Podcast #063 – Rins, Saúde Renal, E Alimentação, com Dr. Flávio Barros

A doença renal crônica atinge mais de 20 milhões de brasileiros — e consome cerca de 10% do orçamento de saúde pública do nosso país.”

“Quando agimos na raiz da resistência à insulina, resolvemos três coisas de uma única vez: pois esse estilo alimentar ajuda no diabetes, ajuda na pressão alta e ajuda na obesidade.”

“Muitas pessoas dizem que morreriam pelos seus filhos, mas não cuidam de sua saúde. Não se lembram de quantos anos de vida podem perder por terem cuidados inadequados com a maior beleza da vida — que é a saúde.”

Foi difícil escolher uma frase só para destacar desta incrível entrevista.

(A bem da verdade, já foi difícil limitar a apenas três.)

Isso porque, no episódio de hoje, contamos com o médico nefrologista Dr. Flávio Barros.

E ele, que aceitou nosso convite para falar sobre a saúde renal, acabou compartilhando conhecimentos que vão muito além desse assunto.

Mostrando uma preocupação intensa com a saúde pública no Brasil, com a retribuição e atenção de que muitas comunidades carecem, e com a divulgação da ciência para atingir esses objetivos.

Sem jamais esquecer do cuidado e do zelo em cada interação que tem com seus pacientes.

Esses admiráveis valores transparecem ao longo de toda a entrevista — e nos deixam felizes e honrados por podermos compartilhar com você os conhecimentos do Dr. Flávio Barros.

Por isso, nossa recomendação fortíssima é de que escute ou leia a entrevista por completo.

Porque, desta maneira, você vai aprender tudo sobre:

  • como a paixão por conversar com o paciente o levou a se interessar por alimentação,
  • quão preocupante é o estado da saúde renal no Brasil,
  • os dois tipos de diálise que são utilizados,
  • por que a doença renal crônica é considerada uma doença silenciosa,
  • como cuidar da saúde dos seus rins,
  • qual a relação da dieta low-carb com a saúde dos seus rins,
  • será que comer muita proteína faz mal para os rins?,
  • as 3 frentes em que a low-carb pode salvar seus rins,
  • quais os 5 estágios da saúde renal (em qual você se encontra?),
  • como saber se os seus rins estão saudáveis,
  • quais são os 5 grupos de risco para doença renal crônica,
  • qual é o exame básico para você avaliar como anda sua função renal,
  • a verdade sobre pedras nos rins (cálculos renais) e como prevenir esse doloroso problema,
  • quais os outros problemas comuns que acometem os rins e como preveni-los,
  • por que o Dr. Flávio deve sua esposa e sua filha à nefrologia,
  • quais os bons hábitos que você pode aprender com o Dr. Flávio Barros (e por que ele cultiva o minimalismo),
  • qual a mensagem importante que você deveria levar,
  • por que cuidar de você pode te levar a mais tempo com seus filhos,

e muito, muito mais.

Escute a entrevista toda no áudio abaixo.


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Você pode acompanhar o trabalho do Dr. Flavio Barros:

A transcrição completa do episódio está disponível abaixo.

Transcrição Completa Do Episódio Com Dr. Flávio Barros

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Guilherme: Olá, Tanquinho! Olá, Tanquinha! 

Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast. E hoje temos conosco o Dr. Flávio Barros. Tudo bom, Flávio?

Flávio Barros: Tudo bem, Tanquinho! Tudo bem, Tanquinha! 

É um prazer e uma alegria estar aqui com vocês nesses podcast que acompanho e aprendo muito… 

Escutando e vendo  as informações que vocês e outros excelentes profissionais divulgam — as quais são extremamente úteis e que grande parte da população precisa ter acesso. 

Roney: Que legal Dr. Flávio. Também é um prazer para nós ter você aqui conosco.

E também é um prazer ter todos nosso ouvintes que estão nos acompanhando agora. Então vamos começar apresentando, né? 

Quem é o Dr. Flávio Barros e como surgiu o seu interesse pela área médica?

Quem É O Dr. Flávio Barros

Flávio Barros: Eu sou um médico maranhense, tenho 10 anos de formado.

Fiz minha formação médica no Norte do país, em Tocantins, e residência médica em São Paulo capital — tanto a Clínica Médica no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo quanto a Nefrologia no Hospital do Servidor Estadual de São Paulo. 

Então tive a oportunidade de fazer a residência médica em grandes hospitais de São Paulo e voltei para meu estado natal, Maranhão, há 6 anos. 

E aqui trabalho bastante, tanto em ambiente hospitalar quanto em ambiente ambulatorial. 

E quando comecei a faculdade, voltando lá atrás, eu acredito que quando temos 18 anos somos muito jovens para escolher uma formação com certa segurança, e realmente não tinha a compreensão do que era a Medicina, mas tinha aquele sonho de ser médico dos nossos pais. 

Mas confesso para vocês que não era aquele sonhador em fazer medicina desde a minha adolescência. 

Tive uma influência dos meus pais que queriam que eu fizesse medicina, porém, graças a Deus, tive o dom de me achar na profissão de médico e, posteriormente, escolher as especialidades corretas (Clínica Médica e Nefrologia). 

Nunca  tive nenhuma intenção em ser cirurgião ou esse perfil de centro cirúrgico.

Sempre tive o perfil de conversa com o paciente, da investigação clínica, de uma conversa de modo mais calmo, olhando o paciente frente a frente, para termos resultados mais consistentes a longo prazo num atendimento clínico. 

Como Está A Saúde Renal No Brasil

Guilherme: Você mencionou “olhar o paciente frente a frente”, a clínica médica e a nefrologia… E como surgiu a ponte para que você começasse a se interessar mais por alimentação?

