Podcast #046 – Dr. Cláudio Brasil Fala Tudo Sobre Antinutrientes, Inflamações Celulares E Estilo De Vida Sustentável

Os genes e a genética não são o destino — a gente tem sim o poder de escolha.”

O episódio de podcast de hoje conta com o Dr Cláudio Brasil.

O Cláudio é um médico gaúcho que sempre se interessou por uma vida mais natural e saudável.

E, assim como muitos de nós, o Cláudio acreditava que “natural e saudável” era comer grãos integrais a cada 3 horas.

No entanto, após ele mesmo experimentar com uma “dieta maluca” — que deu certo — ele viu que havia mais nessa história de alimentação do que aquilo que era tradicionalmente ensinado.

O que o levou a estudar e pesquisar cada vez mais

Sendo que hoje ele atende em consultório com um trabalho bem voltado ao paradigma evolutivo — e bem embasado em pesquisas científicas.

Além de escrever bons artigos no Ouse (de “ousar” mesmo — ousadia e alegria), e divulgá-los no Facebook do Ouse.

Enfim —  escute o podcast com atenção para ouvir o Cláudio falar tudo sobre:

  • sua história pessoal com medicina e doenças crônicas,
  • a dieta para acelerar o metabolismo que o ajudou a perder 5kg em um mês,
  • o que são antinutrientes e em quais alimentos estão presentes,
  • como neutralizar antinutrientes,
  • se você deveria ter medo dos antinutrientes (ou se eles podem ser bons para você),
  • inflamação celular — e o que pode desencadear,
  • frutas, sucos de frutas, e crianças que ficam doentes após o aniversário,
  • a importância do sono, das emoções, da meditação e do minfulness,
  • qual seu tipo favorito de treino físico,
  • quais são os hábitos saudáveis do Dr. Cláudio,
  • por que não estamos presos à genética,
  • a mensagem final do Cláudio para você,

e muito, muito mais.

Você pode escutar tudo clicando no player abaixo. Também é possível baixar o arquivo mp3 para escutar offline.


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Mas o que eu sugiro que você faça é o seguinte.

Preste atenção no podcast.

Anote os pontos importantes (ou, se preferir, leia-os e, detalhe na transcrição abaixo).

E tente pensar nos nossos podcasts — que são entrevistas com especialistas — não como entretenimento.

Mas sim como um investimento na sua educação.

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Tendo dito tudo isso — aproveite o episódio!

A sua transcrição completa se encontra abaixo.

Transcrição Completa Do Podcast

Guilherme: Olá, Tanquinho! Olá, Tanquinha!

Bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast.

E neste aqui nós contamos com o Cláudio Brasil como convidado, não é isso?

Dr. Cláudio Brasil: Isto, isto!

Um abraço para todos aí, um abraço para os ouvintes do podcast do Senhor Tanquinho.

É um prazer muito grande estar com vocês!

Roney: Legal, Cláudio! Muito obrigado por sua presença hoje.

Acho que você pode começar já se apresentando para os nossos queridos tanquinhos e tanquinhas que estão aqui nos escutando hoje.

A história do Cláudio

Dr. Cláudio Brasil: Então, .

Eu sou médico, formado pela URGS, em 1987 — já há bastante tempo.

Fiz residência em Pediatria, trabalhei como Pediatra e logo após eu fiz Homeopatia.

Há 15 anos eu estou trabalhando no Hospital Conceição, que é um dos maiores hospitais de Porto Alegre, com doenças crônicas.

E esse trabalho com doenças crônicas, com doentes crônicos, abriu a dimensão do problema das doenças crônicas.

Ou seja, muita gente tomando muito remédio, pessoas muito doentes e felizmente melhorando um pouquinho a longevidade… mas com qualidade de vida bem complicada.

Guilherme: Nós conhecemos o seu trabalho primeiramente pela internet.

Ela é uma ferramenta maravilhosa para nós encontrarmos pessoas que pensam parecido e que tenham interesses similares aos nossos.

E nós percebemos que você tem um blog, e que muito das suas postagens vão em direção da alimentação.

Como é que foi para você fazer a ponte entre essas doenças crônicas e a nossa dieta ocidental moderna?

Como é que foi o processo de descoberta, para você, dessa ligação?

Porque eu sei que isso é algo que não era tão falado, por exemplo, 10, 20 anos atrás.

Dr. Cláudio Brasil: Uhum.

Bem, na família sempre tive uma batida mais saudável e buscando coisas que fossem propícias a uma longevidade, uma saúde melhor.

A gente já fazia yoga… estava dentro da batida também em relação à alimentação convencional de cereais integrais, saladas, verduras, carnes – uma alimentação bem variada.

Há uns sete, oito anos eu recebi um diagnóstico de hipertensão.

E eu estava com 15 quilos acima do peso atual.

Eu recebi o diagnóstico, comecei a tomar medicamento e comecei a me questionar se não haveria alguma alternativa em relação a isso.

Busquei uma saída, alguma coisa que pudesse me ajudar, pessoalmente.

E há mais ou menos cinco anos…  a gente fez várias tentativas (eu e a minha mulher também, que é médica) de mudança de alimentação, de seguir mais ou menos o convencional, sem nenhum resultado.

Apesar de fazer atividades físicas, apesar de meditar, apesar de fazer yoga, apesar de saber o que era correto e oficial, e nós fomos vendo que não tinha resultado.

Nesse meio caminho caiu um livro em inglês chamado Fast Metabolism Diet, da Haylie Pomroy, que é um livro bem maluco.

Porque é um livro que faz uma dieta bem complicadinha: faz um detox, tira açúcar, tira álcool, tira café — que é uma coisa que a gente adora — e faz alguns dois, três dias de uma dieta mais cetogênica e com mais gorduras saudáveis.

Depoi com proteínas e depois no outro dia come carboidratos complexos – mandioca, aipim, essas coisas todas, batata doce…

E essa dieta, em um mês, no mudou um pouco — deu uma mexida no metabolismo dos dois.

Eu perdi uns cinco quilos — de três a cinco quilos — nesse mês.

E percebi que na alimentação havia alguma coisa a ser investigada. Isso foi há cinco anos, mais ou menos.

Aí eu disse: “O caminho é por aqui”, eu só achei que o caminho desse livro, o Fast Metabolism Diet, um caminho meio complicadinho.

Não é uma dieta paleo nem nada… e eu não sabia de nada, não tinha ideia da relação a isso.

Aí nós começamos a ir atrás e logo depois nós descobrimos o livro do Robb Wolf, que é o La Solución Paleolítica, um livro em espanhol.

Lemos, adoramos a batida do Robb Wolf, a coisa do humor e a explicação dele também.

E aquele livro caiu, assim, direto.

Depois nós lemos Mark Sisson, leu Loren Cordain… e entramos nessa alimentação de maneira rápida e fácil.

A gente percebeu… nesse período eu perdi mais 10 quilos — perdi os 13 quilos que eu estava acima —  e a pressão também normalizou nesse período.

