Podcast #034 – Alimentação Paleo Low-Carb Descomplicada No Século XXI Com O Português Francisco

O nosso convidado do podcast de hoje vem do outro lado do Atlântico: trata-se do Francisco Silva.

O Francisco é um seguidor da Dieta Paleo Low-Carb, e ele ajudou a popularizar esse estilo alimentar para centenas de milhares de pessoas em Portugal (e mundo afora).

E mesmo o sotaque português do Francisco é super tranquilo de entender: então escute tudo com atenção e conheça mais uma bela história.

Porque, na conversa, você vai descobrir exatamente:

  • qual é a história pessoal do Francisco com a alimentação paleo,
  • como foi a transição da dieta low-carb industrializada para uma low-carb mais “limpa”,
  • como entender o “cérebro de farinha” assustou o Francisco,
  • por que não precisamos fugir de celular, internet e afins,
  • como é ser low-carb / paleo em Portugal,
  • as medidas políticas que estão sendo adotadas para coibir a venda de produtos alimentícios danosos à saúde,
  • por que você precisa “pensar diferente”,
  • a mensagem final do Francisco para você,

e muito, muito mais!

Falamos de uma infinidade de assuntos, então vale a pena ouvir tudo clicando no player abaixo (ou lendo a transcrição completa).

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E ele é super ativo no Facebook e Instagram! Olha quantas mídias sociais ele tem:

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E compartilhe este episódio com quem se interessa por alimentação e saúde — tenho certeza que você vai ajudar alguém ao compartilhar esta entrevista com uma pessoa querida.

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Transcrição Completa Do Episódio

Guilherme: Bem-vindo a mais um podcast do Senhor Tanquinho.

Eu sou o Guilherme.

Roney: E eu sou o Roney.

E aqui a nossa missão é deixar você no controle do seu corpo.

Guilherme: Olá, Tanquinho! Olá, Tanquinha!

Bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast semanal.

E hoje a gente conta com o Francisco do grupo Paleo Descomplicado e do Paleo XXI.

Tudo bem, Francisco?

Francisco: Tudo bem! Boa tarde! Boa tarde a todos!

Roney: Boa tarde, Francisco! Boa tarde a todo mundo que está ouvindo a gente!

Então vamos começar falando um pouco da história do Francisco.

Então, Francisco, como você começou a se interessar por alimentação e esse estilo de vida paleo?

Francisco: Olha, isto tudo começou há pouco mais de quatro anos.

Eu tinha efetivamente mais de 20 quilos do que eu tenho hoje.

E quase por brincadeira apanhei uma dieta da moda aqui em Portugal, uma daquelas dietas que se fazem 30 dias.

E o meu objetivo era provar que a dieta não funcionava.

Mas errei. Ela funcionou.

E era uma dieta tendencialmente low-carb — portanto, baixa em hidratos de carbono, como vocês sabem.

Essa experiência, digamos assim, permitiu-me ter alguma noção de como é que funcionava estes hidratos de carbono e da implicação que eles têm no ganho de peso.

Foi uma dieta relativamente fácil de fazer e isso impulsionou os resultados que eu obtive — eles vieram de uma forma muito fácil.

E era uma dieta que era auto permissiva.

Permitia um pãozinho de manhã, permitia o que é chamado dia do lixo, o dia da asneira.

E portanto foi assim que tudo começou, esta introdução à low-carb.

Depois, entretanto, acabei por enveredar pelo caminho paleo — mas isso, enfim, foi um pouco mais tarde.

Roney: Perfeito.

Só para explicar para o pessoal do Brasil, que o Francisco está falando lá de Portugal, ele é português.

E hidratos de carbono, quando ele diz “hidratos de carbono”, quer dizer “carboidratos” aqui no Brasil.

Francisco: Exato, exato!

Roney: O pessoal pode ficar em dúvida, quem está ouvindo pela primeira vez… é bom explicar.

Francisco: Sim!

Às vezes há alguns termos que não são exatamente iguais, mas sim, exato.

Guilherme: Então, Francisco, você começou e perdeu bastante peso com uma dieta low-carb, baixa em carboidratos… como foi essa evolução, essa migração para uma vertente mais paleo? E o que é paleo, para quem não sabe?

Francisco: Sim… Com essa, digamos, que com essa dieta baixa em hidratos de carbono eu perdi oito quilos.

Foram exatamente os quilos que a nutricionista que lançou essa dieta dizia que um homem perdia.

