Podcast #025 – Erik Neves Fala Sobre Correr Descalço E Evolução Humana

O podcast de hoje está recheadíssimo graças ao nosso super convidado: o médico Erik Neves.

O Erik atende em Brasília, e está ligado ao movimento da comida de verdade já há vários anos – na verdade, desde que começou a se interessar por correr descalço.

Parece muita coisa de uma vez só – e é! – então escute ou leia a entrevista toda, porque hoje falamos sobre uma miríade de assuntos, como:

  • a história do Erik com a comida de verdade,
  • como a pesquisa por um bom tênis de corrida levou o Erik a largar os alimentos industrializados,
  • como a perspectiva evolutiva deve moldar seu raciocínio a respeito da alimentação,
  • por que o ser humano foi feito para comer carne – e, mais ainda, carniça,
  • por que seu tênis deveria ter o mínimo de amortecimento possível,
  • os 5 animais que não correm descalços,
  • os cuidados para não morrer por burrice enquanto jovem,
  • o que você pode fazer para não se tornar tornar um idoso entrevado,
  • por que você deveria programar um alarme para tocar todas as noites,
  • o movimento básico que o Erik pede para seus pacientes fazerem (e que a maioria falha em executar),
  • a característica mais importante de uma alimentação de sucesso,

e muito, muito mais!

Vale super a pena prestar atenção a cada palavra desse médico que estuda muito, e explica de maneira simples assuntos que confundem muitos iniciantes e mesmo avançados no universo da alimentação saudável e do movimento inteligente.

Depois de ouvir (ou ler abaixo) mande um “oi” para a Erik no Instagram @erikneves – porque ele vai adorar saber que você ouviu o podcast!

Ouça o podcast clicando no player abaixo:

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É uma maneira muito fácil de transformar sua jornada diária (caminhada, academia, ônibus, metrô, carro, etc) em um momento de aprendizado e lazer.

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Transcrição Completa

Guilherme: Bem-vindo a mais um podcast do Senhor Tanquinho. Eu sou o Guilherme.

Roney: E eu sou o Roney. E aqui a nossa missão é deixar você no controle do seu corpo.

Guilherme: Olá, Tanquinho! Olá, Tanquinha!

Sejam bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast. E hoje nós trazemos o médico Erik Neves.

Tudo bom, Erik?

Erik Neves: Tudo joia? Como é que estão vocês?

Roney: Tudo ótimo por aqui também.

Erik, você pode começar falando um pouco de você. Nós sabemos que você é médico, que você gosta bastante da abordagem comida de verdade e mesmo low-carb. O que  você pode dizer para se apresentar para o pessoal que está ouvindo a gente?

Erik Neves: Então, eu sou daqui de Brasília. Eu acho que eu fui o primeiro médico a começar a atender com esse viés low-carb aqui em Brasília, quando a gente era um pequeno grupo de 100 pessoas.

O grupo de low-carb do Facebook que hoje tem, sei lá, umas 40.000 pessoas? Perdi a conta há muito tempo.

A gente era em poucos… eu fui o centésimo. A minha mulher foi a nonagésima nona e eu fui o centésimo a entrar.

Então tinha muito pouca gente, era uma patotinha, uma panelinha que discutia muito isso. Entre essas pessoas estava o Doutor Souto e foi aí que a gente começou o contato sobre isso.

Mas por que eu entrei nesse grupo no fim das contas? Eu sempre fiz esporte, ? Eu me redescobri nadador em 2010, mais ou menos, eu comecei a competir e resolvi fazer um Iron Man.

E quando eu comecei a treinar para o Iron Man eu fui escolher um tênis para calçar – e foi engraçado porque eu vi que o melhor tênis para correr era correr sem tênis. Porque, afinal, a gente evoluiu para isso.

E aí eu levei para um lado da corrida descalça, conheci muita gente e uma dessas pessoas, o Adolfo Neto, que é um professor de informática, de computação lá de Curitiba, postava muitas coisas sobre corrida descalça e de repente começou a postar algumas coisas sobre alimentação.

E como ele é uma pessoa que eu considero muito inteligente, eu falei: “, vou dar uma olhada nesse negócio” porque a minha mulher tinha acabado de ter a nossa filhinha e estava aquela história: “Tenho que voltar à minha forma de antes da gravidez e tudo… preciso de uma dieta”.

Eu falei: “Deixa eu dar uma olhada nessa dieta que o Adolfo tanto fala”.

E aí eu fui dar uma lida e quando eu comecei a ver as evidências, quando eu comecei a ler os livros que o Doutor Souto indicava, as coisas se tornaram muito evidentes para mim e não tive o menor problema de dizer que eu estava errado, tudo o que eu fazia com os meus pacientes… que eu mandava tomar estatina.

Não, eu fui culpado. Todo mundo foi. O Souto também deve ter sido. Deve ter achado bonito o paciente tomando estatina, mandando comer de três em três horas.

A gente fazia o que era… o que a gente tinha aprendido na faculdade. E depois que a gente parou para se questionar o que estava fazendo, por que estava fazendo aquilo – e vimos que não era nada disso.

Então, com essa pegada low-carb, eu comecei a atender no consultório.

A gente estava atendendo muita gente, eu tenho cinco anos atendendo em consultório low-carb aqui em Brasília.

Se bobear, algumas toneladas de peso perdido dos meus pacientes.

Guilherme: Então, você mencionou bastante essa perspectiva evolutiva, essa perspectiva que está muito alinhada com o fato de correr descalço.