Nesse meio tempo nós fomos passando essas informações para pacientes, passando para familiares, e as pessoas que faziam mais ou menos uma dieta paleo melhoravam muito.

A gente começou a ficar impressionado com os resultados da dieta paleolítica.

Nisso foi mais um ano, dois anos… depois a gente já ficou sabendo, conversando com colegas, a gente começou a perceber que tinham pessoas começando a se surpreenderem.

Uma amiga nossa falou: “Ah, tem o site do Souto! O Souto está fazendo mais ou menos o que vocês estão fazendo”.

Eu fui aluno do pai do Souto, vimos o site do Souto, achei: “Bah, tem tudo aqui!” em termos de base científica, discussões.

Eu fiquei fã também do site dele!

Mas acho que na prática de consultório, uma coisa que me chamava muito a atenção (porque aí veio a ideia de fazer o blog), é que às vezes a gente passava uma informação da dieta paleo, da maneira mais simples possível – comer comida de verdade, comer plantas, comer alimentos de origem animal, não ter medo das gorduras saudáveis, tirar o mito da gordura.

Então a gente passava essas informações para as pessoas e muitas pessoas achavam muito legal, gostavam da ideia, mas não conseguiam implementar.

E a gente ficava: “Meu Deus, tem alguma coisa acontecendo que faz com que as pessoas não implementem a dieta”.

E aí nós percebemos que o que faz as pessoas não implementarem é: alguns é falta de força de vontade ou de começarem a criar o hábito, de ir mudando o hábito.

Então nós começamos a estudar como é que ocorria o processo de mudança de hábitos, como é que as pessoas faziam um processo de mudança.

Nós começamos a pensar em como ajudar as pessoas nesse aspecto — o ideal é que você tenha um coach, mas nós íamos fazendo esse trabalho também em consultório — e nós sempre percebemos que a questão do sono era importante, do repouso, do brincar, do relaxar, da atividade física; e trabalhamos sempre com esse conjunto de informações.

A dieta era, digamos, o ponto principal.

Mas a dieta não funcionava se a pessoa não conseguia entender ou, pelo menos, tomar uma atitude no dia-a-dia dela para mudar os hábitos.

E depois um passo adiante foi a ideia de botar um blog só de prevenção, separando a nossa prática profissional, no sentido de usar remédios ou de fazer diagnósticos, e fazer um site só focado na prevenção.

E nós criamos o Ouse, que tem mais ou menos um ano.

Roney: Muito bacana!

O Souto parece que é uma coisa que vários entrevistados citaram, parece ser um caminho comum, que muita gente já passou, inclusive nós também.

E você falou sobre o seu blog — foi inclusive por lá que nós conhecemos o seu trabalho, lemos alguns dos seus textos…

E um dos que chamou, particularmente, a nossa atenção foi aqueles sobre antinutrientes.

Então nós gostaríamos que você falasse um pouquinho nessa questão dos antinutrientes, sobre oxalatos, lectinas, enfim… se existe problema em consumi-los, por que eles fazem mal, em quais alimentos eles estão presentes e como neutralizar também esses antinutrientes.

Antinutrientes

Guilherme: Só para dar um pouco de contexto, porque nós mencionamos aqui da dieta paleo, de perder o medo da gordura, de entender que o açúcar e os óleos vegetais refinados são coisas ruins…

Esses são os primeiros pontos da dieta que trazem uma mudança de paradigma para muitas pessoas.

Essa questão dos antinutrientes é uma coisa que talvez elas se deparem um pouco mais para frente.

Mas que, por outro lado, é muito menos acessível a informação sobre isso

Então nós queríamos que você abordasse um pouquinho aqui no podcast também.

Dr. Cláudio Brasil: certo, tá certo.

Acho que vocês viram no blog os artigos sobre antinutrientes, que não está completo de maneira integral, de tudo o que nós podemos abordar sobre isto.

Mas a questão dos antinutrientes surgiu porque… o açúcar, por exemplo, é um antinutriente se a gente for pensar bem.

Só que é uma questão muito mais quantitativa. Ou seja, com uma barra de chocolate com um pouquinho de açúcar, o nível de dano, de processo inflamatório, é muito pequeno.

Agora, uma quantidade maior já provoca um processo inflamatório maior.

E as pessoas têm muito essa questão em relação aos cereais: muita dificuldade de parar o pãozinho.

E aí eu disse: “Ah, a gente tem que abordar essa questão dos cereais. Tem esse mito de serem muito saudáveis — o trigo, o centeio, cevada, aveia, o próprio arroz também, mas em menor capacidade de provocar mal”.

Então nós resolvemos estudar um pouquinho mais isso aí, também por uma questão profissional.

A gente se defronta com alguns pacientes com doenças autoimunes e, para esses pacientes em particular, esses antinutrientes são muito importantes de nós trabalharmos com eles.

A Terry Wahls, cita os antinutrientes e os exclui da dieta em um primeiro momento… a Amy Myers também.

Quem trabalha com dieta autoimune geralmente exclui esses alimentos.

Então, antinutriente é um termo assim, até meio exagerado.

Eu acho bem exagerado, porque na verdade não tem na natureza: “O alimento é bom e o alimento é ruim”.

Na hora é alimento, é o que a gente come.

O que existe na verdade também é uma capacidade desses antinutrientes provocarem algum dano em pequenas quantidades, além do comum, em relação aos alimentos, de colocar algum tipo de reação; e que depende também muito da sensibilidade individual.

Então, o antinutriente principal, eu acho que é o trigo, que é uma coisa bem consensual.

Tem o “Barriga de Trigo”, têm vários livros que falam em relação a isso.

Então o glúten, por exemplo, é um antinutriente bem falado. Ele é bem conhecido, mas não é o único. Talvez não seja nem o principal.

Por exemplo, o Dave Asprey, e também o Steven Gundry (que fez “O Paradoxo das Plantas”), dizem que as lectinas são bem mais tóxicas do que o glúten e quase não se fala nelas.

Então, basicamente, antinutrientes são substâncias, são proteínas, são glicoproteínas presentes em plantas, em vegetais, presentes na casca ou nas sementes…

E que têm uma função de proteção para esses alimentos.

Ou seja, na natureza, nada é de graça.

Então qualquer tipo de substância tenta se preservar e tenta sobreviver.

Então os antinutrientes surgem no reino vegetal como uma tentativa de autopreservação.

Então, por exemplo, tu come um pãozinho integral, as proteínas trituradas ou moídas, feitas no pão, por exemplo, vão atuar sobre o estômago, sobre o intestino delgado, vão atuar na zonulina, naquelas regiões já bem estudadas, provocando intestino impermeável, irritação no estômago, processos inflamatórios, desregulação endócrina, alterações autoimunes também.

São proteínas que facilmente se confundem com proteínas do corpo, se ligam a moléculas de açúcares e provocam reações autoimunes, ou seja, reações de confusão no próprio organismo.

Então podem provocar Tireoidite de Hashimoto, doenças lúpus, doenças reumáticas.

