Podcast #053 – Dieta Cetogênica, Libido, TPM E Super Energia Com Juliana Szabluk (Revolução Keto)

Entrei na cetogênica e fiquei boquiaberta com o que começou a acontecer. As inflamações desapareceram do absoluto nada, sem nenhum medicamento”

No podcast de hoje, trazemos a Juliana Szabluk, fundadora do site Revolução Keto.

A Juliana é uma pessoa que teve sua vida transformada pela dieta cetogênica, e que agora se dedica a divulgar esse estilo alimentar tão poderoso e útil.

Você pode se surpreender com alguns dos temas que abordamos nesta entrevista.

Então escute com atenção para saber exatamente:

  • quem é a Ju Szabluk e qual sua história com a dieta cetogênica,
  • quais benefícios você pode esperar da dieta cetogênica,
  • por que experimentar a cetogênica mesmo se você já faz dieta low-carb ou paleo,
  • dieta cetogênica e fibromialgia, inflamações, e muito mais,
  • como viver com super energia,
  • adaptações na dieta para o convívio em família,
  • comer frutas é sempre uma boa ideia?,
  • a importância de respeitar a sazonalidade e a individualidade,
  • a importância de não ficar obcecado com medições, listas, e “verdades absolutas”,
  • dieta low-carb e cetogênica na gestação e lactação,
  • como começou a revolução keto,
  • as principais diferenças e variantes da dieta cetogênica,
  • dieta cetogênica e sua relação com TPM e ciclo menstrual,
  • bons hábitos saudáveis para você adotar,

e muito, muito mais.

A Juliana tem experiência prática com a cetogênica — e uma pegada bem “integrativa”.

No sentido de que ela não foca só na alimentação, e sim em um estilo de vida completamente saudável.

Você pode ouvir a entrevista completa no player abaixo.


Inscreva-se no podcast: iTunes | Spotify | Soundcloud

Ou, se preferir, pode ler a transcrição que disponibilizamos gratuitamente.

Se quiser ajudar nosso podcast, a melhor ação que você pode tomar é indicar para seus amigos, colegas e familiares.

E deixar uma avaliação aqui — é grátis e leva apenas 1 minuto, mas ajuda nosso podcast a subir nos rankings e atingir mais pessoas.

Para que juntos possamos revolucionar a saúde do Brasil — mudando-a para melhor.

Obrigado por estar sempre com a gente.

Transcrição Completa Do Episódio

Aviso: Este podcast está sendo oferecido a você pela loja Tudo Low-Carb.

A loja Tudo Low-Carb é onde nós pegamos todos os ingredientes que nós usamos nas nossas receitas.

Lá tem tudo, incluindo adoçantes, farinhas low-carb, chocolate amargo…

Além de vários lanchinhos low-carb, do tipo castanha-do-Pará, amêndoas laminadas, amêndoas defumadas, chips de parmesão e muito mais.

Então, se você quiser investir na sua dieta low-carb e em um pouco mais de sabor, acessa a tudolowcarb.com.br.

E clique aqui para ganhar 10% de desconto na sua primeira compra.

Guilherme: Olá, Tanquinho! Olá, Tanquinha!

Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio do nosso podcast.

E hoje nós trazemos a Ju Szabluk aqui, como a nossa convidada. Tudo bem, Ju?

Juliana Szabluk: Tudo ótimo! Tudo certinho.

Roney: Para quem não conhece, a Ju é jornalista especializada em saúde, é autora do blog Revolução Keto e tem uma história muito bacana com a dieta cetogênica que ela vai nos contar hoje.

Ju, para quem não te conhece, como você pode se apresentar melhor para quem está nos ouvindo agora?

Quem É A Juliana Szabluk

Juliana Szabluk: Nossa, eu acho que é a pergunta da vida de todos, né? “Quem é você?”. Risos.

O que eu vou dizer sobre mim? Sim, sou jornalista — vou para quase duas décadas de Jornalismo de internet — mas de uns seis anos para cá eu tenho mergulhado nos estudos da ioga e da sabedoria ancestral.

E foi aí que eu cheguei na dieta paleo, na parte de nutrição ancestral.

Mas na realidade eu estudo os oito braços da ancestralidade, então eu vou estudar dos mantras à filosofia védica, à alimentação… todas as práticas possíveis ligadas à ancestralidade e ao tempo de antigamente.

Então é o que? Uma estudante de ioga, uma jornalista e uma pessoa que cruzou com a dieta cetogênica e que se espantou com o poder da nutrição, que até então eu não tive nada tão poderoso assim.

Geralmente são pequenos detalhes que ajudam, mas a cetogênica realmente virou a minha vida de cabeça para cima, digamos assim.

Então eu fui estudar… eu fiz uma pausa na ioga e fui estudar a cetogênica. E também, então, uma estudante de dieta cetogênica.

bom para vocês? Risos.

Dieta Cetogênica Para Quem Já Faz Low-Carb / Paleo

Guilherme: Está ótimo!

Ju, por que você resolveu fazer cetogênica? De onde surgiu esse interesse por esse estilo alimentar?

