Leptina E Resistência À Leptina: Tudo O Que Você Precisa Saber Sobre O Hormônio Da Fome E Da Saciedade

Este artigo sobre leptina e resistência à leptina é uma tradução, adaptação e finalização por Guilherme Torres e Roney Fernandes.

O texto original é do Kris Gunnars e está aqui.

Muitas pessoas acreditam que para emagrecer você precisa apenas controlar as calorias e ter força de vontade.

No entanto, as pesquisas científicas atuais sobre obesidade não dão suporte a essa visão.

Pois cada vez mais cientistas afirmam que os hormônios são fundamentais nesse processo.

Sendo que muitos acreditam que um hormônio chamado leptina pode ser a chave dessa questão.

Mais do que isso, a resistência à leptina (que acontece quando o corpo não responde adequadamente a este hormônio) parece estar bastante ligada ao ganho de peso.

Você gostaria de desvendar a chave que vence a obesidade e destrava a perda de peso?

Se sim, leia este texto atentamente até o final.

Porque, em apenas 5 minutos de leitura, você vai descobrir exatamente:

  • o que é a leptina e qual o seu papel em nosso corpo,
  • o que causa a resistência à leptina e como revertê-la,
  • como esses dois fatores podem te ajudar a emagrecer com saúde e sem passar fome.

Esta questão é extremamente importante. Pois cada vez mais pessoas sofrem com sobrepeso e obesidade no mundo.

Sendo assim, não temos tempo a perder — então vamos direto para as explicações.

Leptina — O Hormônio Que Regula O Seu Peso

A leptina é um hormônio produzido nas células de gordura do nosso corpo.

Ela é chamada popularmente de “hormônio da saciedade” ou “hormônio da fome”.

A atuação da leptina acontece principalmente no cérebro — numa área chamada de hipotálamo.

A função da leptina é dizer para o seu cérebro — quando você tem gordura suficiente armazenada em seu corpo — que você não precisa comer mais.

E que você pode queimar calorias tranquilamente.

É verdade que a leptina também tem outras funções ligadas à fertilidade, sistema imune, e função cerebral.

Mas sua função principal é a regulação de energia no longo prazo.

Isso inclui a quantidade de calorias que você ingere e que você gasta — e, consequentemente, quanta gordura você acumula em seu corpo.

Esse sistema surgiu durante a evolução para evitar que os seres humanos ou morressem de fome ou comessem em excesso.

Pois ambos os cenários resultariam em uma menor chance de você sobreviver e passar seus genes adiante.

Nos dias de hoje, a leptina funciona muito bem para evitar que a gente morra de fome.

Mas aparentemente há algo de errado no mecanismo que deveria nos impedir de comer em excesso.

Resumindo: a leptina é um hormônio produzido pelos adipócitos (células de gordura) do seu corpo.

Seu papel principal é o de regular o armazenamento de gordura e quantas calorias você ingere e gasta.

Leptina E Seu Impacto Em Nosso Cérebro

A leptina é produzida por suas células de gordura.

Por isso, quanto mais células de gordura você tiver, mais leptina você produzirá.

Ela é carregada pela corrente sanguínea até o seu cérebro, que manda um sinal para o hipotálamo.

(O hipotálamo é a parte que controla quando e quanto você come.)

Sendo assim, as células de gordura usam a leptina para avisar seu cérebro quanta gordura seu corpo carrega.

Isto é: níveis altos de leptina dizem a seu cérebro que seus estoques de gordura estão cheios.

E níveis baixos de leptina dizem que seus estoques de gordura estão baixos (e que você precisa aumentá-los comendo).

Assim, níveis baixos de leptina te deixam mais propenso a sentir mais fome — pois a regulação de energia é o papel principal desse hormônio.

Isso pode acontecer quando você restringe calorias para emagrecer.

Porque você diminui suas reservas de gordura, o que acaba por diminuir seus níveis de leptina.

Isso te deixa com mais fome, e pode diminuir seu metabolismo.

(Embora você possa tentar “enganar” esses sistemas com um dia de refeed ou dia livre.)

Por outro lado, quando você obedece essa fome, come e ganha gordura — e seus níveis de leptina aumentam novamente.

Com esses níveis mais elevados, sua fome deve diminuir, e seu metabolismo deve aumentar de volta até os níveis normais.

Como você talvez tenha percebido, esse é um sistema que tende a se regular sozinho.

Pois nosso corpo parece desejar ficar num determinado “set point” de peso — e a leptina é um dos principais hormônios envolvidos nesse processo.

