Doença Celíaca: O Guia Definitivo Para Celíacos

Tradução, adaptação e finalização por Guilherme Torres e Roney Fernandes. O texto original é do Steven Wright e está aqui.

Doença celíaca é algo que muita gente até já ouviu falar.

Mas que, infelizmente, está envolta por uma série de tristes realidades.

Uma delas é esta: o tempo médio para se chegar a um diagnóstico de doença celíaca é de 4 anos.

Sendo que pesquisas mostram que, mesmo 2 anos depois do diagnóstico, mais da metade dos pacientes ainda não estão curados.

E pior: eles normalmente estão sofrendo muito — mesmo quando comem uma dieta rigorosamente livre de glúten.

Este artigo é uma tentativa de mudar isso.

Para devolver a você toda a sua força, te ajudar a reconquistar sua saúde, e assim viver uma vida saudável e feliz.

Este guia foi escrito especialmente para pessoas que são sofredoras diagnosticadas de doença celíaca.

Sendo que, lendo este texto até o final, você vai saber exatamente:

  • o que está acontecendo no seu corpo,
  • o que isso significa para seu futuro, e
  • como você pode se curar desta doença.

Por isso, recomendamos que leia este artigo integralmente.

Pois nossa intenção é preencher as lacunas que costumam ser deixadas por boa parte dos médicos ou profissionais de saúde.

Este texto foi escrito porque um dos autores, Jordan Reasoner, teve de lutar por 3 anos para chegar a um diagnóstico de doença celíaca.

Sendo que, depois de tudo o que ele passou, no final recebeu apenas uma orientação de que “com uma dieta sem glúten, ele ficaria bem”.

Mas ele não ficou.

Após dois anos seguindo religiosamente uma dieta sem glúten, ele estava cada vez mais perto da morte.

A dieta simplesmente não estava funcionando.

Porém, seus médicos apenas lavaram as mãos e disseram:

Você obviamente não está seguindo a dieta, não há nada que possamos fazer para te ajudar.”

Infelizmente, essa é a norma do nosso sistema médico atual: jogar a culpa de volta no paciente e acusá-lo de preguiçoso ou mesmo mentiroso.

(E isso acontece mesmo no caso da nutrição. Onde é tristemente comum recomendar uma restrição calórica artificial, mas qualquer alternativa a esse modelo é vista como dieta da moda.)

Mas não precisa ser assim.

Atualmente, Jordan está curado e feliz.

E agora dedica seus dias a ajudar milhares de outras vítimas da doença celíaca que estão passando pela mesma luta.

Seu objetivo atual é ajudar as pessoas a evitar essa dor contínua, entendendo seus riscos para a saúde, e ensinar como voltar a ter uma vida normal e saudável.

Pois, como a história de Jordan e de diversas outras pessoas demonstra, apenas seguir uma dieta livre de glúten não é suficiente para curar a doença celíaca.

Mas não se preocupe: porque o segredo para o manejo saudável dessa doença está contido neste texto que você está lendo.

Como Usar Este Guia Completo Sobre A Doença Celíaca

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Este é um guia totalmente completo sobre a doença celíaca.

Isso significa que ele é um tanto quanto extenso (você levará cerca de 20 minutos para lê-lo por completo).

Porém, lendo este texto até o final, você vai ficar sabendo tudo que envolve essa doença de intolerância ao glúten — pois abordaremos os seguintes assuntos:

  • O que é doença celíaca?
  • Sinais e sintomas da doença celíaca
  • Quanta pessoas sofrem com doença celíaca?
  • Os perigosos riscos da doença celíaca não tratada
  • A diferença entre doença celíaca e sensibilidade ao glúten
  • De sensibilidade ao glúten a doença celíaca
  • Por que o glúten é tóxico
  • Como testar se você tem doença celíaca
  • 3 testes de intolerância ao glúten
  • Tratamento convencional para a doença celíaca
  • 3 falhas graves do tratamento convencional para celíacos
  • Como se desenvolve a doença autoimune
  • 4 passos para curar a doença celíaca pela raiz

Na nossa opinião, faz sentido ler tudo na ordem.

Mas é claro que você pode se sentir à vontade para pular diretamente para os tópicos que você mais tem interesse.

De toda forma, esperamos que você deixe um comentário ou compartilhe isso com seus amigos.

Porque assim poderemos salvar a saúde do maior número possível de pessoas  com este artigo.

E, antes de falar como curar a doença celíaca, é importante entendermos o que ela é exatamente.

O Que É A Doença Celíaca?

A doença celíaca é uma doença autoimune que causa danos ao intestino delgado — o que pode levar a inflamação sistêmica, má absorção de nutrientes e diversos outros problemas de saúde.

(Uma doença autoimune é uma condição em que o seu sistema imunológico fica confuso: em vez de lutar contra invasores de fora do seu corpo, ele começa a atacar o próprio organismo.)

Sendo que, no caso da doença celíaca, a parte do intestino delgado que costuma sofrer a maior parte dos danos são as vilosidades.

As vilosidades são pequenas saliências dentro do intestino delgado, e são vitais para a nossa saúde.

Pois elas aumentam a área da superfície do intestino delgado, liberam enzimas digestivas e ajudam a coletar e absorver os nutrientes.

A doença celíaca progressivamente vai danificando as vilosidades, tornando-as superfícies achatadas e pouco funcionais.

