Dieta Flexível: O Que É, Como Fazer, Benefícios, Vantagens E Desvantagens Em Relação À Dieta Low-Carb

O tema de hoje é uma dieta que tem ganhado bastante destaque, e envolvido muita polêmica: a dieta flexível.

E lendo este texto você vai saber exatamente:

  • o que é a dieta flexível,
  • quais as vantagens dessa dieta,
  • quais as possíveis desvantagens,
  • como se compara a dieta flexível com a dieta low-carb, e
  • como descobrir qual é a melhor dieta para você.

O texto está bem recheado, então leia tudo com atenção para não perder nada.

O Que É A Dieta Flexível?

Para começar podemos dizer que a dieta flexível não é uma dieta propriamente dita.

Na verdade, trata-se de uma filosofia alimentar que diz o seguinte:

Não existem alimentos “proibidos”.

Mas você tem de exercer um bom julgamento de modo a permanecer dentro da sua meta diária de calorias e de macronutrientes.

(Sendo que a palavra macronutrientes se refere a uma “cota” diária de carboidratos, proteínas, e gorduras. E vamos explicar tudo sobre eles mais abaixo.)

Sendo assim, nenhum alimento está totalmente banido do seu dia a dia.

Mas você tem de saber encaixá-los no seu plano pessoal de alimentação, de acordo com seu objetivo — ganho de massa muscular, emagrecimento ou manutenção do peso.

Desse modo, o seu plano alimentar terá uma meta de calorias (e de nutrientes) a serem atingidas diariamente.

E a filosofia da dieta flexível defende que você pode utilizar os alimentos que quiser para atingir essa quantidade de calorias e de macronutrientes.

Portanto, podemos dizer que ela é flexível na escolha dos alimentos.

Mas então isso quer dizer que eu posso comer qualquer alimento que eu quiser, todos os dias?

Bom… Sim!

Mas vamos com calma aqui.

Isso porque, na verdade, você vai ter que contabilizar todos os alimentos que você come ou bebe.

Então, cada pedaço de ovo, bife, vegetal ou bombom tem de ser levado em conta no seu dia.

Você tem de anotar todas as informações nutricionais de todos os alimentos que comer no dia — principalmente as calorias e as proteínas.

Essas anotações podem ser feitas por meio de um aplicativo, podem ser feitas na mão em um caderninho, ou mesmo em uma planilha do Excel.

Enfim, existem muitas maneiras de contabilizar sua ingestão de nutrientes, mas esse controle tem de ser feito sempre.

Por exemplo, no vídeo abaixo ensinamos a usar o popular aplicativo Fat Secret.

Resumindo: A dieta é flexível nas escolhas alimentares (pois não existem alimentos proibidos). No entanto, ela é bem “inflexível” ou rígida na questão dos macronutrientes ou “macros”.

O que são macronutrientes ou “macros”?

Você pode ouvir praticantes da dieta flexível dizerem frases como “preciso bater os meus macros”.

Mas afinal quem são esses macros, que tanto merecem ser batidos?

A palavra “macros” se refere aos macronutrientes — proteínas, gorduras e carboidratos.

Isso porque, na dieta flexível, você tem uma “meta” ou uma “cota” diária para cada um desses nutrientes.

(Sendo que algumas pessoas também determinam metas de fibras a serem ingeridas.

E é claro que as calorias do álcool também tem de ser contabilizadas. Mas ele —  obviamente — não tem uma meta diária de consumo.)

Resumindo: Na maior parte do tempo, a maioria das suas calorias virá de proteínas, carboidratos e gorduras.

A dieta flexível estabelece metas para cada um desses nutrientes, e por isso pode te ajudar a atingir seus objetivos — como, por exemplo, emagrecer.

Como a dieta flexível ajuda a emagrecer?

A ideia da dieta é manipular a ingestão dos nutrientes de modo a garantir um déficit calórico.

Uma vez que todos os nutrientes têm calorias (carboidratos e proteínas têm 4 kcal/g e gorduras têm 9 kcal/g), a soma da ingestão de todos os macros vai conferir o seu total de calorias do dia.

Sendo assim, a maior parte das pessoas que seguem a dieta flexível para emagrecer têm uma meta de calorias diária.

Mas é claro que as calorias não são todas iguais.