(Esse sistema de auto-regulação é conhecido por “feedback negativo”, ou retroalimentação negativa.

E está presente em vários sistemas do nosso corpo, como respiração, temperatura e pressão sanguínea.)

Resumo: a função primária da leptina é avisar o seu cérebro sobre quanta gordura está estocada em seu tecido adiposo.

Se seu corpo determinar que está com pouca gordura, você fica com mais fome e diminui seu metabolismo.

Se ele determinar que está com muita gordura, a fome diminui e seu metabolismo aumenta.

Isso tudo funciona para te manter num peso mais ou menos estável — nem gordo demais, nem magro demais.

Ou pelo menos é assim que deveria ser — se tudo estivesse funcionando corretamente.

O que nos leva à resistência à leptina.

O Que É Resistência À Leptina?

Até agora, você já entendeu que a leptina é produzida proporcionalmente à quantidade de gordura corporal.

Sendo que as pessoas obesas têm muita gordura corporal — e, portanto, têm altos níveis de leptina.

Então por que elas não emagrecem?

A leptina não deveria tirar a fome delas e aumentar seus metabolismos?

Ou, em outras palavras o cérebro delas deveria perceber que elas têm energia em excesso.

E agir para contrabalançar isso.

No entanto, algo de errado acontece aí.

Isto é: elas têm leptina o bastante — mas “o sinal simplesmente não funciona”.

É como se o cérebro simplesmente não “enxergasse” esse monte de leptina circulando.

Chamamos essa condição de resistência à leptina.

(Algo similar acontece na resistência à insulina: altos níveis de insulina circulando, porém ela não faz o efeito que deveria.)

E cada vez mais cientistas acreditam que a resistência à leptina é um dos principais fatores biológicos ligados à obesidade.

Resistência à leptina — o que acontece

Quando seu cérebro não recebe os sinais da leptina (mesmo que haja muita leptina circulante), ele pensa que seu corpo está passando fome.

Isso faz com que seu cérebro “pense” que precisa ganhar peso.

Assim, ele altera seu comportamento de modo a encorajar a engorda.

Isso inclui:

  • comer mais: seu cérebro pensa que você precisa comer mais, para evitar morrer de fome;
  • gastar menos: num esforço para conservar energia, seu cérebro diminui seu metabolismo, e faz com que você queime menos calorias.

Sendo assim, temos mais um argumento de que “comer muito e se exercitar pouco” não é a causa final do ganho de peso.

Mas sim uma possível consequência da resistência à leptina — um problema hormonal que leva a um comportamento de engorda.

Sendo que, para a maior parte das pessoas que lutam com a resistência à leptina, usar apenas a força de vontade para subjugar os sinais de fome enviados por essa condição é algo praticamente impossível.

Resumindo: As pessoas obesas têm altos níveis de leptina. Mas isso não é reconhecido pelo corpo — é a chamada resistência à leptina.

A resistência à leptina pode te deixar com fome e reduzir o número de calorias que você queima.

Resistência À Leptina E Seu Impacto Na Perda De Peso

A resistência à leptina pode ser uma das razões pelas quais tantas dietas malucas fracassam na tentativa de levar à perda de peso no longo prazo.

Se você é resistente à leptina e emagrece, você diminui sua quantidade de gordura corporal — o que causa uma diminuição nos níveis de leptina.

No entanto, isso não necessariamente diminui a resistência à leptina.

Na verdade, quando os níveis de leptina caem, você pode acabar tendo:

  • mais fome,
  • menos motivação para se exercitar, e
  • menos gasto calórico durante o repouso.

Nesse caso, seu cérebro pensa “nossa, agora sim ele(a) está morrendo de fome!” — e age para contrabalançar isso.

Essa pode ser uma forte razão pela qual tantas pessoas passam pelo efeito sanfona — perdendo uma boa quantidade de peso, mas recuperando-o logo depois.

Resumindo: Quando as pessoas emagrecem, os níveis de leptina diminuem significativamente.

O seu cérebro interpreta isso como um sinal de que você está morrendo de fome e desnutrição, e envia comandos para que você ganhe de volta o peso perdido.

O Que Causa A Resistência À Leptina?

Alguns mecanismos por trás da resistência à leptina já foram identificados pela ciência.

Eles incluem:

  • inflamação: sinais de inflamação no seu corpo são provavelmente uma importante causa da resistência à leptina em animais e em humanos;
  • ácidos graxos na corrente sanguínea: níveis elevados de ácidos graxos livres (por exemplo, triglicerídeos elevados) na sua corrente sanguínea podem interferir com os sinais de leptina;
  • leptina cronicamente elevada: assim como na resistência à insulina, níveis constantemente elevados de leptina parecem causar resistência à leptina.

