Podcast do Senhor Tanquinho #020 – Nutri Paula Mello E Comida De Verdade

Continuamos nossa saga de entrevistar os melhores especialistas sobre alimentação e estilo de vida saudável.

E, desta vez, nossa convidada é a Nutri Paula Mello.

Nós começamos a acompanhar o trabalho da Paula devido às mídias sociais (principalmente seu Instagram @nutripaulamello) e gostamos muito da maneira descontraída que ela usa para passar dicas.

Escute (ou leia – a transcrição está abaixo) com atenção o podcast desta semana, para entender que o “espírito” da dieta não é ser uma intervenção drástica e sofrida. Mas sim uma plataforma a partir da qual fazer alterações duradouras de estilo de vida.

Ouvindo o podcast até o final, você vai aprender sobre:

  • a história pessoal da Paula,
  • como ela faz para ser saudável “morando em 3 cidades ao mesmo tempo”,
  • o que fazer se você parar de perder peso,
  • como ela vê o futuro da nutrição e da indústria alimentícia,
  • como mudar para uma dieta low-carb pode melhorar seus fatores de risco cardiovascular,
  • a importância do fator comportamental para uma mudança alimentar,
  • e muito, muito mais!

Você pode acompanhar um pouco da vida e do trabalho da Nutri Paula Mello no seu Instagram e nas suas mídias sociais.

Deixe um “oi” para ela e fala que ouviu o episódio!

Ouça o podcast clicando no player abaixo:

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Escute o episódio e compartilhe com seus amigos!

É uma maneira muito fácil de transformar sua jornada diária (caminhada, academia, ônibus, metrô, carro, etc) em um momento de aprendizado e lazer.

Transcrição Completa Do Podcast

Guilherme: Bem-vindo a mais um podcast do Senhor Tanquinho. Eu sou o Guilherme.

Roney: E eu sou o Roney. E aqui a nossa missão é deixar você no controle do seu corpo.

Guilherme: Olá, Tanquinho. Olá, Tanquinha. Sejam bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast.

Roney: E hoje nós vamos entrevistar a nutri especializada na área clínica e esportiva Paula Mello.

Guilherme: Tudo bem, Paula?

Paula Mello: Tudo beleza, meninos, e vocês?

Guilherme: Tudo ótimo por aqui também.

Paula, nós conhecemos o seu trabalho online, na verdade, é por causa de toda essa blogosfera Paleo/Low-Carb e por causa de tudo o que você posta também nas mídias sociais, que a gente também gosta bastante de acompanhar e mesmo por alguns guest posts que você fez para os sites Dia a Dia Low-Carb e do Comida de Verdade.

Roney: Inclusive a gente deixa aqui um convite que, se você quiser escrever para a gente, as portas estão totalmente abertas. Vai ser um prazer postar um texto seu no nosso site.

Paula Mello: Opa! Muito obrigada! Eu que ficarei muito feliz.

Roney: Bom, você é do tipo de nutricionista que nós admiramos bastante o trabalho porque você se atualizou e tenta difundir a ciência mais moderna e que nós também concordamos 100%.

A gente, então, queria saber como começou essa sua trajetória. Como foi a sua trajetória tanto como Nutri e a trajetória pessoal para ser Paleo e Low-Carb?

Paula Mello: Certo.

Na verdade, para iniciar a escola de Nutrição, que é uma decisão sempre muito cedo na vida da gente, quando a gente escolhe o que fazer na faculdade, eu escolhi basicamente por um tema que eu tinha afinidade. Eu sempre gostei muito de ler sobre alimentação, sobre Nutrição, sobre vida saudável e acabei escolhendo Nutrição e graças a Deus foi meio que um tiro no escuro, mas acertei em cheio. Eu sou realmente muito feliz fazendo o que eu faço.