Portanto ela falava em oito quilos para homem e seis a oito quilos para senhoras.

E eu perdi exatamente os oito quilos. Foi mesmo quase que milimétrica a medição.

Depois, enfim, acabei por manter mais ou menos o mesmo registro, percebi como é que as coisas funcionavam…

E casualmente em um dos grupos, uma rede social no Facebook onde eu sempre estive com alguma regularidade, alguém me falou de um pequeno-almoço (o café da manhã) “tipo paleo”.

E obviamente é algo que deixa as pessoas com alguma curiosidade.

É um misto de curiosidade e quase gozo, como quem diz: “Vamos comer agora como os homens das cavernas” — isso não faz sentido!

A questão é que assim que eu comecei a pesquisar um pouquinho, tudo fez muito sentido porque efetivamente a alimentação dos nossos antepassados tinha muito a ver com dieta low-carb que eu tinha vindo a fazer.

Mas essa questão do ser baixa em hidratos de carbono e de haver algum controle nesse macronutriente, julgava e batia certo com os pressupostos da alimentação paleo, que é basicamente:

  • evitar um consumo excessivo de hidratos de carbono,
  • evitar os alimentos que são de absorção mais fácil, como os grãos, os cereais, os açúcares refinados, e
  • focar na alimentação mais na proteína e na gordura natural e animal,
  • evitar de alguma forma os alimentos aditivados — industrializados e aditivados — com conservantes e intensificadores de sabor, corantes e todas essas coisas.

Assim que eu entendi e misturei os dois conceitos, tudo fez sentido.

Depois eu tive uma outra situação na minha vida e, portanto, na história da minha família que me alertou também para isto.

Que foi o fato de a minha avó materna ter desenvolvido Alzheimer e, portanto, coincidiu quase tudo. Foi quase que como uma obra do acaso.

Coincidiu tudo quase ao mesmo tempo e eu tive à época contato com um livro que eu penso que em “brasileiro” foi traduzido como “Dieta da Mente”, penso eu — em português é o “Cérebro de Farinha” do Doutor David Perlmutter.

Guilherme: Sim, sim, Dieta da Mente aqui no Brasil.

Francisco: Dieta da Mente, não é? Pronto! Exatamente!

E esse livro fala, claro, nos perigos do excesso de carboidratos, e faz a ligação com as doenças mentais, imediatamente, o Alzheimer.

E portanto eu li, eu comprei o livro imediatamente e, mais uma vez, mais uma peça para o puzzle, digamos assim: mais uma peça que se juntou.

Que eram aqueles ensinamentos que eu tinha apanhado da dieta baixa em hidratos de carbono com um pouco da paleo que eu já tinha apreendido, e esta informação nova do Doutor Perlmutter.

E eu costumo dizer às pessoas que, para nós, aquilo é quase que um soco no estômago.

O livro do Doutor Perlmutter é quase um soco no estômago, porque a pessoa é obrigada a questionar quase tudo aquilo que aprendeu até aí e que sempre ouviu falar da questão do colesterol, da questão das gorduras, da questão da alimentação, do que viemos a comer e como.

Apesar de o Doutor Perlmutter não se firmar especificamente como seguidor da dieta paleo, digamos que ele apregoa os seus fundamentos.

Uma alimentação limpa e baseada naquilo que nossos antepassados também seguiam.

Portanto, digamos que foi muito lógico.

E é aquilo que nós passamos como mensagem, que é: alimentação paleo na prática é um modelo lógico, um modelo evolutivo muito lógico para nós.

Roney: Perfeito, perfeito. Faz total sentido.

Como foi a sua transição para esse estilo de vida?

Você teve dificuldade no começo, de cortar aquelas comidas que a gente vem acostumado a comer, ter que mudar um pouco… você teve dificuldade no começo ou foi tranquilo para você?

Francisco: Olha, foi muito tranquilo. E isto acabou por se tornar a base, digamos assim, do modelo paleo que nós tentamos implementar aqui em Portugal.

Este é um modelo que se assenta não exatamente na dieta paleo conforme ela foi definida pelo professor Cordain, mas mais no modelo Primal do Mark Sisson.

E esta transição foi de tal forma tranquila que eu senti necessidade, de alguma forma, partilhar isso com os meus amigos.

Daí depois a criação do grupo de Facebook — enfim, penso que vamos falar isso mais à frente.

Mas a criação do grupo do Facebook, eu senti essa necessidade porque onde eu estava nas redes sociais, nos grupos onde eu estava inserido.