E antes de nós mergulharmos nessa parte da corrida (que também nos deixou curiosos): o que nós, de fato, evoluímos comendo?

Porque as pessoas, muitas vezes, que não conhecem a Paleo, ou conhecem de ouvir falar, têm sempre um espantalho, uma caricatura da dieta, que elas gostam de criticar, por exemplo.

Então o que de fato o ser humano evoluiu comendo?

Erik Neves: Então, boa parte das consultas que eu faço, eu começo com a pergunta para o meu paciente… quando o paciente conhece low-carb é fácil, não tem que fazer toda essa introdução.

Mas quando é um paciente que é indicado e não sabe nada de low-carb, eu nem começo com a low-carb.

Eu pergunto para ele: “Me dê um exemplo de um animal selvagem obeso”.

Vocês podem responder, Guilherme, Roney. Vocês pode responder para mim. Dê um exemplo de um animal gordo.

Guilherme: Eu vou chutar um elefante, por exemplo. Uma baleia.

Erik Neves: Uma baleia, ótimo! Você já viu uma baleia magra?

Guilherme: Não.

Erik Neves: Uma baleia magra está doente.

Guilherme: Ela não está encontrando comida…

Erik Neves: Exato. A baleia gorda é o formato normal da baleia.

Guilherme: Sim.

Erik Neves: Mas você nunca vê uma baleia mais gorda do que ela deve ser.

Guilherme: É verdade.

Erik Neves: Você não encontra na natureza nenhum animal selvagem mais gordo do que ele deve ser.

Essa é uma coisa que fica evidente. E por que é errado com a gente? No que a evolução errou? Por que Deus, que criou a gente à sua imagem e semelhança, de acordo com alguns, errou na mão justamente conosco? Por que a gente é o erro da natureza?

Então eu parto do princípio que com, sei lá, 200 milhões de espécies no planeta, a gente ser a única errada é muito pouco provável. Então não é a gente que está errado, é o que nós estamos fazendo que está errado. O que nós fizemos há uns 10.000 anos atrás foi uma pisada de bola muito grande.

Nós trocamos a nossa saúde por uma comodidade que nos levou a estarmos aqui, falando sem fio, com 1.300 quilômetros de distância entre a gente.

Em compensação a gente tem uma epidemia de Diabetes e Obesidade. A troca é razoável, mas não precisa ser assim.

Nós podemos continuar com o nosso Wi-Fi, com a nossa Netflix e continuar saudável como todos os outros animais do planeta.

Guilherme: Sim, é verdade.

Um parêntese interessante é que você mencionou que os animais não são obesos na natureza.

Porque quando a gente cria, por exemplo, cachorros e gatos, têm muitos cachorros e gatos que estão obesos – e isso é porque nós estamos fazendo alguma coisa errada com eles.

Eles também não são errados pela natureza. Então esse exemplo deixa evidente que é a nossa mão ali. Esse é mais um exemplo que prova o ponto que você estava falando.

Erik Neves: É.

Um cachorro nada mais é que um lobo. Ele é um descendente direto de um lobo, Canis lupus, que a gente domesticou e que estava indo muito bem obrigado.

Então você não ouvia falar em cachorro obeso e cachorro diabético das nossas avós. As nossas avós não tinham cachorros assim.

Então o que está acontecendo é que esses cachorros estão comendo errado. “Por quê? Mas eles estão comendo a ração que eu compro…” Ahá! Não será a ração que está errada?

Há 10.000 anos, 20.000 anos atrás, quando o cachorro ainda era lobo, ele comia alce. Não comia pacote.

Eu lembro de uma vez que eu estava fazendo compras com a minha família e eu encontrei passando… minha filha era pequenininha, a gente passava na parte de alimentação de animais para ela ver a fotografia dos cachorrinhos nas embalagens. Precisava ver que bonitinha.

Aí tinha lá uma coisa que eu até bati uma foto: era a pirâmide alimentar do cachorro num saco de ração canina. Assim, era a coisa mais absurda que você possa imaginar.

Na base tinha milho, no miolo tinha cenoura e espinafre e em cima tinha um hamburguinho safado, sabe? Assim, era uma coisa completamente sem noção!

E assim: “receita sabor caseiro”. Gente, é uma fera, que por um acaso a gente amansou anteontem, no calendário evolutivo, entendeu? É uma coisa absurda!

Então o que está acontecendo com a gente é o que acontece com esses cachorros. Nós éramos animais selvagens que foram domesticados e passamos a comer coisas que nós não fomos feitos para comer.

Guilherme: Uma perspectiva bacana disso é trazida naquele livro Sapiens também, que ele compara como era a vida e a saúde média de um caçador coletor e de um trabalhador no começo da agricultura, que tinha uma vida muito pior, um perfil nutricional muito pior; só que a agricultura permitiu exatamente o que você falou: criar cidades e grandes grupamentos humanos que levaram a civilização ao que ela é hoje.

Mas a gente não é obrigado, como você bem disse, a aceitar esse trato do jeito que ele é.

Erik Neves: Voltando ao tema do espantalho, a primeira coisa que falam é: “Você come feito como um homem das cavernas? Os homens das cavernas viviam até os 25 anos…”, aí você: “Aham, na média, ?”, aí o cara fala assim: “Sim, na média”. Mas o problema é que em todas as espécies, e o ser humano não era exceção, até o começo do século passado, até o século XX, a mortalidade infantil dizimava a população e isso acontecia também com os homens das cavernas e com todos os outros animais.