(E isso não é nem um pouco bom para a nossa saúde.)

Ou seja: no caso da doença celíaca, nosso próprio sistema imunológico ataca as vilosidades — e é por isso que ela é chamada de doença autoimune.

É bem aceito que doenças autoimunes costumam ser desencadeadas por um gatilho ou fator ambiental.

No caso da doença celíaca, acredita-se que o gatilho seja exclusivamente o glúten — e é por isso que há um foco tão grande em alimentos sem glúten.

Mas, infelizmente, focar apenas em retirar o glúten é prejudicar a maioria dos celíacos — e expor alguns deles a riscos elevados de morte.

Continue lendo para entender por quê.

Sinais E Sintomas Da Doença Celíaca

Um grande problema relacionado a essa doença é que o dano ocorre no intestino — mas apenas 40% das crianças e 60% dos adultos com essa condição relatam sintomas relacionados a digestão.

Este é um dos fatores mais preocupantes da doença celíaca: o fato de ela poder  causar problemas em todo o corpo.

Acredita-se que essa é uma das razões pela qual a grande maioria dos portadores de doença celíaca (estima-se que algo entre 83% e 97% deles)  permanece, ainda hoje, sem diagnóstico.

A maioria dos portadores de doença celíaca tem vários dos problemas abaixo.

Sinais E Sintomas Comuns Da Doença Celíaca:

  • Diarreia
  • Gases
  • Distensão Abdominal E Cólicas
  • Prisão De Ventre
  • Dor De Estômago
  • Náuseas E Vômitos
  • Anemia
  • Fadiga
  • Dor Nas Juntas E Nos Ossos (Artrite)
  • Irritações Na Pele
  • Dores De Cabeça E Enxaquecas
  • Mãos E Pés Dormentes
  • Depressão
  • Ansiedade
  • Aftas
  • Perda Ou Ganho De Peso Sem Razão Aparente
  • Má-nutrição
  • Confusão Mental
  • Transtorno Do Déficit De Atenção Com Hiperatividade (TDAH)
  • Refluxo (DRGE)
  • Problemas Na Gengiva E Nos Dentes

Você se identificou com alguns deles?

Se sim, você não está sozinho.

Doença Celíaca: Quanta Gente Sofre Com Ela?

O que é realmente triste da lista acima não é nenhum dos sintomas isoladamente.

Mas sim o número alarmante de pessoas que estão sofrendo com esses sintomas.

Uma pesquisa de 2012 estima que 0,71% dos americanos têm doença celíaca (um total de 3 milhões).

Sendo que, atualmente, a maioria dos especialistas acreditam que o número de celíacos deve estar por volta de 1% no mundo todo.

Infelizmente, os riscos de ter doença celíaca não param com a lista de sintomas acima.

E lembre-se: uma grande parte das pessoas (cerca 60%) não chegam nem a perceber que estão doentes.

Isso é assustador, uma vez que a doença celíaca contribui para muitos outros problemas de saúde.

Os Perigosos Riscos Da Doença Celíaca Não Tratada

Muitas vezes, ocorre um sentimento de negação ao ser diagnosticado com uma doença grave como a celíaca.

Isso é totalmente normal — afinal, as mudanças requeridas na sua alimentação podem ser drásticas.

Mas é muito importante não esperar muito tempo para começar a tomar medidas que podem levar em direção à cura.

Porque se você ignorar, negar ou deixar de verificar seu progresso no tratamento, você vai provavelmente acabar em uma (ou várias) destas estatísticas assustadoras:

  • Outras doenças autoimunes: Celíacos são 8 vezes mais propensos a desenvolver outras doenças autoimune.
  • Desenvolvimento de osteoporose: A doença celíaca é 17 vezes mais predominante entre a população osteoporótica.
  • Problemas de fertilidade: A doença celíaca é praticamente 3 vezes mais comum em mulheres estéreis.
  • Condições neurológicas: Os pacientes com doença celíaca são 2,5 vezes mais propensos a sofrerem com doenças neurológicas.
  • Risco de câncer: Pacientes celíacos têm 2,5 vezes mais risco de desenvolver todos os tipos de câncer (sendo que esse número aumenta ainda mais com a idade). O risco de câncer gastrointestinal é o mais preocupante:
    • risco de câncer gastrointestinal 30% maior,
    • risco de linfoma não-Hodgkin do intestino delgado 40 vezes maior,
    • risco de linfoma 77 vezes maior.
  • Risco de morte: O risco de morte dos pacientes celíacos aumenta extremamente rápido, mesmo se você estiver “assintomático” (ou seja, se você não sente nada). Para aqueles com atrofia vilosa completa, há quase 3 vezes mais risco de morte no primeiro ano após o diagnóstico. E aqueles com inflamação intestinal mas não atrofia completa das vilosidades têm quase 5 vezes mais risco de morte no primeiro ano.

Em outras palavras, mesmo se você for um celíaco sem sintomas — mas com exames mostrando sinais de inflamação do intestino — você tem um risco significativo de complicações de saúde e morte precoce.

Lembre-se que a intenção deste artigo não é assustar ninguém.

Mas sim alertar e informar as pessoas (principalmente aquelas que já desconfiam ter algum grau de intolerância ao glúten), para que cada uma delas possa fazer as melhores escolhas para seus corpos e vidas.

E, para isso, é importante que você tenha as informações necessárias para conversar com seu médico de confiança, e assim descobrir o melhor para sua saúde.

