Podcast #038 – Cirurgião Plástico Fala Sobre Celulite, Flacidez, Colágeno, E Muito Mais

A celulite é odiada por muitas mulheres.

Assim como a flacidez — um fenômeno que pode aparecer conforme eliminamos peso seguindo uma dieta low-carb.

Mas hoje você está com sorte.

Porque trouxemos o médico Deivis Albers no nosso podcast para falar tudo sobre:

  • o que é celulite,
  • como diferenciar celulite e flacidez,
  • o que pode acontecer com sua pele se você fizer dieta low-carb,
  • como o jejum intermitente pode ajudar a combater a celulite,
  • fazer academia ajuda a melhorar a pele? A surpreendente verdade,
  • devo comer mais proteínas na low-carb?
  • suplementos de colágeno realmente ajudam?
  • quais exercícios priorizar (e por que),
  • como evitar a celulite e a flacidez,
  • quais tratamentos podem ser úteis para combater a flacidez,
  • pode comer ovo depois da cirurgia?
  • como usar seu filho para ficar em forma,

e muito, muito mais!

Episódio completo disponível aqui – é só apertar o play. E a transcrição está abaixo.

 

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Depois de ouvir, deixe uma mensagem para o Deivis — ele vai adorar saber que você escutou o podcast!

As melhores maneiras de fazer isso são:

Transcrição Completa Do Episódio

Guilherme: Bem-vindo a mais um podcast do Senhor Tanquinho. Eu sou o Guilherme.

Roney: E eu sou o Roney. E aqui a nossa missão é deixar você no controle do seu corpo.

Guilherme: Olá, Tanquinho! Olá, Tanquinha!

Bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast.

E hoje nosso convidado é o Doutor Deivis Albers.

Tudo bem, Deivis?

Dr. Deivis Albers: Tudo bem!

Prazer!

Roney: O Deivis Albers é médico, cirurgião plástico, e atualmente também escreve lá no blog Saúde Ancestral.

(Já entrevistamos a Lissandra, fundadora do portal, no episódio 36 do podcast.)

Deivis, você pode se apresentar um pouco mais aí para o pessoal que está nos ouvindo — e contar um pouquinho mais como foi a sua trajetória até chegar a se formar como cirurgião plástico?

Dr. Deivis Albers: Sim, claro!

Eu sou natural aqui do Rio Grande do Sul, da cidade de Santa Cruz, e fiz Medicina na Faculdade em Pelotas.

Acabei me formando médico, então depois de seis anos na Universidade Católica de Pelotas, procurei pelas áreas cirúrgicas.

Fiz dois anos de Cirurgia Geral e depois completei a formação com três anos de Cirurgia Plástica, já em Porto Alegre.

A formação cirúrgica então se deu toda em Porto Alegre.

Me formei em 1999, então já está completando 20 anos de formado no ano que vem.

A Cirurgia Plástica teve um interesse grande quando eu estava fazendo a Cirurgia Geral.

Aquele início ali não era uma especialidade tão visada, tanto que hoje nós vemos que a grande maioria dos médicos, dos residentes, acabam já indo para essa área da estética, é bastante procurado.

E há mais ou menos em torno de 15 anos atrás não era tão grande.

Mas isso também foi uma introdução, digamos assim, na área da Medicina e da Cirurgia Plástica.

Guilherme: Certo.

E como que o seu interesse se voltou, mais recentemente, para alimentação, comida de verdade, low-carb?

Dr. Deivis Albers: Isso… nós acabamos nos formando médicos e não temos um grande conhecimento a respeito da alimentação.

Nós acabamos lidando com os conceitos que vêm passando de geração em geração.

Eu sempre orientei as minhas pacientes para isso.

Elas faziam uma cirurgia plástica, conseguiam um excelente resultado, e aí eu dizia para elas: “Olha, agora você tem que fazer uma dieta, você tem que comer menos, entrar em uma academia e começar a se gastar mais”.

E aí ela voltava dentro de um ano, normalmente, mais gorda ou perdendo o resultado atingido ali com a cirurgia.

Então: “Não fizeste o que foi recomendado?”

E ela: “Não, eu faço. Eu tenho seguido as orientações aqui, ó. Direitinho na minha nutricionista, eu tenho personal, eu vou praticamente todos os dias na atividade física”.

E aí olhando ali eu digo: “Olha, tem alguma coisa errada”.