Juliana Szabluk: Então, como eu disse, eu já, há muitos anos, vinha estudando todas essas filosofias e práticas que nos ligam de volta à ancestralidade.

Tanto que conheci o meu divino marido em um fórum de dieta paleo, que foi lá o primeiro do doutor Souto, lá no Facebook, que nem existe mais.

E a foi gente, juntos, trilhando pelo caminho da paleo, e na dieta low-carb há muitos anos, lendo o Souto e tal e tal.

Só que eu não estava melhorando dos problemas que eu queria melhorar, que eram as questões das inflamações e dos hormônios.

E pesquisando, pesquisando, pesquisando — eu fui professora de inglês muitos anos, então eu só pesquiso em inglês as coisas — começou uma onda nos Estados Unidos da dieta cetogênica e eu: “Meu Deus, o que é isso, essas promessas todas?”.

E como eu já estava comendo um número de carboidratos muito baixo, para mim era muito tranquilo simplesmente tirar o quê? O leite.

Era basicamente tirar o leite. “Então , dane-se o leite e vamos para a keto”.

E foi isso. Quando eu entrei na dieta cetogênica… eu nem estava pesquisando, meninos, era só “vamos ver qual é”.

Quando começaram a acontecer as coisas que começaram a acontecer e eu “Opa, o que é isso, meu Deus!”, aí eu comecei a pesquisar e me interessar enormemente por isso.

Porque eu fiquei boquiaberta com o que começou a acontecer na minha vida, inicialmente.

Esse foi o início da jornada.

Benefícios Da Dieta Cetogênica

Roney: E quais foram os benefícios que essa mudança alimentar trouxe para você? Quais problemas ela melhorou na sua saúde?

Juliana Szabluk: Bah, gente! (Bah, bem gaúcha!)

O que aconteceu? A primeira coisa que aconteceu foi que as inflamações desapareceram, do absoluto nada, sem nenhum medicamento.

Meninos, eu tomava muito anti-inflamatório e antibiótico porque — agora eu estou investigando isso de novo… vocês são homens, não devem dominar esse assunto (ou devem, sei lá).

Enfim: nessa segunda fase do ciclo feminino, que o sistema imunológico quase para, as bactérias e as inflamações começam a surgir muito forte da fase lútea até a menstruação, da ovulação até a menstruação.

E eu tomava muito anti-inflamatório nessa época e quando eu comecei a entrar em cetose, simplesmente as inflamações desapareceram de uma hora para outra!

E a fibromialgia desapareceu, as dores desapareceram… e foi isso! A primeira coisa.

No segundo, terceiro mês eu comecei a experimentar uma estabilidade mental que até então eu desconhecia porque eu não sou uma pessoa estável. Eu admito isso.

Venho de uma família com incontáveis problemas mentais, e eu tive uma vida muito desregrada.

Eu tive uma vida de muita destruição, até mais ou menos uns 25, 26 anos, com muitos químicos, fármacos e tal.

Até ano passado eu prosseguia com muitos fármacos. por ordens médicas — e os efeitos começaram a ser muito grandes.

Nós vamos chegando perto dos 40, que é a hora de pagar a conta.

É o que eu chamo de: “Aos 40 anos tu começa a pagar a conta de tudo o que tu fez”.

E a cetogênica começou a me libertar desses karmas.

A me libertar dessa conta horrenda que eu tinha:

  • inflamações,
  • problemas de fígado,
  • problemas de pele,
  • dores,
  • falta de energia — a tal da fadiga adrenal —, e
  • fadiga crônica.

Até porque, querendo ou não, eu ainda estou em um pós-parto.

A minha segunda filha tem um ano e meio, e eu engatei uma filha na outra, então o corpo se desfaz!

E com a dieta cetogênica eu me sentia como os meus clientes dizem: “Eu sou um Super Homem! Eu sou uma Super Mulher!”. E tu começa a ter muita energia!

Esses foram os grandes benefícios, iniciais, da cetogênica.

Como Fazer A Dieta Cetogênica Em Família

Guilherme: Ah, excelente!

Essa parte da super energia, para mim, junto com a perda de peso, é um dos benefícios que eu não abro mão, que são inegáveis e me fazem querer seguir esse estilo de vida o tempo todo.

(A super energia também é um dos 5 sinais de que você está queimando gordura.)

Sendo que, para mim, é relativamente fácil seguir a dieta durante 85 a 95% do tempo — até porque eu costumo comer muito em casa, e moro sozinho.

Mas como é a questão de ajustar a dieta com a vida social ou com a vida familiar?

Você teve que fazer algum tipo de negociação com as pessoas próximas a você ou ajustes? Como foi isso?

Juliana Szabluk: Ah, que ótimo gancho!

Olha, a principal reclamação — e justa — e empecilho para a cetogênica é, realmente, para quem tem vida social enlouquecedora, sabe?

Está sempre comendo fora, com amigos e tem aquelas famílias e a massa do avô…

Gente, as pessoas as pessoas vêm: “Juliana, a massa do meu avô! O que eu vou dizer para o meu avô?”.

Tu vai dizer o seguinte — sendo honestos aqui, entre nós.