Bom, depois que eu me formei, foi praticamente no mesmo ano de formatura, eu tenho uma prima que, por sinal vocês citaram o site dela aí, que é o Dia a Dia Low-Carb, que é Carol, que é lá de Salvador, eu sou de Salvador também; ela já vinha lendo o Blog do Doutor Souto – acredito que boa parte das pessoas começam tudo pelo Blog do Doutor Souto – e ela vinha lendo e tal e sempre discutia comigo algumas ideias e de início, quando eu estava até na faculdade ainda, eu acabava batendo de frente com algumas ideias porque obviamente era um pouco diferente do que eu vinha aprendendo e acabou que ela me indicou: “leia o site”.

E, bom, eu tirei um tempo para me debruçar sobre tudo o que estava escrito lá no Blog do Doutor Souto, aquela imensidão de conhecimento e acabou que óbvio que não tem como não se apaixonar, ?

Não tem como ver que é real, que existe muita referência respaldando tudo aquilo, todas aquelas contradições em relação ao consumo de gordura, ao consumo de carboidratos.

E, bom, acabou que à partir daí, logo no primeiro ano e formatura eu já comecei a enveredar por uma linha um pouco diferente daquela que foi a que eu aprendi em classe e à partir daí eu acabei iniciando os meus atendimentos em Brasília, atualmente eu atuo tanto em Salvador, quanto em Brasília, quanto em São Paulo. Tem dois anos que eu estou em São Paulo.

E desde sempre, no caso, eu sempre trabalhei com esse conceito de, acima de tudo, comida de verdade e acabo aplicando bastante a nível de consultório – principalmente quando o objetivo é emagrecimento e tratamento de resistência à insulina – acabo aplicando a estratégia de redução de carboidratos, mas hoje está muito claro para mim que Low-Carb como… acho que quando a maioria das pessoas começam a estudar, ficam com a visão muito… não sei como dizer, mas muito restrita do assunto, muito só ligado, basicamente como se a alimentação saudável fosse restrição de carboidratos, quando não é.

É uma estratégia a ser utilizada, cabe e fecha bem para a maioria das pessoas, mas não necessariamente é para todo mundo ou vai cumprir com o objetivo de todo mundo. Para mim hoje a lei maior é a alimentação saudável com comida de verdade. Ser Low-Carb ou não é uma alternativa.

Guilherme: Perfeito.

Acho que você resumiu de forma maravilhosa o que nós acreditamos também que separa um pouco das coisas de comida de verdade/Low-Carb.

Muita gente quando começa tem um pouco dessa dúvida de “só a Low-Carb é o caminho, então eu vou comer um monte de embutidos e nunca mais vou comer fruta…” e nós achamos que não é bem por aí.

Essa é uma dúvida bastante comum das pessoas e eu fiquei com uma dúvida quanto a sua história: como é que você faz para levar uma vida saudável, a ter hábitos saudáveis morando e atendendo em três cidades ao mesmo tempo?

Paula Mello: Risos.

É que na verdade em Brasília é sempre um bate-volta. Eu chego e já começo praticamente a atender, então no caminho quando eu chego, geralmente lá, é quando eu paro para comer alguma coisa, obviamente eu já tenho a minha lanchonete, o meu restaurante eleito, que é próximo de onde eu atendo, então eu sento e chego para aguentar um pouco mais o tranco porque é muito atendimento, então geralmente é um paciente atrás do outro.

Eu fico muitas horas em jejum e aí para aguentar isso, aí sim a gente aplica os conhecimentos da Nutrição – e a gente acaba fazendo uma refeição que tenha um pouco menos de carboidrato, um pouco mais de proteína e gordura, justamente porque a gente sabe que isso vai dar uma saciedade maior.

Então eu acho que é muito fácil nós nos alimentarmos bem quando nós temos esses conhecimentos, porque basta comer comida de verdade. Isso a gente encontra em praticamente qualquer lugar.

Se você vai numa lanchonete você tem a opção, ou de pedir uma omelete, ou de comer um salgado qualquer. Eu acho que a opção sempre está na nossa mão. A escolha sempre está na nossa mão.