O primeiro passo para isso é reconhecer e aceitar que você tem poder sobre a doença celíaca.

Isto é: os cenários descritos acima não precisam se tornar sua realidade.

Mas, para isso, você precisa ter as informações e ferramentas necessárias.

Assim você diminui as chances de se tornar parte dessas estatísticas.

A Diferença Entre Doença Celíaca E Sensibilidade Ao Glúten

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que a doença celíaca não é como uma gripe: você não vai simplesmente acordar um dia sendo celíaco.

Na verdade, o que acontece é que você vai progressivamente piorando, enquanto a quantidade de danos dentro do seu corpo vai lentamente se acumulando.

Essa é a principal diferença entre um doente celíaco e aqueles que sofrem de intolerância ao glúten.

(Uma condição também chamada de sensibilidade não-celíaca ao glúten (SNCG), e que já abordamos neste artigo sobre os 11 malefícios do trigo.)

Mas quantas pessoas têm essa condição?

Um estudo, feito pela Universidade de Maryland no Estados Unidos, estima que atualmente cerca de 18 milhões de americanos (6% da população dos EUA) apresentam sensibilidade não-celíaca ao glúten.

No entanto, a quantidade real de pessoas afetadas pode ser ainda maior.

Como o Dr. Alessio Fasano, diretor do Centro De Pesquisas De Doença Celíaca, afirma:

Nenhum ser humano possui as enzimas necessárias para quebrar o glúten.”

E diversos novos estudos que surgem todos os dias propõem mecanismos que corroboram esta afirmação.

Ou seja, na verdade o número real de pessoas com problemas relacionados ao glúten pode ser muito maior — na casa das centenas de milhões.

Por outro lado, é interessante notar que, mesmo o glúten sendo bem difícil de digerir, nem todo mundo tem problemas relacionados a ele.

Porém, aqueles com algum grau de sensibilidade ao glúten podem apresentar todos os mesmos sintomas que listamos acima.

(Como diarreia ou prisão de ventre, urticária, confusão mental, estufamento e dores de cabeça.)

Assim como a doença celíaca, a sensibilidade ao glúten é uma condição na qual o sistema imunológico ataca o próprio corpo, causando inflamação e permeabilidade intestinal.

Mas, nesse caso, o sistema imunológico não ataca o interior do intestino delgado, como ocorre nos portadores de doença celíaca.

Então, a principal diferença entre a intolerância (ou sensibilidade) ao glúten e a doença celíaca é a forma com que o sistema imunológico reage ao glúten e à gliadina.

Mas em ambos os casos há uma resposta imune ao trigo.

No entanto, especialistas em doença celíaca, como o Dr. Tom O'Bryan, acreditam que a doença celíaca não é como um “interruptor de liga ou desliga”.

Eles acreditam que mesmo aqueles com SNCG têm algumas células do sistema imunológico atacando o tecido humano, mas em um nível muito baixo para que nossos exames médicos atuais o detectem.

Então, depois de meses ou anos deste ataque “silencioso”, a resposta imune começa a se tornar cada vez mais grave — até o ponto em que ela se torna detectável por nossos testes de laboratório atuais.

Dito isso, se você tem qualquer grau de intolerância de glúten, os ensinamentos deste artigo são tão relevantes para você quanto para uma pessoa com doença celíaca diagnosticada.

De Sensibilidade Ao Glúten A Doença Celíaca Totalmente Desenvolvida

Infelizmente, muitos celíacos não são diagnosticados com a doença celíaca total até uma idade relativamente avançada (30, 40, 50 anos — ou mesmo mais).

E muitos chegam até mesmo a se perguntar: “desde quando eu tenho doença celíaca?”

Por isso, vamos explorar como a doença celíaca se desenvolve, e qual é o papel desempenhado pela sensibilidade ao glúten nesse processo.

Conforme sabemos, em ambos os casos o sistema imunológico está desregulado — a diferença é a maneira como isso acontece.

Pois, resumidamente, podemos dizer que existem duas vertentes principais do sistema imunológico: uma delas é a vertente inata e a outra é a adaptativa.

Sendo que cada uma delas tem um papel importante em nos manter saudáveis.

No caso da sensibilidade ao glúten, acredita-se que ambas atacam ativamente o glúten e outras moléculas que entram em sua corrente sanguínea por causa do estado mais permeável do intestino (falaremos mais sobre isso a seguir).

Já no caso da doença celíaca, o lado adaptativo para de funcionar corretamente e começa a atacar as células do intestino — “pensando” que elas também são moléculas de fora e que deveriam ser destruídas.

Conforme falamos antes, é por isso que ela é uma doença autoimune.

Por Que O Glúten É Tóxico

Tanto na sensibilidade ao glúten quanto na doença celíaca, o dano e o desconforto são causados pelo glúten.

Por isso, evitar o glúten é fundamental para a cura.

Mas pode ser difícil evitar algo que você não entende.

Por isso, precisamos saber exatamente o que é o glúten e como podemos evitá-lo de maneira correta.

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, no centeio e na cevada — como você provavelmente já sabe.

Mas aqui começa o que você provavelmente não sabia: as plantas não querem ser devoradas por você.

Por isso, elas têm uma série complexa de mecanismos de defesa para impedir que os seres humanos e outros animais as comam.

Um desses mecanismos de defesa são as proteínas tóxicas, chamadas prolaminas.