Sendo que, por diversos motivos (inclusive a conservação da massa muscular), é importante garantir uma ingestão adequada de proteínas — e essa é uma das primeiras variáveis quantificadas na dieta flexível.

O restante das calorias vêm dos carboidratos e das gorduras, e a ingestão desses nutrientes vai ser quantificada também.

Resumindo: você terá uma meta de ingestão (em gramas) dos macronutrientes, e deve atingi-la todos os dias.

Atingindo a sua meta de nutrientes (previamente calculada), você garante estar em um déficit calórico, o que ajuda a emagrecer.

Quanto comer de cada nutriente?

Agora, é importante perceber que existem diversas maneiras de calcular os nutrientes a serem ingeridos em uma dieta flexível.

Por exemplo, se você:

  • escolher entre os diferentes valores de proteínas a serem ingeridos,
  • ou adotar uma estratégia com mais ou menos carboidratos,
  • ou mudar o déficit em relação à manutenção,
  • ou ciclar a ingestão de calorias e de nutrientes ao longo da semana,
  • ou mesmo levar em conta outras preferências pessoais,

tudo isso vai resultar em “metas de nutrientes” radicalmente diferentes.

Mesmo assim, algumas práticas são comumente adotadas por boa parte dos praticantes.

Então vamos mostrar mais ou menos como funciona essa conta.

Exemplo de cálculo de dieta flexível

Neste exemplo, vamos imaginar uma pessoa que pesa 70kg e deseja emagrecer.

Vamos também imaginar que ela tenha um consumo calórico de 2000 kcal por dia na sua manutenção.

(Isto é: essa pessoa não emagrece nem ganha peso ao ingerir 2000 kcal por dia.)

Então, uma medida comum seria primeiro fixar uma meta de calorias.

Sendo que um déficit de 500 kcal por dia (em relação à manutenção) é um valor popularmente utilizado.

Então, a meta de consumo calórico seria de 1500 kcal por dia.

Em segundo lugar, estabelece-se uma meta de proteínas.

Um valor comum é 2 gramas de proteína por kg de peso corporal.

(Conheça a verdade sobre a ingestão adequada de proteínas clicando aqui.)

Sendo assim, a meta de proteínas seria a ingestão de 140g ao dia.

Agora faltam as gorduras e os carboidratos.

De fato, alguns autores defendem que você distribua esses nutrientes como bem entender.

No entanto, uma abordagem bem comum é fixar as gorduras em 20% a 30% das calorias diárias.

(Embora você não deva ter medo de morrer por causa da ingestão de gordura.)

Então vamos usar 25% das calorias diárias para a gordura.

Isso dá 1500 kcal * 0.25 = 375 kcal.

Como cada grama de gordura contém 9 kcal, calculamos a meta de gordura em gramas:

375 / 9 = 42g de gordura, aproximadamente.

Por fim, aloca-se o restante das calorias aos carboidratos.

Temos, no total:

1500 kcal – 560 kcal (das proteínas) – 375 kcal (das gorduras) = 565 kcal para os carboidratos.

Como cada grama de carboidrato tem 4 kcal, temos a meta em gramas:

565 / 4 = 141g de carboidratos, aproximadamente.

Sendo assim, a meta de macronutrientes desse nosso exemplo ficaria:

  • 1500 kcal ao dia, sendo:
    • 140g de proteínas,
    • 42g de gorduras, e
    • 142g de carboidratos.

Nesse caso, você pode perceber que os cálculos resultaram em uma dieta baixa em gordura.

Mas essa filosofia — que determina os macronutrientes de antemão — poderia resultar em vários tipos de dieta.

Por exemplo, você poderia respeitar os 2g/kg de proteínas, mas determinar que comeria apenas 30g de carboidratos por dia — numa dieta como a cetogênica.

E alocar o restante das calorias para as gorduras.

Vamos pular as contas passo a passo, mas isso resultaria em:

  • 1500 kcal por dia, sendo:
    • 140g de proteínas,
    • 90g de gorduras, e
    • 30g de carboidratos.

Em ambos os casos, as dietas são distintas — e, provavelmente, os alimentos permitidos também.

Mas você ainda teria de “bater os macros” nos dois casos.

Como bater os macros?

Você já deve ter percebido até agora que, para a dieta flexível funcionar, você tem que executá-la.