E aí eu acabei conhecendo, por intermédio da minha anestesista, o livro do Gary Taubes. Antes do Souto! Porque o Souto é meu vizinho aqui em Porto Alegre…

Mas acabei lendo o “Por que engordamos?”, o “Why We get Fat?” e fiquei fascinado pelo livro, acabei caindo, sim, no Blog do Doutor Souto.

E aí foram meses de leitura até a gente ter aquele choque de verdades, ?

E aí, antes de testar nas minhas pacientes, eu testei em mim.

E comecei a notar uma grande melhora, tanto na composição corporal — eu perdi, ao todo ali naquela época, 22 quilos — e não me considerava obeso, muito menos com sobrepeso.

Achava que era um cara grande. Tenho 1,88 metro e na época eu estava passando dos três dígitos, ali, com 110, 112 quilos.

E aí, no decorrer de um ano mais ou menos, eu acabei perdendo por volta de 20, 22 quilos.

Para mim foi um choque: porque eu não estava passando fome, estava me sentindo muito bem, e comecei a estimular todos ao meu redor – as minhas pacientes principalmente.

Acabei estudando bastante esse novo estilo de vida, essa nova alimentação e com aqueles conceitos então, nós conhecemos… nós acabamos diminuindo um pouco os refinados, os carboidratos, os ultraprocessados, enfim…

Nós perdemos um pouco o medo das gorduras boas, digamos assim.

Então hoje eu tenho dito às minhas pacientes, normalmente às vezes até no pré-operatório para prepará-la melhor para uma cirurgia.

E, com certeza, em todas as minhas pacientes no pós operatório como manutenção do seu resultado.

E isso está sendo muito satisfatório.

Elas têm me dado um retorno muito legal, muitas vezes atingindo um corpo melhor ainda porque elas acabam se estimulando ainda mais com essa alimentação nova.

Então tem um feedback muito interessante.

Guilherme: Excelente, excelente.

E, no caso, nós quisemos trazer você aqui especialmente para tirar alguns mitos que nós estamos vendo rodar a internet a respeito de celulite, flacidez e dieta low-carb.

E como você entende bastante do assunto, nós já queremos primeiro perguntar: Qual a diferença de celulite e flacidez?

O que as pessoas precisam saber disso para poderem saber o que está acontecendo com elas e como endereçar isso da melhor maneira?

Dr. Deivis Albers: Essa é uma questão bastante frequente e eu tenho recebido tanto como questões na mídia, digamos assim, no Instagram, no Facebook; e também presencialmente.

As pacientes dizem: “Olha, doutor, eu estou apaixonada por essa alimentação, eu iniciei a low-carb, eu consegui perder bastante peso – 10, 15 quilos – só que eu notei que aumentou a minha celulite”.

Aí, a gente olhando assim: “Olha, mas não tem como, fisiologicamente, tu aumentar celulite perdendo peso.

Talvez uma alimentação low-carb melhore a inflamação do corpo”.

E aí eu fui tentar explicar isso e a celulite… nós dizemos que a celulite, na verdade, o nome técnico é adipose edematosa.

Ela é caracterizada por uma irregularidade na pele, parece uma casca de laranja, existem furos, às vezes depressões, existe uma classificação dependendo do grau – muitas vezes só aparece aquela depressão se a paciente aperta a região, se ela senta; e vai piorando até formar nódulos realmente mais grosseiros, visíveis, que até com a roupa fica impossível de esconder.

E essa celulite acontece porque a pele apresenta algumas camadas.

Então, se nós formos ver a camada superficial da pele, a epiderme; depois nós temos a derme, que é onde nós encontramos as fibras, principalmente de colágeno, de elastina, a vascularização principal da pele e enervação; e abaixo existe uma camada chamada hipoderme – ou do tecido celular subcutâneo.

E essa camada de gordura, propriamente dita, nós as dividimos em dois compartimentos.

Um compartimento profundo, que nós chamamos de lamelar, que é a gordura como se fosse um depósito.

E o compartimento mais superficial chama-se areolar, que não tem uma camada muito grande. Porém, ela é dividida com os septos —  ligando, então, a parte superficial da pele – a epiderme.

Com isso, criam esses compartimentos, digamos, segmentos de gordura, que se a pessoa engorda, nesta região principalmente; se ela tem um processo inflamatório; uma falta de oxigenação dessa região, esses septos seguram a pele e a área que está acumulando um pouco mais de depósito de gordura ali, acaba crescendo.

Então, quando nós observamos na superfície, nós notamos buracos, depressões, que formam, realmente, as celulites.

Então a celulite concorre, na verdade, com o aumento de peso normalmente.