Então os antinutrientes têm essas possibilidades de causarem esses danos.

Onde a gente encontra os antinutrientes? Nos cereais, principalmente nas proteínas presentes nos gérmens do cereal, mais presentes nos gérmens, que é justamente para proteger o DNA desses grãos, no trigo, na aveia, no centeio e cevada, no arroz integral também tem um pouco; nós vamos encontrar também nas leguminosas as lectinas.

Lectinas é uma palavra que vem do latim lectere, que quer dizer ligar, então lectina é quase um ligante, como o glúten, que é uma cola.

Então, na verdade, são substâncias, são proteínas — ambas são proteínas, são grupos de proteínas diferentes — que têm essa capacidade de fazer ligação entre uma proteína e outra, uma proteína e um carboidrato, por exemplo, e procurar confusão no nosso organismo.

Mas elas não existem para nos provocar mal.

Na verdade, elas existem para se auto protegerem. Então na natureza, é isso que eu falei, é para proteger de insetos, de fungos, de plantas.

E nós inadvertidamente, desde a agricultura, estamos comendo esses alimentos em maior quantidade.

Comendo em pequenas quantidades, em pequenas fraçõezinhas em uma dieta variada, talvez não faça tanto mal.

E as pessoas que são mais sensíveis, especialmente as que têm tendência, uma suscetibilidade a doenças autoimunes, são as mais sensíveis a esses antinutrientes.

Então eu destacaria essas proteínas relacionadas ao glúten, tem várias proteínas relacionadas ao gérmen desses cereais.

Nas leguminosas tem os feijões, ervilhas, lentilhas, amendoim, que também tem essas lectinas e também são parecidas.

Tem também nas solanáceas — tomate, berinjela — mas a gente vai encontrar em uma série de outras plantas também, inclusive alho, alho-poró…

Então não dá para também ficar paranoico.

Se tu não tem uma doença autoimune, não tem história familiar forte de doença autoimune, eu acho que não dá para ficar em paranoia.”

Mas quem tem essa condição eu acho que tem que conhecer um pouquinho essa questão e, de maneira geral, ter muito cuidado com os cereais.

Isso depende muito da suscetibilidade individual.

Guilherme: Foi bem abrangente a resposta. Gostei bastante!

E acho que um ponto interessante de notar é que você mencionou que isso está muito presente nos alimentos de origem vegetal porque essa é a defesa das plantinhas para evitarem ser comidas e tal.

Os animais tendem a lutar ou correr, ou fazer alguma coisa assim.

E esse é inclusive um dos argumentos de alguns proponentes de uma dieta mais carnívora: justamente que não teria esses antinutrientes, especialmente em um contexto de uma dieta de eliminação para pessoas com doenças autoimunes ou permeabilidade intestinal, ou algo assim.

Nós queríamos saber seu take sobre isso, se você já viu isso sendo utilizado na prática, se você tem alguma experiência com isso — ou com alguns relatos nesse sentido.

Porque nós sabemos que a dieta carnívora, uma dieta realmente de eliminação de vegetais com a proposta de eliminação de antinutrientes especificamente está cada vez mais em voga.

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Dr. Cláudio Brasil: Isso.

Eu acho que é uma proposta em relação a doenças autoimunes, eu pensaria em uma carnívora ou em uma cetogênica, que eu acho que seriam as mais interessantes junto com o jejum intermitente.

Antinutrientes: como reduzir

Em relação a esses alimentos, a sabedoria ancestral já criou maneiras de preparar os alimentos – existe uma cultura nas sabedorias mais ancestrais – de uma maneira que atenuasse essas toxinas.

Então, por exemplo, se tu pegar um feijão e deixar de molho na água e deixar um pouquinho de vinagre e for trocando aquela água por dois, três dias, já se sabe que há uma redução dessas lectinas da casca do feijão.

Então um broto de feijão já desativou essas lectinas tóxicas.

Então, digamos que comer brotos de feijão ou o feijão que está de molho em uma demolha, de molho na água, por dois, três dias, querendo fazer um brotinho, ele inativou a lectina porque ele percebeu que tem uma condição de germinar.

Ele está em pré-germinação e então ele pode ser cozido de uma maneira normal e não provocar tanto dano.

Então é uma forma que nós orientamos os pacientes — tem até um artigo no blog sobre isso — explicando as maneiras como nós reduzimos esses antinutrientes para pacientes que estão no início de uma dieta autoimune.

Ah, pessoa louca por feijão, tem alguma coisa autoimune, mas não é uma doença séria, não está se propondo a fazer uma dieta autoimune séria, a fazer uma dieta carnívora ou cetogênica.

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“Então, olhe, tu é louca por feijão? Então , então pega o feijãozinho, bota de molho na água, bota um pouquinho de vinagre, uma colherinha de vinagre, no outro dia troca a água, bota água de novo, no terceiro dia bota para cozinhar. E cozinha direito! Bota banha, faz um refogadinho de alho e cebola, faz um feijãozinho bem gostoso”.

E geralmente os pacientes referem para a gente que têm menos sintomas, menos gases, menos flatulências, que até são sintomas, digamos, menos importantes. Mas são mais de desconforto, de má digestão.

Mas a nossa preocupação é muito mais no sentido de… em relação a processo anti-inflamatório; à desregulação hormonal; desregulação endócrina; à questão imunológica; aos riscos de trombos também, que esses tipos de alimentos provocam.

Então existe esse tipo de propriedade, por exemplo, das leguminosas — já que nós estamos falando de feijão — uma das que nós menos recomendamos é a soja.

Nós vemos trabalhos, trabalhos e trabalhos e a soja é um alimento bem inflamatório para o ser humano, então, das tradições ancestrais que comem e usam soja tem os japoneses, por exemplo.

Mas eles usam uma soja que é orgânica, eles vão fazendo processos de fermentação sucessivos e prolongados para poder atenuar, justamente, essas toxinas.

Então, comer um bifinho de soja, não sei o quê de soja, óleo de soja, meu Deus, é uma furada muito grande!

Então essas sabedorias ancestrais são importantes para nós podermos usar os alimentos com um nível de segurança maior.

Na nossa prática nós temos essas recomendações.

Um paciente que é autoimune, que tem uma doença séria, nós recomendamos retirar e fazer uma dieta com mais carnes, mas com vegetais também; mas cuidando desses alimentos.

Em geral algumas pessoas têm percepção de… pimentão, por exemplo, tem bastante substâncias tóxicas.

Então a gente já: “Olha, vá para o pimentão mais vermelho, que tem menos em relação ao verde”.

Se a pessoa realmente não tolera: “Escuta um pouquinho o que o seu corpo está dizendo e dá uma parada, depois retoma”.

Eu recomendo, pelo menos, três semanas, quatro semanas de retirada desses alimentos para pacientes que têm doença autoimune.

