Queijos Na Dieta Low-Carb: Quais Preferir, Perigos E Benefícios do Queijo E Dos Laticínios

Queijo pode na low-carb?”

Essa deve ser uma das perguntas que nós mais recebemos dos amantes de queijo (especialmente ao migrarem para uma dieta low-carb).

Porque eles querem saber se essas delícias lácteas podem ser consumidas em um estilo alimentar baixo em carboidratos.

Se você também tem essa dúvida, leia este texto até o final.

Porque, assim, você vai saber exatamente:

  • qual é o lugar do queijo em uma dieta low-carb,
  • quais são os perigos e os benefícios de se consumir queijo na low-carb,
  • se existe um limite diário de queijo na low-carb,
  • quais são os melhores queijos para adicionar a sua dieta, e
  • quais você não deve adicionar de jeito nenhum.

Se este assunto se interessa, lembre-se de colocar seu email na caixa abaixo para receber mais artigos sobre alimentação baixa em carboidratos – além de receitinhas excelentes (várias delas feitas com queijo 😉).

Tendo dito tudo isso, vamos responder à primeira questão: Queijo pode na low-carb?

Queijo Pode Na Dieta Low-Carb?

De maneira resumida, podemos dizer que sim.

Isso porque a maior parte dos queijos é baixa em carboidratos.

No entanto, é importante que você preste atenção a alguns detalhes relacionados a alguns tipos de queijos.

Isto é, ao que diferencia os queijos bons dos ruins, quanto ao consumo na low-carb.

De todo modo, vamos primeiro apresentar uma regra prática para definir os melhores queijos para a dieta low-carb – isto é, os queijo “permitidos”.

Queijo Permitidos Na Dieta Low-Carb

Assim como no caso de qualquer outro alimento que pertença à sua lista de compras low-carb, é essencial entender quantos gramas de carboidratos esse alimento contém.

E, para isso, a melhor maneira é olhar a informação nutricional do alimento que você for consumir.

No caso dos queijos, a maior parte deles vem em embalagens: então você pode olhar a tabela nutricional da própria embalagem.

Você também pode usar aplicativos de celular como o FatSecret para contabilizar a ingestão de carboidratos dos queijos (conforme mostramos no vídeo abaixo).

Ou também pode consultar nossa tabela gratuita de quantidade de carboidratos dos alimentos (clique aqui para baixar este presente).

Mas, de maneira geral, se você quer uma regra prática, os queijos mais amarelos –  que são os queijos envelhecidos e gordurosos – tendem a ter menos carboidratos.

(No caso, esse carboidrato é a lactose, presente no leite que é utilizado para a produção do queijo.)

O que acontece no caso desses queijos amarelos é que eles são fermentados por mais tempo.

E é esse processo de fermentação que faz com que eles fiquem tanto com a cor amarelada, quanto com menos carboidratos.

Alguns exemplos são:

  • queijo azul,
  • queijo camembert,
  • queijo canastra,
  • queijo cheddar,
  • queijo coalho,
  • queijo colonial,
  • queijo edam,
  • queijo emmental,
  • queijo gorgonzola,
  • queijo gouda,
  • queijo grana padano,
  • queijo gruyère
  • queijo parmesão,
  • queijo pecorino,
  • queijo prato,
  • queijo provolone,
  • queijo roquefort,
  • queijo serra da estrela,

dentre outros.

Porém, existem alguns queijos que não são tão amarelos, mas que ainda assim podem ser incluídos numa dieta low-carb/cetogênica.

Dentre eles, podemos citar:

  • cream cheese,
  • mascarpone,
  • requeijão tradicional,
  • ricota,
  • queijo brie,
  • queijo cottage, e
  • queijo minas.

Vamos explicar por que você deve ter alguns cuidados na hora de consumir queijos, mesmo os ditos permitidos, a seguir.

Mas antes, vamos falar sobre alguns queijos que devem ser preferencialmente evitados.

Queijo A Serem Evitados Ou Moderados Na Dieta Low-Carb

Existem alguns alimentos que imaginamos ser queijo mas que na verdade não são.