Elas estão presentes em praticamente todos os grãos de cereais (mesmo naqueles sem glúten).

E o glúten contém uma das prolaminas mais tóxicas: a gliadina — que é responsável pelo dano que o glúten causa.

A gliadina inflama o intestino mesmo de indivíduos saudáveis.

Mas no caso daquelas pessoas com sensibilidade ao glúten ou predisposição genética para a doença celíaca, o dano acaba sendo muito pior.

Quando uma pessoa com a genética propícia para a doença celíaca come um pãozinho, um prato de macarrão ou qualquer outra coisa que contenha glúten, o dano pode ocorrer de algumas maneiras diversas que vamos ver agora.

(O que não acontece caso se opte por um pão low-carb, feito com farinhas sem glúten.)

Dano #1 — Inflamação do intestino

O intestino humano (assim como o de muitos outros animais) tem uma dificuldade muito grande em quebrar proteínas como a gliadina do glúten.

O que acontece é que o sistema imunológico acaba atacando essas partículas, o que também causa danos ao tecido saudável, e aumenta a inflamação do intestino.

Dano #2 — Intestino permeável

A gliadina provoca um aumento nos níveis de zonulina, o que causa a permeabilidade intestinal.

A zonulina é uma proteína “guardiã” do intestino humano, que controla as minúsculas reentrâncias responsáveis pela passagem dos nutrientes dos alimentos digeridos para a corrente sanguínea.

Quando o nível de zonulina aumenta, essas reentrâncias aumentam, permitindo que as moléculas de gliadina passem para a corrente sanguínea — o que deixa o intestino mais permeável.

Dano #3 — Reação autoimune

Quando a gliadina passa através da parede do intestino, ela começa a se ligar a uma enzima chamada transglutaminase tissular ou transglutaminase tecidual (TGT ou tTG)

Esta é uma enzima de reparo liberada para corrigir as células do intestino (enterócitos) que foram danificadas justamente pela ingestão da própria gliadina.

Essa ligação então desencadeia a produção de anticorpos que atacam os enterócitos, causando uma destruição autoimune recorrente.

O aumento da zonulina, e o consequente alargamento das reentrâncias intestinais, leva ao desenvolvimento de um intestino permeável.

(Na verdade existem alguns outros gatilhos para o intestino permeável além do glúten, mas nesse texto vamos focar apenas nele.)

Então, resumindo, as prolaminas são proteínas de defesa encontradas nas plantas, e o glúten é apenas um dos vários tipos de prolaminas.

Sendo que contém uma parte especificamente tóxica chamada gliadina.

Geralmente o trigo, o centeio e a cevada são considerados os piores grãos para os celíacos.

No entanto, uma vez que o dano tenha começado, qualquer fonte de prolaminas (seja um grão ou um pseudo-grão) pode ser problemática.

Dito isso, vamos falar sobre como realmente confirmar se você tem doença celíaca.

Como Testar Se Você Tem A Doença Celíaca E A Intolerância Ao Glúten

Há muita confusão em torno do teste e do diagnóstico da doença celíaca: em média, um celíaco leva cerca 4 anos para obter o diagnóstico correto.

Isso é muito triste e preocupante, uma vez que os próprios pacientes podem acelerar esse processo estudando um pouco sobre o assunto.

Tecnicamente, um diagnóstico de doença celíaca é determinado com base em exame histológico, somado a outros critérios de apoio.

(O exame histológico é uma comparação da estrutura atual do tecido intestinal com aquilo que seria o esperado para esse tecido caso ele não tivesse nenhum tipo de dano.

E os critérios de apoio são outros exames realizados que suportem essa hipótese.)

Ou seja: não existe um único “teste perfeito” para diagnosticar a doença.

Então os médicos vão procurar por uma quantidade específica de danos ao seu intestino.

Para então somar a outras evidências que suportem essa hipótese.

E por fim concluir que você tem os fatores de risco para a doença.

Em termos mais simples, isso significa que só quando:

  1. a intolerância ao glúten cruza um certo limite de danos ao intestino delgado, e
  2. os fatores de risco autoimunes são confirmados através de exames laboratoriais (ou marcadores autoimunes são observados de fato no seu teste de laboratório),

que você é finalmente e oficialmente diagnosticado com Doença Celíaca.

3 Testes Para Doença Celíaca E Intolerância Ao Glúten

Existem 3 tipos de testes que podem diagnosticá-lo como portador de doença celíaca (ou não):

  1. Testes de apoio
  2. Testes de autoimunidade
  3. Testes de danos

Teste para doença celíaca #1 — Testes de apoio

Normalmente, estes são os testes mais fáceis e mais baratos de serem feitos.

Eles fornecem evidências que apoiam a hipótese de risco de doença celíaca ou de sensibilidade ao glúten.

Um exemplo de teste de apoio seria verificar se você tem genes de doença celíaca realizando um exame genético.

Você pode fazer testes em um laboratório se desconfiar que pode ter algum grau de intolerância ao glúten.

(Os autores afirmam que mesmo um teste independente como os realizados pela companhia 23andme.com podem te ajudar a descobrir essas tendências genéticas.)

Teste para doença celíaca #2 — Testes de autoimunidade

Estes são testes utilizados para verificar e medir quão alterado está seu sistema imunológico.