Eu estava assistindo Discovery ontem sobre jacaré. De 100 jacarés, de 100 ovinhos, 100 jacarés recém-nascidos, somente um vai virar adulto. Tartaruga é muito pior.

No ser humano era um pouquinho melhor que isso, mas a gente tinha mortalidade, assim, que há pouco tempo nós ouvíamos falar que… eu sou cearense, eu sou nordestino, e lá se tinha uma expressão muito comum: “Ah, o menino vingou”, porque a mulher tinha 15 filhos e só vingavam oito, ou só vingavam seis, entendeu? Porque era normal morrer metade da prole.

O que mudou isso foi vacina. Foi vacina, foi saneamento, foi o aumento da renda, acesso à comida frequente. Não foi por causa da agricultura só há 10.000 anos. Foi há dois séculos, um século. A mortalidade na Inglaterra só foi melhorar razoavelmente na Inglaterra da Revolução Industrial. Antes disso morria-se a torto e à direita. Especialmente antes dos 15.

Então a mortalidade infantil era tão grande que mesmo que você tivesse muita gente que chegasse aos 70, a média caía para os 25. Você também tinha gente que, eventualmente, caía do coqueiro quando ia pegar um coco, tinha gente que morria no mar quando ia pescar, tinha gente que era comido por leão. Acontece! Pisada por mamutes… caçar não é fácil! Ainda mais sem arma de fogo e a gente era um péssimo caçador. Nós começamos, depois que descemos da árvore, provavelmente a comer carniça, não é?

E você tem um dado muito interessante… tem um estudo que compara a acidez do estômago de várias espécies de animais e quanto mais ácido o estômago, mais esses animais tendem a comer carniça. Tenho novidades para vocês: o nosso estômago é praticamente o de uma hiena em termo de pH até hoje.

Então a gente acredita em muita coisa que não é verdade, por exemplo, ser onívoro é uma estratégia de sobrevivência. Nós comemos qualquer porcaria, inclusive coisas boas, eventualmente, para sobreviver até uma próxima caçada. Saí para caçar, não peguei um antílope, não tem problema.

Tem uma raizinha aqui, tem uma folha acolá e aí a gente consegue chegar… ou mesmo não tem nada disso, a gente fazia um jejum com relativa frequência, por falta de opção, mas também se a gente matasse uma zebra, a gente não precisava comer a zebra toda num dia. A gente podia comer zebra estragada, três dias depois, porque o nosso estômago aguentava o tranco.

Então são coisas que a sociedade pasteurizada de hoje em dia não tende a ver com bons olhos, mas que é verdade nua e crua, que nós temos evidências antropológicas dessa época que mostram que era mais ou menos assim que as coisas aconteciam.

Roney: Tentando fazer um paralelo disso com relação à low-carb, que acho que talvez algumas pessoas estejam se perguntando: você acha que a dieta, alimentação humana ou dos nossos ancestrais nessa época, incluía que quantidade de carboidratos? Muito pouco? Moderada?

Erik Neves: Voltando para o meu cearês lá: “Vareia”.

O que acontece é que você não tem uma única dieta paleolítica.

Guilherme: Perfeito!

Erik Neves: Porque você não tem um local só onde os humanos sobreviveram. Eles nasceram ali, o gênero Homo nasceu na África oriental, no leste, num chifre da África, Etiópia, Somália, essas coisas assim, nessa região. E aí se espalhou! E quanto maior a latitude, ou seja, mais perto dos pólos, menos carboidrato tinha disponível porque você passa a ter menos frutas, menos tubérculos e mais vegetação que os herbívoros especialistas conseguem comer e transformar em carne nutritiva.

Guilherme: Sim, exato.

Erik Neves: Então a gente não é um especialista em comer vegetal. Os herbívoros são. Nós não somos herbívoros, nós somos onívoros.

Se você comparar o trato digestivo de uma ovelha, com o trato digestivo de um lobo, com o trato digestivo de um humano, a gente é muito mais próximo do lobo do que da ovelha. Desde a articulação da mandíbula até o intestino grosso. De uma ponta a outra. Somos muito mais semelhantes ao lobo. Lógico, não somos lobos, mas nós somos muito mais próximos do que uma ovelha. 90% mais próximos do lobo do que da ovelha.

[Relacionado: Falamos sobre isso em nosso texto dos 8 mitos comuns sobre a carne vermelha. ]

Então quando você sai dos trópicos você tende a se tornar mais low-carb, mas nos trópicos é muito fácil não ser low-carb.

Pode ser uma refeição, ter mais carboidratos, mas são sempre carboidratos não processados. São frutas e raízes.

Então uma pessoa que desmamou… ele nasce mamando, não nasce comendo. Na hora que ele desmama, começa a comer comida de verdade, ele não vai ficar doente com isso. Nunca. Então ele nunca vai precisar fazer low-carb e vai continuar saudável a vida inteira.

Guilherme: É verdade.

Erik Neves: No entanto, quando nós falamos que low-carb é muito bom, ela é muito boa especialmente para quem tem problemas metabólicos, quem está acima do peso, quem está com resistência à insulina, Diabetes, gordura no fígado… porque, na verdade, são todas manifestações da resistência à insulina, que é provavelmente causada por um excesso de frutose, de farinhas de alimentos multiprocessados e por comida porcaria.

Se a pessoa nunca comeu comida porcaria, não importa que tipo de comida, a composição de macros que ela coma, que ela ingira…

Guilherme: Porque ela nunca vai ter essa condição por não comer…

Erik Neves: Ela não vai estar doente! Ela não vai chegar a ficar doente.