Flávio Barros: Não sei se vocês sabem, mas qual a ideia que vocês possuem frente ao atual estágio em relação a doença renal na saúde pública? Vocês tem ideia de quão grave é esse problema?

Guilherme: Não temos. Você poderia nos explicar?

 

Flávio Barros: O principal problema que temos hoje na nefrologia é com relação a doença renal crônica. 

São aqueles paciente que, nas fases avançadas da doença renal, vão precisar de uma diálise ou de um transplante renal, esse é o grande problema. 

As últimas estimativas do IBGE apontam que cerca de 10% da nossa população têm algum grau de doença renal  crônica (o Brasil possui cerca de 210 milhões de habitantes), e isso é gravíssimo em termos de saúde pública. 

Cerca de 10% da nossa população têm algum grau de doença renal crônica.”

Para que o público leigo entenda, classificamos os pacientes como doentes renais crônicos quando as funções renais estão abaixo de 70%. 

E quando os rins ficam nessa faixa de funcionamento, temos a tendência de eles ficarem sobrecarregados. 

Naturalmente perdemos parte da função renal com o tempo. Entretanto, quando chegam numa faixa de funcionamento abaixo de 15-10% necessitamos enviar esses pacientes para diálise. 

Temos dois tipos de diálise.

A hemodiálise é a mais conhecida e utilizada no Brasil, cerca de 90% dos pacientes utilizam essa técnica, que é aquela realizada através de uma máquina, pela qual o sangue é filtrado. 

E 10% dos pacientes que fazem diálise no Brasil utilizam a diálise peritoneal, menos conhecida, e que é feita em regime domiciliar através de um cateter na barriga. 

Infundimos um líquido na barriga do paciente, o qual permanece por um período de tempo, e posteriormente retiramos. 

Assim, fazemos diversas trocas ao dia para que através dessa filtração e limpeza possamos substituir as diversas funções dos rins. 

Como disse, 10% da população têm algum grau de doença renal, cerca de 20 milhões de pessoas. 

E o grande problema disso é que as estimativas apontam que apenas 30% dessas pessoas têm conhecimento dessa situação e desse diagnóstico. 

Para que tenhamos ideia, a doença renal crônica consome cerca de 10% do orçamento de saúde pública do nosso país.

E o mais grave, a grande maioria dos pacientes — como poucas pessoas sabem desse diagnóstico — são olhados no pronto socorro sem qualquer aviso prévio. 

O paciente chega no hospital com sintomas que indicam mau funcionamento renal como náuseas, gosto amargo na boca, perda do apetite, inchaço nas pernas, líquido nos pulmões, anemia, palidez, cansaço…  

E todos esses são sintomas que indicam avanço da doença renal crônica. 

Então, boa parte dos pacientes procuram os prontos socorros com esses sintomas sem saber que estão correlacionado com os rins, e acabam tendo a notícia que seus rins não funcionam mais e que é necessário a realização de diálise e/ou transplante renal. 

E, nessas situações, a vida vira de cabeça para baixo:  porque o paciente e a família não tiveram tempo de se prepararem. 

Por isso, consideramos a doença renal crônica uma doença silenciosa e um grave problema de saúde pública em nosso país e no mundo. 

Cada vez mais temos pacientes com doença renal crônica, e enquanto não mudarmos a chave para prevenção e para o diagnóstico precoce, buscando preservar os rins dessa pessoas ao máximo, evitando ou adiando a necessidade de diálise, não vamos estar no caminho mais adequado em termos de saúde pública e saúde privada. 

Então costumo dizer que a doença renal crônica não é um problema meu, não é um problema de vocês, mas sim um problema de todos nós. 

É um problema da saúde pública, da saúde privada e também das famílias. 

Isso é muito importante dentro da saúde do nosso país e não temos como mudar esse cenário se não for pela educação em saúde, o que chamamos de letramento em saúde, que consiste nas pessoas terem acesso a informações adequadas sobre como cuidar da saúde. 

Porque a principal chave que temos para cuidar da nossa saúde e dos nossos rins é o cuidado próprio que a gente tem com a saúde.

Não é o profissional da saúde que irá mudar o destino da saúde pública na grande maioria das vezes — mas sim o conhecimento que a população tem sobre alimentação saudável, estilo de vida e outras coisas mais que possam influenciar no quadro clínico e na saúde das pessoas mais a frente, que é quando pagamos o preço por um estilo de vida ruim. 

Esse é basicamente o problema da doença renal crônica, e quando falamos de causas de doença renal, cerca de 70-75% dos pacientes são diabéticos e/ou hipertensos — e sabemos que a obesidade caminha junto com essas duas situações,  o que chamamos de síndrome metabólica por exemplo. 

Atualmente no Brasil, cerca de 60% das pessoas, segundo o último Vigitel —  questionário telefônico aplicado pelo Ministério da Saúde nas capitais — estão acima do peso. 

Isso é muita coisa, é um número realmente absurdo. 

Cerca de 20% das pessoas aqui no Brasil estão obesas. 

E quanto desses não são diabéticos? 

Quanto desse não são hipertensos? 

Quanto desses não estão acima do peso? 

Quanto desses não tem resistência a insulina, gota, gordura no fígado (esteatose hepática), síndrome metabólica, Alzheimer? 

Então, enquanto não virarmos a chave e não divulgarmos informações para quem realmente precisa, não iremos conseguir mudar esse tipo de situação. 

Dieta Low-Carb E Saúde Dos Rins

Roney: Perfeito, Flávio!

São números e informações alarmantes que a maioria das pessoas não conhecem: nem os números, nem os problemas que as doenças renais podem trazer — e é uma doença silenciosa, como você bem falou.