Há uma grande desvantagem nesses testes: você precisará ter comido glúten recentemente (nos últimos 2-3 meses) para obter um resultado preciso.

Um desses testes seria o exame de sangue conhecido por teste tTg IgA (teste de transglutaminase de tecido ou anti transglutaminase).

Este teste, que é um dos mais antigos e baratos, procura por anticorpos “anti glúten” em seu sangue.

No entanto, existem algumas grandes desvantagens, como a possibilidade de falsos negativos ou falsos positivos.

Isto é: um resultado negativo não necessariamente significa que você não tem doença celíaca.

E igualmente: um resultados positivo pode significar alguma outra coisa que não seja doença celíaca.

No entanto, atualmente já existe um teste mais moderno e preciso.

O exame conhecido por Cyrex Array 3 é o primeiro a verificar sua reação imune a todas as partes do glúten, incluindo a gliadina e outras proteínas e peptídeos do trigo.

Este teste, apesar de bem novo no mercado, é o primeiro a adotar uma abordagem holística em termos de checar a sensibilidade de um indivíduo ao trigo.

Muitas pessoas o consideram atualmente a melhor opção entre os testes de autoimunidade.

Teste para doença celíaca #3 — Testes de dano

Esses testes são a última etapa, até por serem testes mais caros e invasivos.

Eles podem ser considerados como a “última peça do quebra-cabeça”, sendo que a partir deles é possível obter um diagnóstico de doença celíaca “oficial” de um médico.

Chamados de biópsia endoscópica (biópsia do intestino delgado), consistem na remoção de uma parte do seu intestino, que então é analisada microscopicamente para a verificação de danos.

Espera-se que no futuro novos testes menos invasivos sejam desenvolvidos.

Concluindo sobre os testes de sensibilidade ao glúten

A melhor abordagem para obter um diagnóstico correto sobre a doença celíaca consiste de três passos.

Primeiramente deve-se fazer uma verificação genética.

Depois, fazer um teste do tipo Cyrex Array 3.

E, se ambos apresentarem resultados positivos, é hora de se fazer uma biópsia endoscópica.

Caso o resultado da endoscopia também seja positivo, então provavelmente você já tem esta condição há um bom tempo — e agora vai precisar levar muito a sério o seu processo de cura.

Sentir-se melhor após eliminar o glúten não é suficiente para ser diagnosticado como celíaco, mas é um sinal muito forte de que você tem pelo menos a intolerância a ele.

Tratamento Convencional Para A Doença Celíaca

Depois que você finalmente for diagnosticado com doença celíaca (o que normalmente leva 4 anos ou mais), provavelmente você vai ser aconselhado a largar definitivamente os alimentos que contenham glúten.

De fato, a Fundação Para a Doença Celíaca (Celiac Disease Foundation) diz claramente:

Adotar uma dieta estritamente livre de glúten é o único tratamento conhecido para aquelas pessoas com problemas relacionadas ao glúten.”

No início, apenas fazer essa alteração pode parecer muito difícil — ou mesmo  impossível.

Especialmente por ter que deixar de lado alimentos que você gosta tanto e que se acostumou a comer durante a vida toda.

Mas a maioria dos celíacos, quando finalmente fazem essa mudança, acabam amando este novo estilo de vida — porque eles se sentem muito melhores do que antes.

Porém, uma boa parte deles pode acabar não tendo todos os efeitos desejados durante o tratamento.

Em outras palavras: mesmo que os sintomas de dor de fato diminuam, ou até mesmo desapareçam, muitos pacientes continuam se sentindo sem energia, com baixa disposição, e com problemas na pele, no cabelo, na regulação de peso e na digestão.

E não é culpa dessas pessoas que realmente estão se esforçando para se manterem longe dos alimentos com glúten.

O problema é que evitar o glúten é sim necessário — no entanto, apenas essa medida pode não ser o suficiente.

3 Falhas Graves Do Tratamento Convencional Para A Doença Celíaca

Estatisticamente, depois de 2 anos em uma dieta livre de glúten, suas chances de cura total de seu intestino podem ser pequenas — algo entre 8% e 34%.

Mas os problemas não são apenas esses.

Descobriu-se que a permeabilidade intestinal dos celíacos que ficaram sem glúten por 2 anos era três vezes maior do que a daqueles que continuaram a ingerir essa proteína.

Ou seja: mesmo as pessoas que se livraram dos sintomas da doença celíaca não estavam de fato “se recuperando” dela.

Isso foi evidenciado em estudos que pesquisaram os níveis de inflamação em celíacos “assintomáticos” (isto é, naqueles que estavam livres dos sintomas desconfortáveis associados a essa doença).

E o que eles descobriram foi uma quantidade significativa de inflamação celular, em comparação com indivíduos de controle (ou seja, aquelas celíacos que continuavam tendo sintomas).

E um outro estudo observou que 18 entre os 30 celíacos estudados (que tinham ficado sem glúten por 8 a 12 anos), com saúde intestinal comprovada por biópsia, apresentavam níveis baixíssimos de importantes vitaminas — isto é, estavam desnutridos.

Em outras palavras, a dieta sem glúten pode ajudá-lo a ficar sem sintomas, e até mesmo reparar suas vilosidades (algo que pode ser comprovado por biópsia).

Mas, por outro lado, é improvável que apenas uma dieta gluten-free  consiga:

  • reparar a síndrome do intestino permeável,
  • reduzir a inflamação para quantidades normais, e
  • substituir os nutrientes perdidos por conta da má-absorção que a doença causa.