E, ao nosso ver, esses alimentos, por serem altamente processados, não deveriam fazer parte da dieta de ninguém – esteja essa pessoa seguindo low-carb ou não.

Para começar, o pior dos casos é com relação ao requeijão.

O requeijão puro, tradicional, é permitido na dieta low-carb.

Entretanto, existem alguns tipos de “requeijão” que são enriquecidos com amido, ou seja, carboidratos.

Principalmente as versões “lights” desses produtos correm o risco de terem essa adição de amido.

(Sendo que este alerta é válido para todos os queijos citados neste texto: você não precisa optar pelas versões light ou diet.

Porque elas não apresentam menos carboidratos –  e ainda podem apresentar adições (de conservantes, espessantes, etc) indesejadas.)

Continuando com o requeijão, ele por vezes é confundido com uma “versão” ainda pior.

Um produto que é vendido em embalagens semelhantes às da maioria dos requeijões – mas em cuja embalagem nem consta a palavra “requeijão”.

Nela costuma vir apenas a palavra “cremoso” – mas sua embalagem é curiosamente semelhante àquela do requeijão tradicional.

Pois bem: esse produto até pode ser cremoso, mas não é nem queijo, e nem deve ser consumido.

Outro queijo que consideramos abaixo do ideal é queijo polenguinho.

Infelizmente, apesar de apresentar poucos carboidratos por unidade, ele não é um queijo que costumamos consumir.

Pois o polenguinho é altamente processado, e leva uma porção de ingredientes que preferimos evitar.

Mesmo assim, muita gente o adota com lanche de emergência.

Nesse caso, nós o consideramos uma opção superior a outros processados como biscoitos, barrinhas e salgadinhos.

A mesma regra é válida também para o mascarpone e o cream cheese – por eles serem processados, não são nossa opção número um.

Mas acreditamos que eles podem ser consumidos eventualmente por serem totalmente low-carb (e menos processados que o polenguinho), principalmente como ingredientes de algumas receitas.

Mais abaixo falaremos e citaremos mais sobre os derivados do leite a serem evitados na low-carb/cetogênica, mas antes vamos abordar algumas considerações importantes na hora de consumir queijos.

Queijo Na Dieta Low-Carb: 3 Perigos A Considerar

Por um lado, vimos acima alguns cuidados a se tomar quanto a tipos específicos de queijos.

Por outro lado, mesmo a inclusão dos queijos “permitidos” na dieta low-carb pode ser um pouco mais delicada.

Isso acontece porque você tem que considerar alguns outros aspectos quando pensar se vai incluí-los na sua alimentação – e quanto vai incluir.

Isto é: por mais que eles sejam alimentos saudáveis, não é inteligente basear a sua alimentação apenas em queijos.

Perigo #1 – Basear sua alimentação em queijos

Note que esse mesmo caso se aplica às receitinhas low-carb e às bebidas alcóolicas – são iguarias ocasionais, mas não a base do nosso estilo alimentar.

A verdade é que, na dieta low-carb/cetogênica, a base sempre será composta por vegetais e por fontes de proteína como carnes, ovos, aves e peixes – o chamado “bicho e planta”.

Sendo assim, o queijo pode atuar como um complemento para a sua dieta, e ser muito bem-vindo, por exemplo, em omeletes e outras adições.

Mas, na nossa opinião, ele não deve ser a base da sua alimentação.

E ele também encerra outro perigo, ainda relacionado a quantidades.

Perigo #2 – Ter compulsão por queijo

Algumas pessoas têm uma espécie de compulsão por queijo.

Não um transtorno alimentar real, mas algo que se exemplifica na seguinte situação.

Essas pessoas podem comer, em uma refeição, três ou quatro ovos, acompanhados por uma saladinha, e ficarem satisfeitas com isso.

Porém, quando comem um pouco de queijo, elas ficam com vontade de ainda mais queijo – o que só realimenta esse desejo.

Sendo, para elas, muito difícil parar de comer após começarem.

Esse é o chamado efeito dominó, que também pode acontecer com alguns outros alimentos, como o amendoim.

Você come um e quer mais outro… Come mais e quer outro, e outro e outro.