Assim, indo para o começo disso tudo, como surgiu seu interesse por uma alimentação low-carb? 

Imagino que esse tipo de alimentação não seja tratado na maioria das faculdades de medicina

E depois, mais para frente, iremos falar de dieta low-carb com relação aos rins. 

E nesse sentido, você poderia falar se esse tipo de alimentação pode ajudar ou prejudicar os rins de alguma maneira. 

É uma dúvida muito comum que recebemos. 

Flávio Barros: Minha história na low-carb, cetogênica, jejum… 

Enfim, nesse estilo de vida que pregamos para boa parte dos pacientes começou há pouco mais de um ano. 

Via ao longo dos anos em que tratava meus pacientes, que muitos evoluíam para a doença renal crônica. 

Era difícil para os pacientes perderem peso, controlarem pressão alta e diabetes.

Para que tenhamos ideia, cerca de 70% dos diabéticos no nosso país estão fora de controle. 

Mesmo havendo um aumento nos gastos feitos com medicações por parte do Ministério da Saúde e um aumento no acesso às mesmas, conseguimos controlar apenas 30% dos pacientes com diabetes, em especial aqueles com diabetes tipo 2 — oriundo de um estilo de vida ruim e uma alimentação inadequada rica em carboidratos refinados.

Sabemos muito bem o quanto houve um aumento no número de pacientes diabéticos na última década, especialmente a partir da década de 80 até a atualidade, em que esse número cresceu mais de quatro vezes. 

Isso é muita coisa, e é incrível o que estamos vendo acontecer nas últimas décadas com a saúde da nossa população. 

A nossa população está ficando cada vez mais doente…  está chegando aos 40-60 anos com diversas doenças crônicas, sendo estas conhecidas como doenças da modernidade como, por exemplo, gota, hipertensão, diabetes, esteatose hepática e outras mais. 

Então sempre via isso acontecer no meu consultório e tive uma luz quando vi o Instagram do meu colega nefrologista, José Neto, de Minas Gerais, e diretor científico da Sociedade Mineira de Nefrologia

Entrei em contato com ele e disse o seguinte.

 “Neto, me mostre o caminho. Estou achando muito bacana o trabalho que você realiza nas redes sociais.”

E ele, sempre muito atencioso, me atendeu e me indicou diversos livros. 

E isso de lá para cá virou uma paixão tanto na minha vida pessoal quanto na minha vida profissional. 

Tenho muito mais prazer em trabalhar hoje e tentar mudar o estilo de vida dos pacientes, tentando quebrar paradigmas como o medo em relação ao consumo das gorduras saturadas e o medo do sal

Então temos diversas situações que necessitamos quebrar alguns paradigmas, e isso é trabalhoso. 

E para que possamos envolver os pacientes e as pessoas nessa situação, o trabalho nas redes é muito importante. 

Não podemos deixar de estar presentes nas redes sociais, uma mídia tão importante para que as pessoa possam se informar. 

Então, eu acabei me tornando membro da Associação Brasileira Low-Carb (fundada pelo Dr. Souto e pelo Dr. Rodrigo Bomeny) e estamos nesse movimento, juntamente com diversos outros colegas, para que possamos orientar a população da melhor maneira possível. 

E isso faz muito sentido com relação a doença renal crônica quando uma dieta mais baixa em carboidratos vai ajudar no controle das duas principais causas dessa doença — diabetes, pressão alta e também a obesidade —, agindo na raiz do problema que é a resistência à insulina

Com isso, conseguimos reverter boa parte dos casos de diabetes tipo 2.  

Já temos estudos demonstrando que 90% desses pacientes não irão necessitar de insulina. 

Cerca de metade deles vão conseguir reverter a doença, deixando de usar remédios — então vão ter mais saúde e vão economizar aquele dinheiro do remédio. 

A nossa saúde pública vai sair ganhando, uma vez que ela não consegue suprir as demandas atuais, não dará conta das demandas futuras, enquanto não agirmos na prevenção. 

Muitos pacientes morrem nas UPAs e nos hospitais esperando um leito de hemodiálise.

Muitos ficam meses em hospitais esperando leitos de hemodiálise para que tenham alta e possam voltar ao convívio familiar. 

Jornais mostram isso com uma certa frequência, o tratamento hemolítico no nosso país tem passado por dificuldades. 

Com relação ao transplante, ele é um bom método terapêutico de substituição da função renal que entrega uma melhor qualidade de vida — que não é uma cura, e possui seus riscos — , contudo, temos dificuldade com transplantes e captação de doadores no Brasil. 

Não tenhamos dúvida que o melhor caminho é o da prevenção e o da reversão, seja na tentativa de reversão da diabetes ou na tentativa de usar o mínimo de medicamentos e facilitar o controle da pressão arterial. 

E quando fazemos uma dieta mais restrita como a dieta low-carb, cetogênica ou até aliando o jejum — são doses do mesmo remédio, apenas vamos alterando a intensidade do quanto vamos orientar para o paciente — conseguimos fazer isso de maneira espetacular.

Porque revertemos a gordura do fígado dos pacientes, melhoramos o perfil lipídico (subindo HDL, reduzindo triglicérides e reduzindo inflamação), reduzimos a pressão arterial…

Pois a insulina elevada também age nos rins para além do metabolismo da glicose.

E a glicose elevada é tóxica para todo organismo, inclusive para os rins, nos quais ocasiona a nefropatia diabética. 

Por outro lado, a insulina agindo a nível renal estimula a reabsorção de sódio (sal) e água, fazendo com que as pessoas retenham mais água e tenham, consequentemente, um aumento da pressão arterial. 