Isto quer dizer que você tem que bater os macros.

Ou seja: você tem de ingerir as quantidades previamente calculadas.

Não adianta calcular uma coisa e comer outra!

Sendo que você tem algumas opções distintas para isso.

Batendo os macros #1 — pouca variedade, pouco stress

Você pode comer as exatas mesmas coisas todos os dias.

Essa opção garante que você está batendo seus macros com consistência, e elimina o cansaço mental de ficar calculando e decidindo tudo a cada vez que for se alimentar.

Essa é uma opção interessante para pessoas práticas, que querem pensar menos em comida e se dedicar mais a outras coisas do dia a dia.

E essa regularidade de refeições não é exclusividade da dieta flexível.

Pois pode ser aplicada em outras dietas — por exemplo, a dieta Slow Carb também defende que você come as mesmas coisas todos os dias.

Batendo os macros #2 — gastronomia avançada

Por outro lado, se você quiser comer coisas variadas em todas as refeições… então vai ter que controlar tudo isso.

Esta opção é interessante para quem come fora com frequência — por exemplo, em restaurantes self-service, ou quando os locais disponibilizam os macronutrientes das refeições.

(Muitas vezes essa informação aparece ao lado do menu, no website do restaurante, ou numa base de dados como a do MyFitnessPal.)

À exceção desses casos, pode ser difícil saber exatamente quantas calorias e nutrientes têm os pratos ao comer fora de casa.

Até porque, seja comendo no McDonald’s, seja no restaurante do MasterChef, você ainda tem que bater seus macros.

Sendo assim, se vc comer macarrão no almoço, e pizza no jantar, e chocolate de sobremesa…

Você provavelmente vai estourar as calorias, sem ter batido a meta de proteínas e nem a de fibras.

(Algo muito importante que o Caio Bottura falou quando o entrevistamos para o nosso podcast.)

Nesse caso, você vai precisar completar essas proteínas faltantes de alguma forma.

Se você não quiser cozinhar, você pode optar, por exemplo, por um shake de whey protein.

No entanto, isso traz alguns problemas.

Por exemplo, o fato de que comer macarrão e depois tomar um shake de whey protein não traz tanta saciedade quanto comer batatas (no lugar do macarrão) e bifes (no lugar do whey).

No entanto, de acordo com a filosofia da dieta flexível, não importa tanto a fonte desses macronutrientes.

Ou seja, não importa se as suas proteínas virão do peito de frango ou de BCAAs.

Se os seus carboidratos serão das frutas ou de um doce.

Ou ainda se as gorduras vão vir da gema do ovo ou de um café à prova de balas.

Ao nosso ver, essas afirmações são bem discutíveis.

No entanto, agora estamos explicando a dieta — a comparação da dieta flexível com uma paleo low-carb segue mais abaixo.

Vamos antes ver a terceira maneira de “bater os macros”.

Batendo os macros #3 — rota do equilíbrio

Esta maneira de bater os macros nada mais é do que um equilíbrio saudável entre as duas anteriores.

Por exemplo, você cozinha e come as mesmas refeições durante 90% do tempo…

Ao mesmo tempo em que tem uma flexibilidade de encaixar um docinho ocasional.

Ou de conseguir encaixar alimentos como um arroz com feijão no seu plano diário — porque não existem proibições na dieta.

Nesse caso, você pode ter uma base sólida e saudável de alimentos, e se permitir “pequenas porções de porcarias” até mesmo numa base diária, se quiser.

Mas, é claro, sempre contabilizando as calorias e macronutrientes desses alimentos no seu dia.

Mas será que isso é bom para você?

Vantagens Da Dieta Flexível

Segundo os praticantes desse estilo de vida da dieta flexível, uma das vantagens é justamente que nenhuma comida está proibida, nem fora dos limites.

Você pode, sim, comer um pouquinho de chocolate todos os dias.

E você vai acabar não comendo muito, justamente porque não vai caber nos seus macros.

Provavelmente você não conseguirá encaixar 200 gramas de chocolate nos seus macros todos os dias.

Afinal de contas, se você comer 200 gramas de chocolate, você provavelmente vai estourar as suas calorias sem ter batido as suas proteínas.

Então você vai perceber naturalmente que algumas coisas são impossíveis de fazer, mesmo em uma dieta flexível.