A grande dica da vida — eu não me lembro quem me passou essa dica… quem me passou, muito obrigada! — é dizer que tu está em um tratamento de saúde, que tu tem realmente questões de açúcar no sangue, seja lá o que for, e que o teu médico te receitou isso.

Então eu espero que a família de vocês aceite isso de bom grado, sabe?

E até tenha… porque qual é a verdade da cetogênica ali?

Sempre vai ter carne em um lugar, a não ser que realmente tu frequente um círculo vegano de amigos e tal, mas mesmo assim tu vai ter sempre comida cetogênica ali no meio — mesmo entre veganos!

A questão é como tu vai segurar essa tentação constante.

Então, por isso que eu gosto muito sempre de enfatizar… lembra do slogan do Revolução Keto?

Entre pelo corpo, mas fique pela mente.”

E uma grande verdade é que tu tem que ter muito firme o teu propósito.

E se teu propósito for só emagrecimento: “Ah, então eu vou comer aqui uma coisinha, não tem problema nenhum porque amanhã eu emagreço de novo!”.

Mas se tu tem um propósito maior, que é uma estabilidade mental, a cura de uma doença, alguma coisa nesse sentido físico, qualidade de vida com os filhos e tal, a coisa fica muito mais tranquila. Isso é o que eu digo para ajudar no propósito.

Com relação à minha experiência pessoal é muito tranquilo. Lembra que eu conheci meu marido em um fórum de paleo?

O problema aqui em casa foi quando eu enfrentei lá o problema do colesterol na cetogênica e eu tive que tirar a carne vermelha.

Daí para o meu marido, eu digo: “Vai fazer os teus bifes” porque eu não estou mais comendo carne vermelha agora.

Então eu estou comendo só peixes atualmente e um pouco de frango às vezes.

E na realidade com filhos pequenos é muito fácil — porque eles comem o que a mãe manda, ? Risos.

Coitadinha das meninas! Mas olha só que bonito: as minhas duas filhas… até foi uma ajuda para mim, eu acho que toda mãe tem que cuidar da alimentação dos filhos e, gente, dieta cetogênica não é passaporte para o torresmo industrializado e para a manteiga industrializada.

Na realidade eu sempre fiz uma cetogênica com paleo.

O meu norte era mais o alimento que eu planto, o sol, a qualidade de vida e redução de carboidratos.

Não é para comer um monte de porcaria que não tem carboidrato.

Nunca foi esse o sentido da situação e nem indico isso para ninguém.

Então, as minhas duas filhas têm muitas alergias porque trouxeram da mãe e do pai. Os dois têm muita alergia aqui em casa.

Então as meninas não podem comer feijão, não podem comer leite… a minha nenê é alérgica a um monte de frutas.

Então não foi difícil não, porque já não fazia parte da família, sabe?

E aí agora algumas coisas a gente agrega, de alguns feijões diferentes, a lavagem dos grãos, algumas coisas assim.

Mas sempre muito mais para o lado, digamos assim, uma bela ajuda cetogênica porque é uma coisa “natureba keto”. É essa ligação!

Ou seja, é muito bom para as crianças.

E o que eu faço com os meus filhos? O que todos os pais deveriam fazer, gente: quer comer porcaria? Na festa de aniversário vai lá, come, minha filha, fora de casa.

Mas a casa, gente, é um templo sagrado. A gente não pode trazer porcaria para dentro de casa, sabe?

(O Hilton Sousa falou sobre dieta e filhos no nosso podcast.)

E tem esse olhar sagrado que na ancestralidade era muito assim, das ritualísticas, do amor pelo jardim, pelos horários, pelo quarto…  sabe aquela coisa de não brigar dentro do quarto?

De fazer da cozinha um espaço sem telas… todas essas coisas são importantes.

Então aqui em casa nós não temos nada, não temos belisquetes, não temos e nunca tivemos — nem fora da cetogênica, nem dentro!

Foi muito fácil impor isso: porque é muito amor pelas coisas que entram aqui.

É isso.

Guilherme: Nossa, muito legal!

Dois comentários que eu tenho dessa sua resposta bem ampla é que o primeiro foi que eu gostei de que você menciona que é algo médico e tal.

Sendo que outra coisa que eu gosto de falar no meu dia-a-dia é que isso é um experimento.

Muitas vezes eu faço experimentos. Eu fiz uma semana ovo-lacto-vegetariana low-carb, outra semana dieta carnívora

Ou às vezes eu estou treinando e falo: “Essa semana eu vou comer um pouco mais de carbos no pós-treino e ver o que acontece”.

Então eu acho essa também é uma estratégia que eu adoto que também mitiga muitas perguntas de curiosos.

Às vezes as pessoas estão preocupadas que você mudou a sua dieta da noite para o dia e vai morrer e nunca mais vai comer o macarrão do avô.

E na verdade não: é só um experimento.

Estou testando isso por 10, 15 dias e depois eu vou ver o que acontece, depois eu reavalio. Essa mentalidade já deixa as pessoas um pouco mais tranquilas.