Então para mim é muito simples e Salvador, quando eu vou, graças a Deus acabo ficando na casa de meus pais, então como meus pais também se alimentam super bem, isso não é problema nenhum. Acaba que é bem tranquilo.

Guilherme: Entendi.

Roney: Já que o Guilherme já tirou uma dúvida, nós queríamos saber: qual é a maior dúvida que você recebe, seja dos seus pacientes em consultório ou mesmo nas suas mídias sociais? Qual é a maior dúvida das pessoas, em geral, em relação à Nutrição, que você percebe?

Paula Mello: Olha, nossa, são várias dúvidas, mas eu diria que nesse mundo da Low-Carb acaba tendo uma dúvida muito grande que às vezes quando as pessoas sentem que não estão mais emagrecendo (como no caso de um platô de peso), quando elas empacam o emagrecimento, elas sempre me perguntam muito o que fazer nessa fase e aí eu acabo discutindo muito com elas, tanto em consultório, quanto nas mídias sociais, os motivos pelos quais isso pode estar acontecendo, onde elas podem estar se sabotando. Acredito que esse que seria um dos principais pontos.

Roney: E qual é a sua visão sobre essa questão, qual seria a resposta, o caminho a se seguir?

Paula Mello: Nossa, aí tem vários pontos geralmente. Na verdade a gente tem que ver se essa pessoa realmente parou a perda de peso e perda de peso, obviamente, a gente fala emagrecimento. A palavra emagrecer significa perder gordura e não simplesmente perder peso na balança.

Então nós temos que ver na verdade se, poxa, dependendo do tipo de treino dela, do tipo de alimentação, se ela está conseguindo até ganhar um pouco de massa magra e está ainda perdendo gordura corporal, mas isso na balança se torna irrisório, ela não consegue perceber isso a nível de balança.

Então por isso que uma avaliação física mais precisa é bem importante para a pessoa realmente ver se ela ainda está perdendo gordura ou não porque a chance de ela ganhar massa magra sempre existe (apesar de pequena, se a gente está aplicando um planejamento alimentar mais voltado para o emagrecimento porque ele não favorece muito o ganho de massa magra).

Eu sempre pergunto… é uma pergunta que eu sempre faço na minha anamnese que é: “Qual é o seu comportamento durante o final de semana?” porque às vezes a pessoa acha, assim, é muito importante isso. Eu pergunto o que ela faz na rotina e em seguida eu pergunto: “E no seu final de semana, o que muda?” porque, caramba, às vezes muda muito. Às vezes o comportamento da pessoa muda do vinho para a água no final de semana, sabe? E isso é um problema muito grande.

Eu tenho um amigo em Salvador, um Nutricionista, que contabilizou: sextas, sábados e domingos, mais 30 dias de férias e feriados do ano, isso dá mais do que a metade do ano!

Então a pessoa tem que entender que não dá para ela mudar bruscamente o comportamento dela nos finais de semana, nos feriados, etc, e achar que ela está se alimentando bem a maior parte do tempo – porque ela não está!

Então é por isso também que é tão importante a pessoa ter uma alimentação que ela realmente goste, que ela tenha prazer durante a semana, para que não seja nem um pouco difícil ela replicar isso no final de semana dela e, óbvio, que pequenas exceções sempre vão existir, mas é importante que a exceção realmente seja uma exceção e não que vire a regra, que é o que acaba acontecendo quando a pessoa muda completamente o comportamento durante todo final de semana, durante as férias, enfim…

E um ponto bem importante também, principalmente aí na estratégia Low-Carb, é ver se a pessoa não está tendo um consumo exagerado na quantidade de gordura porque eu acho que principalmente as pessoas que iniciam a leitura dessa questão na estratégia Low-Carb se confundem um pouco e acabam adicionando muita gordura ou até fazendo muitas receitinhas com sobremesa à base de adoçante e eu sempre bato muito na tecla que o que mais funciona para o emagrecimento é ter aquela alimentação… é comida de verdade raiz, digamos assim, sem muito frufru.