Já a flacide  é um mecanismo inverso. Este septo acaba ficando solto.

Porque a paciente era obesa, tinha bastante gordura, tanto nesse compartimento mais superficial; quanto, principalmente, nesse compartimento profundo.

E, com a perda de peso, acaba perdendo essas células gordurosas e o septo acaba ficando solto.

Com isso, a pele acaba ficando mais solta.

Com a pele mais solta e a gravidade puxando para baixo, dá a impressão também de buracos, depressões… mas não é uma celulite, e sim uma flacidez de pele.

A manobra para a gente conseguir reconhecer se é uma celulite ou não, o mecanismo que eu acabei de explicar, é a gente pegar a pele e puxá-la para cima.

Se a gente pula e estica a pele e somem as depressões, na verdade não é celulite, e sim, uma flacidez da pele, que o tratamento é completamente diferente de uma celulite.

A celulite, o tratamento envolve, digamos assim, terapêuticas que levam a uma melhor oxigenação daquela região e também uma perda de peso.

Nós podemos perder peso fazendo uma alimentação mais regrada, como a low-carb, enfim, ou fazendo um tratamento na região localizada para a gente ter também uma perda de gordura.

A lipoaspiração, por exemplo, daquela região não é um tratamento para a celulite, mas nós diminuímos um pouco aquele compartimento que está com excesso de tecido gorduroso. Sim, pode dar uma melhorada.

Quando tem celulites locais, localizada, ou seja, nós temos um, dois, três buracos que estão sendo mais visíveis na pele; nós podemos fazer um tratamento mais localizado, por exemplo, soltando aquele septo que está fazendo, digamos, o buraco.

Nós chamamos isso de subcisão.

É uma pequena lâmina, como se fosse uma lâmina de bisturi, que nós passamos por baixo da pele para soltar aquele segmento de septo para deixar a pele mais regular.

Guilherme: Certo, entendi.

Dr. Deivis Albers: Deu para entender?

Guilherme: Sim!

Roney: Deu para entender, sim, doutor. Muito boa a explicação, bem elucidativa, eu acho.

Guilherme: Então acho que ficou claro que uma dieta low-carb, ou uma dieta que leve à perda de peso, à perda de gordura corporal, não vai piorar a celulite.

Ela pode, sim, causar o aumento da flacidez, que é uma das perguntas das pessoas: “A low-carb vai dar celulite ou vai combater?”. É uma das perguntas que nós recebemos.

Dr. Deivis Albers: Celulite, com certeza, não tem como acontecer se a pessoa está fazendo uma alimentação low-carb ou até uma estratégia com jejum intermitente associada, enfim.

E sim, ela pode estar apresentando um certo grau de flacidez.

Porém, eu tenho notado que muitas pacientes que fazem essa estratégia de perda de peso através da low-carb, ou principalmente com o jejum intermitente; não têm uma flacidez tão grande quando comparada com uma dieta, por exemplo, padrão, com restrição e aumento de gasto através de exercícios.

Por quê?

Na verdade, quando nós fazemos uma alimentação low-carb bem adequada, nós acabamos tendo uma boa alimentação, uma boa fonte de comida de verdade, então isso é fundamental para nós evitarmos uma flacidez.

Nós precisamos ter uma alimentação que tenha um maior aporte, digamos assim, principalmente de proteínas.

Por quê? Porque a proteína serve como matriz para o colágeno.

O colágeno, digamos assim, é a proteína responsável, junto com a elastina, pela firmeza da pele.

Então, se tu tem uma alimentação rica em proteínas, principalmente ainda, digamos assim, rica em tutano, cartilagens, enfim, existe uma concentração maior de colágeno naquela região, naquele pedaço de carne, e aí serve como uma matriz para tu ter um aporte adequado de colágeno.

E isso é importante porque nós vamos perdendo colágeno com o passar dos anos.

Se nós formos ver, nós temos um pico entre os 20, 30 anos e depois é ladeira abaixo, nós vamos perdendo colágeno com o passar do envelhecimento natural.

Então se nós tivermos um aporte adequado de proteína, é interessante.

Então muitas pacientes dizem: “Ah, mas vale a pena a gente então tomar aquelas cápsulas de colágeno hidrolizado que eu encontro na farmácia?”.

Eu digo: “Olha, se tu está fazendo uma alimentação adequada, rica principalmente em boas proteínas, se a gente não tem mais como aumentar, mas manter por volta de 20, 25% ali da tua ingesta, tu já está resolvendo. Porque o colágeno que tu for ingerir por forma de cápsulas não quer dizer que ele vai se depositar na pele”.