Eu sentia alguma dificuldade e há uma mistura de conceitos e uma urgência das pessoas, especificamente das meninas, sobre a questão da perda de peso, esquecendo um pouco a vertente saúde.

E isso me causou um pouco de confusão: porque um dos motivos pelos quais eu fiquei fascinado pelo modelo paleo é que ele na prática pegava na dieta low-carb que eu tinha feito, usava fiambre com aditivos, usava salsicha industrializada, usava o queijo também com aditivos, usava gelatina colorida, com adoçante, com aspartame, com aqueles adoçantes típicos da gelatina…

Entre outros produtos, que eu percebo que eram fáceis de se recomendar para uma dieta low-carb, mas que percebendo o modelo paleo não fazem qualquer sentido.

A partir desse momento e a partir do momento em que nós percebemos que algo não faz sentido na nossa saúde, tudo se torna muito mais simples.

Nós olhamos para aqueles produtos com uma facilidade de dizer: “Não”.

Por outro lado, eu sempre tentei adaptar…

Como a perda de peso não era uma urgência para mim, não foi muito crítico eu reduzir ou modificar o tipo de açúcares que eu consumia.

Eu quase nunca deixei de comer a minha sobremesinha ou o meu doce, digamos assim, aliás, vocês sabem também esses tipos de receita porque eu sigo vocês habitualmente…

Nós temos muitas possibilidades de fazer até mesmo na vertente low-carb, de fazermos sobremesas ou docinhos que permitem perfeitamente substituir outros tipos de produtos.

Outros tipos de bolos ou de doces, que do ponto de vista de saúde são muito mais densos e muito mais saudáveis.

Portanto, foi um processo – como eu digo – como não teve urgência, como eu não tinha um objetivo estabelecido de uma forma muito urgente, foi relativamente fácil de fazer, sim.

Guilherme: Certo.

E como isso evoluiu, se tornou parte do Paleo XXI ou do grupo Paleo Descomplicado?

Qual é a proposta por trás desses dois? E como você partiu da sua experiência pessoal para criar esse grupo e esse movimento que ajuda outras pessoas?

Francisco: Certo.

Portanto, como vos disse há pouquinho, sempre estive inserido, especialmente no Facebook (e agora também no Instagram, mas especialmente no Facebook à altura).

E nos grupos onde eu estava inserido, o que eu notava é que para além daquela obsessão pela perda de peso, uma mistura de muitos conceitos.

Conceito Atkins, conceito Dukan, conceito paleo, conceito low-carb, entre outros mais esquisitos ainda —  como a questão da dieta alcalina, da dieta do tipo de sangue, enfim…

[Observação: a dieta alcalina e a dieta do tipo sanguíneo não são baseadas em ciência.]

E eu achava isso um pouco estranho porque a partir de um certo momento o modelo paleo começou a fazer sentido para mim.

As pessoas diziam assim: “Não, isto é saudável, mas não é paleo” e isso para mim não fazia sentido.

Porque eu pensava assim: “Eu, para defender um modelo paleo, é porque eu acredito que este modelo tem tudo o que é necessário para ser saudável”.

Portanto, não venham dizer que uma barrinha feita com algum produto, com leguminosas ou o que for a base, ou com uma dieta à base de leguminosas, ou alguma dieta vegetariana, ou o que for, enfim, que venham dizer que é a melhor opção para a saúde — porque eu não acredito nisso.

Portanto, eu acredito que esta minha opção é a melhor opção para a saúde e veio daí a minha necessidade de criar um grupo no Facebook.

Criei o grupo tranquilamente, convidei alguns amigos, e a partir daí o grupo explodiu — e hoje estamos com 403 mil membros, penso eu, no Facebook.

Tornou-se um gigante, digamos assim, com uma gestão complicada, como vocês podem calcular (vocês também estão em redes sociais e sabem como é que as pessoas muitas vezes lidam e se comportam numa rede social).

Porém, o crescimento deste grupo voou naturalmente, e a partir de certa altura as pessoas começassem a querer um pouco mais, a conhecer-nos — a mim e aos meus colaboradores, porque tive que pedir colaboração, obviamente.

Fazer isso sozinho é complicado —  as pessoas começaram a pedir colaboração, a pedir que nós fôssemos a determinado sítio, a querer vestir a camisola, digamos assim, e tivemos que as fazer; a querer ter as canecas; a querer ter merchandising.