Sendo que esses fatores são todos aumentados no caso de obesidade.

O que significa que você pode acabar preso(a) num ciclo vicioso de ganhar peso, e se tornar mais resistente a leptina… o que predispõe a mais ganho de peso, e assim sucessivamente.

Resumindo: algumas causas potenciais da resistência à leptina incluem inflamação celular, elevados níveis de ácidos graxos livres no sangue, e leptina elevada.

Todos esses três fatores são piorados na obesidade.

Resistência À Leptina — É Possível Reverter?

Agora você talvez esteja com duas perguntas na cabeça.

A primeira é:

Como saber se eu tenho resistência à leptina?”

Sendo que a melhor maneira de saber se você tem resistência à leptina é usando uma ferramenta antiga chamada espelho.

Se você tem muita gordura corporal, especialmente na região do abdômen, então você provavelmente tem resistência à leptina.

E a segunda pergunta (geralmente feita após o teste do espelho) é:

Como reverter a resistência à leptina?”

E a resposta é que não se sabe com certeza como reverter a resistência à leptina.

Mas existem diversas teorias.

A maioria delas envolve eliminar ou reduzir os 3 fatores que mencionamos que parecem causar a resistência à leptina em primeiro lugar.

Além de endereçar outras questões de estilo de vida.

Algumas das medidas práticas que você pode adotar incluem:

  • evitar comida processada: comer comida ultraprocessada pode danificar seu sistema intestinal e aumentar a inflamação celular;
  • comer fibras solúveis: comer fibras solúveis pode ajudar a melhorar a saúde intestinal (e, alguns acreditam, proteger contra a obesidade). Leguminosas como o feijão são ricas em fibra solúvel;
  • praticar exercícios: atividade física pode ajudar a reverter a resistência à leptina;
  • dormir bem: a privação do sono está fortemente ligada a problemas com a leptina. Veja estas 7 dicas para dormir melhor;
  • diminuir seus triglicérides: uma dieta low-carb é uma das melhores maneiras de fazer isso;
  • comer proteínas: comer proteínas em quantidade suficiente pode te ajudar a perder peso, e isso pode melhorar sua sensibilidade à leptina;
  • outras medidas: é algo um tanto quanto especulativo, mas alguns pesquisadores (como o treinador sueco Martin Berkhan) acreditam que estratégias como se manter no peso desejado por um bom período de tempo, e praticar jejum intermitente podem ajudar a “reprogramar” o set point natural do corpo.

Resumindo: não existe uma maneira simples de eliminar a resistência à leptina.

No entanto, algumas mudanças de estilo de vida podem ajudar nessa jornada, e de bônus melhorar sua qualidade de vida.

Leptina – O Hormônio Da Fome: Conclusão E Palavras Finais

Antes de concluirmos o texto, é interessante ressaltar que este conteúdo também saiu na forma de vídeo em nosso canal.

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Tendo dado esse recadinho rápido, continuemos…

A leptina é um hormônio super importante para a regulação da quantidade de gordura corporal.

Sendo que a resistência à leptina é possivelmente um dos principais fatores envolvidos no ganho de peso — e na dificuldade em emagrecer.

É importante lembrarmos que a obesidade não é causada por excesso de gula, ou por preguiça, ou por falta de força de vontade.

E que existem forças hormonais, bioquímicas, comportamentais e sociais envolvidas nessa questão.

(E a dieta ocidental padrão, rica em carboidratos refinados e cheia de medo da gordura não é inocente nessa história toda.)

Se você receia estar com resistência à leptina, saiba que comer mais comida de verdade e reduzir o consumo de alimentos muito processados (especialmente carboidratos refinados) são ótimos passos iniciais.

E que o descanso e a atividade física adequadas também podem te ajudar nessa jornada.

A caminhada é longa — mas estamos aqui para te ajudar a percorrê-la.

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Porque, por mais que a ciência ainda não tenha respostas 100% definitivas sobre a leptina e a resistência à leptina.

Nós certamente te manteremos informado conforme novas pesquisas forem surgindo.

Afinal, estamos juntos nessa — em prol da sua saúde.

Forte abraço,
— Guilherme e Roney, do Senhor Tanquinho

Referências

Para facilitar a leitura, reunimos todas as referências citadas no texto original e as agrupamos aqui.

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  2. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0026049514002418
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  5. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1550413113002003
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