Dieta Low-Carb No Tratamento Do Diabetes Tipo 2

Este texto é uma colaboração especial da nossa amiga e parceira Jhersyka Teixeira, que é nutricionista e alinhada à filosofia Paleo / Low-Carb.

A Jhersyka é especializada em Obesidade, emagrecimento e saúde pela UNIFESP.

(Mais informações sobre o trabalho da Jhersyka e onde acompanhar mais seu trabalho seguem logo após o texto.)

Com a palavra, Jhersy:

Dieta Low-Carb Diabetes – FACETHUMB

Uma epidemia de diabetes mellitus (DM) está em curso.

Atualmente, estima-se que a população mundial com diabetes seja da ordem de 387 milhões de pessoas – com previsão alcançar 471 milhões em 2035.

O diabetes é uma doença metabólica caracterizada pela diminuição na produção de insulina pelo pâncreas, e uma diminuição da ação da insulina ou resistência à insulina nas células.

Muitos são os fatores que causam este problema, dentre eles:

Atualmente, a indústria farmacêutica tem se empenhado em criar novos fármacos para o tratamento do diabetes, como o objetivo de “controlar” o problema, com isso muitas vezes dispensando a ajuda dietoterápica.

No entanto, com toda essa variedade de medicamentos e as promessas de eficácia no tratamento da doença, muitas pessoas optam por fazer uso contínuo dessas drogas.

Dessa forma, elas abandonam qualquer tentativa de ter uma alimentação saudável e assim usufruir dos benefícios dessa alimentação no tratamento do diabetes.

E Qual Seria A Dieta Mais Indicada Para O Tratamento Do Diabetes?

Dieta Low-Carb Diabetes 1

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a recomendação é dar preferências a gorduras monoinsaturadas, evitar gorduras saturadas, consumir 60% da dieta de carboidratos por dia, até 10% de sacarose (isso mesmo, AÇÚCAR para diabéticos), e proteínas na média de 0,8g/kg de peso.

Será mesmo que essa é uma recomendação saudável para uma pessoa com diabetes?

Hoje sabemos que um aumento no consumo de carboidratos resulta em um aumento da resposta da INSULINA aos carboidratos.

O que, devido à ação promotora do armazenamento de gordura deste hormônio, promove a obesidade.

E, como já foi demonstrado em milhares de análises e estudos, este acúmulo de gordura abdominal (“gordura visceral”) está associado com inflamação crônica, que é diretamente ligada a diabetes tipo 2 e ataques cardíacos.

Para exemplificar, vamos fazer uma comparação.

Dieta Low-Carb Diabetes 2

Imagine que uma pessoa descobre que tem intolerância à lactose – e que, sempre que consome leite, iogurte, queijos e quaisquer outros derivado de leite, ela sente mal-estar.

Qual a melhor orientação?

Exclusão de leite e derivados da dieta.

Em um exemplo similar, imagine que uma pessoa tem Doença Celíaca (severa alergia ao glúten, uma proteína presente em cereais como o trigo).

Nesse caso, a melhor orientação (aliás, eu diria a única possível) seria uma dieta sem glúten.

Agora, imagine uma pessoa que tem uma intolerância à glicose, porque é resistente à ação da insulina, e por isso tem dificuldade para metabolizar os carboidratos.

Será que o mais sensato a se fazer seria dar 60% das calorias da sua dieta na forma de  carboidratos?

Com certeza não.

Essa recomendação não faz o menor sentido.

Pois comendo assim a pessoa com diabetes jamais conseguirá controlar a doença apenas com a dieta, e sempre será necessário o uso de medicações.

Mas então por que usar medicamentos para tratar uma doença que pode efetivamente ser controlada/tratada/curada por uma alimentação adequada?

slow carb, dieta, emagrecer, saúde, low carb, tim ferriss, nutrição, cardápio

Muitos estudos já comprovam os benefícios da dieta low-carb para o tratamento do diabetes.

E, melhor do que isso, muitas pessoas que decidiram apostar na dieta vêem os resultados na prática.

Dentre eles, podemos citar: redução do peso, melhora da sensibilidade à insulina, diminuição da hemoglobina glicada e até melhora das crises de hipoglicemia.

Relacionado: além de melhorar o diabetes, conheça outros 5 benefícios das dietas low-carb comprovados pela ciência

No início do século 20, o diabetes tipo 2 era definido como uma doença de intolerância aos carboidratos, e era tratado através da redução dos carboidratos.

E essa era uma forma particularmente bem-sucedida de tratar o diabetes antes da descoberta da insulina.

Os doutores Frederick Allen e Elliot P. Joslin, os pais da ciência do diabetes, tratavam com sucesso seus pacientes diagnosticados com diabetes com uma dieta muito baixa em carboidratos (como a dieta cetogênica).

Com a criação dos medicamentos para controle do diabetes, usar uma dieta eficaz para o controle e tratamento virou algo dispensável.

Afinal de contas, tratar essa doença apenas com a dieta não gera lucros para as indústrias farmacêuticas.