Na prática é quase como algo natural, quando se começa a fomentar um certo espírito de grupo, digamos assim, quase um espírito de clube, que no nosso caso virou um espírito de família.

As pessoas começam a querer vestir a camisola, literalmente.

Isso aconteceu e, portanto, nós optamos por (especialmente eu e uma das minhas colegas, aquela a quem eu primeiro pedi ajuda para tentar alargar, digamos assim, profissionalizar um pouco mais o movimento, a Paula Ruivo) optamos por constituir uma instituição sem fins lucrativos, portanto, para legalizar de alguma forma as nossas atividades.

E pronto!

E entretanto,  de lá até aqui nós já tivemos mais de 30 sessões públicas de esclarecimento, e eventos.

Tivemos este ano, agora em maio, um evento esportivo.

Organizamos uma corrida.

E ainda foi porque tivemos apenas 100 participantes, mas para nós foi significativo — uma corrida séria, com cronômetro e com chips e aquelas coisas que corridas sérias têm.

Nós promovemos eventualmente encontros onde já temos vários parceiros que vêm expor e vender os seus produtos, quase como mini-feiras paleo.

Aliás, aí no Brasil eu sei que há quem já esteja a organizar, o Doutor Souto, por exemplo, está a organizar encontros.

E é isso que nós estamos a fazer aqui, enfim, a uma escala um pouco menor — até porque a nossa escala também é um pouco menor — mas o nosso objetivo é um pouco esse, é divulgação.

Entretanto, fizemos também porque este movimento acaba por chamar a atenção por muita gente, temos tido algumas parcerias.

Temos parceria com dois nutricionistas — o Doutor Alexandre Azevedo e a Doutora Ana Pabla — que têm a ajudar também a dar aquele apoio profissional que também é útil para esta situação, para todo esse movimento crescer, têm nos ajudado.

Fizemos um livro em conjunto — o livro Paleo XXI — onde ambos foram autores comigo, e temos uma revista que está no mercado, está nas bancas e sai de dois em dois meses para o mercado, e tem tido muito boa aceitação.

Nela eu sou, digamos, o coordenador de conteúdos; e tentamos ter temas vários, múltiplas receitas.

E pronto, o nosso movimento vai, certamente, está a crescer, digamos assim.

Roney: Que maravilha!

É muito legal saber que esse movimento de saúde paleo/low-carb está crescendo bastante também aí em Portugal, assim como está crescendo também no Brasil.

E, falando nisso, nós queríamos que você contasse para os nossos ouvintes, aliás, como é ser paleo/low-carb em Portugal…

Em questão de custos, se é fácil encontrar esses alimentos nos mercados — nos bons mercados obviamente que sim — mas nas ruas, por exemplo, restaurantes…

É fácil fazer refeições baseadas em comida de verdade? Como é o seu dia-a-dia paleo/low-carb em Portugal, basicamente.

Francisco: Certo.

Olha, o nosso modelo, como eu estava a dizer há pouco, baseia-se um bocadinho na filosofia do Sisson, no modelo Primal, então é um modelo.

E por isso eu lhe chamei, originalmente, descomplicado e depois, quando criamos a marca (porque já é uma marca registrada, Paleo XXI), aquilo que eu quis transmitir às pessoas foi um bocadinho a junção de dois mundos: do mundo antigo e do mundo moderno.

Aquela mensagem a dizer às pessoas que: “Muito bem, meu objetivo é ter como modelo a alimentação ancestral — e, portanto, perceber o que os meus antepassados comiam, em termos não de alimentos exatamente.

Mas de macronutrientes — o que é lhes servia de combustível — e depois transportar isso para o século onde estamos, para o século XXI.”

Obviamente que é onde vivemos e, portanto, não faz o mínimo sentido e nós temos, muitas vezes, aquelas pessoas que querem, enfim, brincar um bocado com este conceito.

E que vem sempre dizer que aquele alimento não existia no Paleolítico, que o telemóvel não existia no Paleolítico, que a internet não existia no Paleolítico — enfim, todos os argumentos que nem sequer nos dá gosto rebater.

Mas não é esse nosso objetivo, isso não é uma colagem, isto é uma adaptação.

E, portanto, nós temos que viver a nossa vida também consoante essa ideia. Portanto, é muito fácil hoje em dia ser paleo em Portugal e em qualquer outro país, enfim.

É óbvio que se as pessoas pendem a alimentos e produtos não essenciais no modelo — e aqui eu estou a me referir, por exemplo, para nós portugueses, para vocês pode até ser, mas para nós, por exemplo, um óleo de coco.