Ou seja, você não precisa excluir inteiramente da sua alimentação nenhum grupo de alimento.

E, se até o chocolate tem seu espaço (sempre atentando à quantidade), não vai ser a batata, a banana ou o arroz que ficarão de fora desse estilo alimentar.

Desvantagens Da Dieta Flexível

Por outro lado, a dieta flexível tem algumas desvantagens.

E uma das principais é a necessidade de você anotar tudo o que você come — o tempo todo.

Pelo menos a maioria das pessoas que eu conheço ficaria assustada se eu falasse:

“Na dieta flexível você pode comer o que quiser. Você só tem que pesar e anotar tudo o que você comer, cada vez que você colocar alguma coisa na sua boca, durante os próximos meses ou anos”.

E essa necessidade pode ser um problema por dois motivos.

O primeiro é ser uma barreira para as pessoas começarem.

(Afinal, elas podem pensar “Nossa, com todo esse trabalho a cada refeição, todo santo dia… prefiro nem começar”.)

E o segundo é criar uma certa obsessão com a comida, o que pode até mesmo prejudicar as suas vidas pessoais.

Nesse caso mais extremo, por ficarem muito obcecadas, elas podem acabar enlouquecendo na tentativa de descobrir os exatos macros de tudo o que comem.

Querem anotar tudo na hora, ficam olhando o celular para ver se aquilo encaixa, e o que vão ter de tirar do restante do seu dia.

E claro que é bom ter controle sobre as suas escolhas, mas para alguns tipos de temperamentos de pessoas isso pode acabar atrapalhando até mesmo a vida social — ninguém quer sair com o cara que leva a balança de cozinha para o jantar romântico.

Uma segunda desvantagem é que muitas pessoas simplesmente não conseguem usar da moderação.

Muita gente não consegue comer um quadradinho de chocolate todos os dias.

Para essa pessoa é muito mais fácil ou não comer nada de chocolate, ou comer uma barra inteira.

E essas pessoas podem sofrer muito em uma dieta flexível — porque elas vão passar muito mais vontade, e tendo de lutar com essa sensação.

Desse modo, podem ter mais chance de falhar.

Sendo que é muito mais fácil (para elas) simplesmente excluir ou agendar exceções na dieta, como nós falamos às vezes no caso de dias do lixo.

(Claro que você não é obrigado a comer um quadradinho de chocolate todos os dias na dieta flexível — foi apenas um exemplo.)

Além disso, essa abordagem também não funciona com pessoas que tenham algum tipo de problema com alguns alimentos.

Por exemplo, quem tem a doença celíaca ou mesmo uma sensibilidade ao glúten, não vai poder incluir glúten — seja seguindo a dieta flexível, ou qualquer outra dieta.

E o mesmo vale para a proteína do leite, ou para problemas com glutamato monossódico…  Enfim, existem vários tipos de problemas relacionados a diversos grupos de alimentos ou nutrientes.

(Que muitas vezes nem são diagnosticados antes de se fazer uma dieta de eliminação como a Whole30.)

E é muito mais fácil você evitar esses problemas se você comer só comida de verdade — aquela em que você conhece todos os ingredientes.

Por exemplo: é muito mais fácil descobrir se o seu problema é com FODMAPs, se a sua única fonte de FODMAPs for a fruta.

Agora, se você come um monte de comida empacotada, você nem vai saber o que realmente está te fazendo mal no meio daquilo tudo.

Resumindo: para muitas pessoas, uma abordagem mais “preto no branco”, com listas claras de alimentos permitidos ou proibidos é mais fácil de ser seguida do que uma dieta em que “tudo pode com moderação”. Para outras pessoas, o contrário acontece.

Comparativo: Dieta Flexível X Dieta Low-Carb

Agora faremos um comparativo entre a dieta flexível e a dieta low-carb.

Mas vale o alerta: esse texto não vai falar sobre as bases da dieta low-carb.

Portanto, se esse é o primeiro texto que você está lendo em nosso site e não sabe ao certo o que é uma dieta low-carb…

Então recomendamos que comece lendo este outro texto.

Assim você vai ter uma boa ideia do que se trata esse estilo alimentar e vai perceber que temos um site (e um canal do Youtube) com dezenas de artigos (e vídeos) dedicados a este tema.