Agora, uma vez doente, a melhor estratégia para trazer de volta a normalidade, é fazer low-carb. É o que eu tenho encontrado, é o que estudos mostram e o que a lógica explica: se uma doença é causada por excesso de carboidrato, tira-se o carboidrato. Normalmente volta-se ao normal.

Algumas pessoas que passaram muito tempo assim, são irrecuperáveis, vamos dizer assim. Não adianta… a pessoa era diabética, tomava remédio. Fez low-carb, às vezes continua tendo que tomar remédio para continuar normal.

Às vezes larga até o remédio, mas se comer um pouco mais de carboidrato, mesmo que seja carboidrato normal, saudável, que é o carboidrato não processado, tem uma resposta à insulinêmica maior, de glicemia e tudo… E aí ele se estragou de uma forma irrecuperável.

Mas boa parte das pessoas faz low-carb, volta para um estado normal e descobre quão “Lower Carb” a pessoa consegue ficar. Então se ela faz 50 gramas por dia de carboidrato até ficar normal, ótimo! “Está normal? Preciso continuar com 50? Posso? bom!”, está chato? “Vamos comer mais uma batata? Vamos comer mais uma fruta? Vamos comer mais não sei o que de vez em quando?”. Mas não de volta para o pão, não de volta para o macarrão, de volta para a pizza, para o cachorro quente, entendeu?

Guilherme: Sim.

Erik Neves: Aí assim, “Nessa quantidade bom. Bom, nessa quantidade eu voltei a ganhar peso…”. Então volta para onde eu estava antes e você tateia onde se encontra o seu limite de tolerância.

Guilherme: Não existe uma resposta pronta, ? A pessoa tem que testar e descobrir para a individualidade dela.

Erik Neves: Isso.

Tem gente que vive de comer porcaria e é “magro de ruim”. Tem essa expressão. Mas eu acho que isso não dura para sempre. Às vezes você encontra, é “magro de ruim”, e tem 30 anos. Beleza. Vamos conversar depois que ele tiver 40. Talvez não, ? “Ah, eu nunca uso cinto de segurança e não morri até hoje…”. Entendeu? É dar chance para o azar.

Guilherme: E, de fato, pode ser até pior para essa pessoa que é “magra de ruim” e depois chega aos 50 anos: porque ela vai ter muito mais dificuldade em mudar os hábitos que foram arraigados por muito tempo, ela vai ter que aprender do zero porque ela não criou hábitos saudáveis de atividade física, alimentação, entre outros.

Erik Neves: Isso!

E ainda tem um outro porém, que às vezes a gente esquece, que a obesidade é um fator de proteção. É engraçado isso.

É aquela história do gordinho saudável. “Por que ele é gordinho e é saudável?” porque foi uma estratégia metabólica. Ele se torna gordo para não ficar diabético.

Então ele vai engordando, adiando a Diabetes. Tem um momento individual, isso é de cada um, certo? Da nossa genética. Ninguém sabe qual gene ou quais os genes, provavelmente uma sequência, que diz assim: “Olha, até esse peso você aguenta. Depois transborda…”, entendeu?

A capacidade de transformar carboidrato em gordura periférica, e não em gordura central, é um fator de proteção. Então pode ser que uma pessoa seja magrinha, esteja comendo porcaria, os exames estejam razoavelmente bons e depois de um tempo os exames ficam péssimos e a pessoa continua magrinha; com gordura no fígado, resistência à insulina franca, pré-diabetes franca… é o mesmo Diabetes. Os diabéticos descobertos, mais novos, são de pessoas mais magras porque tiveram menos tempo para engordar.

Guilherme: E muitas vezes, um outro fator que pode contribuir para isso, é que às vezes a pessoa gorda acaba indo mais vezes, por exemplo, ao médico buscar algum tipo de intervenção porque ela está insatisfeita com aquela manifestação fisiológica de uma coisa que está acontecendo dentro. Enquanto a magra, por vezes, pode ser que não tenha esse impulso de buscar um tratamento porque ela talvez nem saiba o que está rolando.

Erik Neves: É!

“Não, é só uma barriguinha de chope! Isso aí é charmoso”, entendeu? Como diria meu professor de história do cursinho: “É meu calo sexual”. [Risos]. Apenas isso!

Mas não é! Aquilo dali é um cara magro e só tem a pior gordura, a gordura central, visceral. Entendeu?

Roney: Sim! Legal, Erik!

A gente falou um pouquinho de alimentação – um pouquinho, não, bastante; foi bem bom. E você citou que faz exercício, que começou a correr descalço também e como nós poderíamos abordar um pouco esse assunto de exercício e movimento sob uma perspectiva ancestral?

Guilherme: Acho que a primeira pergunta que eu queria fazer é assim: Como você foi comprar um tênis e descobriu que era melhor correr descalço? Como foi esse salto?

Erik Neves: Gente, internet é tudo, cara! Risos.

Eu sei montar o cubo mágico, pô, graças à internet! Risos.

Eu sei 15 maneiras de amarrar o tênis, cara! É impressionante! Risos.

Internet, tempo livre e vontade de aprender, cara, faz você inventar coisas.