(Outro exemplo seriam as farinhas low-carb.)

Não é um produto nosso, não é um produto português, portanto não é um produto essencial.

A maioria de nós usa, e reparem, nós já estamos a influenciar o mercado.

Porque muitos supermercados e hipermercados começam já a ter alguns destes produtos a preços mais reduzidos. Nós temos o caso do óleo de coco.

Quando nós começamos com este movimento, rondava — eu não sei o valor em reais, mas em euros rodava aos € 30 o litro, o quilo — e agora gastamos pelo óleo de coco pelos € 12, portanto menos da metade do preço. Está a baixar.

Outros alimentos como o produto da mandioca, o polvilho doce, que é um produto que o português não usava e que agora está muitas vezes esgotado nas prateleiras de supermercado — ou polvilho doce ou o polvilho azedo (pode ser usado para fazer pão de queijo paleo) — mesmo a farinha de mandioca.

A mandioca não é um produto tipicamente português também.

Portanto, a batata doce, sim, já é.

Mas mesmo a batata doce muitos dos portugueses usavam como sobremesa ou como lanche e não como acompanhamento.

Não era comum o acompanhamento.

O acompanhamento tradicional sempre foi a batata branca ou a batata inglesa, como vocês costumam chamar, o arroz e a massa.

Portanto, não era a batata doce e agora já se vê, mesmo a nível de restaurantes, grandes chefes já começam a trabalhar a batata doce.

E, portanto, tem-se visto algumas alterações.

No entanto, é o que nós sempre dizemos como base da alimentação paleo: os legumes, o peixe, os ovos, a carne, os frutos secos e algumas sementes também, as frutas também.

Portanto, isso, encontramos e no caso de Portugal, com qualidade, nós temos aqui.

Ainda temos boa produção e boa agricultura, temos também, nesse caso, algo que acaba por ser uma vantagem, que é: o mercado europeu é um mercado algo rígido e controlado em relação a regras e, portanto, também nos dá alguma segurança mesmo em relação a alguns produtos importados, nos dá alguma segurança de qualidade.

No entanto, nós recomendamos sempre que se usem produtos locais, sempre que possível.

Tanto que o nosso azeite, que vocês chamam de azeite de oliva — o nosso azeite de azeitona —  extra virgem é sempre a nossa a nossa gordura preferida para cozinhar.

Conjuntamente também com a manteiga dos Açores, a nossa ilha onde há uma grande produção de laticínios.

Portanto, há muitos produtos que nós temos nossos e que facilmente se adaptam a este mundo paleo e, portanto, não há grande dificuldade.

É como eu disse no início: se a pessoa quiser ir um pouco mais longe, começar a entrar naquela linha dos suplementos modernos que agora aparecem…

As bagas de goji (goji berry), os óleos de coco, os óleos de abacate, enfim, algumas coisas mais específicas, aquelas proteínas que agora fazem proteínas vegetais —  proteína de ervilha, proteína de amêndoas isolada.

Isso tornam-se produtos que são ainda um pouco caros, mas que não são essenciais ao modelo paleo e, portanto, só usa quem tem disponibilidade.

De resto, é muito, muito tranquilo.

Ah! Em relação à questão que fizeram dos restaurantes, é o nosso modelo de descomplicação, digamos assim, que é o seguinte.

Eu, quando vou a um restaurante, não estou excessivamente preocupado se o ovo foi frito em azeite ou se foi em óleo.

Se eu tiver uma confiança e se eu quiser, eu posso pedir: “Frite um ovo em azeite”.

E ainda assim, provavelmente, não será azeite extra virgem. Pode ser azeite refinado.

Mas o modelo que nós tentamos passar é que as pessoas, nas suas casas e nas suas escolhas, façam opções conscientes e as melhores possíveis.

Fora de casa, a pessoa tem que tentar escolher o melhor, sem opção, porque senão isto deixa de ser um estilo de vida e passa a ser, então, uma dieta complicada em que a pessoa passado dois ou três meses, desiste porque acaba por ser impraticável.

Vivemos em sociedade e nós achamos que temos que ser razoáveis, digamos assim, e pronto.

Na prática, ao fazer boas escolhas em casa, nós tendemos melhorar e muito a nossa vida de antigamente.

Guilherme: Com certeza.

A gente não pode deixar que o fato de não saber se o restaurante, o ovo é frito no óleo de soja ou no azeite, vai influenciar as coisas sobre as quais a gente tem controle, que são as gorduras e os alimentos que a gente utiliza na nossa casa.