Porque quando a gente começa a fazer muita receita, principalmente receita envolvendo adoçante… a gente tem que entender que é o sabor doce que atrai o nosso paladar, que faz a gente a linha e acabar comendo muito mais do que a gente precisa, não necessariamente é o açúcar que faz isso.

Então ficar fazendo refeições, ficar fazendo receitas, seja com muito adoçante, ou com muito queijo, com castanhas, enfim, com coisas que atraem muito o nosso paladar, isso acaba virando uma maneira fácil de se sabotar e a acabar comendo muito mais do que precisa.

Porque no fim das contas é aquilo que a gente fala: é o comer quando tem fome. Para emagrecer talvez essa seja a principal orientação. Se você consegue ao máximo separar o que é fome, do que é ócio, ansiedade, tédio, “vou ver um filme e estou afim de comer”… quanto mais você distanciar isso, mais você tende a ter sucesso.

(A Nutri Nanda Muller fala disso também na entrevista que gravamos.)

Eu acho que seria principalmente isso, e claro, ser uma pessoa zen. Isso para mim é regra para a vida. Eu, que sou de Salvador, me considero uma pessoa realmente bem tranquila, num ritmo de vida bem tranquilo e eu aconselho isso a todos os meus pacientes a todos os meus amigos porque ser estressado, no fim das contas tudo o que está ali acontecendo na sua cabeça, se passando na sua mente, seu corpo vai sentir o efeito disso através de uma piora, de uma alteração hormonal, através de uma liberação crônica e elevada de cortisol…

E a gente saber que, poxa, se a pessoa é cronicamente estressada, querendo ou não já têm estudos que comprovam isso, é muito mais fácil que o seu cérebro peça comidas que são hiper palatáveis – porque na verdade o que ele quer é um prazer momentâneo, exatamente parar dar uma sossegada nesse estresse, sabe? Então quanto mais estressado você é, sem dúvida nenhuma, mais você tende a ter uma alimentação que não é ideal. Então é isso. Acho que todas essas dicas aí podem ajudar bastante as pessoas nesse quesito.

Guilherme: Que bacana, Paula!

Gostei porque tudo isso toca numa questão que não é só científica. Muitas vezes a pessoa acaba chegando no ponto de acreditar: “Ah, é só diminuir mais carboidratos” e mais e mais, e logo ela vai estar contando o carboidrato da folha de alface, do brócolis, sendo que tem esse lado comportamental que é muito importante de você fazer as coisas bem feitas durante, eu não digo 100% do tempo, mas pelo menos mais da metade, como você falou também, que é a semana toda e pelo menos um pedaço do final de semana.

Paula Mello: Exatamente, com certeza.

A dica que geralmente eu dou para os meus pacientes, que é algo que eu aplico na minha vida, e o que eu falo é: claro, não precisa levar isso com rigorosidade, mas assim, estabelece uma meta do quanto você vai se permitir sair da linha na semana, sabe? Então se você atualmente contabiliza que você faz, sei lá, umas 10 refeições na semana, coloca três exceções na sua semana e, claro, entenda o que é uma exceção.

Não se engane a ponto de falar: “Ah, então a Nutri liberou uma exceção, então vamos lá num rodízio de pizza e vou comer 10 fatias de pizza”. Pô, não faz isso! 10 fatias de pizza realmente são necessárias para você? É isso que vai te trazer felicidade? Eu particularmente não aconselho rodízio de nada, nem de salada. Eu não aconselho rodízio de nada para ninguém porque rodízio é uma coisa que só fomenta que a gente coma muito além da conta. Mas estabelece essas metas e tenta ao máximo cumprir. Se você estabeleceu três e nessa semana talvez tenha quatro ou apenas uma, porque você nem saiu de casa, mudou os planos… mas fato é: tenta estabelecer uma meta máxima e tenta não ir muito daí.