E quando tem indicação de uma cetogênica ou quer fazer uma cetogênica a gente encaminha para colegas para fazerem. Eu não oriento. Acho ótimo a cetogênica, mas acho que tem que ser com um Nutricionista porque tem muita dúvida, têm muitas questões…

A gente trabalha muito mais com as questões, dando linhas gerais, não receitando dieta. A gente não receita dieta.

A gente só diz: “Olha, a linha paleo é essa, teu caso, eu sugiro, numa autoimune; mas eu acho que, de repente, vá em uma Nutricionista”.

Então têm várias parcerias aí.

Roney: Cláudio, você citou o feijão e as leguminosas… e com relação a outros alimentos que também apresentam algum tipo de antinutriente como, por exemplo, os brócolis ou mesmo o pimentão, que você acabou de falar, existe alguma medida para atenuar os antinutrientes desses alimentos, assim como existe com relação às leguminosas?

Dr. Cláudio Brasil: Olha, eu não conheço, mas eu vou te dizer: uma coisa interessante em relação a isso é que essa questão, por isso que o termo eu acho que ele tem um peso que é meio desproporcional e até no post do Ouse eu tentei brincar um pouco com essa história.

Por quê? Porque, na verdade, algumas coisas que nos fazem pequenos danos podem nos ajudar.

Então, por exemplo, se eu comer — não uma tonelada de brócolis — regularmente, com uma certa variabilidade…  ou seja, não vou comer brócolis todo dia.

Mesma coisa da couve: quando começa a comer suco de couve, suco verde com couve todos os dias, tu vai ter problemas com oxalato, ter risco de fazer cálculos, etc.

Então o que nós recomendamos é que as pessoas variem a alimentação, ou seja, a variabilidade da alimentação reduz esses riscos.

Por exemplo, eu adoro chimarrão. Eu sou gaúcho.

A gente gosta muito de chimarrão. Chimarrão é um chá verde, por exemplo, e tem um pouquinho de antinutrientes, só que esses antinutrientes, ao mesmo tempo em que provocam algum dano mínimo, eles estimulam as nossas defesas.

Então é a questão dos antioxidantes, ou seja, nem tudo o que provoca um dano mínimo vai fazer mal.

Na verdade, até nos fortalece.

É muito a questão dose-dependente e suscetibilidade, ou seja, digamos a tua vulnerabilidade àquele alimento.

É isso. Eu acho que em pequenas quantidades eles são benéficos, então o que nós sugerimos para contornar essa questão?

Nós sugerimos que se a pessoa não tem uma doença autoimune importante, que também não é o nosso foco de atendimento — a maior parte das pessoas que nós atendemos são doentes metabólicos, que nós podemos até conversar um pouquinho depois — os autoimunes são um problema bem específicos, mas as pessoas sofrem muito com muitos transtornos, com muitas doenças.

São doenças graves, são doenças que passam por vários médicos… é uma questão de saúde pública bem importante.

Mas se a pessoa não tem uma doença autoimune importante, se ela varia os alimentos, ela reduz muito o risco de fazer mal.

Então tu comer um brócolis, um, dois, três brócolis em um dia e depois no outro dia tu comer couve-flor, e vai variando, a gente não vê muita possibilidade de ter problema.

A menos que tu perceba alguma reação.

Ou seja, teve alguma alteração, anota, observa o conjunto de alimentos que vem comendo, registra um pouquinho… esse tipo de observação é bem importante: perda de energia, distensão abdominal, dores abdominais, cólicas, mudança no padrão evacuatório.

Até a questão da energia é uma coisa bem importante a pessoa perceber se fica desanimada, se fica triste.

Então esse padrão de auto-observação é bem importante em relação aos alimentos.

Só que nós vamos ter que ter várias observações para podermos perceber qual alimento realmente está dando problema.

Mas eu acho que não é um problema, digamos, para se criar alarde. Mas é para saber que existe isso aí.

Um outro antinutriente que, na verdade, não é o mesmo mecanismo desses outros, eu acho que é a caseína.

Se fala muito na lactose, por exemplo, que não é um antinutriente na verdade, é só um açúcar e algumas pessoas não têm a lactase para digerir adequadamente, então ele provoca sintomas…

Se falam muito: “Ah, tem intolerância à lactose, intolerância à lactose”. .

Uma coisa que nos chama muito a atenção é que se fala muito da intolerância à lactose, que é só a incapacidade de digerir esse açúcar, a lactose mesmo, e provoca a distensão abdominal, gases, desconforto digestivo; e não se fala tanto, não se pensa tanto na questão das proteínas do leite.

Nas proteínas do leite têm um monte de proteínas que podem dar algum problema para as pessoas que têm doença autoimune ou pessoas mais suscetíveis.

Então, por exemplo, a caseína, que é uma das proteínas mais comuns do leite, é uma proteína que pode dar problema para pessoas que têm doença autoimune, tem alguma certa associação com acne também…

Então, estudando um pouquinho isso aí mais a fundo nós vimos que as pessoas… a caseína, por exemplo, presente nas vacas Jersey e vacas de origem hindu, que são as nossas zebuínas, os zebus, que a gente tem aqui no Brasil; o leite de cabra; o leite de ovelha; o leite de camela são leites mais ancestrais.

Eles têm um tipo de caseína que é mais digerível, que provoca menos danos no nosso corpo.

A caseína provoca um tipo de dano muito semelhante a outras proteínas como o glúten, como as lectinas.

Então é um tipo de proteína que se comporta como um antinutriente do tipo vegetal.

Só que no caso não é por um sentido de defesa do animal.

É só no sentido de especificidades, ou seja, para o ser humano o ideal do leite é o leite materno.

Esses leites que eu falei: ovelha, cabra, de vaca zebua ou de Jersey, por exemplo, são leites que o ser humano já se adaptou há mais tempo.

E os leites de vacas holandesas ou vacas europeias, tirando a Jersey, são vacas que, digamos, a caseína é mais recente, então a gente encontra mais intolerância a proteínas do leite de vaca e mais reações também em relação a isso.

Só para fechar esse assunto dos antinutrientes.

Guilherme: Excelente pontuar isso, até porque muitas vezes a pessoa acha que o problema dela é com lactose, mas ela toma leite sem lactose, come queijos fermentados e ainda têm alguns problemas. Porque muitas vezes nem sabe, como você mencionou, que ela pode ter problemas com as proteínas do leite.

É muito falada a lactose e não é muito falado o problema com as proteínas do leite.

Dr. Cláudio Brasil: Exatamente. Acho que pegou bem a questão.

E nós vemos na adolescência a questão da acne, que pode ter uma associação com isso, não única, mas é uma associação possível; e distúrbios hormonais femininos, como dismenorreia, cólica, problemas autoimunes relacionados a doenças do órgão feminino – endometriose, cólicas menstruais, desregulação menstruais.

Então tudo isso pode ser relacionado com a questão das proteínas do leite.

Quando a gente tem paciente com intolerância à lactose, a gente já diz: “Tenta parar com o leite geral, para a gente ver como é que fica”.

E tem uma certa associação que nós não medimos, mas é bem significativo.