Esse efeito não ocorre em todas as pessoas, mas algumas se identificam com a seguinte descrição que a Nutri Polyana Rossi revelou em nosso Podcast:

“Existem algumas comidas que são calóricas como, por exemplo, uma carne com gordura.

Ela até pode ser calórica, mas se você comer uma carne gorda com uma salada, já vai ser mais fácil controlar a quantidade.

Compare isso com uma porção de castanha-do-Pará, ou castanha de caju, por exemplo, e é muito fácil você extrapolar.

Polyana: Sim. 100 gramas de castanha de caju vai te dar perto de 900 calorias… E 100 gramas não é muita coisa para quem gosta de comer. Normalmente quem está querendo emagrecer gosta de comer.

Então: se tu está distraído, fazendo uma outra atividade e roendo aquelas castanhas, tu come 100 gramas brincando e aí são 900 calorias. Para emagrecimento isso não vai bem.”

(Fonte: Podcast #024 – Nutricionista Polyana Rossi, A Nutri Das Panelas )

Mencionamos o amendoim e as castanhas, mas muita gente tem essa relação também com o queijo.

E um grande problema desse efeito dominó é que o queijo é um alimento altamente calórico.

E é claro que o fato de ele ter calorias não é um problema por si.

Afinal, as gorduras do queijo não fazem mal para a saúde.

Entretanto, se você tem a tendência a consumir queijo aos montes, e dado que o queijo é um alimento que tem bastante caloria por poucos gramas (isto é, ele é caloricamente denso), então a tendência é que você ingira muitas calorias.

Se o seu objetivo é perder peso na low-carb, isso pode acabar sendo um fator que atrapalha ou, no mínimo, atrasa o seu processo.

Relacionado: As calorias importam na dieta low-carb?

Para sermos mais precisos, o problema é que os queijos trazem pouca saciedade por caloria.

Ou seja, você vai comer bastante queijo e não vai se sentir tão saciado quanto se comesse a mesma quantidade de calorias em vegetais e ovos, por exemplo.

Nesse segundo caso, você se sentiria muito mais saciado.

Além disso, eles também têm um outro efeito em que está começando a low-carb e tem problemas com a insulina: os queijos têm um efeito insulinogênico relativamente alto.

Perigo #3 – Queijos elevam a insulina

Os queijos, mesmo sendo baixos em carboidratos, tendem a ter um efeito sobre a insulina relativamente alto.

Então, não se engane pensando apenas em índice glicêmico.

Pois, mesmo com índice glicêmico baixo (isto é, mesmo que a glicemia sanguínea não se eleve muito), os níveis de insulina no sangue são elevados quando se consome queijos.

Especialmente para quem está começando a dieta, ou para quem tem problemas de resistência à insulina, isso é um problemão.

Por isso, talvez não seja tão interessante comer muitos queijos no começo da dieta low-carb.

Mas Então Comer Queijo Faz Mal?”

Não.

Ao falarmos sobre esses 3 perigos do queijo, talvez tenhamos passado a impressão de que ingerir queijos vai trazer muitos problemas para a sua vida.

Mas isso não é necessariamente verdade.

Pois o queijo tem alguns benefícios para a saúde – e nós vamos falar deles agora.

Queijo Na Dieta Low-Carb: Benefícios Do Queijo

Entre os benefícios do queijo, podemos citar as suas gorduras.

Elas são gorduras saudáveis, e que em alguns estudos tendem a mostrar efeito protetor da saúde – algo que não seria esperado com o “viés do paciente saudável”, uma vez que as gorduras foram demonizadas por vários anos em nossa sociedade.

Além das gorduras boas, o queijo também tem uma quantidade razoável de proteínas (que são proteínas completas, isto é: contêm todos os aminoácidos essenciais).

Até por isso que muitas pessoas que são ovo-lacto-vegetarianas, ao seguir uma dieta low-carb acabam comendo bastante queijo.

(Embora simplesmente “trocar carne por queijo” seja um erro vegetariano muito comum.)

Por fim, o queijo também é rico em micronutrientes – isto é, vitaminas e minerais.

Dentre eles, podemos destacar fósforo, zinco, e selênio – além, é claro, do cálcio.