Nossa intenção agora é mostrar em quais situações a dieta low-carb é uma escolha superior — e em quais a dieta flexível é uma melhor opção.

Para que assim você saiba escolher a melhor para você.

Quando a dieta low-carb é superior à dieta flexível

A primeira vantagem clara da dieta low-carb é que você não precisa contar todos os seus macronutrientes a cada refeição.

No máximo, que é o que algumas pessoas fazem, você vai contabilizar a quantidade de carboidratos líquidos que está consumindo em um dado dia.

E geralmente elas adotam essa prática somente no começo da dieta — até que estejam familiarizadas com os principais alimentos nos quais baseiam sua alimentação low-carb.

Por exemplo, se você fizer uma refeição na qual come apenas peixe com brócolis,  dificilmente conseguirá comer carboidratos em excesso.

Muito provavelmente você ficará saciado bem antes disso acontecer — por conta principalmente da quantidade de proteínas, gorduras boas e fibras que essa combinação de alimentos apresenta.

E a saciedade é justamente um maiores benefícios e um dos grandes trunfos das dietas low-carb na questão do emagrecimento.

Sendo que a dieta low-carb tem diversos benefícios comprovados pela ciência (alguns deles diretamente relacionado à perda de peso, e outros não).

Por exemplo, a melhora em marcadores sanguíneos, como triglicerídeos e colesterol.

Além da melhora ou mesmo reversão de alguns quadros clínicos como diabetes tipo 2, síndrome metabólica, gordura no fígado, dentre muitos outros.

Sendo assim, na nossa opinião, seguindo uma dieta low-carb você consegue emagrecer sem passar fome, e enquanto ainda colhe diversos outros benefícios de saúde.

Tudo isso sem a necessidade de ter de ficar pesando tudo o que você põe no seu prato em todas as refeições.

Até mesmo comer fora de casa pode ser uma tarefa menos complicada no caso da dieta low-carb em comparação com a dieta flexível.

Isso porque, no primeiro caso, basta você comer o quanto você quiser.

(Desde que dos alimentos que você sabe que são pobres em carboidratos líquidos.)

Enquanto que, no caso da flexível, você precisaria pesar ou estimar a porção de cada alimento em seu prato.

Resumindo: uma low-carb com regras “preto no branco” pode ajudar você a emagrecer sem contar calorias. Ela vai controlar as calorias “automaticamente”, sem o trabalho de pesar alimentos e planilhar tudo.

Ao mesmo tempo, existem ocasiões nas quais a dieta flexível passa a ser uma escolha superior — e é sobre elas que nós iremos falar sobre elas agora.

Quando a dieta flexível é superior à dieta low-carb

Uma vantagem da dieta flexível é que, controlando de perto seus macronutrientes e suas calorias, acaba ficando mais fácil perceber se você está de fato em um déficit calórico.

Por outro lado, se você fizer uma dieta low-carb, mas estiver consumindo muitas calorias (por exemplo, na forma de doces low-carb), então provavelmente você não vai emagrecer.

Afinal de contas, nós já sabemos que o déficit calórico é o fator primordial para que o emagrecimento aconteça, mesmo no caso da dieta low-carb.

Vamos dar um exemplo para que você entenda melhor.

Imagine uma pessoa que come 1 kg de bacon, mais 1 kg de queijo por dia, e que ainda consuma duas latas de creme de leite — uma após o almoço e outra após o jantar.

Podemos perceber que essa é uma dieta baixa em carboidratos (que chega a ser cetogênica).

Mas, nesse cenário, ela pode estar ingerindo mais de 10 mil calorias por dia.

Portanto, nesse exemplo (propositalmente bizarro), essa pessoa não só não vai emagrecer, como provavelmente vai engordar — mesmo que esteja seguindo uma dieta low-carb.

Isto é: se o seu gasto calórico diário gira em torno das 2.000 calorias, e você estiver comendo 10 mil calorias, não vai ter milagre que vai te fazer emagrecer.

Nem mesmo se essas 10 mil calorias vierem exclusivamente das proteínas e das gorduras.

E é por isso que enfatizamos a necessidade de comer comida de verdade.

Porque vai ser muito mais difícil você conseguir “comer em excesso” alimentos como carnes, ovos e legumes de baixo amido.