E a segunda é que é muito bacana da sua parte, muito sortudo da parte das suas filhas já estarem nessa casa que consegue ter esse discernimento.

De que nem todas as frutas são boas o tempo todo, que o glúten não é bom, que o leite não necessariamente é bom para todo mundo, e por aí vai.

Porque em muitas residências com visão mais “tradicional” da nutrição, a pessoa muitas vezes talvez pensasse: “Mas como eu não vou dar um pãozinho para a criança?”.

E a pessoa não iria nem desconfiar que existe doença celíaca ou alergia a fruta, nem nada assim.

Até porque os grãos integrais, as frutas, essas coisas estão na lista já de “alimentos considerados saudáveis” da maioria das pessoas.

Relacionado: Veja aqui uma lista de compras realmente saudável.

Então elas não iriam nem pensar em reduzir ou eliminar o consumo desses alimentos por parte das crianças.

Frutas Na Alimentação Das Crianças

Juliana Szabluk: Olha, vou confessar uma historieta breve e muito legal.

Foi a primeira vez que eu abri os olhos para as frutas, porque eu estava na paleo e eu comia muitas frutas.

Quando a minha nenê nasceu, meninos, foi a visão do inferno!

Porque a criança, na hora de desmamar (que a desmamei pelos seis meses porque o meu leite secou, e ela entrou na escola), eu comecei a dar fruta para a criança.

E, a cada fruta, a criança vomitava e a pele estourava. Era criança em carne viva, ?

Nenezinho… tu imagina o desespero da mãe.

E aí eu fui em uma gastro especialista em alergias.

Olha o que a médica me diz:

Essa história de fruta aos seis meses é bem coisa de brasileiro. No resto do mundo, é tudo vegetal e legume. Só aqui ficam empurrando fruta para essas crianças.”

E eu: “Como assim, meu Deus?”. Eu também não tinha essa visão. É claro que não tinha.

Respeito À Sazonalidade E À Individualidade

E eu vou dizer o seguinte: hoje em dia, a gente mora em um lugar abençoado, que as creches públicas são fantásticas.

E elas estudam em creche pública e a alimentação é uma porcaria, porque é o quê?

É farinha com mel, farinha com manteiga, farinha com não sei o quê… é só isso!

Então eu entendo o custo de uma alimentação mais elaborada. Só que só um pouquinho.

Lembra que eu sempre falava da keto de pobre, ?

Porque aqui em casa a gente também não esbanja: “Vamos comer só salmão!” não… bem capaz!

Mas gente, dar uma aveia para as crianças, um outro tipo de grão…

Aproveitar a diversidade dos alimentos, o modo de preparo, a sazonalidade das comidas: “Vou comer sempre mamão”, “Mas não está na época do mamão!”. “Vou comer sempre grãos!”, “, mas não está na época de comer grão”.

“Vou morrer de medo dos carboidratos!”, mas tem épocas do ano que precisa de mais carboidratos e tem épocas que tu precisa de menos.

Fazer jejum, mais na primavera…

Essas coisas todas nós temos que entender que isso também formou o ser humano que era nômade e tinha o respeito às estações e ao corpo.

E tudo influencia. Então não dá para ter medo de carboidrato e não dá para ter medo de, enfim, nada.

Eu vejo muito medo de sair de cetose. Daqui três dias tu volta! Não tem problema.

Então até um ajuste de carboidrato: “Não estou dormindo, não consigo dormir”, aí eu vou lá e dou um mingau cetogênico ou leite de amêndoas com linhaça.

“Meu, eu vou engordar!”. Calma! Tu precisa desse carboidrato para relaxar um pouco!

Então é uma relação com o alimento de uma forma meio que médica, meio espiritual, meio natural que a gente meio que perdeu isso.

Eu gostei muito do que tu falou de ver os alimentos como um teste de autoconhecimento.

E como pílulas também de melhorar determinadas situações que tu esteja passando.

Não tem nada definitivo. “Posso fazer a cetogênica para sempre?”. Depende da resposta do teu organismo naquele tempo.

Essas leis absolutas não existem para absolutamente nada! É incrível! A busca pelo absoluto segue na sociedade! É muito engraçado.

Roney: Ah, que legal, Ju.

Eu gostei muito disso tudo que você falou, gostei principalmente dessa parte de não ser tão radical assim, de nós podermos um dia comer uma coisa que tenha um pouco mais de carboidratos. Às vezes é necessário.

Nem sempre a dieta keto é boa para todo mundo no longo prazo, para outras pessoas é. Principalmente você falando isso, você que realmente tem problemas de saúde que foram melhorados pela dieta.

E nós vemos muita gente que nem tem tantos problemas assim e fica muito preocupado em medição de corpos cetônicos ou em entrar na cetose, em sair da cetose.

Perguntas do tipo “Pode duas gotas de limão na água em jejum?”.

São coisas que não mudam muito o esquema das coisas, mas parece que as pessoas têm necessidade de se apegar a algum tipo de pílula mágica para seguirem em frente.

Juliana Szabluk: Gente, vamos entender que nós estamos vivendo em um mundo em que nós não temos absolutamente nada de fixo e estável.