Afinal, a ideia é ser descomplicada.

Francisco: É um pouco isso! Eu posso dar aqui um exemplo claro da minha situação.

Portanto eu atualmente almoço todos os dias fora de casa, como é natural, e para a maior parte das pessoas acaba por ser o que acontece.

Houve um período em que eu trazia a minha marmita. Não sei se vocês dizem marmita no Brasil, mas pronto, minha lancheira com a minha refeição.

Depois eu descobri que um restaurante perto do local onde trabalho tinha uma rapariga (uma moça) que também fazia parte do meu grupo e eu não sabia.

Mas muito empenhada, e que começou a fazer sobremesas estilo paleo, portanto, passou a usar, a ter na sua carta de menu, duas a três sobremesas.

Tinha a tal daquela mousse de abacate com chocolate, depois começou a fazer uma ou outra tarte com polvilho com chocolate também e coco.

E o curioso não é… fui experimentar e tornamos amigos e vamos falando, vou lá almoçar com frequência eles já desenvolveram dois acompanhamentos.

Um deles chama acompanhamento paleo, que não é mais do que batata doce, cenoura, bacon, cebola e couve, tudo ripado e salteado no forno, que é o refogado de legumes, digamos assim; que é o que chamam de acompanhamento paleo.

A couve lombarda, não sei se vocês têm couve lombarda, mas é uma couve portuguesa também salteada em azeite e alho, a salada normal — isso quase todos os restaurantes têm — e depois as tais sobremesas feitas, que ela começou com duas, penso eu, e agora já tem umas dez sobremesas, todas elas inspiradas no conceito paleo, com vários tipos de ingredientes, desde o polvilho, passando pela beterraba, mousses gelados…

>>> Relacionado: conheça o pudim low-carb

E também, digamos que inspira outros a serem conscientes e outras casas a tentar melhorar os seus conceitos e a fazer como já existe para as opções vegetarianas em muitos locais, futuramente nós temos a expectativa que este conceito leve mais restaurantes e mais casas tenham opções paleo.

Já existem alguns pelo país. Nós temos um caso também na Figueira da Foz. Se não conhecem a Figueira da Foz, eu recomendo, que é um sítio muito bonito no centro.

E também um associado nosso que abriu uma casa exclusivamente paleo, portanto, o conceito é totalmente paleo, não tem outro tipo de conceito e abriu há pouco tempo, nós também apoiamos e esperamos que o movimento cresça também desta forma.

Guilherme: Perfeito.

E nós estamos nos encaminhando para o finalzinho da entrevista…

Muito legal essas informações de como o movimento começa pequeno e vai ganhando tração, e então acho que você poderia falar justamente das mídias sociais, falar os links para o pessoal, o nome dos grupos que eles têm que pesquisar para chegar no seu trabalho.

E, claro, nós vamos deixar o link de tudo também aqui na descrição do episódio.

Francisco: Bom, o grupo no Facebook é muito fácil: “Paleo Descomplicado”. O nome é um bocadinho estranho, ao início eu não me preocupei com o nome.

Foi o nome que me fez sentido. Não é o nome nada comercial porque o objetivo inicial do grupo não era ser um grupo comercial, nem era fazer qualquer tipo… ter qualquer tipo de negócios associados, ou o que fosse.

Esse nunca foi o objetivo. Daí o nome que não é nada comercial, mas é o Paleo Descomplicado.

Depois nós, associados ao Paleo Descomplicado já temos várias outras páginas e grupos, enfim… nesse movimento todo eu já estive na Suíça, já estive em Luxemburgo também, portanto, nós temos comunidades de imigrantes espalhados por vários países. O português é assim, não é?

E, portanto, as comunidades estão a tornar-se também muito fortes e quase que me obrigaram a ir lá e, portanto, eu fui lá fazer dois eventos e vou voltar à Suíça agora em agosto, vou voltar também a Luxemburgo e vamos continuar a manter os eventos aqui por Portugal, claro.

Mas nesses países – Suíça e Luxemburgo – existem já dois grupos também que derivaram do nosso, portanto, Paleo XXI – Suíça e o Paleo XXI – Luxemburgo, isto para quem está nestes países e temos também lá bastantes imigrantes brasileiros, assim como temos também no… só que agora só para dar indicação, no grupo Paleo Descomplicado nós temos, da última vez que eu fui verificar, nós tínhamos cerca de mais de 30 mil brasileiros. Pelo menos 30 mil brasileiros lá tínhamos. Portanto, é um número considerável.