Porque o colágeno nada mais é do que uma proteína.

Para ela ser absorvida, ela tem que ser reduzida em aminoácidos, absorver o aminoácido que tem na proteína, então se tu tiver um estímulo naquele local, por exemplo, um tratamento coadjuvante naquela região da pele para estimular localmente aquela produção de colágeno ali, bom.

Se tu está fazendo uma alimentação adequada, aquele colágeno vai ter, digamos, um direcionamento para se depositar na pele.

Além disso, é importante nós termos uma alimentação rica em Vitamina C, Vitamina E, Vitamina A, que são todos, digamos, importante para nós termos uma melhor formação da matriz dérmica do colágeno, que é responsável pela firmeza da pele.

E aí vem o outro lado: é importante também, que em uma alimentação low-carb, nós acabamos notando que a paciente evita, digamos assim, inflamação maior no corpo.

A gente sabe que focando em alimentos de verdade, com menos alimentos inflamatórios, a gente acaba diminuindo a inflamação corporal, que é importante também porque a inflamação corporal é dano. É dano para a pele.

Então se nós pegamos, por exemplo, uma exposição exagerada ao sol, nós temos um dano actínico, que nós chamamos, que é um dano causado por exposição aguda ou crônica ao sol e vai levar a uma perda ali daquela… um envelhecimento cutâneo mesmo.

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Além disso, se nós acabamos consumindo, por exemplo, alimentos ricos em óleos vegetais, nós sabemos que esses alimentos então são inflamatórios.

Então fazendo uma alimentação com menos óleos vegetais, mais gorduras boas, menos gorduras trans, focando no equilíbrio entre Ômega 3 e Ômega 6, evitando fumo, tabagismo…

Isso também tem estudos mostrando que em gêmeos, que a pessoa exposta ao tabagismo e o outro não, tem uma diferença gritante assim, em termos de idade cronológica da pele em si.

O estresse também.

Se a gente procurar controlar melhor o nosso estresse cotidiano, a gente acaba evitando mais radicais oxidativos… tudo isso é importante levar em conta.

E o que eu tenho notado é que a low-carb acaba levando a uma perda gradativa de peso, diferente, por exemplo, se a pessoa faz uma cirurgia bariátrica.

A cirurgia bariátrica então corta um pedaço do estômago, ou faz um desvio intestinal, enfim, e a pessoa começa a perder peso muito rapidamente.

Primeiro por repressão: ela não consegue comer a quantidade que ela comia antes; e às vezes por má absorção.

E aí essa perda de peso é muito gigantesca.

Às vezes em três meses a pessoa perde 20, 30 quilos.

E aí acaba que a pele não consegue se acomodar de uma maneira adequada e nós vemos flacidez gigantescas nos pacientes que acabam se submetendo a uma cirurgia bariátrica.

Diferente da paciente que faz uma alimentação com um plano de perder peso mais gradual, e aí a pele consegue ir se acomodando com o passar do tempo.

E nós temos alguns estudos, assim, mostrando alguns indícios de que o jejum, através da produção, digamos, de hormônios – seja com o aumento da produção do GH, principalmente, ou noradrenalina, enfim – faz com que tenha uma preservação das proteínas.

Então, na verdade, tu fazendo um jejum junto com a low-carb, tu acaba perdendo menos massa muscular, perdendo menos proteína, perdendo menos colágeno; e com isso, tendo uma pele melhor, com menos flacidez.

Com a fisiologia, fisiopatologia, enfim, não está muito claro isso se é realmente o GH, enfim, ou se seria através da apoptose celular (morte da célula), que nós sabemos hoje que isso tem relação principalmente em uma pesquisa em ratos com longevidade, que nós não podemos extrapolar para seres humanos, mas será que é o elixir da juventude?

Guilherme: Nós podemos especular, ?

Dr. Deivis Albers: É, existe uma especulação, mas na verdade é muito difícil tu fazer um ensaio clínico randomizado para ver isso, mas especulação existe.

Guilherme: Sim.

E vai que as pessoas, de fato, fazem igual ao ratinho e vivem 30% a mais?

Vai ter que durar quanto tempo esse estudo para nós termos esse desfecho, ?

Dr. Deivis Albers: É! Essa é a grande dificuldade.

Então… outra confusão, assim, eu vejo muitos… eu vejo isso praticamente todo dia: “Doutor, mas então eu vou fazer academia, vou fazer musculação, vou aumentar a minha atividade física para corrigir a minha flacidez da pele”.