Eu entendo muito essa perspectiva da “lista de alimentos permitidos e proibidos”, “o número de calorias”, “o número de carboidratos”.

Há sim quem precise dessa estabilidade para conseguir prosseguir.

Mas eu sempre passo essas listas dizendo: “Não, esta não é a verdade absoluta do universo”.

Pode-se quebrar um pouquinho.

Eu me lembro que eu dei uma receita no Natal que ia uma laranja no molho. Ai, meu Deus, eu levei tanta crítica!

Só que olha só: a lista de alimentos do doutor Eric Westman — que eu acho que ele é o principal médico de dieta cetogênica no mundo — tem várias frutas!

(Curiosidade: O Dr Victor Miranda, convidado aqui do podcast, estudou com o Dr Eric Westman.)

E aí, como é que fica? Está lá nos alimentos, de vez em quando!

É claro! De vez em quando! Alguém falou para “limpar” a laranjeira? Não!

Então, tudo varia, tudo varia muito da resposta do corpo.

E tu sabe, eu vou dizer o seguinte: a medição de corpos cetônicos eu acho interessantíssima, mas mais para evitar que as pessoas pirem com corpos cetônicos altíssimos, que acaba tirando do eixo mental e gerando excesso de energia, do que por: “Ah, eu não estou emagrecendo! E agora?!”. Não!

Pelo contrário, porque corpos cetônicos muito elevados, para quem não tem transtornos neurológicos, quase que inevitavelmente vai levar à insônia, aceleração, ansiedade, excesso de estresse, que aí te tira de cetose e fica todo mundo louco.

Então é muito engraçado isso!

Tu acaba trabalhando mais para relaxar as pessoas do que para entrar… “É só ovo! É só carne!”. Não! Pelo amor de Deus, gente! Vamos dar risada, vamos dar risada, por favor.

Dieta Low-Carb E Cetogênica Na Gestação E Lactação

Roney: Com certeza.

E uma coisa que eu fiquei curioso, até porque muitas leitoras nos perguntam, é com relação a fazer uma dieta low-carb, principalmente no caso da cetogênica, durante a gestação e durante a lactação.

Você continuou seguindo essa estratégia alimentar nesses períodos?

Juliana Szabluk: Não. E tu sabe que eu não faria isso com ninguém? Opinião pessoal, ?

É importante sempre dizer um disclaimer aqui: não vem de estudo científico.

Mas eu acho que nada que não está 100% garantido pela ciência eu faria com grávidas e lactantes, sabe?

Então eu segui na paleo. Eu segui na paleo e eu não indicaria cetogênica neste período.

Eu acho que a gente ainda não tem certeza do que acontece no organismo. É uma visão de mãe, coração de mãe falando.

E como o nenê te suga muito nutriente, e a gente sabe, , meninos — desculpa o “meninos”, vocês são homens, mas é uma forma carinhosa de falar — que um dos principais problemas da cetogênica é justamente essa perda de minerais, que nós temos que ter muito cuidado, muito cuidado.

E olha, eu que fui mãe, sinto que infinitas vezes nessa vida é incrível a importância de uma alimentação muito controlada e do sono.

Eu não correria riscos de insônia nessa época, que é uma das características de uma cetogênica mal formulada — a insônia — e também a deficiência nutricional, que também é uma característica de uma cetogênica mal formulada.

Como aqui no Brasil médicos cetogênicos não estão à disposição de toda a população, e vai demorar um tempo, eu não recomendaria para essas mulheres.

Eu iria com uma boa paleo, o mais orgânico e natureba possível, com uma quantidade mais reduzida de frutas. E deu!

Mas com essa abordagem mais natureba do que preocupação com carboidratos.

Se for uma mamãe diabética, aí sim tirar as frutas, mas seguir com os legumes e coisa e tal.

Relacionado: A Dra. Teresinha Souto falou um pouco sobre a alimentação adequada nesses períodos

Guilherme: Com certeza.

Não é uma fruta aqui e ali, uns legumes um pouco mais ricos em amido que vão fazer mal para a mulher na gravidez, ?

Geralmente a mulher que acaba consumindo em excesso na gravidez, ganhando peso em excesso, pode até acabar sofrendo com diabetes gestacional.

E isso não é porque ela comeu muita batata ou mandioquinha, é porque comeu refrigerante, doce, porque comeu a cada duas horas, porque “tem que comer por dois!”.

E fica até aquela frase engraçada que um colega meu gosta de dizer: “Sim, tem que comer por dois. Mas os dois são uma mulher e um bebê, e não dois pedreiros”.

Então na minha opinião tudo isso acaba entrando na hora de fazer essas escolhas na gravidez.

Gostei bastante do seu posicionamento.

Juliana Szabluk: Adorei os dois pedreiros!

Mas vocês são homens, vocês não podem falar! Porque tem a questão psicológica por trás, gente.

Então assim, para ajudar as mamães tem que ter um bom marido aí do lado ajudando a situação, uma boa vovó, um bom marido, porque é fogo, gente.