Então, quando fazemos uma dieta low-carb em um paciente hipertenso tendemos a reduzir bastante a pressão arterial e o número de medicamentos, sendo fundamental um acompanhamento médico para evitar episódios de pressão baixa (hipotensão). 

Em relação a diabetes, quando realizamos dietas mais baixas em carboidratos, estimulamos menos a produção de insulina. 

Sabemos que dentre os três macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras), o carboidrato é o que mais estimula a produção de insulina, em especial o carboidrato refinado. 

E a indústria é muito esperta nesse sentido, de modo que ela produz alimentos numa mistura explosiva de sal, açúcar e gorduras ruins, que fazem com que nossos mecanismos de fome e saciedade estejam completamente desregulados. 

Desse modo, as pessoas tendem a ter mais fome, maior risco de criarem vício pela comida e acabam comendo de três em três horas

E é uma balela nutricional e estamos dizendo isso nos últimos 70 anos. 

Não há a mínima necessidade de uma pessoa comer a cada três horas. 

Não existe essa história de que o café é a principal refeição diária. 

Para que vocês tenham uma ideia, na década de 70 tínhamos uma média de três refeições diárias e podemos ver pelas fotos dos nossos familiares que dificilmente encontrávamos obesos naquela época. 

E vocês podem até dizer que o motivo seria pela falta de atividade física, mas o problema da obesidade atualmente não é esse. 

A questão é nossa alimentação rica em alimentos processados, industrializados e carboidratos processados.

A atividade física tem seus benefícios, entretanto a alimentação responde pelo grave problema da obesidade, da síndrome metabólica, da diabetes e da hipertensão arterial na grande maioria dos pacientes. 

Não temos dúvida alguma. 

Temos hoje uma média de seis refeições diárias: café, lanche, almoço, lanche, jantar e às vezes assaltamos a geladeira antes de dormir. 

E com isso quebramos um cíclo do estado alimentar e não alimentar. 

Assim,  ao invés de o nosso corpo ter picos de insulina, ele passa a ter a insulina insistentemente elevada. 

E como a insulina é um hormônio anabólico, faz com que estoquemos glicogênio no fígado e esse excesso de energia transforma-se em gordura. 

Nosso corpo não é bobo: como a glicemia elevada é tóxica quando se mantém alta, nosso corpo transforma esses excessos de energia em gordura para que não nos tornemos diabéticos. 

Mas, quando estocamos isso na forma de gordura, iremos gerar mais inflamação, uma vez que os adipócitos secretam citocinas pró-inflamatórias. 

E com mais inflamação teremos mais resistência a insulina, fazendo com que o pâncreas produza ainda mais insulina. 

Então, um exame muito interessante nesse tipo de situação é quando pegamos a insulina em jejum para avaliar o funcionamento do pâncreas. 

Chega um momento que o fígado fica tão desregulado que começa a produzir glicose de forma excessiva e é, por isso, que dosamos insulina em jejum pela manhã. 

E, quando está alta, demonstra a produção excessiva de glicose pelo fígado. 

Então, nessas situações e para que possamos agir na raiz do problema precisamos reduzir os níveis de insulina, que é o hormônio-chefe — o principal responsável por esse processo da obesidade  e da síndrome metabólica. 

Então quando agimos na raiz desse processo, matamos três coisas de uma única vez: pois esse estilo alimentar ajuda no diabetes, na pressão alta e na obesidade. 

Quando reduzimos esse nível de insulina, liberamos o estoque de energia na forma de gordura. Passamos a queimar gordura

É bacana que as pessoas saibam disso para que escolham melhor os alimentos, sendo que nem tudo se resume a calorias

“Mas A Dieta Da Proteína Não Faz Mal Para Os Rins?”

Questionam-me: a dieta das proteínas não irá fazer mal para os meus rins? 

E sempre respondo, primeiro, que não é uma dieta das proteínas — e que não é uma dieta da moda

Temos diversas evidências científicas que corroboram o quanto a dieta low-carb, cetogênica e o jejum são seguros nesse tipo de situação, e o quanto essas abordagens trazem benefícios sensacionais e resultados incríveis sem dúvida alguma. 

Nesse tipo de situação já temos diversos estudos clínicos com duplo cego, que é o mais elevado nível de evidência científica, demonstrando que não houve qualquer comprovação que uma dieta low-carb ou cetogênica façam mal para os rins. Primeiro, o teor de proteína na dieta não se altera — fica em torno de 17-21% das calorias medidas no geral. 

E, mesmo se fosse hiperproteica, nunca vi nenhum paciente entrar em diálise por comer bife, peixe ou ovos.”

Já houveram também estudos com pacientes que apresentavam perda moderada da função renal (30-60%). 

Nesse tipo de situação houveram dois grupos: o grupo com 0,6 gramas de proteína por quilo por dia, sendo este bem restritivo; e outro com 1,3 gramas de proteína por quilo por dia. 

E não houve prejuízo naqueles pacientes que tiveram um aporte protéico maior. 

Podemos pensar da seguinte forma, os rins quando estão num processo de doença renal crônica avançada, funcionando menos que 30-20%, temos que ter um cuidado maior quanto a ingestão proteica, mas não porque a proteína é a culpada, e sim dado o mau funcionamento renal. 

Nesses casos, não conseguimos lidar com o metabolismo proteico. 

Temos que ter em mente, que a proteína é muito importante para que o paciente esteja nutrido de forma satisfatória. 

Então resumindo: em pessoas com a função renal normal, não existe nenhuma preocupação ou prejuízo quanto as dietas low-carb e cetogênica

Só temos que ter maior cuidado com as pessoas com doença renal avançada.

E, nesse tipo de situação, um acompanhamento médico e nutricional especializado pode ajudar esse paciente sem dúvida alguma. 