Eu acho que quando a gente estabelece uma meta fica muito mais fácil a gente abrir mão de certas coisas que até surgem como uma oportunidade, digamos assim, mas que você não liga tanto para aquilo ou, assim, você pensa: “Não, mas só são duas vezes, então eu já estou vendo aqui no meu final de semana eu vou ter o aniversário do meu sobrinho, a festa da minha mãe ou a comida na casa da sogra, então não, vamos abrir mão dessa coxinha no happy hour em plena quinta-feira porque eu não valorizo tanto assim coxinha”.

É tipo isso. É só você colocar isso na cabeça como meta e realmente tentar cumprir isso, sempre com quantidades moderadas, claro, que é o que eu disse do rodízio. Uma saída, uma exceção. Você não precisa que a pizza ou o sorvete vai acabar no mundo e você tem que acabar com o estoque daquele alimento, naquele momento.

Aquele alimento vai continuar lá, então assim, toma o que você considera, com bom senso, uma porção moderada que vai satisfazer o seu desejo e acabou.

Roney: Com certeza. Nós concordamos bastante.

Mesmo a gente que faz bastante receita para o nosso canal, a maioria delas são receitas de sobremesa, de café da manhã, nós sempre fazemos questão de avisar as pessoas para ter cuidado no consumo dessas receitas. É que por mais que elas sejam Low-Carb, elas são receitas calóricas e são receitas geralmente com o paladar doce, levam xilitol, por exemplo.

Então nós sempre avisamos as pessoas: “Toma cuidado, se você fizer essa daqui, como um, dois só. Não fique fazendo disso a base da sua alimentação no lugar de uma boa salada, uma boa carne, uma boa omelete, que esse sim, é comida de verdade e que deve ser a base da alimentação que o ser humano evoluiu comendo, inclusive”.

Paula Mello: Perfeito.

Eu acho que as receitas com ingredientes de qualidade podem e devem ser feitas, mas basicamente para sair da mesmice eventualmente, como vocês falaram, não para trazer para rotina e essa virar a base da alimentação.

Guilherme: É uma questão de bom senso, de você saber, de você falar: “Ah, eu quero emagrecer”. A sua dieta não vai ter sobremesa duas vezes ao dia. Isso não faz nenhum sentido. Não importa que a sobremesa é baixa em carboidratos. As pessoas sabem, no coração delas, que não é assim que funciona.

Paula Mello: Exatamente. Perfeita colocação.

Roney: Nessa questão de que nós percebemos que está cada vez mais surgindo pessoas alinhadas com essa filosofia Paleo/Low-Carb, vários blogs, vários nutricionistas que nós já entrevistamos, inclusive você, como você vê essa questão da Nutrição no futuro?  Você vê isso evoluindo cada vez mais para essa direção?

Guilherme: E acho que essa pergunta nós queremos incorporar porque a gente sabe que por mais que, quando a gente defende alimentação com comida de verdade tem um certo pushback, uma reação da indústria de alimentos que gosta de vender a barrinha, o biscoito, enfim, então tem outros interesses em jogo. Nós queríamos um pouco da sua opinião sobre esse assunto.

Paula Mello: Para mim, com certeza.

Eu acho que hoje, inclusive a indústria alimentícia, já começa a ver que as pessoas estão querendo algo diferente, que as pessoas estão muito mais ligadas no rótulo, na lista de ingredientes e essa, sem dúvida, é a Nutrição do futuro. Veio para ficar essa questão da comida de verdade realmente veio para ficar.

Coisas que antigamente se trabalhavam como saudáveis por ter simplesmente um baixo teor de gordura, por ser light, eu acho que quase a totalidade de profissionais, não é possível que isso seja diferente, quase a totalidade de profissionais já veem como um erro realmente.

Não é à toa, até a visão da indústria em relação a isso, que uma grande fabricante de vários produtos, mas de laticínios também, eu fui comprar um iogurte natural outro dia e aí eu vi que uma marca bem popular e estava assim, estampado no rótulo: apenas dois ingredientes. Esse era o chamariz do iogurte escrito bem grande: apenas dois ingredientes.