Na verdade uma coisa não tem muito a ver com a outra.

Se a gente pegar as camadas, temos a pele – naquela subdivisão que eu falei: epiderme, derme e subderme, que é tecido adiposo – abaixo disso, a gente tem a musculatura e abaixo do músculo, o osso.

Então assim, o músculo, se hipertrofiar, não tem muita relação com a pele lá em cima, certo?

Mas o que nós sabemos é o seguinte (e isso é fundamental): se tu queres ter um corpo mais bonito, mais esbelto e ocupar aquele espaço que tu perdeu de gordura, a construção muscular é fundamental.

Então, exercícios de força — hoje popularizados com o HIIT, treino funcional, CrossFit, e outros — auxiliam na construção de massa muscular.

Sendo que é positiva a formação de músculos — e também tem gordura intramuscular, ?

Tem naquela camada, mas nós temos também dentro do músculo.

Então se tu perder gordura e tu aumentar o volume muscular, digamos que tu vai preencher aquela pele que está flácida.

Como se tu fosse ocupar o espaço vazio que tu perdeu com a alimentação.

E hoje também têm muitos estudos mostrando que essa atividade física mais funcional, com HIIT, enfim… fazer musculação mesmo, em vez de apenas atividade aeróbica, nós conseguimos fazer uma troca, digamos assim, da gordura amarela, que é uma gordura praticamente de depósito, que só serve para inflamar; por uma gordura marrom, que é uma gordura que é termogênica, que ajuda a manter o peso.

E existem diversos mecanismos para explicar, mas como o Doutor Souto sempre fala: “A realidade tem primazia sobre os mecanismos”.

Mas se a gente for ver os estudos mostram que, de repente, a gente tem um estímulo até da citrulina — que é uma enzima estimulada pelos exercícios e ela está também relacionada com longevidade em ratos.

Então isso tudo é muito especulativo, é muito especulativo.

Porém, se nós focarmos basicamente nisso: fizermos uma alimentação com mais comida de verdade, mais low-carb… e eu até gosto do termo normal carb.

O low-carb acaba muitas vezes tendo até um certo preconceito, ficou meio “moda”, então eu digo: “Vamos fazer uma alimentação mais normal carb”, focando em proteínas, em vitaminas…

Nós fazermos uma atividade física, não com o intuito de perder peso, e sim, com o intuito de preencher aquele espaço que nós vamos perdendo de tecido gorduroso para a pele não ficar flácida.

Nós diminuirmos o processo inflamatório — com menos estresse; menos tabagismo; comendo comida saudável; não exagerando em bebida alcóolica, enfim; fazer, de repente, junto, uma estratégia semanal de jejum para estimular um pouco o GH, se isso ou não relação com preservação da massa muscular – quem sabe? – mas eu acho que vale a pena para nós diminuirmos sim a flacidez…

E se com tudo isso, ali, se instalou uma flacidez… lógico, se tem tratamento, nós podemos indicar.

Têm tratamentos que nós chamamos de locais, se a paciente tem uma flacidez localizada, às vezes em uma coxa, na parte interna do braço, na parte interna da coxa… são locais que não têm muita fibra de colágeno, então acaba tendo mais flacidez nessas regiões.

Se a gente for ver onde tem bastante concentração de fibras de colágeno, a gente acaba não tendo grande flacidez — as costas, por exemplo, nós temos uma derme muito grossa, espessa, com bastante colágeno… então é difícil ter flacidez nessas regiões.

Já em área que têm menos fibras de colágeno, actina, por exemplo, a parte interna dos braços, das coxas, são lugares que podem ter mais flacidez.

E assim valem tratamentos, por exemplo, nós podemos citar radiofrequência – que é um tratamento estético, digamos assim, com um equipamento para tentar estimular, digamos assim, a formação de nova fibra de colágeno ali pelo fibroblasto que produz o colágeno.

Existem também os tratamentos também chamados de IPCA, que é uma indução percutânea de colágeno por agulhas.

Popularmente ele ganhou o nome de roller porque é um rolo, na verdade, com diversas agulhinhas de espessuras de 0.1, 0.2 milímetros até 2 milímetros, digamos, de tamanho, que pode penetrar então na pele e fazer uma estimulação na camada de derme.

E essa estimulação produzir mais colágeno nessa região.

Além dos bioestimuladores, que são injetáveis.