Sendo assim, outras diretrizes foram estabelecidas, e o paciente pode manter a dieta rica em carboidratos engordantes – porque depois “é só tomar um comprimido ou injetar uma insulina e tudo ficará bem”.

Mas hoje também se estuda bastante a eficácia da dieta low-carb no tratamento do diabetes, o que fornece a comprovação científica atualizada da orientação dietética feita no passado.

whey protein isolado concentrado hidrolisado rule1 (17)

Desde 2003, muitos ensaios clínicos confirmaram que reduzir os carboidratos é superior a reduzir as gorduras, tanto na redução do peso, quanto em melhorar o controle da glicose.

Recentemente uma análise de vários estudos mostrou a redução da carga glicêmica (quantidade de glicose) e do índice glicêmico (o efeito de um determinado alimento na glicemia) estava associada com uma redução no risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Após a redução do peso, manter uma dieta focada em comida de verdade (com redução de alimentos de alto índice glicêmico e com mais proteína) demonstrou ser uma estratégia superior em manter a perda de peso já atingida – e por um tempo maior do que qualquer outra composição de dieta.

Com isso, fica bem difícil contestar e ignorar a eficácia da dieta low-carb para tratamento do diabetes tipo 2 (e até mesmo esteatose hepática), mas é sempre bom salientar a importância de procurar um profissional capacitado para orientar a melhor forma de fazer a dieta, equilibrando com os medicamentos e a insulina se assim for o caso.


Sobre a Jhersyka

A Jhersyka Teixeira é nutricionista low-carb / paleo especializada em obesidade, emagrecimento e saúde (UNIFESP).

Atualmente, ela atende em São Paulo e em Guarulhos.

Você pode entrar em contato pelo telefone (11) 97959-0671, além de acompanhar suas mídias sociais no Instagram @jhersykateixeira e no Facebook JTnutricionista.


Referências

Para deixar a leitura mais fluida, separamos algumas das referências citadas no texto original e as agrupamos aqui:

1- Flegal KM1, Carroll MD, Kuczmarski RJ, Johnson CL. Overweight and obesity in the United States: prevalence and trends, 1960-1994. Int J Obes Relat Metab Disord. 1998;22(1):39-47.

2- Hedley AA1, Ogden CL, Johnson CL, Carroll MD, Curtin LR, Flegal KM Prevalence of overweight and obesity among US children, adolescents, and adults, 1999-2002. JAMA. 2004;291(23):2847-50.

3- Flegal KM1, Carroll MD, Kit BK, Ogden CL. Prevalence of obesity and trends in the distribution of body mass index among US adults, 1999-2010. JAMA. 2012;307(5):491-7.

4- Aldhahi W, Hamdy O. Adipokines, inflammation, and the endothelium in diabetes. Curr Diab Rep. 2003;3(4):293-8.

5- Osler W & McCrae T, The Principles and Practice of Medicine, 1923; Westman EC, Perspect Biol Med, 2006

6- Yancy WS Jr1, Olsen MK, Guyton JR, Bakst RP, Westman EC. A low-carbohydrate, ketogenic diet versus a low-fat diet to treat obesity and hyperlipidemia: a randomized, controlled trial. Ann Intern Med. 2004;140(10):769-77.

7- Gannon MC1, Nuttall FQ, Saeed A, Jordan K, Hoover H. An increase in dietary protein improves the blood glucose response in persons with type 2 diabetes. Am J Clin Nutr. 2003;78(4):734-41.

8- World Health Organization (WHO). Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Report of a joint FAO/WHO Expert Consultation. Geneva: Technical Report Series 916, 2003.

9- VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Arq Bras Cardiol. 2010 95(Suppl 1):1-51.

10- American Association of Diabetes Educators. Guidelines for the Practice of Diabetes Self-Management Education and Training. Chicago: American Association of Diabetes Educators, 2010.

11- Human Energy requeriments. Report of a joint FAO/WHO/UNU. Rome: Expert Consultation, 2004.

12- Wycherley TP, Thompson CH, et al.  Long-term effects of weight loss with a very-low carbohydrate, low saturated fat diet on flow mediated dilatation in patients with type 2 diabetes: A randomised controlled trial. Atherosclerosis 2016; 252: 28-31.

13- Martin S, Kemp K. Einsatz von Formuladiät als Basistherapie bei Typ-2-Diabetes. Dtsch med Wochenschr 2014; 139(21): 1106-1108

Receba atualizações dos comentários
Notifique-me de
guest
4 Comentários
mais votados
mais novos mais antigos
Inline Feedbacks
View all comments
Madalena de Fatima gomes lopes da Silva
Madalena de Fatima gomes lopes da Silva
13 de abril de 2020 10:32

Bom dia gostaria de comprar os livros .?mas tenho dúvidas tenho diabetes tipo 2 tudo que tem nos livros um diabetico pode comer

Guilherme e Roney
Guilherme e Roney
14 de abril de 2017 17:19

Sim!

Esperamos que tenha gostado do artigo :)

Abraços!

Guilherme e Roney
Guilherme e Roney
12 de abril de 2017 19:40

Olá!

Que bom que gostou – realmente o conhecimento e referências da Jhersyka são de alta qualidade!!

Abraços