Tudo bem que quando você virava o rótulo ele dizia que pode conter um milhão de coisas, ? Pode conter traços disso, daquilo… então a gente vê que não está tão limpinho assim, mas o que me espantou foi o fato de, poxa, uma marca que é bem popular estampar isso como se fosse um chamariz realmente, então assim, a indústria está percebendo que as pessoas querem um produto “limpo”, querem um produto que tenha o mínimo possível de aditivos químicos e acredito que vai haver sim uma grande mudança voltada para isso.

Não só todas as empresas, pequenas empresas principalmente que estão surgindo para trazer produtos desse nível de qualidade, mas eu acredito que, em breve, as grandes também vão ter que se unir a isso porque eu acho que vai ser incontrolável.

Guilherme: Boa!

Nós esperamos que isso aconteça logo porque nós, pessoalmente, achamos que com a escala, esses produtos que a gente gosta, artesanais, mesmo um queijo, um defumado artesanal, fiquem ainda mais baratos, que isso se torne ainda mais acessível, estando com uma oferta superior porque as pessoas estão com uma demanda superior também.

Paula Mello: Exatamente, com certeza, é o que a gente espera.

Roney: Paula, como os seus pacientes (principalmente aqueles que estão indo pela primeira vez na Nutricionista e que não pesquisaram nada por conta própria – que eu acredito que é a maioria das pessoas que chegam no consultório) reagem quando ouvem algo diferente daquilo que eles ouviram na mídia? Como, por exemplo, que a gordura saturada, gordura da carne, do ovo não faz tão mal assim, mas que, por outro lado, o pão, mesmo que ele seja integral pode ser pior do que essa gordura saturada…

Como fica isso quando você começa a explicar isso de uma alimentação mais de comida de verdade para os pacientes novos?

Paula Mello: Na verdade, meninos, eu tenho que dizer para vocês que é o oposto do que acontece no consultório. Quando eu pego um paciente que caiu de paraquedas e que não entende nada, que provavelmente não sabe nada do que eu vou falar, eu comemoro muito por dentro porque na verdade eu fico super feliz de contar uma novidade para alguém!

Porque na verdade, na verdade, eu acho que de 80 a 90% dos pacientes que chegam no meu consultório hoje, muito por conta das redes sociais, então às vezes eles já acompanham o meu trabalho e o de tantos outros profissionais nas redes socais e se informam muito bem por elas, então na verdade eles chegam com dúvidas pontuais a serem tiradas, eles querem um planejamento alimentar mais específico porque chegaram a um determinado ponto que não estão mais conseguindo ter tanto resultado sozinhos e por aí vai.

Mas quando eu tenho a sorte de pegar alguém que ainda não sabe nada é muito legal e realmente é muito espantoso para a pessoa… Mas ao mesmo tempo é espantoso de início só que ao longo da consulta tudo parece que vai se encaixando na cabeça dela.

Ela fala: “Puxa, realmente, meu avô, meu bisavô se alimentavam dessa forma, então parece tudo fazer muito sentido” – e não tem como não fazer sentido. E é sempre muito legal poder quebrar realmente os paradigmas, mas é como eu disse na pergunta anterior: está ficando cada vez mais difundido. É algo que daqui a pouco vai ser difícil a gente encontrar alguém que esteja completamente alheio a esse mundo.

Guilherme: Acho que sim mesmo, e penso que um dos fatores por difundir bastante também é o fato de que quando nós descobrimos isso nós queremos contar para todo mundo e aí entra num grupo de Low-Carb e de Paleo e aí começa a falar para as pessoas que moram com você ou para a família: “Não, mas eu vou fazer um negócio diferente” e “Olha, experimenta essa dieta, lê esse post” e isso vai viralizando  de uma certa forma, que eu acho que esse é o papel também das redes sociais:  difunde muito rápido entre as pessoas uma ideia que até pouco tempo atrás não era tão comum e que agora você está contando que já é a maioria dos seus pacientes.