Existem medicamentos que a gente aplica embaixo da pele, normalmente na derme, então citando tem a hidroxiapatita de cálcio, tem o ácido poliláctico… são tratamentos para estimular, digamos, a formação do colágeno da paciente.

Existe a carboxiterapia, que é um outro tratamento, com gás carbônico, que você injeta debaixo da pele também com o intuito de estimular uma melhor oxigenação e uma melhora do colágeno.

Dos que eu me lembro… tem infravermelho também…

E têm os tratamentos cirúrgicos.

Se nós formos ver… existe uma paciente que já teve duas gestações, esticou aquela barriga bastante para acomodar o neném no útero, enfim, isso acaba levando a uma flacidez grande daquela região, principalmente se teve uma ruptura daquela camada da derme com o aparecimento de estrias.

Então, se a região do abdômen está muito flácida, não tem muito tratamento local diferente a fazer — e aí está, sim, indicado uma plástica, que nós chamamos de abdominoplastia.

E aí nós acabamos corrigindo, com essa cirurgia, os três fatores que normalmente causam uma perda do contorno corporal, que são:

  1. o excesso de pele,
  2. a camada gordurosa (se existe um acúmulo ainda, pode ser removida com uma lipoaspiração), e
  3. a diástase muscular, que é quando tem um afastamento dos músculos retos, que acomodou o crescimento do útero.

Então nós acabamos, com a abdominoplastia, conseguindo reparar; fazendo uma sutura, uma aproximação novamente desses retos abdominais e, com isso, consegue uma melhora do contorno corporal dessa região.

Roney: Caramba, muito legal!

Acho que ficou muito completo, abordou várias questões que nós já tínhamos pensado em perguntar até, e acho que você conseguiu abordar tudo, Deivis.

Muito boa explicação.

Então, eu acho que para tentar resumir aqui rapidamente, nós podemos dizer que ter uma boa ingestão de proteínas e, juntamente, uma dieta com menos coisas processadas, uma dieta low-carb e fazer um jejum intermitente; e até mesmo alguns treinos de academia, podem ajudar a combater a flacidez.

É isso mesmo, Deivis?

Dr. Deivis Albers: Com certeza.

Roney: E nesse ponto a gente — a gente está falando bastante na flacidez — mas esses fatores também ajudam com relação à celulite também?

Dr. Deivis Albers: Com certeza, com certeza!

Na verdade, tu acaba combatendo indiretamente a flacidez, prevenindo que tenha uma flacidez muito grande; mas é um dos tratamentos padrão para celulite.

Tudo isso que nós acabamos de falar.

Roney: Perfeito.

E com relação ao colágeno, você falou bastante, na verdade pelo que eu entendi, é mais importante a quantidade total de proteína do que a pessoa focar só no colágeno, ?

Dr. Deivis Albers: Com certeza porque existe uma quantidade que nós conseguimos absorver.

Se nós formos comer colágeno, mesmo que seja hidrolisado, ou seja, ele já vem parcialmente digerido, digamos assim, para facilitar a absorção.

Mas se tu ingerir mais do que a quantidade que tu consegue absorver, na verdade você vai passar tudo para as fezes, ? Vai fazer um cocô bem proteico.

Roney: Risos.

Perfeito.

E uma outra, eu acho que é uma curiosidade, na verdade, que não tem tanto a ver com celulite e flacidez; mas tem bastante a ver com a sua área de cirurgia…

Muitas vezes nós ouvimos falar que alguns alimentos devem ser evitados depois da cirurgia, como por exemplo, ovo, outros alimentos gordurosos – se não me engano se fala bastante também de carne de porco.

É verdade essa informação? Realmente existem alimentos que devem ser preferencialmente evitados após a cirurgia ou isso é mais algum tipo de mito?

Dr. Deivis Albers: Com certeza acaba entrando na categoria mito.

Isso se perpetua passando, digamos, de médico para médico e acaba não parando para pensar…

Se tu vai fazer uma cirurgia que envolve, normalmente, mexer no trato digestivo, se inicia realmente uma alimentação mais líquida, normalmente; depois passa a ser pastosa, enfim, digamos com o intuito de não causar náuseas, enfim…

Mas se a paciente está se sentindo bem, não mexeu no trato gastrointestinal… porque um dos problemas principais que nós vemos no pós-operatório, em cirurgia não só plástica, o que retarda a alta da paciente para a casa é, muitas vezes, as náuseas, os vômitos no pós-operatório, devido as medicações que foram usadas para aliviar a dor, para fazer a sedação, enfim.