Então, assim, o projeto para fazer um Iron Man não é pequeno. Você precisa… primeiro que a inscrição é realizada um ano antes. Então você tem um ano de preparação. Você sabe que vai fazer a prova e aí você vai fazer. “Bom, esse ano eu vou fazer do melhor jeito possível. Vamos estudar…”

E aí eu falei: “, vou comprar um tênis legal”. Eu tinha uma pisada aplanada, tive que procurar um tênis e aí você ia cada vez encontrando mais informações sobre tênis cada vez menores e foi na época que saiu o estudo do Lieberman. Um estudo de um pesquisador, um biólogo evolucionista, de Harvard, Daniel Lieberman que mostrou que o impacto causado quando se corre descalço é paradoxalmente menor que o impacto de quando se corre com o tênis.

E aí isso mexe com a vida da gente! Porque você está acreditando que dois dedos de espuma vão proteger enquanto descalço você vai tomar pancada, só que aí você para para ver numa perspectiva evolucionista, porque tem uma frase muito interessante do Theodosius Dobzhansky, que é um biólogo ucraniano que naturalizou-se americano, que diz assim: “Nada na biologia faz sentido, exceto sob a luz da evolução”.

Então para para pensar: se a gente precisasse de dois dedos de amortecimento no nosso calcanhar, dois milhões e meio de anos andando, cara, a gente já teria esses dois dedos de amortecimento no nosso calcanhar. Então a gente não precisa.

O tênis é a solução para um problema que o próprio tênis criou. Então o amortecimento do tênis foi para fazer com que se corresse de calcanhar. Isso é uma teoria do cara que, esqueci o nome dele agora, do criador da Nike. Nada, ninguém menos que ele.

Ele era um treinador e pensava: “Como é que eu faço os meus alunos mais rápido?

Eu posso aumentar a cadência ou eu posso aumentar o tamanho da passada”.

Como eles já estavam a 200 passadas/minuto e não conseguiam acelerar mais que isso, vamos aumentar a passada.

Mas para aumentar a passada eu tenho que esticar a perna para frente. Na hora que eu esticar a perna para frente, vou pisar com o calcanhar e isso dói. Na hora que dói, deixa eu botar um amortecedor.

E aí cada vez mais… tem um livro de corrida do Fixx, que capa dele de duas edições subsequentes é muito interessante, assim, clássico. Um tem um dedo de amortecimento no tênis da capa e no outro tem dois dedos de amortecimento. Eu acho que são cinco anos, quatro anos de uma edição para outra.

Então você vê logo essa perspectiva de que as coisas estavam mudando e na dieta também funciona assim. Para para pensar no que a gente foi feito para comer. Não foi para comer biscoito. A gente não evoluiu comendo farinha. E a gente não evoluiu correndo.

Aliás, nós somos a única espécie que não corre descalça. Minto! Eu faço até essa brincadeira: “Existem cinco seres que correm descalços: os humanos, o cavalo – com a ferradura –, cachorro de madame, gato de botas e as galinhas do Jeca Tatu. Não tem mais! Não tem! Acabou! O resto anda descalço! No momento em que o peixe resolveu sair do mar e botou as barbatanas no solo, ele botou descalço e está dando muito certo para todo mundo!

Guilherme: E a gente andou, da África oriental até a Ásia, atravessou o Estreito de Bering, desceu para a América do Sul… tudo descalço.

Erik Neves: Se bobear a gente ainda subiu! Porque dizem que talvez tenha outra teoria de que a gente atravessou o Pacífico e subiu.

Porque estão achando coisas na América do Sul mais velhas do que o pessoal que passou pelo Estreito de Bering. Então não tem outra maneira de se explicar, se não for a nado ou a barco, mais provável.

Guilherme: É. De toda forma, foi descalço.

Erik Neves: Foi descalço. Sempre.

Então o primeiro sapato tem, sei lá, 50.000 anos e era na verdade um monte de folha amarrada no pé, mas era para proteção. Não era tanto para amortecer, aumentar o amortecimento.

O amortecimento é necessário, mas o amortecimento tem que ser próprio. A gente cria o nosso próprio amortecimento.

E o tênis tira a propriocepção, a sensação da pancada que a gente precisa para se proteger. Nós achamos que estamos correndo em nuvens e acaba não se protegendo: “Ah, estou pisando em nuvens, não preciso preparar a minha musculatura e minhas articulações para pisar, para amortecer”. Eu entrego isso ao tênis e o tênis não entrega isso de volta para você. A proteção do impacto do tênis é muito menor do que se propagandeia.

Guilherme: Então você diria que o uso de tênis impede algumas das adaptações que seriam necessárias para se melhorar na própria corrida?

Erik Neves: Sim, sim! Eu acredito que sim.

Não tem nenhum estudo que mostre diminuição de lesão, nem retrospectivo, nem estudo prospectivo recente sobre corrida, sobre o modo de pisar, o tipo de pisada, ? Porque quem corre descalço não pisa com o calcanhar. – pisa com a parte média ou anterior do pé, o ante pé; mas não mostra a diferença de lesão.

Mas você tem outros estudos indiretos que falam, que mostram que as coisas funcionam melhor quando se corre do jeito que a gente foi feito para correr. O estudo do Lieberman, aquele de Harvard, foi feito na África, com populações habitualmente descalças e mostrava que eles corriam pisando com o ante pé.

Guilherme: Uma pergunta que surgiu para mim, eu não conheço muito sobre corrida, muito menos descalço, mas isso é verdade também para correr em terrenos que não estavam disponíveis antigamente – como asfalto e coisas assim?

