordem, né? “Não, não, não é assim! Você faça isso e acabou.”

E muitas vezes não tem uma explicação lógica, e ele nem quer explicar por que ele atua daquela forma.

Então é difícil — tem que procurar, tem que ir atrás, tem que estar bem informado, tem que saber questionar.

Também não é assim para chegar no médico e vomitar um monte de coisa em cima do cara, que às vezes nem ele está preparado para responder a determinadas perguntas, mas o médico tem que estar aberto.

“Olha, essa parte não posso te dizer, eu não entendo muito bem dessa área, então eu poderia dar uma pesquisada e posso te informar numa segunda consulta.”

Uma orientação básica assim, normalmente os cardiologistas até têm, só tem que tomar cuidado no que ele vai começar a prescrever. Porque se começar a prescrever remédio, a gente já vê que, na verdade, não tá tendo tanta tanto interesse no tratamento.

Todos os pacientes que vem para mim, eles estão com o colesterol alterado e o paciente já vem me procurar porque ele tá com medo desse colesterol alterado.

Daí a gente vai buscar a causa e eu vou te dizer que grande parte deles o colesterol que está alterado é ruim mesmo: o cara come errado, come tudo errado, come um monte de carboidrato…

Agora outros não: tem outros que a gente vê que se a pessoa está saudável, ela vem e eu consigo mostrar e provar para ela que o LDL,o colesterol dela não é o problema e ela consegue, às vezes, até deixar de tomar sinvastatina que já tinham dado em outro consultório.

Então tem que procurar, tem que ir atrás, tem que achar pessoas que estejam suscetíveis até a aceitar uma indagação — alguém que não seja arbitrário na sua conduta… são médicos que muitas vezes, ainda não estão atualizados o suficiente, mas tem muitos que estão.

Então tem que procurar, tem que ir atrás e conseguir encontrar informação de verdade.

Roney: Com certeza, às vezes você pode chegar no seu médico, ele pode estar atualizado como você falou, é um dos casos.

Outro caso é um em que pode ser que ele ainda não esteja atualizado, mas que esteja aberto ou conversar, a entender, a ir atrás e a ler informações se você apresentar.

E tem um último caso que é o mais chato — e que é de quem fala “ah não, eu que estudei, eu que sei, nada disso, tá errado”.

Nesse último caso, é melhor mudar de médico procurar outro mesmo.

Dr. Ricardo: É, aí não tem jeito.

O médico tem que ter um diálogo. Não é um monólogo.

Não pode ser “é isso e acabou!”

Ele tem que estar sempre entendendo a parte do paciente, inclusive para tirar as dúvidas da maneira correta.

Os Hábitos Saudáveis Do Dr. Ricardo Schneider

Roney: Com certeza, é muito importante esse diálogo.

Ricardo, agora mudando um pouquinho o assunto do episódio, a gente queria te perguntar quais são os seus hábitos saudáveis — com relação a tudo na sua vida.

Pode ser com relação à alimentação, esporte, sono.

O que você achar que é saudável e faz bem para você, pode falar que com certeza o pessoal vai gostar de saber.

Dr. Ricardo: Então, isso é interessante. Porque eu comecei realmente a cuidar da minha alimentação há mais ou menos uns três anos, quando eu fui fazer exames de sangue de rotina.

Eu nunca fui uma pessoa gorda, nunca fui obeso, mas eu tava com sobrepeso sim, eu tenho 1,87m eu tava com uns 92 kg mais ou menos, já com aquela barriguinha aparecendo.

Você começa a se olhar assim, “pô, tem alguma coisa errada”, estou me sentindo meio cansado e tal.

E eu fui fazer os meus exames de rotina, e daí veio lá meu colesterol estava em 190 total, meu LDL em 60 —  beleza, tudo tranquilo, meus triglicerídeos em 280 e o meu HDL em 36.

Eu olhei “puxa cara, mas o meu LDL está bom, colesterol total tá bom mas não tá certo isso — como é que eu posso estar com triglicerídeo tão alto?”

Aí eu peguei e me auto mediquei: em vez de eu consertar na minha alimentação, eu comecei a tomar remédio para abaixar o triglicerídeo, e repeti o exame em 2 meses.