Por tudo isso, podemos dizer que o queijo pode ser sim um alimento saudável.

E que não é justo condenar o queijo como se ele fizesse mal para a sua saúde, exclusivamente.

Além, é claro, do benefício do sabor.

Como você talvez saiba, é muito importante comer alimentos saborosos no seu estilo de vida.

Pois assim você minimiza as chances de desistir do seu plano alimentar.

Afinal de contas, ninguém aguenta ficar comendo comidas sem graça por muito tempo, não é mesmo?

Foi por isso que fizemos os Cardápios Low-Carb – e é por isso que ressaltamos esse uso do queijo.

Por exemplo, uma omelete feita com um pouco de queijo já fica bem mais saborosa do que comer apenas os ovos.

Se você for sair (ou se estiver viajando), uma tábua de frios com queijo é uma opção muito saborosa e que é melhor do que, por exemplo, uma porção de batata frita.

E, em termos de lanche (ou mesmo de pré-treino), um queijo com coco fazem uma deliciosa queijadinha.

Como você pode ver, opções não faltam para usar o queijo como fonte de tempero e sabor na sua dieta low-carb – sem “perder a linha” com seu consumo desenfreado.

Tendo dito tudo isso, vamos agora responder as dúvidas que mais recebemos a respeito do queijo em uma dieta low-carb.

Queijo Na Low-Carb: Quanto Queijo Posso Comer Por Dia?

Muitas pessoas ficam animadas quando descobrem que queijos deliciosos podem fazer parte de sua alimentação saudável.

Principalmente porque durante anos ouvimos aquela história de evitar gorduras – o que acaba incluindo evitar queijos gordos.

Por sorte, a luz da ciência já nos provou que isso não passava de mito, e que uma alimentação low-carb, rica em gorduras boas, pode trazer diversos benefícios para a nossa saúde.

E os queijos, felizmente, apresentam justamente essa gordura boa para nossa saúde.

Porém, conforme já falamos acima, além de seus benefícios, os queijos apresentam certo perigos que devem ser levados em conta na hora de seu consumo.

Ou seja, infelizmente, para boa parte das pessoas, principalmente aquelas que querem emagrecer, o consumo diário de queijo não pode ser ilimitado.

No entanto, é impossível definir uma “quantidade diária ideal de consumo de queijo na dieta low-carb” para todas as pessoas.

Pois os valores variam muito: por exemplo, um homem de 1,8 m de altura e que pesa 130 kg vai poder consumir mais queijo do que uma mulher de 1,5 m de altura com 70 kg.

Porém, para a maior parte dos iniciantes, um nível de consumo de cerca de 50g a 100g de queijo ao dia é “seguro”.

(Aqui usamos a palavra “seguro” no sentido de perda de peso, apenas.)

Mas é claro que o ideal é ajustar esses níveis de acordo com seus resultados.

Isto é: você pode consumi-los se estiver tendo bons resultados nas suas fotos e medidas corporais, ou optar por reduzir um pouco essa ingestão caso atinja um platô de peso.

Mas como saber como e quanto consumir de queijo?

Abaixo damos algumas ideias de como consumir o queijo de maneira inteligente – e saborosa – na dieta low-carb.

Queijo na low-carb: Algumas ideias para consumo

Conforme mencionamos acima, a ideia não é basear sua alimentação low-carb em queijos.

Mas sim utilizá-lo como uma iguaria, um tempero, um “algo a mais” em suas refeições.

Por exemplo, os queijos são uma ótima adição a ovos fritos, deixando-os muito mais gostosos.

E, nesse caso, eles não se tornam o principal alimento do seu prato – os ovos fazem esse papel.

O queijo também cai muito bem como um petisco antes da refeição: uns pedacinhos de gorgonzola ou parmesão são um ótimo “tira-gosto” low-carb.

Outra ideia de uso dos queijos é como lanches…

Ou em qualquer ocasião em que eles substituírem porcarias ricas em carboidratos.

Por exemplo, quando você vai num barzinho com seus amigos, certamente é muito superior consumir uma porção de queijos do que uma de batatas fritas.