Dói para caramba, pesa… a mulher hoje em dia tem que seguir trabalhando até o último dia com aquele peso…

Olha, a gente sente como um pedreiro que está aqui dentro, porque é um peso gigantesco aquela criança.

Então eu entendo que às vezes vêm aquela ideia de “mas come um pouquinho!”

E é uma tênue linha entre “eu vou comer um chocolatinho hoje porque eu estou um pouco deprimida” e “olha, já que eu comi o chocolate hoje, dane-se”.

Então é mais a perspectiva dessa mãe, de cuidado, e também não entrar na piração do “eu não posso porque eu estou com um nenê” porque ele gera estresse e eu acredito…

Não sei se vocês sabem disso, mas a minha base ali não é privar as pessoas e ter um foco na insulina, e sim um foco no cortisol.

E uma grávida estressada? Não… o mal é pior do que o próprio carboidrato.

Então é ter um equilíbrio, ter muita base, muito apoio da família nesse momento e muito descanso e equilíbrio. É mais nesse sentido, por isso essa linha natureba, porque ela te conecta com as coisas e também te relaxa enquanto cuida da alimentação.

É difícil para as mulheres, sabe? É difícil!

Guilherme: Eu só posso imaginar mesmo!

A gente fala essas brincadeiras, igual a gente mencionou agora do pedreiro e tal, mais para dar uma referência.

Porque muitas pessoas acreditam que tem que comer mais, porque tem um gasto elevado, uma demanda maior por nutrientes mesmo, na gravidez.

É só para lembrar que esses nutrientes não precisam vir de açúcar, refrigerante, doce e tal.

Mas é claro que nós nem conseguimos imaginar como é estar gerando uma vida e gestando.

Então nós estamos aqui mesmo para ouvir a sua posição sobre todos esses assuntos.

Juliana Szabluk: Batata doce, batata baroa, beterraba… maravilha! É isso mesmo! É bem o que tu falou!

De Onde Veio A Revolução Keto

Roney: Ju, agora que nós já entendemos um pouco da sua história de como você segue a cetogênica no dia-a-dia, nós queríamos saber de onde veio a ideia e a motivação de criar o blog sobre esse assunto.

Juliana Szabluk: Ah, gente, surgiu quando a cetogênica começou a melhorar a questão mental mesmo, porque sempre foi a minha grande busca de vida.

E sabe quando a gente não se sente bom o suficiente para ajudar as pessoas? A crise do especialista, ? Aqui em casa eu e meu marido sofremos disso.

Então como eu venho desse passado de muita destruição — droga, bulimia, anorexia e tal — sempre foi um sonho meu ajudar a pessoas com vícios, depressão, compulsão, essas coisas assim, mas eu nunca me sentia digna o suficiente para ajudar.

E quando eu descobri a cetogênica e rapidamente as coisas me ajudaram de uma forma muito potente, eu falei: “, ok, eu posso não ser um bom ser humano — olha a louca da humildade da criatura que chega a tender para uma patologia — eu não sou boa o suficiente para ajudar as pessoas, mas a cetogênica é!”.

Foi mais ou menos essa linha de raciocínio. E aí eu: “Então eu vou escrever sobre cetogênica!”, só que aí eu comecei… ah, olha só, “eu também posso ajudar as pessoas, junto com isso”.

E aí nisso eu comecei junto com o site a colocar algumas ideias minhas e a agregar — porque o site, vocês vão olhar lá no início, é bem mais técnico.

Então era muita coisa que eu estudava, estudava, estudava e trazia para o site.

Hoje em dia, já com as algumas dezenas de pessoas com as quais eu trabalhei, eu já começo a trazer a minha experiência pessoal.

Eu já comecei a colocar algumas pitadas minhas, tirar esse véu de falsa humildade, que na realidade é uma baixa autoestima, que eu estou trabalhando; e tipo: “Não, eu também posso agregar algumas visões minhas, de trajetórias pessoais e também estudos de outras áreas com relação a isso”.

Então o site, é importante salientar, é uma coisa orgânica, ?

Igual no YouTube, tu começa um canal falando de X e quando tu vê está em Y, Z junto.

Então o site começa estritamente cetogênica, hoje em dia é cetogênica e uma coisa de saúde ancestral, sabedoria ancestral, e sabe-se lá onde que ele vai parar.

Provavelmente agregando cada vez mais conhecimentos ligados a tudo o que nós aprendemos enquanto civilização e humanidade, há mais de 3.000 anos para trás, mais ou menos isso que é a minha linha de estudo.

E o foco realmente é ajudar as pessoas a uma palavra que eu uso muito, que é “aterrar”, que é o quê? Encontrar esse chão de novo, nesse mundo muito sem sentido.

Por que a cetogênica? Porque quando nós entramos nessa alimentação industrializada, cheia de açúcar, cheia de carboidrato ruim, eu gosto de dizer que a cetogênica é uma martelada nisso.

Porque uma coisa é tu ir mudando gradativamente, sentindo os efeitos aos poucos.

A cetogênica é uma martelada nisso!

Não tem muito a ver com low-carb, paleo… “Ah, mas eu estou na low-carb e vem me ajudando” — mas a cetogênica é completamente diferente!