Erik Neves: É muito engraçado: “Mas você corre no asfalto?!”. Cara, o asfalto é o melhor lugar para correr! Ele é liso, não é irregular. Eu sei onde eu estou pisando, eu vejo o que eu estou pisando. Na grama, para correr na grama a gente precisa criar casco. Para correr no asfalto não precisa criar casco.

O meu pé, na época que eu corria mesmo, que eu treinava, meu pé era liso. Muito mais liso que muito pé da maioria das moças aí que toda semana tem que estar lá no banho lixando, tirando calo por causa dos sapatos altos e tudo. Eu não tinha calo! E não era porque eu lixava o pé no asfalto. Não. É porque o jeito de pisar é completamente diferente e não provoca calo.

Mas a vantagem do asfalto é que ele é regular. Você olha: “Ah, tem um caco de vidro”. É só não pisar. Tem uma piada que me lembra, assim, “Ah, mas você não pisa no vidro? Não pisa num prego?”. Não! Eu estou vendo, é só desviar! É aquela piada clássica que agora eu acho que não pode nem contar de quem é, ? Mas assim: “Nossa, uma casca de banana! Vou cair novamente!”. Pelo amor de Deus! Desvia, , cara?!

Já na grama, não. Na grama tem uma pedrinha escondida ali, tem um caco de vidro que você não vê. Na grama, no mato, na savana, no cerrado, aí sim você precisa criar uma espessura de derme na sola do pé, que realmente te proteja. Tanto que eles passavam a usar as folhas amarradas, o couro amarrado, mas não era para a proteção de impacto. Era para a proteção contra os elementos externos.

Guilherme: Certo…

Roney: Muito interessante isso aí até porque nós, como não somos muito ligados nessa parte da corrida, nós acabamos nos apegando muito na parte evolutiva da alimentação, mas tem tudo a ver também com relação ao movimento, à corrida também.

E com relação, já que a gente está falando de exercício, você tem quais outros hábitos saudáveis na sua rotina, além de correr?

Erik Neves: Dormir, que eu acho que é uma coisa que nós estamos deixando muito de lado…

Guilherme: É verdade.

Erik Neves: A gente tem muita coisa para fazer durante o nosso trabalho e aí a gente quer aproveitar a nossa hora livre com o lazer e a gente acaba invadindo a nossa hora de sono.

Dormir é uma coisa que é muito pouco falada, mas é uma coisa muito importante. Têm estudos que mostram que se você dormir menos do que deve, você tem alterações na sensibilidade à insulina no dia seguinte. Dormir é importante.

Essa história de colocar relógio para despertar, eu li, não sei de quem agora… acho que foi do Robb Wolf – mas ele está preconizando não colocar relógio para despertar.

Colocar relógio para dormir, botar o alarme para dormir: “10h da noite, vou acordar 06h da manhã, oito horas de sono, 10h da noite toca o relógio, põe o pijaminha, vai para a caminha”, entendeu?

E você naturalmente, às 06h da manhã, acorda; com a claridade do quarto ou com o próprio relógio biológico mostrando que você já dormiu o que você precisava dormir.

Tudo bem que às 10h da noite, você já acabou de ver a novela, tem a série da Netflix que você quer assistir, então você vai empurrando e acaba dormindo 01h da manhã, mas você tem que acordar 06h30 e aí vai comprimindo o sono.

Então dormir é importante. E você ter tempo para dormir, você criar o tempo para dormir é importante e você precisa fazer atividade física. Então você precisa otimizar a atividade física de uma forma que tome menos tempo. Então se movimentar sempre, todo dia, é muito importante.

Caminhar; se tiver toda a oportunidade de subir um degrau, um andar ou outro de escada, de preferência de dois em dois degraus; parar mais distante de uma vaga; descer um ponto de ônibus antes; ir de bicicleta para o trabalho… tentar alguma coisa que você se mexa sempre, todo dia. Não ficar parado.

E fazer força de vez em quando. É necessário fazer força. Força é a poupança que você faz hoje para você conseguir andar quando você tiver 95 anos. Porque não adianta também comer bem e chegar aos 95 anos entrevado numa cama, entendeu?

Sem conseguir se mexer, sem conseguir amarrar um sapato. Não! Você se abaixa para amarrar o sapato, mas você não levanta mais. Você fica. Sentar num sofá velho e não conseguir levantar se você não estiver do lado do braço do sofá. Você vai ficar afundado lá até alguém resolver te dar uma mão para sair dali porque você não tem força de fazer um simples agachamento ou desagachamento – o levantamento da posição agachada, já que você está no sofá. Você precisa criar músculo agora e mantê-lo sempre e também trabalhar mobilidade, equilíbrio, destreza, velocidade… são coisas que fazem parte do treino físico e que vão te proporcionar uma boa qualidade de vida no futuro.

Porque o problema é que é muito difícil a gente ponderar o esforço de agora com o benefício daqui a 40 anos, porque senão ninguém fumava. Todo mundo sabe que fumar faz um mal danado. “Ah, mas morreu com 95 anos e fumava”. Se não fumasse, talvez morresse com 105 ao invés de 95!

Mesmo assim, todo mundo sabe, mas o prazer de fumar agora é muito maior, é muito fácil de ponderar, de ganhar, numa comparação, com o problema que vai ter daqui, sei lá, 40, 50 anos. “Não sou eu daqui 40, 50 anos”. Isso é muito comum entre jovens, principalmente, que a velhice é uma coisa muito mais distante, uma coisa que não está relacionada com o dia-a-dia.