Por fim, ele pode fazer parte de algumas receitas maravilhosas, como nosso pão de queijo low-carb, que vai muito bem como um lanchinho ou café da manhã.

Tenha isso em mente quando for consumir queijos, e certamente você não se excederá com esse maravilhoso alimento.

Queijos E A Cetose Nutricional

Uma outra dúvida que recebemos bastante é com relação aos queijos num contexto de dieta cetogênica.

Nesse caso, a pergunta das pessoas é apresentada principalmente da seguinte forma:

Mas Senhor Tanquinho, o queijo vai me tirar da cetose?”

E a resposta é que não: o queijo não vai te tirar da cetose.

Isso porque, nos queijos permitidos nas dieta low-carb e cetogênica (aqueles que apresentamos acima), a maior parte de suas calorias vêm das gorduras.

E a segunda maior parte das proteínas.

Ou seja, esses queijos têm muito pouco carboidrato, uma quantidade moderada de proteínas completas, e bastante gordura saudável.

Sendo que essa é justamente a base da dieta cetogênica.

Justamente por isso, eles não vão te tirar da cetose.

Mesmo com essa proporção de nutrientes, algumas pessoas têm medo dos queijos tirarem da cetose.

Pois, conforme falamos acima, após consumi-los tendemos a apresentar uma elevação dos níveis de insulina no sangue.

Porém, você não precisa se preocupar com isso.

Afinal,  só aumentar a insulina por si só, sem ter um aporte significativo de carboidratos, também não vai te tirar da cetose – conforme explicamos aqui.

Queijos E A Intolerância À Lactose

Seguindo as dúvidas mais frequentes com relação aos queijos, nós temos a questão do consumo de queijo por quem tem intolerância à lactose.

Será que ele pode ser consumido por quem tem essa intolerância?

A verdade é que não existe uma resposta exata para esse pergunta.

Porque as reações ao queijo variam muito dependendo de cada pessoa.

Isso acontece porque existem diversos “níveis” de intolerância à lactose – ou de alergia a esse açúcar.

Isto é: existem aquelas pessoas mais sensíveis e aquelas menos sensíveis a níveis baixos de lactose.

Conforme falamos acima, os queijos ideais para consumo na low-carb já tendem a ter bem pouca lactose.

Por isso, pode ser que eles sejam bem tolerados mesmo por pessoas que não lidam bem com a lactose em quantidades maiores.

Isto é: pessoas têm sintomas ao beber um copo de leite muitas vezes podem comer uma fatia de queijo sem se preocupar.

Mas isso, é claro, desde que essa intolerância não seja em um grau muito elevado.

Pois quem tem uma sensibilidade mais aguçada à lactose pode apresentar reações indesejadas mesmo com esses queijos low-carb (ou com outros laticínios baixos em carboidratos).

Um exemplo simples é o caso da manteiga.

A manteiga tem muita pouca lactose comparada com o leite.

Por isso, algumas pessoas intolerantes à lactose lidam bem com ela.

Ao mesmo tempo, outras pessoas intolerantes ou alérgicas à lactose apresentam sintomas desagradáveis ao comer manteiga.

Então esses alimentos estão sujeitos a uma variação altamente individual.

Demos esse exemplo porque essa relação também se verifica no caso do queijo: algumas pessoas “podem” com o queijo e outras não.

E a lactose não é o único nutriente envolvido com alergias e queijo: pois muita gente também pode lidar mal com a proteína do leite.

Queijos E A Intolerância À Proteína Do Leite

Se antes o problema era com relação ao carboidrato do leite (lactose), agora estamos falando de problemas com a proteína do leite.

Existem pessoas que apresentam alergia a esse nutriente do leite, apresentando diversos tipos de reações indesejadas a ele.

Infelizmente, a maioria dos queijos têm bastante proteína…  e essa proteína é justamente a proteína o leite (já que o queijo é feito a partir do leite).

Então, via de regra, as pessoas que têm problema com a proteína do leite não vão poder comer queijo.

Mas é claro que, assim como no caso da lactose, esse grau de intolerância é particular de cada pessoa.

Como sempre gostamos de dizer, a melhor pessoa para descobrir se você pode incluir queijos na sua alimentação ou não é você mesma.