Paula Mello: Não, com certeza, e talvez uma outra parcela também que chega no consultório, falando assim: “Olha, é porque minha amiga ou meu parente está fazendo isso, está tendo resultado incrível, mas assim, eu quero saber se isso é saudável mesmo. Qual é o caso? É assim mesmo que tem que fazer?”.

Então essa também é uma das principais dúvidas se o fato de você reduzir os carboidratos se isso não é algo muito restritivo, se isso não é algo que vai ser danoso para a saúde, se aumentar a quantidade de gordura não vai ser algo que vai trazer danos a nível de piora de colesterol, piora de risco cardiovascular… então uma boa parcela dos pacientes que chegam ao consultório também é com esse tipo de dúvida.

Guilherme: E quando eles chegam com essa dúvida, Paula, como você faz para explicar para eles por que esses medos são infundados? Como é o argumento que mais funciona, digamos assim?

Paula Mello: Aí na verdade a gente tem que vestir a roupa de professor porque Nutricionista no final das contas é um professor mesmo e passar realmente os dados científicos do porquê o consumo de gordura saturada, dentro de um limite normal, digamos assim, o consumo de gorduras, de maneira geral, não vai ser algo que vai piorar o risco cardiovascular porque basicamente se a gente for pensar no que a maioria da população come hoje, da maneira que a maioria da população se alimenta, isso sim piora muito o risco cardiovascular porque é cheio de, principalmente, açúcar; gorduras trans, que vêm principalmente dos aditivos dos produtos alimentícios, dos alimentos industrializados, que essa sim é o pior tipo de gordura e, de fato, aumenta a inflamação, e piora o risco cardiovascular.

E entender que muitas vezes o padrão de alteração do colesterol com, às vezes, um leve aumento do LDL, mas acompanhado de um aumento importante do HDL e uma redução dos triglicérides, que isso não é um padrão preocupante, pelo contrário, isso é um padrão de melhora de risco cardiovascular, então muitas vezes o paciente já chega fazendo uma alimentação com um teor mais reduzido em carboidratos e vem com um aumento de LDL.

Então na verdade o que o profissional precisa ver é o quanto foi que aumentou esse LDL porque é claro que, se houve um aumento importante, primeiro que a gente tem que buscar entender o que pode estar em exagero para ter esse aumento muito exponencial, mas considerando que existe, sim, um pequeno grupo que vai responder aumentando significativamente o LDL.

A gente tem aí que intervir, seja alterando para um padrão mais mediterrâneo, digamos assim, reduzindo mais as gorduras saturadas, melhorando o perfil de gorduras insaturadas – porque essas, querendo ou não, têm uma influência menor no aumento do LDL…

Mas principalmente deixar muito claro para o paciente o que é realmente medidor de risco cardiovascular, como ele tem que avaliar isso no exame de sangue dele.

Mas o que geralmente acontece é justamente uma mudança para um padrão muito positivo, principalmente quando aumenta o HDL, que nós sabemos que é algo que quando nós estudamos a parte de genética, a gente sabe que o gene relacionado à produção de HDL é o que mais está relacionado com longevidade, então manter um bom padrão de HDL provavelmente significa que você vai ser uma pessoa mais longeva, vai ser uma pessoa mais saudável e a gente sabe que a Low-Carb/High Fat tende a elevar os níveis de HDL, então a gente precisa reunir todas essas informações e passar para o paciente e, na verdade, na melhor do que aplicar. Aplicar, observar e ver o que vai acontecer e geralmente o que acontece é sempre uma mudança muito positiva.

Guilherme: Bacana, Paula.

Achei legal que parece que você veste todos os chapéus no consultório. Tem o lado psicológico de ver o comportamento da pessoa, o que ela está fazendo de errado, onde ela está exagerando, buscando estresse; tem o lado de professora, explicando também; o de nutricionista, orientando com relação aos alimentos, então é um pacote completo porque é uma mudança de estilo de vida mesmo.

Paula Mello: Com certeza.