Mas então, se apenas retirar o glúten da alimentação não é o bastante, o que devemos fazer para recuperar definitivamente os danos causados à saúde de alguém com doença celíaca?

É necessária uma abordagem maior do que apenas a exclusão de glúten — uma abordagem holística.

E o primeiro passo para essa abordagem é entender como se desenvolve uma doença autoimune como a doença celíaca.

Como Se Desenvolve A Doença Autoimune (E Porque Isto Lhe Dá Esperança)

Em 2011 uma nova esperança de cura surgiu para os celíacos.

Pois foi nesse ano que o doutor Alessio Fasano, pesquisador da doença celíaca, publicou o resultado de anos de pesquisa em seu artigo: “Intestino permeável e doenças autoimunes”.

Segundo Fasano, é possível parar o ataque autoimune que acontece nos celíacos.

Isso é uma ótima novidade — e vai de encontro ao que se pensava até então.

Que, uma vez iniciado o processo autoimune, você teria de lidar com esta condição para o resto da sua vida.

Porém, a pesquisa de Fasano, feita ao longo de vários anos, mostrou que é possível parar os ataques autoimunes sobre os tecidos do próprio corpo.

E que, além disso, é geralmente possível reparar os danos que ocorreram — se estes ainda não forem muito grandes.

Isso porque, de acordo com a teoria de Fasano, o desenvolvimento da autoimunidade requer que 3 fatores ocorram simultaneamente:

  1. Uma predisposição genética para a autoimunidade (para doença celíaca são os genes HLA DQ2/DQ8);
  2. Exposição a um gatilho ambiental (no caso da doença celíaca é o glúten);
  3. Aumento da permeabilidade intestinal (também conhecida como Síndrome do Intestino Permeável).

De acordo com Fasano, quando esses três fatores acontecem juntos, a autoimunidade pode acontecer.

Isso significa que se você tiver a doença celíaca ou outra condição autoimune, então provavelmente você tinha um intestino permeável quando ela começou (e é provável que você ainda possa ter).

Essa teoria explica como seria possível ter uma genética favorável ao desenvolvimento da doença celíaca e ainda assim permanecer saudável por grande parte da sua vida.

Até que um dia você tem uma crise na sua vida pessoal ou profissional, ou passa por um período de stress elevado… o que aumenta sua permeabilidade intestinal.

Por fim, nesse período você come glúten — e “de repente” você tem uma doença autoimune.

Mas calma: há um lado positivo nisso tudo.

Uma vez que ter um intestino permeável é um fator necessário para o desenvolvimento de uma doença autoimune, então ela pode ser interrompida.

E a maioria das pessoas pode curar os danos ao tratar a permeabilidade intestinal e remover o gatilho (que no caso é o glúten).

Essa nova forma de encarar uma doença autoimune nos mostra um caminho possível para realmente curar o corpo, em vez de se tornar apenas mais um caso de ”doença celíaca não-tratada”.

Com esse raciocínio, também é possível perceber por que é importante remover o glúten — e por que apenas essa medida isoladamente não é suficiente.

Pois a remoção do glúten não é o bastante para curar um intestino permeável e parar o processo autoimune completamente.

Na verdade, fica claro que há mais coisas a serem feitas antes que o processo seja totalmente revertido.

E vamos explorar essas medidas em 4 passos simples para curar a doença celíaca.

4 Passos Para Curar A Doença Celíaca Pela Raiz

Agora que você já entendeu a verdadeira causa da doença celíaca, vamos apresentar as 4 etapas necessárias para realmente curar os danos causados por essa condição de saúde.

Este plano leva em conta os dois fatores que estão em seu controle (dentre os três responsáveis pelo desencadeamento da doença celíaca): o gatilho ambiental e a permeabilidade intestinal.

(Uma vez que, pelo menos por enquanto, ainda não é possível mudar as predisposições genéticas.)

Por isso, ele é o passo a passo certo para curar um intestino permeável e reverter os danos causados por anos de doença celíaca não tratada.

E, é claro, ele começa removendo o glúten de vez da sua vida — esse ainda é um passo fundamental.

Passo #1: Remover totalmente o glúten da alimentação

Comece doando ou jogando fora todos os alimentos embalados ou processados da sua cozinha que não sejam gluten-free.

Não há nenhuma razão para manter alimentos que fazem mal a você em sua casa, e é melhor não deixar qualquer espaço para a tentação.

Como sempre gostamos de dizer: a dieta começa no mercado.

Além de ler o rótulo de todos os alimentos que comprar, você também precisa ler os rótulos de qualquer produto que for aplicar em sua pele, como xampu, hidratante, cremes, hidratante labial, etc.

Pois também é possível absorver alguns nutrientes pela pele — e por isso todos estes produtos também devem ser livres de glúten.

Além disso, fique atento à higiene da cozinha — principalmente se houverem pessoas que comem glúten em sua casa.

Nessa caso, você não pode nem mesmo usar as panelas antiaderentes, tábuas de corte, ou utensílios de cozinha utilizados por eles.

A verdade é que mesmo traços de glúten podem fazer mal a você.

E se você não pode ficar seguro em casa — um ambiente em que você tem total controle – onde você poderia ficar?

Quando você for comer fora, não se acanhe em deixar o garçom saber da gravidade de seu problema.