Faça um teste: se você acha que tem problemas com a lactose ou com a proteína do leite, experimente ficar um período sem eles e veja como seu corpo responde, e como você se sente.

Depois reinsira-os de volta a seu dia a dia, pouco a pouco, e veja novamente como você se sente.

Assim vai saber exatamente se deve ou não comer queijos, e em qual quantidade pode consumi-los.

Sendo que nós incentivamos que todo esse processo seja feito com acompanhamento de um profissional de saúde atualizado, para te dar as melhores dicas e orientações nesse período de eliminações e reintroduções.

Queijo E A Dieta Paleo – Queijo Não É Paleo!

Muita gente começou a se interessar por comer comida de verdade graças ao Loren Cordain, idealizador da Dieta Paleolítica.

Cordain enfatiza a necessidade de comer comida pouco processada, usando como regrinha prática “priorizar aquilo que estava disponível em épocas anteriores à agricultura”.

Essa é uma regra prática muito simples e eficaz.

No entanto, talvez ela leve a exclusões desnecessárias.

Isso porque, no estilo alimentar que Cordain idealizou, existem algumas restrições a alimentos e nutrientes que hoje em dia sabemos que são saudáveis, como:

  • gorduras saturadas,
  • café, e
  • queijos e laticínios.

Nesse contexto (da dieta Paleo original), realmente os queijos não entram.

Afinal de contas, em tempos pré-agricultura, os humanos não tomavam leite de outros animais – nem derivados desse leite.

Entretanto, no estilo de vida chamado Primal (que tem algumas diferenças sutis em relação à Paleo), popularizado pelo autor americano Mark Sisson, os laticínios podem ser incluídos sim (se você lidar bem com eles, é claro).

Pois eles não são maléficos à saúde, e podem inclusive trazer benefícios (conforme falamos acima).

A verdade é que, na nossa visão, você é uma pessoa livre.

E, como tal, pode optar pela abordagem que achar melhor.

Mas não acreditamos que haja motivos ou evidências para restringir queijos se você gosta deles, e se sente bem comendo-os.

Se você ficou curioso quanto às diferenças entre essas duas filosofias alimentares, recomendamos a leitura do nosso texto completo: Paleo x Primal.

Aliás, a dieta Primal incentiva não apenas o queijo, mas também outros laticínios – e é deles que vamos falar agora.

Já Que Posso Consumir Queijo, Então Posso Consumir Outros Laticínios Na Dieta Low-Carb?

Nem todos os derivados do leite se encaixam numa proposta de alimentação baixa em carboidratos.

No entanto, existem alguns derivados do leite que podem ser consumidos numa dieta low-carb ou cetogênica.

Então, nessa seção do texto, vamos abordar quais laticínios podem ser encaixados na sua alimentação, e quais não podem.

Laticínios e derivados do leite permitidos na dieta low-carb

Os derivados do leite não são todos iguais.

E, num contexto de dieta low-carb, nós vamos preferir aqueles que sejam mais baixos em carboidratos.

Geralmente, esses carboidratos foram fermentados por algum organismo, e já não estão presentes no produto final.

Isso pode ser surpreendente, especialmente levando em conta alguns rótulos de alimentos como o iogurte integral.

(Explicamos um pouco sobre isso em nosso texto sobre carboidratos digeríveis ou carboidratos líquidos.)

A seguir, uma breve lista de derivados do leite permitidos na dieta low-carb:

Laticínios e derivados do leite evitados na dieta low-carb:

Ao mesmo tempo, existem alguns derivados do leite que não devem ser incluídos na sua dieta.

Em sua maioria, tratam-se de “alimentos” altamente processados e/ou riquíssimos em açúcares e carboidratos  que não trazem nenhum benefício para a sua saúde.

Por isso preparamos uma breve lista de laticínios e derivados do leite proibidos na dieta low-carb:

  • bebida láctea (aquele iogurte “falso”)
  • “cremoso” (falso requeijão à base de óleo vegetal e amido)
  • chocolate ao leite (via de regra, todos com menos de 70% de cacau)
  • doce de leite
  • farinha láctea
  • iogurte com açúcar
  • leite condensado
  • leite ninho
  • manteiga misturada com margarina
  • pão de queijo tradicional
  • petit suisse
  • queijo polenghi
  • sorvete

Acabamos de ver alguns laticínios e derivados do leite que permitidos e outros proibidos na dieta low-carb.