Depois, nós temos várias páginas, temos a própria página do Facebook da Associação Paleo XXI; temos a página da revista Paleo XXI; temos uma página também associada a compras, mas é uma página aqui de Portugal.

Temos uma página específica dedicada à alimentação infantil, que é o Kids XXI, também no Facebook; e temos uma outra para animais de companhia, que é o Pets XXI também.

Portanto, nós estamos atentados a desenvolver estas vertentes também na parte dos animais de companhia [assim como a Patrícia Tassinari faz].

Achamos que há espaço para podermos dar algumas orientações úteis.

Na nossa revista temos também uma página indicada exclusivamente à alimentação animal.

Em relação às crianças temos várias e temos receitas para as crianças, mas para a alimentação animal também temos; portanto envolvemos também essa vertente.

O nosso site base, nosso site de referência é o paleoxxi.com, portanto esse não tem nada o que saber, é muito simples.

E estamos também no Instagram, agora o Instagram tem uma novidade, que é o Instagram TV, o IgTV como nós chamamos.

E lembrei-me de criar assim, de repente, de impulsionar esse mecanismo do IgTV e nós quase que criamos uma programação, como se fosse uma televisão a sério e, portanto, eu tenho vários colaboradores; cada colaborador tem a sua rubrica.

Temos, inclusive, a coluna das crianças, que também fazem os seus conteúdos e vamos, diariamente, colocando vários conteúdos sobre este modelo paleo, sobre a vida das pessoas, sobre a forma como as pessoas vivem até as que são imigrantes em outros países, como é que os nossos amigos estão na França, estão na Suíça, estão em Luxemburgo, por exemplo, e as dificuldades que têm.

E, portanto, estamos a explorar essas vertentes ao máximo e, em breve, vamos ter outras novidades em conjunto com os nossos nutricionistas.

Estamos a pensar efetivamente em fortalecer, digamos, o movimento aqui em Portugal com algumas novidades. Mas isso não vou levantar já a ponta do véu. Fica só assim um cantinho, digamos assim, levantado, só para dizer que a nossa expectativa é que isso vá crescendo e quem sabe, um dia, possa chegar ao poder político também e possam ser tomadas decisões.

Aqui na Europa, especialmente em Portugal, tem havido algumas decisões: houve recentemente uma argumentação do governo para aumentar proibições que vão ser feitas em bares de hospitais, em cantinas de hospitais sobre bolos e fritos.

Principalmente alguns alimentos que não podem ser vendidos nestes estabelecimentos; das máquinas que vendem… aquelas máquinas que têm comida e produtos já prontos.

Também estão a sofrer algumas restrições. Portanto, a nível também de política haja alguns sinais de que as pessoas começam a olhar para a alimentação de uma outra forma.

E, portanto nós estamos cá, para dar um empurrão e para ajudar no que for preciso.

Roney: Ótimo, muito legal, Francisco.

E, antes de finalizar, nós queríamos saber se você pode deixar uma mensagem final para a nossa audiência.

Pode ser uma frase ou uma dica. Não precisa ser ligada à alimentação, você que sabe, de algo que as pessoas podem fazer para melhorarem as suas vidas.

Francisco: O que, digamos, a nossa chave da Paleo XXI é e é muitas vezes um autógrafo que eu dou nos livros, fica já essa dica, é o:

Pensa diferente, coma como antigamente”

Portanto, na prática a nossa mensagem é um pouco essa, é levar as pessoas a pensarem um bocadinho sobre aquilo que estão a fazer.

Porque muitas vezes nós vivemos com automatismos.

Nós vivemos, digamos, nós seguimos aquilo que nos dizem e nem sequer pensamos a respeito.

E portanto aquilo que nós tentamos sempre dizer até nas nossas sessões de esclarecimento com as pessoas, é levá-las a pensar um pouco.

A perguntar se faz algum sentido do ponto de vista lógico, do ponto de vista evolucional, do ponto de vista de comparação com os outros seres vivos; da questão, por exemplo, de comer de três em três horas.

Por oposição a isso, comer quando temos fome.

Outras situações como a exposição solar, o uso de cosméticos, muitas situações destas nós falamos com as pessoas e percebemos que a pessoa diz assim.

“Realmente vocês têm razão, realmente isso faz sentido, realmente tem lógica”.

E, portanto, a mensagem que eu gostaria de passar é: procurem a lógica naquilo que estão a fazer.