Então, tu vai, tu entra com aquela martelada na pessoa: “Opa!”, aí a mente centra rapidamente… é muito lindo ver o estudo das pessoas na cetogênica. É incrível!

Quem eu atendo a pessoa já chega com PhD em cetogênica e são alguns ajustes que faltam, e geralmente esse trabalho de equilibrar: “calma, calma, menos corpos cetônicos, menos ansiedade, menos velocidade”, mas com muito conhecimento!

É uma sede por conhecimento muito linda!

Como eu trabalho com internet há muitos anos e nós estamos sempre ali, estudando os Google trends, tinha algo que eu pensava: “Espera aí, não está fechando… o Brasil que adora importar ondas norte-americanas, ‘viva a suplementação!’”.

E a cetogênica estava ali paradinha, quietinha.

Nós tínhamos alguns poucos canais no YouTube falando disso de uma forma não tão formal.

E aí tinha no Instagram, que eu tenho essa raiva com o Insta, que fica tudo perdido lá dentro.

E eu: “, cadê o site de dieta cetogênica?”, que nós tínhamos incontáveis nos Estados Unidos e não tinha aqui.

E como eu trabalho gerenciando múltiplos sites, eu “bom, então eu vou fazer o meu site!”, que é o único site que é só meu, seria esse.

Para quê? Para ter essas coisas organizadas para as pessoas para indexar no Google para quem procura, de uma forma como uma pesquisa mesmo. E aí surgiu o site.

Como não era e não é ainda o objetivo exclusivo, e não será, de emagrecimento.

Tanto que vocês vão ver que no meu site a indicação de gorduras é muito maior do que para quem quer perder 50 quilos em um mês!

Aquela coisa… a cetogênica de grupos de emagrecimento… o meu site tem outra diretriz.

Aí nisso eu abri o site para ajudar mais as pessoas com bipolaridade, depressão, fadiga crônica ou adrenal, o que for.

E aí eu estou procurando.

Porque a verdade é que é difícil fazer um site só sobre cetogênica porque ela muda muito de acordo com o que a pessoa está procurando.

Para emagrecimento é uma coisa, para bipolaridade é outra… pessoas com problema de fígado vai ser uma coisa, com diabetes é outra.

Então tu não tem como ter… teriam que ter vários sites, várias abas para diferentes doenças.

Então nós fazemos o que nós podemos, sabe? Fazemos o melhor que podemos.

Variações Da Dieta Cetogênica

Guilherme: Com certeza, Ju!

E você mencionou que tem várias variações dependendo do objetivo que se pretende, desde composição corporal, até tratamento de condições neurológicas, enxaqueca, dentre outras.

Que tipos de diferenças principais nós podemos apontar rapidamente entre essas diversas dietas cetogênicas que nós vemos por aí?

Porque talvez para a maioria das pessoas, sempre ouve falar “a” dieta cetogênica.

E não tem uma diferenciação entre a terapêutica e a que você vê as pessoas seguindo para emagrecimento, por exemplo.

Juliana Szabluk: Ah, bem legal! Isso é bem importante de falar e eu não vejo muita discussão no Brasil ainda.

Olha só, a principal diferença, para ser mais breve, são as gorduras.

Então quanto de gordura deve-se comer na cetogênica? “Ah, 70% deve ser gordura… aquelas pessoas tomando xícaras de manteiga…” não, não! Se tu quer emagrecer não é por aí o caminho. E nem se tu não quer emagrecer.

As gorduras em excesso são muito mais para um equilíbrio com relação a esses déficits neurológicos, cognitivos.

Até porque se tu tem uma mente estável e tu fica te atolando de gordura, que é uma fonte de energia, principalmente de cadeia média — os MCTs — tu vai ter muita energia. Por que a gente vai ter a dieta do MCT para epilepsia, por exemplo? Justamente para equilibrar um cérebro que tem uma deficiência, vamos dizer uma deficiência neurológica.

Se tu não tem uma deficiência neurológica e tu está suplementando com um monte de MCT, o que vai acontecer? Tu vai ter um excesso de energia.

Por isso que eu mudei lá a minha opinião sobre o bulletproof coffee, por exemplo, porque eu estava vendo um monte de gente: “Eu não estou mais dormindo! Eu estou enlouquecido aqui, não consigo mais focar” e daí acontece que nem eles falam — backfire: o tiro sai pela culatra.

Vira o oposto daquilo que tu queria!

Então, em dietas para o emagrecimento o consumo de gordura é basicamente o mesmo da paleo.

Tu só vai tirar carboidrato, porque a verdade da cetose é tirar carboidrato.

A cetogênica terapêutica, sim, tu vai colocar mais gorduras. Mas mesmo assim: quais gorduras? Geralmente os MCTs.

, mas aí tu tem problema com gordura saturada…  então é difícil: o azeite de oliva, então, para cozinhar.

Porque tu vai conversar com as pessoas é “gordura saturada, gordura saturada, gordura saturada!”. Muita tranquilidade na gordura saturada!