E, neste momento, talvez você esteja se perguntando sobre um outro alimento… o próprio leite.

O Leite É Um Alimento Low-Carb?

Muitas pessoas têm o costume de consumir leite (geralmente leite de vaca) diariamente.

E elas gostariam de saber se esse hábito faz mal, e se ele cabe em um estilo de vida low-carb.

Em primeiro lugar, o leite dificilmente tem espaço na low-carb.

Isso porque um copo de 200ml leite apresenta cerca de 10g de carboidratos digeríveis.

O que leva algumas pessoas a pensar que “ele até pode ser consumido com moderação”.

No entanto, devido a seu alto efeito na insulina, e ao fato de poder ser substituído facilmente por opções com menos carboidratos (como creme de leite ou mesmo leite de coco), na nossa opinião realmente não faz sentido mantê-lo como alimento diário.

Além disso, muitas pessoas têm algum grau de intolerância ou alergia à lactose, ou mesmo às proteínas do leite (especialmente a caseína).

O que faz com que o consumo de leite faça ainda menos sentido.

É claro: se você faz questão de consumir uma colher de leite no seu café uma vez ao dia, não é isso que vai jogar seus resultados por água abaixo.

Até porque não foi por essa singela colher de leite que você ganhou peso… e provavelmente não é ela que está te impedindo de emagrecer e ter uma saúde melhor.

(Tudo isso considerando que você lide bem com o leite, não tenha problemas com a lactose, e nem com proteínas do leite.)

Por outro lado, nós acreditamos que mudar seu estilo alimentar envolve realmente mudar sua relação com os alimentos.

Se você também compartilha dessa visão, o mais adequado é evitar o consumo de leite.

E isso inclui evitar:

  • leite desnatado
  • leite semidesnatado
  • leite integral
  • leite em pó
  • e mesmo leite sem lactose.

Apesar dos diferentes tipos, todos esses leites apresentam praticamente a mesma quantidade de carboidratos por porção.

Então, tome cuidado com eles.

Mesmo com o leite em pó, que muitas vezes aparece em receitinhas por aí, e que até mesmo a Polyana Rossi, “a nutricionista das panelas”, faz um alerta sobre esse ingrediente – veja o que ela diz aqui.

Já sobre o leite sem lactose, vamos falar mais na próxima pergunta.

E O Leite Sem Lactose, É Low-Carb?

Não, ele também não é low-carb.

Na verdade, o leite sem lactose tem a mesma quantidade de carboidratos por porção que o leite normal.

Inclusive, o leite sem lactose é produzido a partir do leite normal.

O que acontece é que, durante o processo de produção do leite sem lactose, são adicionadas ao leite enzimas do tipo lactase.

Essas enzimas são responsáveis por “quebrar” a lactose do leite em galactose e glicose, que são os açúcares componentes da lactose.

Então, o leite sem lactose nada mais é do que um leite normal no qual a lactose já foi “pré-digerida” em outros dois açúcares.

E é importante observar que esses açúcares (galactose e glicose) também são carboidratos.

Ou seja: o leite sem lactose tem praticamente a mesma quantidade de carboidratos que o leite “normal”.

Então, se consideramos que o leite não é um alimento baixo em carboidratos, o leite sem lactose também não é low-carb.

Por isso, esse produto é voltado para aquelas pessoas que querem consumir leite, mesmo tendo intolerância à lactose.

E, para quem tem problemas com a proteína do leite, “pré-digerir” a lactose não apresenta nenhum tipo de vantagem.

Leite De Búfala, Leite De Cabra, Leite De Ovelha, E Seus Derivados São Permitidos Na Dieta Low-Carb?

Do ponto de vista dos carboidratos, todos esses leites (incluindo o bovino), apresentam praticamente a mesma quantidade de açúcar.