A pessoa tem uma coisa bem importante relacionado a isso. E têm relatos, têm estudos falando sobre isso também.

É uma coisa importante não ficar só na lactose. É uma coisa a ser pensada também.

Roney: Perfeito, Cláudio. Muito boa e completa a resposta.

Inflamação

E agora, mudando um pouquinho de assunto… na verdade, não muda tanto assim… outra coisa que nós gostamos de ler no seu blog, que nós até tínhamos comentado com você, é com relação à inflamação.

Porque sempre o que nós estamos acostumados a ouvir no dia-a-dia sobre inflamação: “estou com a garganta inflamada”, ou com “um corte inflamado”.

Mas tem uma diferença para inflamação sistêmica, inflamação celular, inflamação crônica e muitas vezes as pessoas não sabem e têm dúvidas.

Você poderia falar um pouquinho disso para nós?

Dr. Cláudio Brasil: Posso, posso!

As lectinas, que nós falamos antes, do feijão, por exemplo, podem provocar aumento de PCR. A proteína C-reativa, que é um marcador inflamatório, e está associada com processos inflamatórios crônicos.

Eu acho que o mais comum para nós, em termos de população, seriam os açúcares.

O uso de açúcares em grande quantidade, o nível de carboidratos em uma dieta por dia, é muito acima do que nós, digamos, evolutivamente estamos preparados.

Então, as pessoas têm, digamos… o grupo de problemas mais comuns que nós atendemos no Ambulatório de Doenças Crônicas do Hospital Conceição é de pacientes metabólicos. Então são 70, 80% dos casos de doenças metabólicas.

O que é doença metabólica? Doença metabólica é uma intolerância a carboidratos que se manifesta com Resistência Insulínica e depois com o aumento de Glicemia.

E está associado com uma série de patologias como diabetes tipo 2, hipertensão arterial idiopática, pode ter também esteatose hepática não-alcóolica, cálculos renais, cálculos biliares, dislipidemias com o aumento de triglicerídeos, que elevam também os marcadores inflamatórios e são bem inflamatórios.

Doenças cardiovasculares também entram nesse pool de doenças.

Então, por falar em inflamação eu acho que é o fator número um é açúcar.

Em criança, que meu trabalho inicial era como Pediatra, e eu trabalho em emergência pediátrica, chega muita criança fazendo infecção — já que tu falou de infecção de garganta, essas coisas assim, que são infecções mesmo — pós-aniversário fazer uma baixa de imunidade e fazer infecções mesmo.

Então fazem infecções por excesso de açúcares, principalmente, e há uma baixa de imunidade bem estabelecida e as pessoas infecciosas: “Ah, não, é uma virose, é uma virose”, elas fazem um febrão, fazem uma alteração breve e às vezes localizam o processo infeccioso.

E em adultos é mais comumente doenças crônicas mesmo: doenças cardiovasculares, que tem esse mecanismo inflamatório crônico — a própria gordura não é a causa de AVCs e doenças cardiovasculares, então isso tem sido bem debatido atualmente.

Deixa eu pensar o que mais…

Guilherme: Acho que um bom ponto que, inclusive entra bastante nessa questão dos iniciantes da low-carb, é a questão de óleos muito ricos em Ômega-6, que seriam pró-inflamatórios.

E a pessoa muitas vezes pensa: “Poxa, mas é só gordura, baixa em carboidrato! Por que eu não posso consumir óleo de canola, algodão, de milho, girassol? E por que banha e óleo de coco são saudáveis se são gorduras saturadas?”.

Acho que essa questão dos ácidos graxos, Ômega-3 e Ômega-6 e o equilíbrio entre eles também entram um pouco na questão da inflamação. Não é isso?

Dr. Cláudio Brasil: Com certeza! Com certeza! E é uma questão muito pouco abordada, então é bem importante relacionar isso.

Na verdade, eu brigo com os pacientes assim: “Olha, gordura… eu vou te dar as gorduras que são ancestralmente usadas e que são benéficas: a banha, manteiga, óleo de coco, azeite de oliva…”; “Ah, mas não! E a canola? E o óleo de girassol? E o óleo de arroz? E o óleo de soja?”.

E aí a brincadeira que a gente fala é assim: “Olha, esses são óleos à frio muito bonitinhos. Parece uma coisa toda bonitinha, saudavelzinha, lindinha… mas aqueceu, meu Deus…”.

Pensei em um palavrão agora com relação a isso, na linha:

Aqueceu, f*deu.”

Porque eles criam peróxidos, eles criam um monte de substâncias que são extremamente cancerígenas, inflamatórias.

Existe também… o Ômega-6 e o Ômega-3 são importantes, ambos, e ancestralmente uma proporção de Ômega-3 para Ômega-6 de 1-1, 1-2, se discute 1-4.

Mas atualmente a alimentação com esses óleos vegetais poli-insaturados vai para 1-10, 1-20. Geralmente 1-20 ou ao redor disso aí.

Então são óleos que são aqueles políticos sem-vergonhas.

Que chega para ti todo bonitinho, queridinho, vai te ajudar, não sei o quê; mas tu aqueceu eles, tu botou eles lá para cima, a coisa piorou muito.

Então são bem complicados mesmo.

É uma questão bem importante em relação às gorduras é essa lembrança de vocês em relação aos óleos poliinsaturados.

A outra coisa que nós pegamos muito no dia-a-dia é a questão das frutas.

As pessoas têm uma ideia de que a fruta é saudável, fruta é saudável e dê-lhe suco, suco, suco.

E o suco nós vemos muito essa associação com Resistência Insulínica e a gente pede insulina em jejum frequentemente para pacientes que a gente vê que está com aumento de gordura abdominal, gordura visceral, com esteatose hepática não-alcóolica.

E nós vemos muita resistência insulínica e muito uso de frutas, digamos, ou comida a fruta mesmo de maneira natural – que eu não vejo tanto problema – mas as pessoas comem a cada duas horas uma fruta bem doce, vão comer laranja, melancia, e vai comendo banana…

Então isso aí prejudica bastante o metabolismo da insulina e vai criando resistência insulínica.

Ou sucos: “Ah, o suco é natural, então eu tomo suco de laranja, suco de maçã, suco de uva…”, aqui no sul se usa muito suco de uva, dão muito para crianças também.

Então eu digo assim: “Olha, nada contra um dia você tomar um suquinho… e deu! Não é para tomar como água!”.

As pessoas usam como água, então os sucos e a frutose estão muito relacionadas com a esteatose hepática e com a resistência insulínica, então a fruta tem que ter muito cuidado porque as frutas ancestrais vieram mais azedinhas.

Elas têm um paladar que a gente brinca, que aqui no sul é a pitanga, a ameixa do campo, que tu pega uma ameixinha do campo e ela é bem azedinha.

A pitanga também é uma fruta bem azeda.

Agora, as frutas que nós usamos normalmente estão selecionadas para serem doces porque nós gostamos do doce.