Isso já melhorou muito.

Hoje nós notamos que a paciente faz um procedimento cirúrgico e em três, às vezes, quatro horas recuperando ali no hospital já pode ir para a casa.

Então eu estimulo, na verdade, uma alimentação mais proteica.

Eu digo para essas pacientes que se elas estão se sentindo bem, eu procuro evitar aquela alimentação padrão ali, de só água e bolacha Maria.

Eu procuro ver se a paciente está indo bem, se ela não tem muita sensação de náusea, vômito; uma alimentação rica em vitamina e proteína vai te ajudar na recuperação.

Então eu procuro dizer para ela que não é o momento de ela fazer dietas mirabolantes e, sim, focar na sua recuperação adequada.

Roney: É engraçado que se fala para evitar alguns tipos de alimentos, mas justamente os que são recomendados, ou os que são fornecidos nos hospitais, são justamente alimentos que são pró-inflamatórios: muitos farináceos, coisa com glúten, açúcar… que na verdade esses sim deveriam ser evitados, não só no pós-operatório.

Dr. Deivis Albers: Até acho que um dos fatores, justamente, é a facilidade de estocar esses alimentos, enfim… porque se a gente for ver, não tem embasamento científico nenhum fornecer esses alimentos, ?

É geleia, basicamente, que é só açúcar; às vezes manteiga/margarina e um pedaço de bolacha ou pão. Normalmente é isso que eles oferecem.

Guilherme: É meio que uma coisa que “sempre foi feito assim”, então pode parecer que não tem muito espaço para questionar. Mas ainda bem que hoje em dia está tendo cada vez mais esse diálogo a respeito da comida de verdade.

Deivis, nós percebemos que você é um cara que se preocupa com a saúde e estuda bastante, então fala um pouco de hábitos saudáveis  que você tem no seu dia a dia e que você acha que são adições interessantes para o pessoal.

Você tinha mencionado antes, é claro, comida de verdade e os treinos com uma característica mais de força, ou de HIIT…

O que você faz no seu dia a dia?

Dr. Deivis Albers: Olha, eu normalmente, digamos assim, há uns quatro anos, que eu conheci a alimentação low-carb, eu acabo fazendo jejum intermitente sempre pela manhã porque eu não tenho fome de manhã, então eu acho mais prático.

As cirurgias normalmente, a grande maioria, começa cedo – em torno das 07h00, 07h30 da manhã – então eu prefiro dormir um pouquinho mais, acordar, tomar um expresso e trabalhar.

Então, no meu dia a dia eu acabo fazendo praticamente todos os dias um jejum intermitente porque eu faço só duas refeições ao dia: o almoço (que, não necessariamente vai ser meio-dia porque depende do número de cirurgias da agenda); e a janta, que é a refeição que normalmente eu faço em família.

Nós acabamos cozinhando em casa e eu tenho um filho de sete anos que acaba jantando conosco na mesa.

Atividade física eu gostaria de fazer mais do que eu faço. Eu consigo fazer, normalmente, dois ou três treinos na semana.

Para otimizar o treino eu realmente uso uma estratégia, digamos, de musculação com HIIT, com peso livre.

Às vezes o meu filho vai junto para a academia, ele me cobra: “Pai, hoje nós vamos para a academia?”.

Guilherme: Que legal!

Dr. Deivis Albers: E às vezes eu utilizo ele como peso! Eu uso ele como peso!

Pego ele, que deve ter uns 27, 28 quilos e aí o levanto para fazer ombro, para fazer prancha…

Às vezes ele sobe em cima e faz surf em mim. E aí a gente tem uma meia hora de convívio bem interessante.

Basicamente é isso.

Faço uma alimentação em que evito, realmente, alimentos processados.

Eu tenho, na verdade… eu descobri uma Tireoidite que não chega a me dar disfunção ainda, completa, da tireoide. Eu tenho um T3 e um T4 um pouco baixo, um TSH ligeiramente elevado. Mas não me sinto cansado, indisposto.

E, com isso, eu procuro evitar o glúten.

Nós sabemos que não tem, digamos, nenhum estudo mostrando, mas eu me sinto melhor evitando o glúten.

Se isso gera ou não uma resposta imunológica na tireoide, eu não sei, mas eu acabo evitando pelo bem-estar que me traz se eu não o como.

Guilherme: Ah, legal!

E acho que foi legal essas duas coisas que você pontuou, tanto essa questão de que você se sente melhor — porque às vezes a gente começa a se interessar por esse mundo baseado em evidências, mas esquece que a gente colhe evidências, colhe o resultado das nossas ações no dia a dia.