Por outro lado, se você basear sua alimentação em alimentos hiper palatáveis, por mais low-carb que sejam, acaba ficando mais fácil ingerir muitas calorias sem nem perceber.

E esse “desprezo pelas calorias” é o calcanhar de Aquiles de muita gente que segue low-carb.

Resumindo: Uma dieta low-carb baseada em comida de verdade tende a te ajudar a emagrecer sem passar fome. Mas muita gente exagera nos queijos, doces e oleaginosas — e aí não tem milagre que as faça emagrecer.

Porém, você tem de entender o seguinte: para a dieta (qualquer uma delas) funcionar, você tem de seguir.

Dieta low-carb: mais cuidados a considerar

Todo mundo tem um plano, até tomar o primeiro soco na cara” — Mike Tyson

Reduzir carboidratos pode ser uma boa estratégia.

No entanto, é a execução dessa estratégia que vai trazer resultados.

E algo comum (em qualquer dieta) é adentrar em níveis não saudáveis de obsessão.

No caso da dieta flexível, as pessoas ficam muito obcecadas por terem de saber as informações sobre todos os alimentos que ingerem.

E por sentirem de ter de anotar praticamente tudo o que comem o tempo todo.

Ao nosso ver, essa não é uma relação tão boa com a comida.

Já no caso da dieta low-carb, isso pode acontecer especialmente se a pessoa estiver tentando ser bem low-carb (cetogênica).

Isto é: tem gente que fica obcecada fugindo de todo e qualquer tipo de carboidrato, a tal da “carbofobia”.

Por exemplo, a pessoa tem medo de comer alimentos como cenoura porque “tem carboidrato”, ou medo de comer cebola porque “tem carboidrato”.

É claro que esses alimentos têm carboidratos.

Porém, são bem poucos carboidratos por porção, e são de ótimas fontes — justamente de vegetais saudáveis como a cebola e a cenoura.

Quanto mais recebermos essa pergunta, mais refaremos esse post! . "Mas @senhortanquinho, cenoura e beterraba não são carboidratos???" . Vamos ver os fatos: tanto 100g de cenoura crua quanto 100g de beterraba crua contém certa de 7g de carboidratos líquidos… Só 7 gramas! . Não é motivo para você excluir completamente da sua vida um alimento tão nutritivo quanto estes! . (A efeito de comparação, 100g de pão francês contém 52g de carboidratos líquidos.) . Claro que existem diversas pessoas e situações que podem justificar a exclusão de determinados alimentos #comidadeverdade da dieta… . Mas 99% das pessoas que eu vejo cortando cenoura, cebola e beterraba da dieta se dariam muito bem simplesmente com uma dieta tipo #paleo e #LCHF normal! . "Carbofobia" não é saudável e não tem razão de ser… ainda mais quando se trata de comidas ricas em nutrientes, não processadas e low-carb . Marque aquela pessoa que precisa ler isso hoje! . #senhortanquinho #paleobrasil #primal #lowcarb #lchf #semgluten #semlactose #cetogenica #keto #atkins #dieta #emagrecer #vidalowcarb #paleobr #saude #fit #fitness #estilodevida #lowcarbdieta #menoscarboidratos #baixocarbo #dietalchf #lchbrasil #dietalowcarb

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De onde veio esse medo então?

Provavelmente, a pessoa “carbofóbica” ouviu alguém dizer que tinha de evitar esses vegetais — e não se deu ao trabalho de ir atrás da real quantidade de carboidratos de cada um deles.

E, justamente porque ela achou que não precisava anotar as quantidades de carboidratos dos alimentos (já que este não é um pré-requisito da low-carb), é que ela não sabe que esses alimentos têm muito pouco carboidrato.

Ao passo que uma pessoa que estava anotando todos os alimentos consegue perceber o seguinte.

Que a cenoura e a cebola têm bem pouco carboidrato — então é possível comer sem preocupação.

Sendo que essa falta de conhecimento dos nutrientes dos alimentos não acontece na flexivel.

Porque, depois de anotar o mesmo alimento várias vezes, você acaba até mesmo memorizando “o que tem nele e o que não tem”.

Existe moderação na low-carb?

Por fim, podemos dizer que uma última desvantagem das dietas baixas em carboidratos é que ela pode não ser ideal para pessoas que conseguem ser moderadas com relação a saídas da dieta.