Agora, através de uma dieta low-carb e cetogênica estaremos agindo na raiz do problema, tratando o diabetes, a pressão alta e  o paciente obeso. 

E grande parte dos pacientes que evoluem para doença renal crônica possuem um desses problemas. 

Então é uma dieta segura para os pacientes com algum grau de doença renal — mas, quanto menos funcionarem esses rins, mais podemos ter uma necessidade de cuidado especial. 

Low-Carb E Saúde Dos Rins — Resumindo 

Guilherme: Acho que falamos de muitas coisas e, por isso, vou ajudar a decupar  e separar os assuntos para melhor esclarecer alguns pontos, facilitando rememorá-los. 

Então, você primeiro mencionou o poder da low-carb em ajudar as pessoas que têm doença renal crônica, né? 

Porque ela atua em três frentes: 

  1. na hipertensão — ajudando na diminuição da pressão arterial
  2. no diabetes — ajudando a tratar e, possivelmente, reverter o diabetes, e
  3. na obesidade — que também é um fator de risco para as doenças renais crônicas. 

Falamos também do medo que as pessoas têm ao entrar numa dieta low-carb por comerem muita proteína. 

Então vimos que não é uma dieta da proteína.

E também vimos que mesmo se ela fosse uma dieta hiperprotéica, não temos evidências demonstrando que seja algo necessariamente prejudicial para quem tem os rins saudáveis, certo? 

Então só para fechar: para quem tem os rins com algum tipo de problema basta um acompanhamento especializado, pois pode ser que não seja a dieta low-carb a ser indicada. 

Entretanto, é uma questão individual que as pessoas precisam ver com os médicos e profissionais de saúde que estejam lhes acompanhando. 

Os Estágios Da Doença Renal Crônica

Flávio Barros: Sem dúvida alguma!

Tudo irá depender do estágio que o paciente tem da doença renal crônica. 

Destaca-se que a doença renal crônica é dividida em cinco estágios: 

  1. primeiro estágio acima de 90% (filtração glomerular); 
  2. Segundo estágio entre 60-90%; 
  3. Terceiro estágio entre 30-60%; 
  4. Quarto estágio entre 15-30%; 
  5. E o estágio cinco, quando o paciente geralmente necessita de diálise e transplante renal, é quando os rins funcionam com menos de 15%. 

Então temos que ter uma atenção mais importante com relação a quantidade de proteínas na dieta, especialmente, quando os rins funcionam abaixo de 30%.

Com pacientes com 70-60% de função não precisamos ter nenhuma preocupação no dia a dia. 

Como Saber Se Seus Rins Estão Saudáveis

Guilherme: E como uma pessoa normal, que está nos escutando agora, faz para saber se os rins estão saudáveis?

Quais são os exames ou procedimentos que ela pode recorrer ou conversar com o médico para saber se ela está com os rins saudáveis ou se tem alguma coisa para se preocupar?

Flávio Barros: Muitas pessoas pensam que os rins têm unicamente a função de filtrar nosso sangue.

Entretanto, ele possui diversas outras funções que são desconhecidas pelo público em geral. 

Os rins participam do controle de eletrólitos (como sódio e potássio); participam da nossa saúde óssea, colaborando com a produção da vitamina D, que irá agir na absorção do cálcio.

Participam da produção dos glóbulos vermelhos (hemácias) com a produção da eritropoetina (hormônio que participa da produção das células vermelhas).

Participa do controle ácido-base, evitando que nosso sangue fique excessivamente ácido. 

Então, os rins possuem diversas funções que são pilares da nossa saúde. 

Acontece que “os rins também fazem aniversário — também apagam velinhas”.

E começam a ter uma perda leve de função após os 40 anos com cerca de 1% ao ano. 

Assim, uma pessoas de 70-90 anos não possuirá seus rins funcionando em sua totalidade. 

Mas também não precisa estar: porque as pessoas só irão apresentar problemas ou sintomas quando seus rins perderem cerca 60-80% da função renal. 

O que acontece é quando prejudicamos nossos rins com as doenças modernas, com uso crônico de medicações como antibióticos e anti-inflamatórios, que são um grave problema em nosso país devido à automedicação. 

Muita gente usa o diclofenaco, a nimesulida ou o ibuprofeno para dor nas costas diariamente como se fossem água. 

Esses medicamentos podem prejudicar a função renal. 

Pacientes oncológicos podem ter doenças renais. 

E diversas outras situações como doenças hereditárias, doenças autoimunes e cálculos renais.

E como saberei se meus rins estão bem? 

Primeiro, temos grupos de riscos para pessoas doentes renais crônicos. 

E quais são esses grupos de risco? 

Diabéticos, hipertensos, obesos, história familiar de doenças renal crônica (pode haver hereditariedade em alguns casos) e os idosos

Esses são os cinco grupos principais para doença renal crônica. 

E ele vai ao médico e o exame mais básico para avaliarmos a função renal é a creatinina

O que é a creatinina? É um produto do nosso metabolismo muscular, que é eliminado pela urina. 

Assim, quando essa eliminação não está sendo feita adequadamente pelos rins, dosamos isso pelo sangue, e os valores apresentam-se mais altos que as referências. 

Através disso, suponho que os rins não estão funcionando bem. 

Então, através de um simples e barato exame de sangue, conseguimos ter uma ideia da nossa função renal.  

Se for necessário, pedimos exames mais avançados como urina de 24 horas que é mais preciso para avaliar a função renal.

Podem ser exames de imagem como ultrassom ou tomografia computadorizada.