Por isso que a mortalidade dos jovens também é maior por acidente de trânsito. Porque faz besteira! Porque o jovem: “, eu tenho 20 anos, eu não estou na idade de morrer. Vou morrer com, sei lá, 70, 80, 100. Eu ainda tenho 20!”. 20 anos também morre. E de burrice! A principal causa de morte nessa faixa etária é burrice, é imprudência.

Então o Mark Sisson num dos tópicos que ele fala do treinamento, do modo de vida Primal dele é: “Use a cabeça! Não faça besteira!”. Tem a moto? Quer ter moto? Beleza. Use capacete, não ande… não sai por aí feito um motoboy maluco no meio dos carros… Então, assim, você tem que ter prudente.

Guilherme: E um ponto que você mencionou foi o de fumar.

E esse ponto é bacana porque todo mundo sabe que vai matar as pessoas no futuro (ou no mínimo aumentam as chances) – e ainda assim muita gente fuma.

E acredito que o caso da atividade física e do treino de força, essa dissociação entre o comportamento presente e o resultado futuro é ainda mais grave.

Porque muitas pessoas não se dão conta da necessidade de treinar força para manter a mobilidade e o estilo de vida mais independente conforme a velhice chegar.

Eu vejo, por exemplo, em familiares mais velhos… só para dar um exemplo de algumas pessoas que eu conheço pessoalmente – eles não conhecem a necessidade dessa manutenção da força para manter a mobilidade conforme o envelhecimento vem.

E eles têm um certo, por vezes, preconceito mesmo, com a atividade de força.

Eles não veem o real benefícios para eles, acham que é só para quem quer ficar “bombado”, digamos assim.

Erik Neves: É.

Eu tenho um estudo engavetado aqui no meu computador para mostrar na hora da consulta e eu decorei até o nome do autor Wroblewski, que é um nome polonês.

Então, assim, eu uso tanto que até esse nome ficou. O estudo do Wroblewski, de… vou até puxar aqui no meu computador para ficar na mão, de 2011, chama: Exercício crônico preserva a massa muscular magra em atletas master.

(Se quiser o estudo completo, mande um email pedindo que enviamos para você!)

Eu não leio o artigo inteiro para o meu paciente. Eu mostro três fotos que têm em sequência aqui. Tem uma foto de uma ressonância magnética de uma coxa de um triatleta de 40 anos e você vê essa foto como se fosse um pernil de Natal.

Aquele pernil cortado, de porco? Então você vê um tanto de músculo, a gordura por fora… um dedinho de gordura por fora, um tanto de músculo e o osso no meio.

Aí em sequência tem uma ressonância magnética de um homem sedentário de 74 anos e você tem a mesma grossura do pernil, só que o pernil agora tem quatro dedos de gordura, uma carne muito xexelenta no meio, fraca, pouco volumosa. Você olha e sabe que esse músculo não faz força. Só de olhar. E você vê um osso muito mais fino e fraco que o osso daquele triatleta de 40.

E eu tapo a terceira foto para eles e falo: “ vendo? Com 74 anos é isso o que vai acontecer com você. Você vai ficar inexoravelmente um velho gordo e fraco. Mas há esperança!”

E aí eu mostro a terceira foto e a terceira foto tem uma foto que é a ressonância magnética da coxa de um senhor de 70 anos de idade, que também é triatleta, que tem uma coxa praticamente indistinguível do triatleta de 40 anos. A principal coisa que chama a atenção de diferente é que o velhinho de 70 anos tem menos gordura que o triatleta de 40.

Guilherme: Olha só!

Erik Neves: E o osso, impressionante, é tão grosso quanto o triatleta de 40 anos. Então, lógico, aumenta a sarcopenia, lógico que com 70 anos você não tem a mesma quantidade de células-tronco e a capacidade de renovação do que uma pessoa de 40 anos ou de 20. Mas se você se mantiver treinando, se você fizer atividade física, você não é obrigado a ser um velho decrépito.

Guilherme: Acho que é perfeito como uma frase que a gente gosta: que não é só você adicionar anos na sua vida. Você não vai só viver mais. É adicionar vida nos seus anos. Você vai viver melhor com esse tipo de preocupação, de conseguir se mover de maneira inteligente, se alimentar de maneira prudente e, como você falou, não morrer num acidente por uma besteira.

Erik Neves: É, não morrer de burrice.

Roney: Legal, Erik, acho que esse assunto encerrou bem. Nós já estamos chegando ao final da entrevista e a gente queria saber se você alguma mensagem que você queira deixar, falar mais alguma coisa, acrescentar mais algum assunto antes de nós finalizarmos esse podcast.

Erik Neves: Então, eu acho que vou adiantar um pouquinho…

A gente está gravando isso no dia 21 e no dia 20 de Fevereiro saiu o estudo, o DIETFITS foi publicado, onde mostrava que low-carb e Low Fat eram equivalentes.

Guilherme: Ah sim! A gente viu.

Erik Neves: Então, o Souto deve falar no blog dele, Deus e o mundo vai comentar sobre isso… eu não vou desmantelar muita coisa, não; mas o que eu acho importante, que eu acho que deve ficar, é que foi o primeiro estudo que comparou uma dieta low-carb boa, saudável, com uma dieta Low Fat boa, saudável; ou seja, comparou, talvez, um homem paleolítico dos 70º de latitude, com o homem paleolítico dos 10º de latitude.

Um homem paleolítico que comia low-carb, com o que comia Low Fat. Comida saudável, de verdade, não foi comida porcaria.