Inclusive, existem celíacos que optam por ligar com antecedência para restaurantes em que desejam comer.

Para verificar se o estabelecimento pode garantir que não haja contaminação cruzada.

Pois, sem essa garantia, há uma boa chance de você acabar comendo um pouco de glúten sem saber.

Passo #2: Comer comida de verdade

Ficou claro, principalmente após os resultados encontrados pelo dr. Fasano, que celíacos precisam de muito mais nutrientes do que a maioria das pessoas que não possuem essa condição.

Além disso, portadores da doença celíaca precisam fazer tudo que puderem para reduzir seu estado de inflamação.

Isto significa que é hora de focar sua alimentação em alimentos altamente nutritivos, tanto para ajudar seu corpo a repor os nutrientes perdidos, quanto para fornecer o que ele precisa para começar a se curar.

(E pode ter certeza que se curar é um processo que demanda muitos nutrientes.)

Ao mesmo tempo, estes alimentos, se escolhidos corretamente, podem ser extremamente anti-inflamatórios.

Assim, escolhendo bem suas fontes de nutrientes, você consegue dar um verdadeiro “golpe duplo” na doença celíaca — tanto por serem alimentos ricos em nutrientes quanto por serem, naturalmente, anti-inflamatórios.

Em termos práticos, isso significa que você vai precisar focar sua alimentação em comer o que podemos chamar de comida de verdade.

Ou seja, alimentos minimamente processados e o mais próximo possível daquilo que encontramos na natureza, como:

  • todos os tipos de carnes de origem animal;
  • frutos do mar;
  • legumes,
  • verduras,
  • frutas,
  • raízes,

E até mesmo alguns alimentos naturalmente ricos em amido (batata-doce, batata branca, arroz branco, etc.).

Além de não ter medo de gorduras naturais saudáveis, como abacate, azeite de oliva, e derivados do coco.

(Se você segue uma dieta como a Paleolítica, já deve consumir esses alimentos como a base do seu dia a dia.)

Também passa a ser importante eliminar todos os grãos e pseudo-grãos (mesmo os grãos “sem glúten”, como milho e aveia).

Pois esses alimentos têm suas próprias prolaminas (assim como o glúten tem as suas), e elas causam estragos em um intestino inflamado e danificado.

Outros exemplos de grãos e pseudo-grãos incluem:

  • trigo
  • milho
  • cevada
  • centeio
  • aveia
  • quinoa
  • amaranto
  • painço
  • trigo mouriço ou trigo sarraceno

dentre outros.

No final das contas, comendo estes alimentos não-processados e livres de glúten, você ainda vai consumir poucos alimentos processados gluten-free (que costumam ser bem caros).

Então você ainda vai acabar economizando um bom dinheiro ;)

De maneira geral, quanto mais rigoroso você for ao aderir essas regras, mais rápido você irá se curar e se sentir melhor.

Relacionado: veja uma lista de compras exemplo baseada em comida de verdade

Passo #3: Tratar o intestino permeável

Cortar o glúten é uma recomendação bastante direta e fácil de entender (embora nem sempre seja fácil de realizar).

Por outro lado, tratar o intestino permeável é algo mais complexo e trabalhoso — especialmente se ele tem sofrido danos por anos a fio.

Existem infinitas dicas grátis online sobre “como curar seu intestino permeável”.

Algumas dessas dicas são realmente boas — e algumas na verdade são péssimas.

Por isso, os autores deste texto contrataram 3 pesquisadores para revisar os estudos mais atuais e ajudá-los a descobrir a melhor maneira de fazê-lo.

Os resultados práticos, testados em milhares de pessoas, não foram nada menos do que surpreendentes.

O resumo desse protocolo para curar o intestino permeável é o seguinte.

Em primeiro lugar, é importante evitar grãos e pseudo-grãos — isto é, todos aqueles que mencionamos acima.

Em segundo lugar, pode ser interessante adicionar alguns suplementos importantes para essa condição.

Os autores defendem a suplementação com L-glutamina, pois estudos indicam que ela pode curar sua mucosa intestinal e reduzir a permeabilidade intestinal.

Nosso papel aqui não é recomendar nem prescrever nada — mas achamos importante explicar como os autores conceitualizaram essa suplementação.

Eles defendem que se comece com 2,5g  de L-glutamina de manhã e a mesma dosagem à noite.

E que, ao longo de duas semanas, essa dosagem aumente progressivamente até 20g de manhã e à noite.

(Eles explicam em mais detalhes sobre a L-glutamina aqui — texto em inglês.)

Tendo dito tudo isso, é importante conversar com seu médico de confiança a respeito de outras medidas que possam te ajudar a tratar seu intestino permeável — incluindo medicações, alterações de estilo de vida, e muito mais.

De toda forma, tratar o intestino permeável parece ser uma medida essencial para garantir uma melhor qualidade de vida nos próximos anos.

Passo #4: Adaptar seu estilo de vida

Além de mudar quais alimentos você consome e deixa de consumir, outras medidas podem ser necessárias para reduzir a inflamação e curar de uma vez por todas seu intestino permeável.

E isso tem tudo a ver com estilo de vida.

Muitos celíacos estão inconscientemente escolhendo um estilo de vida que gera muito estresse para o corpo, não contribuindo em nada para sua cura.