E o doce, normalmente, na natureza, não está associado a substâncias tóxicas.

Antinutrientes, toxinas, venenos que existem nos vegetais geralmente são plantas mais amargas. Então o vegetal mais adocicado era um vegetal mais seguro.

Até para o paladar também a gente tem essa ligação com o doce. Então essa questão também é importante.

Acho que é isso.

Me lembrei da leptina agora!

Fiz uma associação e me lembrei que, por exemplo, pacientes que têm compulsão por farinhas, farináceos, por pães ou por doces, às vezes, são as lectinas do feijão ou de alguma farinha que esteja comendo que desregula a leptina e a pessoa está sempre com fome; fica um processo de compulsão, de voracidade muito grande.

Mas acabei pulando aqui. Vou fazer uma mistura de assuntos.

O que mais aí, pessoal?

Roney: Você poderia dar uma pincelada no que é a inflamação – essa inflamação a nível celular – o que causa isso… como a gente pode resumir isso em uma linguagem mais simplificada?

Dr. Cláudio Brasil: Olha, um termo que se usa muito nos livros de pessoas que trabalham com paleo, é como se fosse um fogo interno.

Na verdade é uma ativação do sistema de defesa normal do corpo, mas em um processo que leva a um grau de destruição, um grau de dano para o organismo.

Então ele é um processo que, em geral, é crônico; é um processo que inicia de maneira benigna e que depois pode gerar uma cascata, um ciclo de processo que leva ao dano.

Uma outra coisa importante em relação a isso é que às vezes não é uma causa só.

Então nós temos, por exemplo, pacientes muito estressados, que são muito contidos…

Às vezes pessoas que nós atendemos e que não se abrem muito: “Ah, como é que está tua vida? Como é que tá tua família, trabalho?”; “ tudo bem, tudo bem…”, aí a pessoa não se abre, não se abre, não se abre — e às vezes aquele é um fator de estresse muito grande.

Quando a pessoa passa e depois de um certo tempo ela consegue se abrir e dizer como é que ela está se sentindo, é que vemos que ela estava carregando uma carga enorme.

Então esse fator estresse, que é o fator do cortisol, é um fator bem importante também para resistência insulínica e para processos inflamatórios crônicos.

Porque o cortisol é uma substância naturalmente anti-inflamatória, mas que também cronicamente ela provoca, se somando aos danos dos alimentos e de outras infecções subagudas também.

Às vezes a pessoa tem um processo de inflamação crônica que não sabe: tem uma sinusite cavitária ou tem um processo de canal, um processo dentário crônico.

Então esses processos crônicos favorecem o processo inflamatório geral.

A importância de fazer um bom diagnóstico clínico para poder fazer a reversão desses processos também.

Guilherme: Eu acho que ficou bem abrangente porque, primeiro, nós falamos dos alimentos e agora até de alguns hábitos, do cortisol cronicamente elevado, que tem a ver com o estresse, privação do sono, enfim, e tudo isso causa essa questão da inflamação.

Dr. Cláudio Brasil: Isso!

Guilherme: E achei bacana você mencionar do cortisol.

Porque ele é justamente um hormônio que, em picos agudos, pode ser benéfico para nós — após o exercício, por exemplo, nós temos uma elevação do cortisol; mas cronicamente elevado, não.

Não é assim que nós evoluímos.

Nós tínhamos estresse intenso, agudo, mas seguido por períodos sem esse estresse.

E hoje em dia com preocupação, com estresse, com o estilo de vida moderno, nós temos essa elevação de cortisol e outros hormônios (como glicocorticóides), que acaba atrapalhando bastante o nosso funcionamento.

E a gente não evoluiu com esse ambiente.

Dr. Cláudio Brasil: Exatamente, exatamente.

A gente evoluiu por estresse agudo, breve e passageiro. Não é uma coisa permanente.

Então esse processo crônico de não relaxar, de sono breve ou de má qualidade, vai gerando esse processo que é somatório, que são várias questões: cortisol, com insulina — resistência insulínica — com alimentos inflamatórios, como açúcares ou com a lectina junto, com álcool em excesso.

Então é um conjunto de coisas.

Mas eu acho que está por aí.

Guilherme: Legal.

Então nós já mencionamos alguns alimentos que, com certeza, são danosos para as pessoas.

Especialmente os açúcares, os óleos vegetais pró-inflamatórios e, claro, privação de sono, como nós mencionamos.

Mas que outros hábitos saudáveis podem ser interessantes para as pessoas incorporarem e, até mesmo em um âmbito mais pessoal, se você não se importar em compartilhar…

Quais hábitos saudáveis você leva no dia-a-dia e acha que são um bom custo-benefício de implementação?

Você tinha mencionado a yoga antes… o que mais que você implementa no seu dia-a-dia?

Dr. Cláudio Brasil: Olha, meditação eu acho uma coisa bem importante.

Até criar prática de mindfulness, práticas que tu consiga relaxar ou ficar presente no momento, eu acho isso bem importante.

A gente já faz isso há muito tempo e volta e meia repete.

E é quase diário o processo para nós.

Eu digo um processo “para nós” porque eu e a minha mulher vamos na mesma onda.

Então isso é uma coisa bem importante.

Ter essa capacidade… eu, por exemplo, tenho uma tendência a ficar muito contraído, muito tenso. Então eu tento relaxar, levanto…

Então a cada meia hora ou quarenta minutos de atendimento, sentado, trabalhando no computador, eu levanto, alongo, respiro, olho para a rua… tento dar uma relaxada legal ou pensar em coisas boas também.

É uma coisa bem importante essa questão mental.

Eu fico muito estressado com sono.

Eu gosto de dormir bastante. Eu gosto de dormir sete, oito horas bem dormidas. Então quando eu não consigo eu fico… eu me organizo para tentar dormir mais cedo no outro dia.

Tento criar uma rotina que favoreça esses hábitos mais saudáveis.

Pessoalmente eu gosto muito de exercícios rápidos e curtos.

O HIIT, por exemplo, eu acho maravilhoso. Às vezes um HIIT de três minutos, cinco minutos, dez minutos… então, é o que o tempo dá.

A gente pratica caratê também, três vezes por semana, mais ou menos.

Três, quatro vezes por semana. E o caratê tem uma prática de mindfulness, tem uma meditaçãozinha no início, depois tem no fim.

Tem uma prática de alongamentos e de treinos de alta intensidade também que simulam um HIIT também. Então é bem interessante.

Uma vida mais essencialista também: se organizar para ter a vida mais simples, com menos complicações, menos compras, menos consumo, então isso aí também é uma batida que nós temos e que eu acho que ajuda muito as coisas serem mais fáceis.

Cozinhar em casa também é uma coisa que nos ajuda bastante, que é uma coisa de tu escolher o alimento adequado, fazer em casa e ser uma reunião familiar… é uma coisa bem importante.

E outra coisa que eu acho que é importante… o que a gente coloca em um blog ou que a gente passa para os pacientes é o que a gente vive.