Portanto, seguindo o raciocínio que apresentamos anteriormente, eles também devem ser evitados em uma dieta low-carb.

A grande diferença entre eles está no tipo de lactose que possuem.

Cada um deles tem um tipo próprio de lactose.

Por isso, algumas pessoas que são intolerantes à lactose bovina não necessariamente são intolerantes às lactoses desses outros tipos de leite.

Nesse caso, seja você intolerante à lactose ou à proteína do leite, o melhor a se fazer é se consultar com seu médico e testar essas diversas opções, analisando sempre como seu corpo responde a elas.

E, reciprocamente: assim como o leite de outros animais não é baixo em carboidratos, os derivados desse leite podem ser.

Por isso, o queijo de leite cabra, o queijo de leite de búfala (muçarela de búfala), e o queijo de leite de ovelha são permitidos na dieta low-carb.

Citamos estes exemplos porque eles são os derivados mais comuns desses leites.

Mas é claro que, se você encontrar outros tipos de laticínios dessas fontes, vale fazer uma breve pesquisa para descobrir se eles têm espaço em sua dieta ou não.

E faltou falarmos apenas dos leites que não vêm de animais – os chamados leites vegetais.

Leites Vegetais E Seus Derivados São Permitidos Na Dieta Low-Carb?

O escopo deste texto são queijos, laticínios e outros derivados do leite.

Por isso, não vamos nos estender muito nesta seção.

Mas, de maneira resumida, algumas das diversas fontes vegetais de leite incluem:

  • amêndoas
  • amendoim
  • arroz
  • aveia
  • castanha de caju
  • castanhas
  • coco
  • gergelim
  • girassol com inhame
  • linhaça
  • macadamia
  • nozes
  • quinoa
  • semente de abóbora
  • soja

Ao nosso ver, o leite de coco obviamente é low-carb, e pode ser consumido tranquilamente – assim como as diversas receitas low-carb feitas à base dele.

Já os outros tipos de leite apresentam uma quantidade não desprezível de carboidratos, assim como o leite bovino.

(O que você esperava de um leite feito, por exemplo, a partir do arroz? 😉)

Portanto, se for consumir algum tipo de leite ou queijo de origem vegetal em sua dieta low-carb, vale sempre dar uma rápida pesquisada para saber sua quantidade de carboidratos, e assim decidir se ele se enquadra em sua dieta ou não.

Conclusão E Palavras Finais

Neste texto, abordamos muito sobre os queijos, o leite e seus derivados em uma dieta low-carb.

Os pontos principais que tratamos foram os seguintes:

  1. os queijos em sua maioria são baixos em carboidratos, e têm seu espaço numa dieta low-carb/cetogênica;
  2. os queijos são calóricos e elevam a insulina, então se você estiver com dificuldade de emagrecimento, talvez valha a pena retirar os queijos por alguns dias e ver como você se sente, e como seu corpo responde;
  3. os queijos têm alguns benefícios como diversas vitaminas, minerais, proteínas e gorduras boas;
  4. numa dieta low-carb você deve preferir os queijos que têm menos carboidratos (geralmente são os queijos mais gordos e mais amarelados);
  5. Não evoluímos comendo queijos, mas eles são seguros para consumo por grande parte das pessoas
  6. Ainda assim, você não deve basear a sua alimentação em queijos.

No fim das contas, os queijos são alimentos que algumas pessoas gostam e lidam bem, e que outras pessoas não gostam ou não se sentem bem comendo.

Sendo que a única pessoa que pode decidir se queijos farão parte do seu estilo de vida é você mesmo(a).

Agora a gente quer saber de você:

  • Você gosta de comer queijo?
  • Qual seu queijo favorito?
  • Como você gosta de consumi-lo?

Deixe suas respostas aqui nos comentários.

Porque fazemos questão de ler e responder a todos!

Forte abraço,
– Guilherme e Roney, do Senhor Tanquinho.

Referências

Algumas referências consultadas para a elaboração deste texto seguem abaixo.

  1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28250192
  2. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5122229/
  3. https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00394-012-0418-1
  4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19321565
  5. http://nutritiondata.self.com/facts/dairy-and-egg-products/25/2
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