Isso inclui hábitos como ir para a academia todos os dias, treinar para correr maratonas, praticar CrossFit 5 vezes por semana, dormir menos de 7 horas por dia, ingerir cafeína demais depois do meio-dia e beber álcool em excesso todas as noites.

Cada um destes comportamentos cria mais inflamação e contribui para a síndrome do intestino permeável.

Mas não precisa se desesperar achando que vai ter que deixar de fazer as coisas mais que mais gosta pelo resta da sua vida.

Na verdade, se exercitar ainda é excelente para sua saúde — mas pode ser necessário fazer isso maneira mais leve até você estar mais recuperado.

O café não é necessariamente ruim para você, mas certamente tomá-lo depois do meio-dia pode bagunçar seus ciclos de sono.

Tomar um pouco de vinho ou álcool não é algo inerentemente prejudicial e tóxico — mas beber mais de um dia por semana pode estar machucando seu intestino.

Você já está mudando sua dieta, e está tentando curar seu intestino permeável, então cortar hábitos que estão prejudicando você pode ser o passo final necessário para terminar essa jornada com sucesso.

Conclusão E Palavras Finais

Parabéns por ter chegado até aqui!

Apenas por ter lido este texto, você provavelmente sabe mais sobre doença celíaca do que 95% das pessoas.

Sabemos que foi um texto longo — por isso, vamos deixar agora uma pequena revisão dos principais pontos tratados.

Vamos revisar alguns pontos importantes:

  1. A doença celíaca é uma doença autoimune na qual o corpo ataca a parede do intestino delgado;
  2. A doença celíaca e todas as outras doenças autoimunes ocorrem quando 3 condições estão presentes simultaneamente:
    1. Predisposição genética;
    2. Gatilho ambiental;
    3. Permeabilidade intestinal;
  3. A gliadina (uma proteína do glúten) provoca um aumento na zonulina — uma substância que controla o alargamento das reentrâncias do intestino. Isso cria um intestino permeável nas pessoas celíacas que ingerem glúten;
  4. Apenas seguir uma dieta livre de glúten não é suficiente para a cura da doença celíaca;
  5. Se você não curar seu aparelho digestivo, os riscos de doenças (e mesmo de morte prematura) aumentam drasticamente.

De acordo com o que sabemos da literatura científica, existem quatro passos para tratar a doença celíaca:

  1. Evitar o glúten (nos alimentos e mesmo nos produtos que você aplicar na sua pele);
  2. Ter uma dieta mais nutritiva para repor a má absorção de nutrientes causada pela doença;
  3. Curar seu intestino permeável;
  4. Mudar seu estilo de vida para ajudar a evitar a inflamação, o stress crônico e a permeabilidade intestinal

Agora você tem a posse de informações altamente relevantes sobre como lidar com a doença celíaca — e até mesmo superá-la.

Nosso único desejo é que você compartilhe este conhecimento com outras pessoas — para assim ajudá-las a reduzir o sofrimento que essa condição pode causar.

E por favor: sinta-se livre para dizer nos comentários abaixo qual foi a maior lição que você tirou deste artigo.

Desejamos a você muita saúde, e uma vida feliz.

Observação: Conforme a Iris Burger, do Grupo de Facebook Doença Celíaca – Brasil pontuou: “sensibilidade ao glúten não celíaca não é uma intolerância ao glúten. Intolerância ao glúten é autoimune e é a doença celíaca. Em 2011 o Consenso de Oslo aboliu o termo intolerância ao glúten, passando a chamá-la exclusivamente de doença celíaca e também definiu outras desordens relacionadas ao glúten. Veja o artigo do Consenso com a nomenclatura aceita pela OMS.”

Referências

Para deixar a leitura mais fluida, separamos algumas das referências citadas no texto original e as agrupamos aqui:

  1. http://archinte.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=486428
  2. http://bmcgastroenterol.biomedcentral.com/articles/10.1186/1471-230X-7-8
  3. http://bmcmedicine.biomedcentral.com/articles/10.1186/1741-7015-10-13
  4. http://dx.doi.org/10.1053/j.gastro.2007.05.028
  5. http://humrep.oxfordjournals.org/content/14/11/2759.full
  6. http://jama.ama-assn.org/content/302/11/1171.full
  7. http://link.springer.com/article/10.1007/s12016-011-8291-x
  8. http://pediatrics.aappublications.org/content/113/6/1672.short
  9. http://www.cureceliacdisease.org/living-with-celiac/guide/diagnosis
  10. http://www.cureceliacdisease.org/wp-content/uploads/2014/06/CeliacDiseaseFactsAndFigures0614.pdf
  11. http://www.journal-inflammation.com/content/5/1/19
  12. http://www.massgeneral.org/doctors/doctor.aspx?id=19184
  13. http://www.mayomedicallaboratories.com/test-catalog/Clinical+and+Interpretive/83671
  14. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1378455/
  15. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2886850/pdf/nihms-199724.pdf
  16. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3347005/
  17. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11197241
  18. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12144584
  19. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12404215
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  29. http://www.uchospitals.edu/pdf/uch_007937.pdf
  30. http://www.w3.org/1999/xhtml
  31. http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd
  32. https://celiac.org/celiac-disease/understanding-celiac-disease-2/diagnosing-celiac-disease/screening/
  33. https://celiac.org/live-gluten-free/glutenfreediet/sources-of-gluten/
  34. https://nutritionfacts.org/2012/09/20/why-meat-causes-inflammation/