E em alguns casos mais específicos torna-se necessário a realização de biópsia renal (com uma agulha retiramos um pedaço do rim, colocamos no microscópio e olhamos o que está acontecendo a fundo naquele rim para que cheguemos em um diagnóstico mais preciso).  

É como montar um quebra cabeça, é a história clínica do paciente, quais doenças ele possui, os exames necessários e, com isso, fazemos nosso diagnóstico final. 

E qual é a função disso? Calculamos a função renal do paciente e existe o que chamamos de tratamento conservador da doença renal crônica, sendo aqueles pacientes com 70%, 50% ou 40% de função renal. 

Esses pacientes devem acompanhar com o médico nefrologista para que seja orientado o estilo de vida e as medicações mais adequadas para que possamos preservar a função renal ao máximo. 

Atualmente no Brasil são 130 mil pessoas em diálise e 30 mil na fila de transplante renal. É muita gente, pessoal! 

“Flávio, mas você não disse que são 20 milhões mil pessoas com algum grau de doença renal?” 

Sim, aqueles que chegam na diálise podem ser considerados vitoriosos, pois esses pacientes com doença renal crônica são pacientes inflamados com alto risco cardiovascular — e a grande maioria morre antes de chegar na diálise. 

A mensagem é: o exame mais importante para avaliar função renal é a creatinina sérica feita pelo exame de sangue simples. 

Podemos fazer em diversos espaços no país, inclusive no sistema público de saúde. 

Pedras Nos Rins, Cálculos Renais, E Como Prevenir Esses Problemas

Roney: Esse exame irá diagnosticar problemas nos rins. 

E uma grande dúvida é relacionada com as causas envolvendo as “pedras nos rins” e outras possíveis enfermidade e como preveni-las. 

Que modificações de estilo de vida e alimentação podem ser feitas pelas pessoas para evitar problemas renais?

Flávio Barros: “Pedras nos rins” é uma situação bastante dolorosa e temida. 

Muitas pessoas que tiveram cólicas renais sabe apontar muito bem isso. 

É considerada uma das piores dores descritas na medicina, sendo comparada à dor de um parto normal. 

Uma dor absurda, acompanha de calafrio, náuseas, vômitos e sem nenhuma posição que melhore a dor, levando ao pronto socorro. 

As estimativas apontam que cerca de 10% da população terão uma crise de cólica renal ao longo da vida. 

É um dos principais motivos que levam as pessoas a perderem dias de trabalho. 

E metade dessa pessoas têm recorrência do quadro (segunda crise) nos próximos 5-10 anos após o episódio inicial. 

Temos diversas causas para formação dos cálculos e grande parte são relacionadas a defeitos metabólicos do nosso próprio organismo. 

Grande parte dos cálculos são formados por oxalato de cálcio, mas temos também cálculos de ácido úrico e entre outros. 

O que devemos comentar e alertar nossa população é que temos vendo um aumento na incidência dos cálculos renais. 

E isso está ligado ao aumento dos casos de síndrome metabólica. 

Geralmente os pacientes que possuem cálculo renal  estão acima do peso, possuem gordura no fígado, hipertensão e síndrome metabólica. 

Então temos feito esse link nos últimos anos, e cada vez mais estudos têm apontado para esse caminho. 

E quando essa pessoa tem cálculos de repetição ou na primeira crise já possui diversos cálculos, esse paciente deve ser encaminhado para o nefrologista para que possa ser investigado o metabolismo daquele indivíduo, buscando possíveis fatores que predisponham a formação desses cálculos. 

Em cerca de 70% dos casos detectamos alguma anormalidade metabólica. 

E com base nisso, temos uma melhor conduta, podendo indicar uma mudança dietética e em casos raros como o hiperparatireoidismo (defeito nas paratireoides, glândulas próximas a tireóide, responsáveis pelo metabolismo do cálcio) temos que operar para solucionar o problema. 

Outros pacientes têm doenças hereditárias mais específicas da nefrologia e tentamos nesses casos tratar ao máximo para evitar recidivas. 

Pacientes pós cirurgia bariátrica tem maior incidência para formação de cálculos. 

Além disso, temos o consumo de carboidratos refinados, os quais são correlacionados com a síndrome metabólica. 

E alguns pacientes podem acabar precisando de diálise dado a possibilidade de obstrução total das vias urinárias e, consequentemente, de destruição dos rins. Temos que ficar muito atentos a esses tipos de situação.

Quais Os Principais Problemas Renais — E Como Preveni-los

Roney: Além dos cálculos, quais são as outras enfermidades comuns que podem acometer os rins? 

E mais especificamente na questão da dieta, uma diminuição do consumo de carboidratos refinados poderia ajudar a prevenir o surgimento de cálculos renais?  

Flávio Barros: Sem dúvida alguma! 

A primeira orientação é quanto a ingestão de água

Quanto mais água bebermos mais estaremos prevenindo a formação de cálculos renais. 

Orientamos os pacientes a controlarem seu grau de hidratação de acordo com a coloração da urina, que idealmente deverá ser amarela-clara. 

Nas situações em que os pacientes não possuam cálculos renais, orientamos a respeitarem o mecanismo da sede, que apenas não funciona bem nas pessoas idosas — podem não sentir sede e, com isso, desidratam mais facilmente.

Em relação a alimentação envolvendo os cálculos renais, alguns mecanismos implicam com relação ao sal e a ingesta de proteínas, mas não temos estudos realmente vigorosos que comprovem esse tipo de situação.

Então cada caso deve ser avaliado individualmente. 

Com relação às outras doenças renais, a maior parte das pessoas que necessitam de diálise (65%) são diabéticos e hipertensos. 

Mas ainda temos outras situações como os cistos renais, sendo que esses podem ser denominados de diversas formas dado sua grande variedade. 