As minhas transaminases hepáticas, elas subiram quase que quatro vezes, eu quase fiz uma insuficiência hepática por causa do remédio, aí eu falei “não, tem alguma coisa muito errada. Eu não posso ficar tomando remédio para baixar triglicerídeos. O quê que eu tô comendo? Como é que eu vou fazer?”

E daí que eu fui me aprofundar na questão da low-carb e comecei fazer diminuição, restrição de carboidrato, principalmente os ultraprocessados, e fui tirando, fui aos pouquinhos me adaptando.

Eu sempre fui mais carnívoro, então eu comecei a dar mais preferência para as carnes e comer mais verduras e tal, coisa que eu não comia tanto.

E em 3 meses, veja só a diferença que deu, em três meses eu tinha perdido 13 kg, daí eu fui fazer os meus novos exames de sangue, meu triglicerídeo tinha caído para 68.

E eu não citei a proteína C-reativa. Minha proteína C-reativa inicial ela tava em 0,5, o normal é até 0,5. Ela caiu em 3 meses para 0,08, então ela já tava entrando no decimais, o meu HDL subiu de 36 para 44 e o meu LDL não alterou nada, de 60 acho que foi para 75, alguma coisa assim e o meu colesterol total também se manteve igual.

Aí eu falei assim “tá aí! Não dá para comer açúcar”.

Já estava mostrando que a minha atividade inflamatória diminuiu, minha Gama GT (que era prova de função hepática) diminuiu, tudo melhorou.

Daí eu falei assim “não, então agora o que que tá faltando? Eu tenho que fazer uma atividade física porque eu realmente tava muito mal, eu tive um problema que eu esperava muito, e eu fiz uma hérnia de coluna, eu tive que operar minha coluna cervical e dores nas costas insuportáveis.

Eu falei assim “se eu não fizer alguma coisa agora de fortalecimento, eu vou começar a ter que operar a coluna todo ano”, e daí eu comecei uma atividade física com personal, comecei a fazer sequência.

Agora eu já fazem mais de dois anos que eu faço atividade, até buscando um pouco mais de hipertrofia. Estou saudável, conforme os meus últimos exames.

Já faço há dois anos uma low-carb severa mesmo, que eu faço quase que uma cetogênica, às vezes um pouquinho de carnívora.

Nesses dois anos, a C-reativa (que estava em 0,08), agora minha proteína C reativa 0,003.

Está na casa dos milésimos, o meu triglicerídeo baixou de 68, ele foi para 55 e o meu HDL subiu para 51, e não mudou nada no meu colesterol total e no meu LDL.

Pra você ver que como foi uma experiência, que para mim, provou o que eu tava estudando, provou que funciona.

Tira o açúcar, come a gordura e proteína, come a gordura, comida de verdade, come as suas verduras como acompanhamento sem problema nenhum, isso não provoca oxidação, isso não provoca atividade inflamatória no seu organismo.

Você consegue ficar saudável.

E daí institui para toda minha família, hoje até meus filhos já sabem que a sobremesa é um moranguinho, final de semana só que vai ter alguma coisinha mais, porque criança é difícil de controlar tudo.

Às vezes tem uma festinha, alguma coisa assim… mas é comida de verdade todos os dias aqui em casa, aprenderam a comer um pouco de verdura, aprenderam a comer bastante carne, comer ovo, comer queijo e assim a gente vai tentando manter uma alimentação saudável aí para todo mundo.

Sintomas Colaterais De Usar Medicação Para Abaixar Triglicerídeos

Guilherme: Sensacional, acho muito bacana todo esse relato, tanto pela própria experiência prática que você fez — de início, fez o que talvez faria para um paciente, isso de receitar o remédio. Começou a tomar e aí viu na pele que aquela não era uma atitude muito sustentável, né?

Dr. Ricardo: Eu tinha dores musculares, eu comecei a falar “mas o quê que tá acontecendo?”

Aí quando eu fui dosar aí eu falei “pô, tô quase perdendo meu fígado, com dor muscular. Não é possível.”

Aí você vai ler a bula do remédio, “meu Deus do céu, eu vou parar com esse negócio, não dá para tomar não”.

E muita gente fica tomando isso para o resto da vida daí a pessoa se sente mais doente e não sabe porque — e é o remédio que tá fazendo isso.