Então eu acho que, para comer bem, o que talvez estivesse acontecendo é a low-carb é automaticamente: “Vamos fazer low-carb? Vamos!”, qual é a primeira coisa que tira? As porcarias! As coisas com baixo valor nutricional, os açúcares e os refinados.

Então o que sobra? Comida boa! Só que o que fizeram nesse estudo? Fizeram a mesma coisa com o outro lado também. O lado Low Fat também passou a comer comida boa. Com pouca gordura. Então ele se deu bem também!

Lógico que, outra crítica desse estudo, é que o Low Fat não foi tão Low Fat e o low-carb não foi tão low-carb depois do segundo mês.

Mas assim, comendo comida de verdade, eles tiveram resultados bem razoáveis, entendeu? Isso é uma coisa que é importante entender.

Comida de verdade, comida que é feita sem rótulos, que você sabe o que tem ali dentro, que não tem nome esquisito, nome químico dentro daquela composição, que a sua avó poderia preparar sem fazer careta: “Que diabos é isso que eu estou colocando aqui?!”; eu acho que é um princípio que todo mundo deve seguir.

E tem horas para se fazer low-carb.

Para mim, tem tido um resultado muito bom, para os meus pacientes também e eu acho que é a maneira mais fácil de seguir uma dieta. Tem gente que não gosta. Eu acho que é uma opção. Não é a única estratégia. É uma estratégia. É uma outra estratégia.

E que, na maioria das vezes, traz ótimos resultados. Agora, eu acho que é a melhor estratégia para quem tem resistência à insulina e o restante da síndrome, que é a acompanha, a síndrome metabólica.

Guilherme: E a literatura concorda com você!

Acho que então o resumo, basicamente, é: “Coma comida de verdade”. Se você tiver alguma doença, alguma condição como síndrome metabólica, resistência à insulina, esteatose, etc., a low-carb – pelo menos pelo o que a literatura tem até agora – é uma ótima estratégia para isso.

Erik Neves: É a melhor estratégia!

Low-carb, para quem tem problema de resistência à insulina, é a melhor. Isso é indiscutível. Já tem vários estudos que mostram; estudos randomizados, prospectivos, controlados… realmente a melhor estratégia é a low-carb para quem tem Diabetes e resistência á insulina.

Guilherme: E para pessoas saudáveis: só não coma porcaria, basicamente.

Erik Neves: Você vai continuar saudável se você não fizer besteira!

Roney: Perfeitamente, Erik!

E você pode deixar seus contatos, suas mídias sociais, e-mail, para o pessoal que está acompanhando e quiser acompanhar você também?

Erik Neves: Lógico!

Tudo que eu… eu sou velho, cara, eu já estou com quase 50 anos, então… só que eu sou um velho pra frentex, como diria na minha época.

Então toda vez que sai alguma tecnologia, eu sou um dos primeiros a me registrar, então eu sou sempre Erik Neves em quase tudo.

Então se você digitar Erik Neves, é meu nome em qualquer lugar: Gmail, Instagram, Facebook… onde tiver alguma coisa… Snapchat é que eu não liguei muito, mas o resto, se bobear é capaz de eu ter me inscrito com esse nome e só não tenho usado – mas é sempre Erik Neves.

Guilherme: Pode deixar, a gente vai colocar os links aqui no episódio do site.

Erik Neves: Beleza.

Se quiser eu te passo o link também para o estudo do Wroblewski, ou pelo menos as fotos.

Guilherme: Manda sim!

Erik Neves: É muito impressionante! É muito impressionante, vale muito a pena.

Guilherme: Pode mandar! A gente adiciona no post do podcast, que aí fica bem visual para o pessoal também se chocar igual você choca os seus pacientes.

Erik Neves: É! Chocar no bom sentido, ?

Guilherme: Sim, no bom sentido!

Erik Neves: Preciso me mexer!

Guilherme: Exato.

Erik Neves: Acocorar também, o pessoal não consegue acocorar. Eu ponho o povo para acocorar no consultório e neguinho não consegue, cai!

Gente do céu, ninguém consegue mais picar um fumo, mascando um capim, meu Deus do céu! [Risos]

Roney: Bom, eu acho que assim a gente chega ao final do nosso episódio de hoje, Erik.

Foi um prazer ter você aqui conosco, a conversa foi muito boa.

Guilherme: A gente queria agradecer pelo seu tempo, pelo seu didatismo, é um jeito muito inteligente, na nossa opinião, de trazer a importância desses assuntos para as pessoas que, por vezes, não sabem de low-carb direito, não sabem de comida de verdade, não sabem o que priorizar e como se movimentar de maneira inteligente.

Então obrigado novamente pelo seu tempo para gravar esse episódio com a gente.

Erik Neves: Eu que agradeço o convite!

Foi um prazer conhecer vocês naquele evento e agora estar aqui conversando com vocês novamente. Espero não perdermos o contato!

Guilherme: Erik, obrigadão!

A gente vai se falando, com certeza.

Valeu pela entrevista, de novo.

Abração.

Erik Neves: Abraço!

Até mais, Guilherme!

Falou, Roney!

Roney: Falou, Erik!

Então esse foi mais um episódio aqui do Senhor Tanquinho.

A gente fica por aqui e se vê num próximo episódio de podcast.

Um forte abraço

Roney e Guilherme: Do Senhor Tanquinho!

Guilherme: Você acabou de ouvir mais um episódio do podcast do Senhor Tanquinho.

Roney: Não deixe de se inscrever para não perder nenhum episódio com os maiores especialistas para a sua saúde.