Podem ser simples, e são assim denominados por apresentarem na imagem apenas conteúdo líquido em seu interior. 

A grande maioria das pessoas acima dos 50-60 anos podem apresentar 1 ou 2 cistos nos rins sem nenhuma alteração da função renal. 

Costumo brincar com meus pacientes que eles “vão morrer com aqueles cistos, mas não por causa deles”. 

Ainda existem os cistos complexos, que sugerimos biópsias ou outros exames que nos ajudam a diferenciar de cânceres.

Temos as nefrites, que são uma espécie de inflamação nas unidades funcionais dos rins. E essa inflamação leva a perda de proteína na urina. 

Não é normal que haja perda de proteína na urina, sendo que chamamos esses casos de proteinúria e ele é um marcador de lesão renal. 

Nesses casos precisamos realizar exames mais apurados para sabermos qual é o tipo de inflamação que está prejudicando os rins. 

E, dependendo dos resultados, utilizarei medicações mais fortes como imunossupressores e corticoides. 

O lúpus eritematoso sistêmico e outras doenças reumatológicas podem causar lesões renais, inclusive pelo uso excessivo de medicações como anti-inflamatórios. 

E exames contrastados podem prejudicar os rins caso exista previamente algum tipo de lesão renal. 

E esses tipos de doenças têm uma carga hereditária maior, sem tanta influência da alimentação. 

Quem tem mais influência são o diabetes, a hipertensão e a obesidade. 

Mas a doença renal crônica acomete todas as idades. 

O diagnóstico da doença renal crônica começa desde o pré-natal, qual o médico  ultrassonografista vai fazer o ultrassom e avalia, por exemplo, que os rins estão bem formados ou que possuem alguma obstrução. 

Algumas pessoas nascem com apenas um rim, o qual é suficiente para uma boa vida, bastando cuidados com o estilo de vida (reserva renal pela metade).

Na infância temos situações como as infecções urinárias especialmente nas  meninas, pelo fato da uretra ser mais curta. 

Logo, as mães precisam ter mais atenção e caso seja recorrente é necessário haver a investigação da causa. 

Destaca-se que essas infecções urinárias podem causar cicatrizes renais graves nos rins das crianças, uma vez que esses ainda estão em formação, e futuramente ser a causa da doença renal crônica. 

As mulheres podem ter aumento da probabilidade de desenvolverem doença renal crônica no período da gestação devido o risco de diabetes gestacional, quadros hipertensivos, doenças autoimunes e cálculos renais. 

E depois dos 30-40 anos temos uma perda natural da função renal devido o envelhecimento. 

Então, a doença renal crônica atinge diversas faixas etárias, desde a barriga do bebê até a faixa mais idosa da população.

Os Hábitos Saudáveis Do Dr. Flávio Barros

Guilherme: E que bom saber que existem alguns bons hábitos que podem prevenir essas doenças, inclusive durante a gestação e a infância, sendo que a alimentação é um desses bons hábitos. 

E Flávio, entrando no campo pessoal, quais bons hábitos você tem na sua vida e que acha que são úteis para você e para as pessoas que estão nos ouvindo? 

Falamos da alimentação, mas gostaríamos de saber um pouco mais sobre o que você adota no seu dia a dia. 

Flávio Barros: Eu nunca fui realmente um obeso, mas antes de descobrir a low-carb estava um pouco acima do peso, perdi 13 kg , ganhei massa magra, melhorei meu perfil lipídico e diminui meu perfil inflamatório. 

Então minha saúde melhorou muito após a low-carb

Confesso que, como médico, possuo uma vida atribulada, conseguindo treinar em média duas vezes por semana, sendo um treino muito forte, baseado em treino de força e, por isso, acabo tendo bons resultados. 

Nesse meio campo, além da atividade física e da alimentação, valorizo muito minha família. 

Minha esposa também é nefrologista, conheci ela em um plantão de hemodiálise. 

E por isso devo a minha família e filha à nefrologia.

Busco cultivar o minimalismo, vivendo uma vida mais simples, curtindo os momentos em família com as pessoas que nos amam.

Esses momentos são nobres — e são eles que devemos preservar em nossas vidas. 

O sono é também muito importante. Graças a Deus saí dessa fase de dar plantões noturnos em hospitais. 

Outra coisa é o manejo do estresse. 

Também tenho o hábito da leitura, gosto muito de ler desde livros sobre estilo de vida, até religiosos ou sobre medicina. 

A vida possui vários pilares: alimentação, atividade física, família e manejo do estresse. 

Esses são pilares pelos quais eu realmente prezo bastante. 

Até adicionando: como a low-carb tem mudado a vida de alguns familiares!

Meu irmão tem 42 anos e sempre orientava ele para que tivesse uma vida mais saudável (estava acima do peso e com síndrome metabólica).

E alguns meses atrás ele já estava em estágio de pré-diabetes, glicemia acima de 100…  

Tive que ser bem sincero com ele: “A hora de mudar é agora… Já está passando da hora. Vamos lá?”. 

Olhando nos seus olhos, senti que esse era realmente o momento da mudança. Isso foi há cerca de 3 meses.

E ele era hipertenso, usava remédios há 5 anos — e, com a low-carb e o jejum, acoplado com esses estilo de vida, ele já suspendeu o remédio de pressão arterial.

E esse processo de diabetes e resistência a insulina está sendo domado como deve ser: tratando o mal pela raiz. 

Fico muito feliz de poder contribuir dessa forma, tanto na minha vida pessoal quanto na profissional e familiar. 

A Mensagem Final Do Flávio Para Você

Roney: Com certeza é bacana ver como você aplica esses conhecimentos na sua vida e fala para os seus familiares, demonstrando que não é apenas da boca para fora. 