Então é uma mudança de alimentação, claro, não é fácil.

O açúcar é viciante, a gente tem vontade de doces, a gente sabe que ele compete pelos mesmos receptores da cocaína, eles vicia, às vezes, até 8 vezes mais, a pessoa tem vontade de comer.

Mas não é impossível: você fica uma semana, duas semanas, um mês, quando você ver, você nem quer mais ver as coisas com açúcar.

Você já começa a demonizar aquele tipo de alimentação, você já começa até achar ruim que a pessoa toda hora tá comendo.

Então você já começa a ter aquela orientação correta, começa a fazer a coisa certa — sem falar na atividade física: você libera endorfina, começa a sentir bem, então é uma situação que a gente precisa tá sempre ativo, não deixar a musculatura parada, ajudar melhor no teu dia, a dia tua insônia, a questão de sono.

Outros Benefícios Da Atividade Física

Guilherme: Você tava dizendo da questão dos exercícios também, que se a gente não usa, não treina, a gente não tem porque manter os músculos.

Não tem porque ter essa demanda toda de energia, e nem manter a força e todas as coisas são importantes que a gente sabe disso também, questão da atividade física.

Dr. Ricardo: Exatamente, atividade física é fundamental.

Tanto que, nessa minha experiência, que nem eu tava explicando, eu perdi 13 kg de massa gorda e eu consegui ganhar nesses dois anos, 6 quilos de massa muscular fazendo atividade para hipertrofia, fazendo atividade certa, mantendo o meu cardiovascular.

Então se o condicionamento melhorou 100% consegui melhorar minha performance, consegui melhorar minha saúde, e claro, hoje as dores que eu sentia acabaram, nunca mais tive problema de dor na coluna, de insônia, de dificuldade para dormir.

O sono durante o dia, que o açúcar provoca muito isso, isso aí acabou. Então alimentação e atividade física é o segredo da longevidade saudável.

A Mensagem Final Do Ricardo Para Você

Roney: Perfeito, Ricardo. E agora a gente gostaria de ouvir de você, uma mensagem final para pessoal que tá ouvindo a gente.

Pode ser qualquer coisa que você queira dizer, geralmente o pessoal fala alguma coisa relacionada a qualidade de vida, melhorar a saúde. Mas é um recado final, uma parte livre do podcast para você falar o que você preferir.

Dr. Ricardo: Hoje, eu, como médico, como o cirurgião cardíaco, vendo todas as doenças que a gente faz e que a gente trata todos os dias, eu sou responsável do transplante cardíaco.

Então pego pacientes, realmente, em fase terminal e doenças que poderiam ter sido evitadas porque, muitas vezes, a cardiomiopatia ela é isquêmica, pelo entupimento da artéria, por obstruções, uma má alimentação.

Então, o que eu deixo de recado é: cuide da sua saúde enquanto há tempo, não deixe para cuidar depois que você se aposentar, depois que você já tiver mais velho e começar a se preocupar porque daí não vai mais ter volta.

Você tem que estar todos os dias, você tem que se regrar, tem que comer certo, “ah, é chato!” Não importa! Você tem que comer.

Ninguém vai fazer isso por você.

E, se você tiver comendo certo, você nem vai precisar comer tanto — e você vai ver que a saciedade melhora, a sua disposição melhora, e as suas doenças diminuem.

Então você evita depois de ter que ficar tomando remédio.

Coma certo hoje, faça a coisa certa, restrinja os carboidratos.

A alimentação low-carb não é “diminuir açúcar”.

As pessoas acham “ah então se eu comer pouco açúcar”.

E não é isso: você tem que tirar os carboidratos ruins, o que tem alto índice glicêmico, o que tem alta carga glicêmica tem que ser evitado e não consumido.

E daí, claro, você precisa de uma orientação, procure seu médico, seu nutrólogo, o seu nutricionista, faça uma orientação de uma alimentação correta.

Você não vai se arrepender comendo certo, fazendo atividade física, você vai conseguir envelhecer saudável.

Porque não adianta nada ficar velho e tomando remédio uma cama, ou dependendo de outras pessoas, ou com a perna amputada, com uma doença intratável.