Não tem uma diferença em relação a isso. É uma coisa bem vivenciada.

E até em um primeiro momento essas experiências que se fizeram, de experimentar novos alimentos, de experimentar novas práticas também – jejuar é uma coisa que nós também fazemos.

Normalmente domingo eu faço um jejum de 24 horas.

A minha mulher faz jejuns intermitentes mais frequentes, duas, três vezes por semana. Eu faço uma vez ou duas por semana por semana. Uma vez é certo que eu faço, mas eventualmente duas vezes por semana jejuns de 24, 18 horas, que eu acho uma coisa bem interessante.

Não uma coisa marcada. Tu pode simplesmente perceber: “Olha, eu jantei muito hoje” e no outro dia pula o café da manhã, pula o almoço e vai jantar de novo.

Então essa autopercepção, essa auto-observação eu acho uma coisa bem importante.

Não ficar em uma regra e eventualmente tu vai para uma festa e sai um pouquinho do ritmo e volta depois, no dia seguinte.

Não ficar uma coisa muito amarrada.

Então eu acho que isso aí é uma coisa… eu acho que é bom! Eu acho que não existe dia do lixo. Essa coisa de dia do lixo eu acho uma besteira!

Eu acho que ninguém é besta para fazer dia de lixo porque ninguém é lixeira.

Mas eu acho que a questão de, por exemplo, tu te permitir um dia: “Ah, tomar um champagnezinho, beber um pouquinho mais” ou “Vou sair com os amigos” ou fazer isso ou aquilo e depois tu retoma de novo e no outro dia as coisas voltam ao normal.

Enfim, se permitir exceções na dieta.

Viajando também, eventualmente…  está viajando, comeu um pouco mais de doce do que o normal, mas caminha mais também. Geralmente a saúde fica perfeita também.

Não existe um fator só, mas eu acho que essa flexibilidade é importante também.

Roney: Nossa, com certeza, Cláudio! Perfeito! A gente se identificou bastante com bastante coisa que você falou.

Outras coisas que eu acho que nós vamos começar a pensar em fazer, como a própria questão da meditação, que nós já tentamos implementar esse hábito uma época, mas acabou não dando muito certo.

Mas isso de abrir exceções eventualmente, mas com consciência do que está fazendo é uma coisa bem bacana que eu acho que nós nos identificamos bastante, das viagens também.

Que nós quando viajamos não ficamos tão “noiados” com a dieta, mas também não deixar totalmente de lado e depois ficar mal durante a própria viagem.

Dr. Cláudio Brasil: A última viagem que nós fizemos nós passamos 20 dias fora, e nós comemos sim.

Estávamos em Portugal, comemos mais doces, aqueles doces maravilhosos portugueses — eu adoro doces com ovos — e obviamente nós não nos pesamos.

Passamos a viagem curtindo, tomando vinho e comendo também carnes, peixes e frutos do mar.

Voltamos, nos pesamos… e eu tinha perdido um quilo! Claro!

A gente caminhava, em média, 12 quilômetros por dia.

Então, comíamos mais, comíamos mais doces, mas também caminhávamos muito. Teve um dia que foram 18 quilômetros.

A gente foi à Torre de Belém, depois foi não sei para onde, caminhando, caminhando…

Então é isso aí! A vida é isso aí! Não tem que ter muita regra!

O único ponto que nós ficamos… que é a questão dos antinutrientes que nós comentamos nessa questão é que têm pessoas que têm doenças autoimunes e que é um processo muito mais chato, mais complicado, que as pessoas precisam ter um certo controle, tem que ter essa auto-observação de maneira bem importante, um autocuidado maior.

Mas no nosso caso que, felizmente, nós não temos esse tipo de doença, dá para termos uma vida mais relaxada, mais tranquila. E é isso aí!

Mas o que nós passamos para as pessoas é o que nós vivemos também.

E outra coisa importante é essa questão da mentalidade.

As pessoas chegam no consultório da gente e dizem assim: “Ah, doutor, mas isso é muito difícil. Mas isso não… como é que eu vou ficar sem meu pãozinho?”, não sei o quê…

Então quando entra essa mentalidade, tu diz: “Então tá… e a tua saúde: qual é o preço que ela vale? Qual é o valor da saúde e de ser saudável?”.

Essa consciência de querer ou de perceber que existe uma luz no fim do túnel é bem importante.

Uma coisa que nos chama muito a atenção é que o impacto do modo de vida nos desfechos de saúde de longo prazo.

Se fala em 70%, se fala em 95%. É uma estimativa muito variável.

Eu acho que não existe uma… é só o Souto para catar isso daí, para pesquisar e ver qual é a proporção disso aí, se é que existe.

Mas se diz que os desfechos de saúde crônicos, 70 a 95% são por modo de vida. Então o modo de vida tem um impacto bem grande.

Não dá para tu achar: “Meu pai era diabético, então eu vou ser diabético e tudo bem”. Para quê? Muda teu modo de vida e tu vai ver que isso aí pode mudar.

O exemplo é da gente também!

Então eu acho que na nossa família nós passamos esses conceitos para muitos familiares e amigos, para pacientes – muitos pacientes – então a mudança é uma coisa impressionante.

Hoje eu atendi uma paciente que é uma diabética tipo 2 desde os 28 anos e ela está em um processo de tirar o medicamento.

Está em um processo de hemoglobina glicada em 6. Está quase normalizando.

Está em um processo bonito! E ela está muito bem!

Saiu de um processo depressivo, de ansiedade e está em um processo muito interessante.

Então assim, a gente vê que essas mudanças têm um impacto muito grande na vida das pessoas e isso dá uma energia para a gente seguir trabalhando, seguir estudando e tentando.

Guilherme: Certamente!

E acho que isso que você mencionou agora, essa questão de que nós não estamos presos ao nosso destino “porque meu pai era diabético, que eu vou ser”, tem dois pontos.

O primeiro é que, claro, pode ter um fator genético, mas os nossos hábitos também podem ser responsáveis pela ativação e desativação desses genes — nessa fascinante área da epigenética, que tem cada vez mais coisa surgindo a respeito.

E, segundo, muitas vezes o seu pai era diabético e você foi diabético também… talvez não seja a genética.

Talvez sejam os hábitos alimentares que você aprendeu com ele, de ter sido criado naquela família, naquele ambiente, com certos hábitos de estilo de vida, que talvez você acabou aprendendo e perpetuando e isso acabou sendo uma profecia que acabou impactando gerações seguintes.

Dr. Cláudio Brasil: É bem isso mesmo.

E essa questão, por exemplo, questão genética sempre vai existir porque o gene, na verdade, vai codificar proteínas o tempo inteiro, ou seja, sempre vai passar por aquilo.

Agora, a questão é que o gene é ligado ou desligado e vai fazer uma proteína X ou Y dependendo do contexto celular, o que ele está recebendo de carboidrato, de gordura, de proteínas…

As informações que ele está recebendo dentro das células — e a gente tem que lembrar que o que a gente come, o que a gente faz, o que a gente vive vai entrar nas células.