Porque nós fazemos isso em muitas instituições da nossa vida, mas na alimentação não temos vindo a fazer isso.

Na alimentação as pessoas acabam por encolher o ombro, ouvem teorias para todos os lados, encolhem os ombros e dizem aquela famosa frase: “Um bocadinho de tudo não faz mal”.

E isto é muito perigoso porque um bocadinho de tudo no conceito da alimentação ocidental é muito hidratos de carbono e muito pouco do resto.

Porque este bocadinho de tudo acaba por estar contaminado por toda a publicidade, por toda a máquina da indústria que está por trás.

Portanto a minha mensagem é mesmo: pensa em vossa alimentação, olhem um pouco para trás para aquilo que faziam os nossos avós, os nossos bisavós, os nossos trisavós — dependendo da idade de cada um, ? — a forma como eles comiam e aqui, independentemente de poderem comer pão ou de poderem comer algum outro alimento que a paleo diz que não é o mais indicado.

A questão é que o estilo de vida que eles tinham era muito, muito mais natural que o nosso.

Portanto todos esses pequenos gestos que eles teriam eram facilmente tratados pelo corpo. Hoje em dia nós não.

Nós atacamos o nosso corpo a toda hora com mil e uma ações que não são nada naturais.

Portanto, pensem um pouco nisto.

Se pensarem um pouco nisto e se quiserem durante três, quatro semanas experimentar um modelo que é relativamente simples de low-carb, como o vosso, ou o próprio modelo Paleo XXI ou  Paleo Descomplicado são certamente modelos semelhantes.

É quase certeza garantida que as pessoas vão sentir alguma diferença na sua vida.

alguma dor vai passar, alguma melhoria vão sentir, vão sentir redução de volume e medidas corporais quem tem peso em excesso, vão provavelmente baixar os dígitos na balança.

Portanto, pensar com lógica e estar disponível para mudar um pouco também, portanto.

Guilherme: Perfeito.

Gostei muito dessa sua mensagem, acho que realmente muitas mudanças positivas vêm na nossa vida quando a gente começa a questionar as coisas que muitas vezes são ditas por aí, como por exemplo, “coma um pouco de tudo”, e realmente buscar pensar diferente.

Francisco, muito obrigado pela entrevista.

Nós gostamos para caramba, nós gostamos muito dessa perspectiva tanto da sua evolução pessoal, quanto de saber como está o movimento da alimentação ancestral aí em Portugal.

E nós te esperamos para uma próxima conversa, ou para qualquer coisa que você precisar.

Vamos manter um contato para que nós possamos ficar unidos na alimentação ancestral — mesmo com um oceano de distância.

Francisco: Claro que sim, claro que sim!

Estamos totalmente disponíveis, como eu vos disse, nós temos imensos irmãos brasileiros no grupo e, portanto, faz todo o sentido que as sinergias — e até como eu costumo dizer — às vezes até as misturas dos outros grupos, o nosso objetivo é comum, mesmo às vezes com outros grupos que não são propriamente paleo, mas que sejam vegans ou vegetarianos

Ou seja, há muito mais coisas que nos unem do que nos separam e muitas vezes entramos em guerras, digamos assim, por coisas menores, por detalhes…

Mas na realidade o que procuramos é alertar as pessoas para uma melhor alimentação.

Portanto, tendo este objetivo como comum, muitas coisas podem ser feitas em conjunto, claro que sim.

E, portanto, vamos certamente manter o contato.

Da minha parte, o que vocês precisarem e que possamos fazer, estamos também, obviamente, disponíveis.

Agradeço também e agradeço este contato vosso para poder também transmitir a minha mensagem para o Brasil.

Roney: Muito obrigado, Francisco, novamente, pelo seu tempo e pela presença.

E também nós gostaríamos de agradecer agora quem nos ouviu até aqui.

E se você que está ouvindo o nosso podcast, gostou dessa entrevista com o Francisco, vai lá no iTunes, deixa a sua avaliação cinco estrelas, recomenda para as pessoas que você acha que podem se beneficiar desse conteúdo também.

A gente se vê num próximo episódio de podcast aqui do Senhor Tanquinho.

Um forte abraço

Roney e Guilherme: Do Senhor Tanquinho.

Guilherme: Você acabou de ouvir mais um episódio do podcast do Senhor Tanquinho.

Roney: Não deixe de se inscrever para não perder nenhum episódio com os maiores especialistas para a sua saúde.