Então se você se sente melhor fazendo isso, não precisa esperar um estudo para tomar o controle da sua dieta.

E outra coisa que eu achei muito legal foi você falando da refeição com o seu filho e da academia também porque nós sabemos que com certeza bons momentos com pessoas de que nós gostamos é uma coisa que contribui para a saúde e longevidade e felicidade, no geral, então é muito bacana.

Acho que isso está incluso nos hábitos saudáveis!

Dr. Deivis Albers: Sim, com certeza!

Ele acabou… ele está com sete anos agora e acabou pegando toda essa minha fase de estudo low-carb… então em casa, na verdade, nós não expomos-lhe a refrigerante, bolachas, enfim, então ele acabou se habituando.

Ele tem um paladar bem apurado. Ele acaba gostando de chocolate mais amargo… ele nunca toma refrigerante, nem suco!

Ele só toma água com gás ou água natural, enfim.

Claro que criança é controle de danos… ele come arroz, come massa, enfim, mas se nós formos ver comparado ao que eu fazia na minha infância é completamente diferente!

Roney: Com certeza!

É bom já começar desde pequeno assim, até porque é mais fácil você já começar controlado do que basear a sua alimentação em porcaria e depois ter que tirar isso de uma hora para outra, quando surgir um problema de saúde.

Deivis, muito legal a entrevista aqui!

Nós já estamos chegando na parte final. Nós queríamos saber se você tem alguma mensagem para deixar para o pessoal que nos ouviu até aqui!

Pode falar o que você quiser, pode ser uma dica, qualquer coisa.

Dr. Deivis Albers: Olha, é o que eu sempre falo para todos os meus pacientes: eu acho que a estratégia, a alimentação low-carb não é para todo mundo, mas se ela tem interesse em manter um peso estável, não se preocupar muito se está engordando ou emagrecendo; se ela focar em comida de verdade, eu acho que isso é o primordial.

E aí ela consegue ter um controle perfeito não só do peso em si, mas também de qualidade de vida, ?

Roney: Sim, perfeito, perfeitamente, Deivis.

Agora você pode deixar as suas mídias sociais para quem quiser acompanhar mais o seu trabalho? Pode deixar também o seu blog, que nós vamos deixar todos os links aqui na descrição também.

Dr. Deivis Albers: Eu tenho uma página, basicamente o foco é Cirurgia Plástica, então é o meu nome e sobrenome www.deivisalbers.com.br e tem um perfil no Instagram, que é o @deivisalbers e no Facebook Dr. Deivis Albers.

Guilherme: Show! Bem direto, bem facinho de achar!

Mas nós vamos deixar os links também para facilitar para o pessoal.

E, Deivis, muito obrigado pelo seu tempo, pelas explicações!

Eu acho que em um tempo bem curto nós conseguimos tirar vários mitos e explicar algumas diferenças importantes.

Porque é muito legal nós termos a palavra de alguém que entende para caramba como você, para parar com a tal conversa de comadre de: “Ai, isso dá celulite! Jejum dá celulite! E colágeno…”.

Enfim, as pessoas, muitas vezes, esses mitos, boatos se espalham facilmente, então é muito bom ter um recurso como essa entrevista com você para nós apontarmos para as pessoas e falar: “Ó, aqui está um cara que sabe, ele explicou tudo direitinho”.

Obrigadão!

Dr. Deivis Albers: Tá certo! Eu que agradeço!

Estou à disposição! Precisando, é só me chamar!

Roney: Muito obrigado, Deivis!

Nós também! Precisando de alguma coisa aí, é só falar conosco!

E também nós gostaríamos de agradecer quem nos escutou até aqui, escutou essa entrevista maravilhosa inteira.

E se você gostou da entrevista, deixe a sua avaliação cinco estrelas lá no iTunes, deixa o seu comentário. Isso é muito importante para nós e ajuda o podcast a crescer cada vez mais!

Guilherme: É isso aí!

Então, Tanquinho e Tanquinha, depois dá um “oi” para o Deivis, ele vai gostar de saber que você ouviu o podcast, deixa a sua avaliação e nós nos vemos na semana que vem.

Um forte abraço

Guilherme e Roney: Do Senhor Tanquinho.

Guilherme: Você acabou de ouvir mais um episódio do podcast do Senhor Tanquinho.

Roney: Não deixe de se inscrever para não perder nenhum episódio com os maiores especialistas para a sua saúde.