Na verdade eu digo que o trabalho do Nutricionista é bem difícil porque na faculdade a gente, em momento nenhum foi ensinado a lidar com comportamento. Quem foi ensinado a lidar com comportamento é Psicólogo e por isso na verdade o trabalho dos dois profissionais lado a lado, na maioria dos casos, é muito importante, mas como muitas vezes a gente sabe que o paciente, por qualquer motivo, não vai ter um acompanhamento de um Psicólogo ou não pode ter, a gente tenta ao máximo se informar para conseguir minimamente lidar também com essas questões comportamentais.

Mas claro, Nutricionista, definitivamente, não é a pessoa para isso. Nós deveríamos ser quase um matemático, sabe, ficar falando muito em números ou fazendo uma coisa bem objetiva, quando na verdade o comportamento não é nada objetivo – é muito subjetivo.

E eu acho que é por isso que o profissional consegue se destacar e ser bom no que faz quando ele aplica aquilo que ele conversa com os seus pacientes, quando ele aplica aquilo na vida dele.

Fica muito mais fácil você entender quais são as dificuldades e passar a realidade para o seu paciente.

Ele fica muito mais seguro em testar e fazer aquilo porque ele entende que é o que você faz no seu dia-a-dia e é o que funciona.

Guilherme: No final das contas acaba liderando pelo exemplo, não só falando e fazendo o completo oposto.

Paula Mello: Com certeza.

Guilherme: Paula, a entrevista está chegando ao final. Nós gostamos bastante da sua visão, tanto da parte de Low-Carb, de comida de verdade; quanto trazendo um pouco da realidade do consultório aqui para a gente e você falou bastante das redes sociais. Passa para os nossos ouvintes as suas redes sociais porque eles com certeza vão começar a te seguir.

Roney: Só uma coisinha antes…

Nós ficamos felizes de saber isso também dos pacientes estarem chegando informados no consultório porque a gente acha também que é um pouquinho do nosso trabalho, como a gente sempre fala, nada prescritivo, é informativo. A informação que nós passamos nos posts do blog, nos vídeos do canal… então está vendo que o pessoal realmente está se informando, seja por nós ou por outros blogs, outras mídias sociais e chegando mais preparado para conversar com o Nutricionista, tirar dúvidas, já estando mais localizado na questão.

Então agora se você quiser deixar suas mídias sociais e o contato para o pessoal…

Paula Mello: Está certo… Com certeza, viu, meninos, concordo plenamente.

O trabalho de vocês e de tantos outros que estão aí no meio tentando divulgar sempre o conceito de comida de verdade, de alimentação saudável é super importante e eu acho que a gente tem que continuar utilizando as redes sociais para essa finalidade.

As minhas redes sociais, todo mundo pode me encontrar em todas elas, tanto Instagram, Facebook, canal do YouTube, que eu já tenho alguns vídeos lá, sempre por Nutri Paula Mello.

O Mello é com dois L, tá? Então @nutripaulamello, tudo junto, vocês vão me encontrar em todas as minhas redes sociais.

Guilherme: Legal.

E para agendar consulta, a gente sabe que são três cidades, como que eles entram em contato com você?

Paula Mello: As consultas aqui em São Paulo, têm uns contatos telefônicos no meu perfil no Instagram, que eles podem achar, aí é só ligar e falar diretamente com a secretária. E para Brasília e Salvador as marcações são via e-mail que é [email protected].

Guilherme: Perfeito, Paula.

Muito obrigado pelo seu tempo, nós ficamos muito felizes de receber você e, com certeza, a gente adoraria receber você também numa segunda rodada, talvez com perguntas mais específicas, pois com certeza nossos ouvintes têm muito o que aprender e muita lição para retirar de mais uma conversa com você, Paula.

Paula Mello: Ah, com certeza, meninos, vou ficar muito feliz de ter um segundo encontro.

Muito obrigada a vocês também!

Roney: Obrigado, Paula.

Nós ficamos por aqui. Esperamos que tenham gostado desse episódio com a Nutri Paula Mello. Nos vemos num próximo episódio.

Um forte abraço, do Senhor Tanquinho.

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