Então pense no seu futuro, pense nas pessoas, até na sua própria família.

Muitos são casados, muitos têm filhos, muitos até já estão passando por isso, cuidando de um pai, de um avô doente.

Então cuidem disso enquanto há tempo, e não é difícil.

Difícil é, mas não é impossível. Você tem que começar hoje para poder conseguir melhorar amanhã.

Roney: Com certeza, com certeza. Até porque um, dois, cinco, dez anos você vai desejar ter começado hoje, né?

Quando você tá ouvindo o episódio, é a melhor hora para você tomar uma atitude.

E Ricardo, agora que a gente tá chegando da parte final, a gente gostaria que você deixasse as suas mídias sociais para quem quiser acompanhar o seu trabalho, as suas postagens, e também o seu podcast que a gente sabe que você tem um, que é muito legal e o pessoal que gosta de acompanhar o nosso, com certeza vai gostar de acompanhar o seu também.

Siga O Dr. Ricardo Schneider

Dr. Ricardo: Então tá, eu sou doutor Ricardo Schneider.

Vocês podem me seguir através do Instagram, então é o Doutor.RicardoSchneider e podem também nos seguir através do Além do Bisturi, que é um podcast que a gente faz semanal, eu e Doutor, Fabio Rieger, lá de Joinville também, fazemos vários segmentos mostrando alguns benefícios de alimentação low-carb.

Basicamente focado nessa parte das vantagens e desvantagens, pode me seguir através do Instagram.

Neste link você vai acabar se direcionado para as outras redes sociais, estamos presentes em praticamente todas.

E agradeço a vocês pelo convite, espero que tenha sido bastante proveitoso.

É sempre boa a conversa, a gente sabe que o trabalho de vocês têm sido muito bom, até para divulgação, porque esses temas são muito importantes para a saúde das pessoas.

Hoje em dia elas têm se preocupado mais, tem buscado mais informação através dessas redes, então é importante esse tipo de trabalho que vocês estão fazendo aí. Agradeço pelo convite.

Guilherme: Que isso, Dr Ricardo. A gente que agradece por você ter vindo aqui, separado um tempinho na sua conturbada agenda para poder ajudar também, justamente, a difundir esses conhecimentos para a população que tanto precisa.

Conforme a gente até bateu na tecla, algumas vezes alguma coisa do episódio.

Existem muitos erros conceituais, até mesmo, da parte de alguns profissionais sobre como se prevenir, como promover saúde para a população.

Então esse trabalho de divulgação é fundamental e a gente queria te agradecer novamente por estar fazendo parte desse movimento, inclusive aqui no nosso podcast hoje. Brigadão.

Dr. Ricardo: Não, eu que agradeço.

Roney: Então é isso aí. Muito obrigado Dr. Ricardo, e muito obrigado também a todo mundo que nos ouviu até aqui.

E para você que gosta do nosso episódio, se inscreva então pra não deixar de ouvir nenhum dos próximos, inclusive a nossa próxima entrevista é com o Dr. Fabio Rieger que tem o podcast junto com o Dr. Ricardo Schneider.

Então pra não perder essa entrevista que também tá muito boa, é só você se inscrever! A gente está no Spotify, estamos no SoundCloud, e em muitos outros lugares, é só procurar lá por Senhor Tanquinho.

Ou usar os links abaixo.

Seja qual for sua mídia favorita, o nosso podcast está lá!

Guilherme: Pessoal, muito obrigado. Se inscrevam para não perder nada e a gente se fala na segunda-feira que vem.

Um forte abraço do Senhor Tanquinho!

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Eliana
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Eliana

Ainda não ouvi inteiramente, parei no momento em que o médico faz uma análise sobre o triglecerídeo e a correlação sobre a ingesta de mais carbos. No meu caso, eu estou na dieta LoW Carb há dois anos! Estou com um problema de demorar demais p perder peso e de vez em qdo ficar num platö, e se consumir um pouco a mais de carbos eu já aumento de peso, porém, não é sobre isso q venho falar! Eu fiz exames agora e o resultado foi colesterol total meio alto, mas HDL tb alto (Relação de 3,7 entre ambos) LDL… Read more »

Pedro Luis Schütz
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Pedro Luis Schütz

Sensacional! Parabéns a todos !