Então vai entrar no enterócito, vai passar pelo fígado, vai entrar em cada célula…

Então isso aí tem um impacto enorme nessa questão de ligar genes e desligar genes, que é uma questão bem debatida em epigenética.

Então passa por aí mesmo.

A Genética sempre vai estar presente porque ela é, digamos, o livro que tu escolhe para codificar alguma coisa: “Qual é a receita de tal bolo? A receita é assim? , então usa tal e tal ingrediente”.

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Só que é o seguinte: a célula vai querer fazer aquele ingrediente, fazer aquele produto, aquele “bolo” e não vai ter o ingrediente.

Então o que ela vai fazer? Ela vai usar outro ingrediente!

Aí a receita vai ser diferente. A receita sai diferente e pode sair doença, então essa é a questão.

E a questão do conhecimento evolutivo, essa questão de trazer a evolução para o centro da saúde e para o centro da Medicina especialmente, que é o nosso caso, é bem importante porque ela dá princípios norteadores.

Então tu lê os trabalhos do Loren Cordain… o Robb Wolf mesmo, hoje eu estava dando uma olhadinha, as pessoas trabalhavam 15 horas por semana!

Caçavam e depois ficavam socializando, curtindo a vida – era uma vida diferente, claro…  a gente vai não voltar e nem tem essa nostalgia.

Mas eu acho que saber como é que a gente, em termos de evolução, viveu.

Isso aí tem um impacto para a gente a se adequar. Está impresso nos nossos genes e na nossa constituição física também.

Roney: Perfeito, Cláudio!

Nossa, esse episódio ficou muito bom!

Acho que teve valor agora entregue até o último segundo.

E, infelizmente a gente está chegando na parte final dele.

Nós gostaríamos que você deixasse, se você tiver, uma mensagem final para quem está nos ouvindo.

Pode ser qualquer coisa que você quiser falar agora no finalzinho e, depois, deixasse os seus contatos, mídias sociais, enfim, onde os leitores e os ouvintes podem te encontrar.

Dr. Cláudio Brasil: Olha, eu acho que a mensagem final é essa: de que saber que os  genes e a genética não são destino. A gente pode ter escolhas.

A escolha do que comer, o que fazer, de como viver, de como se comportar está bem dentro do nosso alcance atualmente.

A gente não está em uma situação de crise social, de problema de falta de nutrição – a gente encontra muito mais hiperalimentação, abundância e erros alimentares.

Então, na verdade, passa pela consciência, passa pela informação adequada, sair da informação da mídia, que é uma informação bem confusa, e buscar pontos de informações de confiança como o site de vocês é muito legal, o site do Souto, eu gosto do José Neto… tem um monte de gente boa por aí.

Então eu acho que acompanhar pessoas qualificadas.

O nosso blog é o ouse.blog.br – é um blog só de prevenção e de educação para prevenção – e está à disposição de pessoas.

Pesquisem, leiam e, se tiverem dúvidas, perguntem – acho que é bem importante – e é a mídia principal.

Nós estamos no Facebook também, mas eu acho que tem Ouse no Face também, se pesquisar pelo Ouse.

A ideia de ousar é sair da caixinha, sair do enquadramento convencional.

As pessoas falam: “Bah, mas que nome estranho! Parece nome de lingerie!”.

Não. Ouse é uma ideia de sair da caixinha comum, da ovelhinha que vai com as outras, de fazer uma coisa diferente.

Então nós quisemos criar um guarda-chuva mais amplo e não ficar tanto na questão do nome paleo.

O nome paleo para mim é um nome que remete àquele período histórico, mas não conta a história humana, a riqueza da evolução.

Então a gente achou a ideia de “Ouse”, de ousar, de sair do enquadramento convencional interessante.

Guilherme: Bacana mesmo o nome.

A gente reparou também que você usa “dieta original”.

Eu acho que ajuda também a fugir um pouco do estigma que já está associado muitas vezes com a paleo.

O daquele espantalho de que vai todo mundo voltar para a caverna…  uma coisa meio fora da realidade.

Dr. Cláudio Brasil: É! Exatamente!

Essa ideia me incomodava… me incomoda um pouco porque na verdade a gente jamais vai ser paleo.

Porque a gente está em um momento, uma outra cultura – tudo está influenciado pela cultura – então a gente não tem a pretensão de voltar para um momento anterior.

Mas a gente está pelo menos para conhecer um pouco daquilo e tentar adaptar um pouco do que a gente conhece pelas pesquisas de Antropologia, de pesquisas médicas, dá para fazer ensaios clínicos e testar se uma low-carb/paleo funciona ou não; a cetogênica, o benefício que dá, por exemplo, para doenças autoimunes.

Então isso aí tudo dá para fazer pesquisas prospectivas também.

Mas olhar para trás também é bom.

E juntar as duas coisas é melhor ainda.

Guilherme: Certamente! E você estava finalizando a sua mensagem final para as pessoas…

Dr. Cláudio Brasil: Não, eu acho que é isso mesmo!

A ideia de não ser destino.

De que a genética não é destino.

E saber que têm modos de vida que favorecem a saúde, melhoram os nossos desfechos de saúde, podem mudar nossos desfechos de saúde favoravelmente – a gente viver mais e com mais qualidade de vida.

Então esse é o objetivo: é só buscar informação de qualidade – ela está disponível hoje de maneira acessível, gratuita frequentemente.

Tem por aí Rodrigo Polesso, Caio Fleury, todos os outros que a gente já falou antes… então tem muita gente aí.

Então é só acompanhar o pessoal aí.

Obrigado pelo convite e estamos à disposição também!

Roney: Nós que agradecemos, Cláudio, pelo seu tempo, sua presença aqui no nosso podcast, e também por essa ótima entrevista que nós gravamos.

Muito obrigado mesmo!

Eu também queria agradecer quem escutou ou leu esse post até aqui: muito obrigado por ter reservado esse tempo para escutar essa entrevista.

Guilherme: Foi uma verdadeira aula!

Nós só temos a agradecer ao Cláudio por ter ministrado aí e compartilhado um pouco dos seus conhecimentos.

E a quem escutou a gente também e por estar conosco toda segunda-feira, que é quando nós soltamos episódios novos de podcast.

Dr. Cláudio Brasil: Então tá bom, pessoal!

Um abraço para todos! Um abraço para todos os tanquinhos e tanquinhas do Brasil e do mundo — e valeu o convite!

Estamos à disposição de vocês!

Roney: Obrigadão, Cláudio!

Um abraço!

E se você gostou desse episódio de podcast, deixe a sua avaliação cinco estrelas lá no iTunes.

É muito importante para nós e nos ajuda a entregar esse conteúdo para cada vez mais gente.

Guilherme: Então nós nos vemos na segunda-feira que vem. E deixe a sua avaliação, se ainda não fez isso.

Um forte abraço, do Senhor Tanquinho.


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Muito obrigado por ter ficado com a gente até aqui — um forte abraço!

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