Você realmente tem o chamado “skin in the game”: você fala e faz também. 

E Flávio para finalizar, tenho certeza que todo mundo que ouviu essa entrevista deve estar querendo acompanhar você para pegar mais dicas para o dia a dia. Então é a hora de você deixar suas mídias sociais para o pessoal que nos acompanhou até agora. E também deixar sua mensagem final.

Flávio Barros: Primeiramente gostaria de agradecer pelo convite feito por vocês.

Fiquei muito honrado pelo  convite. 

Grandes profissionais passam pelo podcast de vocês. 

E poder somar e contribuir aqui nesse processo também no Nordeste e Maranhão é muito importante. 

O conhecimento também tem que ser divulgado aqui no Nordeste, temos poucos profissionais ainda nessa área.

(Nota: tem relativamente poucos mesmo — a nutri Olga Serra é uma excelente exceção.)

E quanto mais pessoas tivermos nesse exército melhor será para nossa população em geral. 

Não existe um exército de um homem só. 

Temos que ter um exército que possa combater realmente  a força da mídia, da indústria alimentícia e da indústria farmacêutica. 

Não abro mão de participar desse movimento, divulgando informações nas redes sociais, tanto no instagram quanto no facebook (@drflaviobarros) e o meu site que é www.drflaviobarros.com.br

Bem como no meu canal no youtube: https://www.youtube.com/channel/UCM5Yf91HIL5lZrEa_J7ZqHA .

Busco divulgar informações simples, uma vez que grande parte das pessoas que convivo são analfabetas e com baixo conhecimento sobre como buscar informações. 

Então tento entregar a informação de maneira mais mastigada. 

E também possuo família interiorana. 

Minha família é de uma pequena cidade do interior do Maranhão com cerca de 15-20 mil habitantes. 

Então sempre tive essa raiz na veia, convivendo com pessoas “simples” e pobres. 

As quais não têm acesso a saúde, as medicações e aos profissionais de saúde de maneira adequada. 

Então vejo essa divulgação de informações de forma fantástica. 

E a mensagem que deixo é a seguinte,

Cuide da sua saúde hoje, não deixe para amanhã.”

Geralmente lembramos de cuidar da nossa saúde apenas quando ela está com consequência importantes. 

Então pessoas com 30-45 anos que estão acima do peso, com infarto, inflamadas, com doença renal crônica, com diabetes e lesões em órgãos alvo. 

Temos que começar a mudar a medicina dessa forma para que possamos prevenir o que está por vir. 

Mudando o estilo de vida para que as pessoas tenham mais saúde e mais qualidade de vida. 

Para que nosso sistema de saúde consiga ajudar as pessoas que realmente precisam e possam dar conta do recado de uma maneira melhor, pois não é isso que vemos hoje em dia. 

Realmente fico comovido com nosso sistema de saúde atual. 

Fico realmente triste e comovido de ver tantas pessoas internadas por problemas preveníveis como diabetes, doenças do coração e derrames. 

Realmente a mensagem que deixo é essa.

Viva, não apenas sobreviva. Curta sua família e não deixe de lembrar da sua saúde.”

Muitas pessoas dizem que morreriam pelos seus filhos, mas não cuidam de sua saúde. 

Não se lembram de quantos anos de vida podem perder por terem cuidados inadequados com a maior beleza da vida — que é a saúde.

Guilherme: Que beleza de mensagem, acho que ficou algo para todo mundo que ouviu esse podcast pensar, e para todos que irão te seguir em suas mídias sociais.

O quão importante é nossa saúde e, juntando isso com a parte dos hábitos saudáveis que você mencionou, pensar nos atos que realizamos diariamente, nas decisões que tomamos reiteradamente no nosso dia a dia, uma vez que elas irão se torna o grosso do que será nossa vida. 

Então chamamos você aqui para falar sobre os rins, mas teve uma lição muito mais profunda. 

Gostamos bastante disso! 

E eu gostaria de agradecê-lo pelo tempo e pelos conhecimentos que compartilhou com a gente e nossa audiência. Muito obrigado!

Flávio Barros: Eu que agradeço mais uma vez! Foi uma honra estar com vocês e fico à disposição para outras oportunidades que houverem. Forte abraço! 

Roney: Novamente gostaria de agradecer a você e a todos que escutaram a gente até aqui. 

Muito obrigado por sua audiência! 

E, se você gosta do nosso podcast, então divulgue! 

Envie para outras pessoas que você acha que podem se beneficiar desses conteúdos, e se inscreva! 

Estamos em todos os canais que você possa imaginar de podcast.

É só procurar que você irá nos encontrar por lá! 

Aí é só se inscrever para não perder nenhum episódio! 

Inclusive, no próximo episódio, vamos falar sobre exercícios em jejum com o Dr. Marcelo Denaro. 

A gente se vê na próxima semana! 

Um forte abraço do Senhor Tanquinho.

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Guilherme e RoneyErasmo Filho Comentário recente dos autores
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Erasmo Filho
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Erasmo Filho

Galera, excelente entrevista! Depois dela, dá até vontade de voltar a levar a sério a a low-carb e o jejum intermitente que estava fazendo…rsrsrs… Fico feliz em saber que existem profissionais verdadeiramente preocupados com a saúde das pessoas (e não apenas com o que a doença delas pode lhes proporcionar). A questão dos rins, relacionada a essas dietas, depois de alguns meses em que aderi à low-carb e ao jejum intermitente (mesmo sob orientação médica). Tanto fiquei preocupado que, praticamente suspendi-os quando a quantidade de oxalato de cálcio começou a aumentar (no último exame acusou “Frequentes Cristais de Oxalato de… Read more »