Ou seja: pessoas que preferem comer, por exemplo, um docinho por dia depois do jantar.

Do que do que deixar para fazer um grande dia livre duas vezes por mês (ou mesmo não fazer nenhuma exceção).

Para essas pessoas, vai ser pior se ela tiver que manter a restrição — de doces ou de outros alimentos — por muito tempo seguido.

Isso porque essa pessoa é uma pessoa que consegue naturalmente ser moderada com relação a exceções.

Por isso, é importante você se conhecer bem.

E ter a certeza de que comer um pouquinho de um doce não desperta os seus desejos por muito mais doces e carboidratos.

Na nossa experiência (tanto a experiência pessoal quanto a de leitores e clientes), isso é relativamente raro.

Pois vemos frequentemente pessoas que têm dificuldade com essa “moderação” terem níveis incríveis de sucesso na low-carb.

Esse perfil é mais ou menos o seguinte.

O da pessoa que prefere guardar todos os seus desejos de comidas para o final de semana — e que preferem não despertar os seus desejos em todas as refeições com uma sobremesa.

Resumindo: Sem se conhecer (e talvez experimentar os dois modelos), fica bem difícil descobrir se você se dá bem com moderação e intuição, ou se prefere regras mais claras.

Dieta Flexível E Dieta Low-Carb: Conclusão

Conforme você pode ver, em qualquer tipo de dieta cujo o objetivo é o emagrecimento, as calorias vão importar.

Na dieta flexível você vai estar controlando as calorias “artificialmente”.

Isto é: contando cada uma delas, e sabendo quando é a hora exata de parar de comer.

Na dieta low-carb baseada em comida de verdade, você vai deixar a natureza e a nossa evolução como espécie fazerem esse trabalho para você.

(O que parece funcionar muito bem: até porque não existia essa explosão de obesidade até poucas décadas atrás.)

Sendo que, no final das contas, só você vai poder definir qual é a melhor escolha para o seu caso.

Por exemplo, se você é uma pessoa compulsiva, que tem os desejos despertados ao colocar um grama de açúcar na boca…

Então não parece ser o ideal para você comer “só um bombom” depois de cada refeição.

Por outro lado, se você é uma pessoa com esse perfil mais moderado e analítico, pode ser que a dieta flexível seja uma boa opção para você.

Na nossa opinião, a dieta low-carb em 90% dos casos vai ser a solução de mais fácil adesão, e que (inclusive por isso) vai trazer mais resultados.

E isso é especialmente verdadeiro para quem tem algum problema de saúde — como diabetes tipo 2, gordura no fígado, entre outros.

E mencionamos a questão da adesão pelo seguinte motivo.

O de que é muito fácil montar pratos low-carb sem ter de pesar todos os alimentos a cada refeição — e só esse fato já ajuda a aumentar muito adesão à dieta.

E é por isso que enxergamos a low-carb com comida de verdade como nossa primeira opção.

Porque a maioria das pessoas, dos cidadãos comuns do dia-a-dia (e com isso estamos excluindo pessoas com objetivos estéticos extremos, como modelos e fisiculturistas) tendem a se dar melhor nessa dieta por:

  1. conseguirem seguir, e
  2. por ela ser mais simples.

Mas é importante notar que, se você quiser sair de um platô de peso, ou mesmo eliminar os últimos quilos, o controle calórico pode ser importante também.

No fim das contas, ambas as estratégias podem funcionar — desde que você siga.

E é isso que gostamos de lembrar.

O de que a melhor dieta é aquela que você consegue seguir — seja a dieta flexível, seja a dieta low-carb.

Então, se você quer garantir seu sucesso em qualquer uma delas, nós vamos te apresentar alguns recursos valiosos agora.

Recursos para ter sucesso na dieta que você escolher

O primeiro recurso premium é o livro sobre dieta flexível do Caio Bottura, que é um bodybuilder brasileiro formado em Educação Física lá nos Estados Unidos, e que segue a dieta flexível.

(Já entrevistamos o Caio aqui.)

E o outro recurso premium é o nosso cardápio low-carb que já levou resultados e saúde a milhares de pessoas.

Independentemente de qual dieta você escolher, sentimos que esses recursos podem te ajudar.

E desejamos a você todo o sucesso do mundo!

Forte abraço, dos seus amigos,
— Guilherme e Roney

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