Então às vezes cozinha com azeite de oliva, às vezes cozinha com manteiga, às vezes com banha, mas aí come menos carne…

Tu vai jogando para não ser uma martelada de gordura saturada.

Então, em termos gerais, a grande diferença é a quantidade de gordura.

Para quem está querendo emagrecer, nossa, eu corto bastante as gorduras das pessoas! E aí o que acontece?

Fica todo mundo frustrado porque o número de corpos cetônicos cai: “Ah, mas eu não estou emagrecendo!”, não, nada a ver.

O número de corpos cetônicos para emagrecer não vai ser “ah, eu tenho 3, tenho 2. Eu estou emagrecendo menos se eu tenho 2”. Não.

Os benefícios mentais e cognitivos reguladores dos processos, sim. Mas de emagrecimento nós sabemos — 0,5 a 1.

A partir disso é muito bonito tu ver pessoas com bipolaridade, e isso nós sabemos, não tem estudos científicos, é tudo por relato.

E benefícios mentais e cognitivos os médicos mesmos colocam: a partir de 2-3.

Para isso tu vai ter que suplementar com gordura. Não tem o que fazer. Só que a gordura engorda e daí tudo fica naquela faca de dois gumes.

Então tu acaba fazendo… se a pessoa tem diversos problemas, um tratamento de diversas fases, em que tu vai ter a gordura para a regulação desses mecanismos, tu vai ter a retirada de gordura para o emagrecimento, quais gorduras tu vai usar… tudo isso tem que ser trabalhado.

Mas em termos gerais, para resumir, é isso:

Se você quer emagrecer, coma gordura normal, sem medo. É só não ter medo. É cozinhar sem medo. Mas não tem que acrescentar gordurinha no café!”

Agora, se tu está procurando uma regulação comportamental — que eu não gosto muito falar “patologias mentais”, porque muitas vezes é só uma questão comportamental mesmo, hormonal, uma coisa assim — então um pouco mais de gorduras para dar mais energia ou alguma coisa assim, para você atingir ali corpos cetônicos de 1,5-2.

Agora, se tu tem epilepsia e coisas bem mais graves, uma bipolaridade mais grave, aí, por favor, procura teu médico.

Tem que ser um médico, gente, porque daí tu vai precisar de corpos cetônicos acima de 3 e, para isso, os pratos têm que ser muito inteligentes porque pensa só.

Os vegetais, os carboidratos que tu vai ter que comer vão ser bem reduzidos, tu vai ter que ter suplementação, não tem o que fazer, e isso só um médico para te ajudar.

Tem que ter muita responsabilidade. É isso.

Dieta Cetogênica E TPM

Roney: Perfeito, Ju.

Nós acreditamos bem nisso tudo o que você falou, também nisso de que quando você tem condições mais graves, com certeza, ter um médico é super importante.

Nós sempre gostamos de destacar isso até nos nossos textos, nos nossos podcasts.

Ju, você como mulher, poderia dar uma visão um pouco melhor nesse tópico que nós, que seria a questão da TPM.

Como fica isso durante a dieta cetogênica?

Porque tem muita mulher que tem uma tendência maior a comer doces — pessoas que não seguem a dieta cetogênica — durante o período de TPM. Como fica essa questão durante a dieta cetogênica?

Também vem essa vontade maior de doces ou ela dá uma atenuada?

Juliana Szabluk: Ah, então, é bem interessante essa pergunta porque não existe uma resposta única.

Nós vamos ter relato de absolutamente tudo.

E eu sugiro para quem quer se divertir e fala inglês, tem um grupo no Facebook que eu acompanho e eu muito engraçado, que se chama Women on Keto — Mulheres na Cetogênica — e tu vai ver de absolutamente tudo ali.

E as mulheres chamam a TPM nos primeiros meses de keto de “a semana do tubarão” — shark week — que é o quê? A TPM piora muito!

Nunca vou esquecer do relato da moça contando que o marido fecha a porta quando ela está de TPM, ele abre de cantinho, toca chocolates lá para dentro, fecha e tranca, porque ela fica louca! Completamente louca.

E olha, a grande parte dos relatos é que nos meses iniciais de cetogênica desregula mais do que regula.

Então, quantos meses? Olha, vamos botar… eu gosto muito de brincar que três meses para regular o sistema, mais três para regular a parte feminina.

Mais ou menos meio ano. Cinco meses, seis meses, para que tu possa dizer que tu está regulada ou não.

A questão comportamental provavelmente vai agravar um pouco no início. Qual é a dica?

É ler a entrevista com a Janaína Koenen lá no site, no revolucaoketo.com.

Lá tem a entrevista com a Janaína, que é Endocrinologista e pode falar muito melhor do que eu.

Eu falo em nome das mulheres do grupo.

A situação é a seguinte: comer mais carboidrato nesses dez dias anteriores.

Não, não é para comer mais pão. Não! “Ah, vou comer um pão e depois vou comer carne o dia inteiro”. Não!

Carboidratos no sentido: linhaça, chia, nozes, castanhas, leite de amêndoa… esses carboidratos que são cetogênicos.

Aumentá-los nesses períodos de intensa ansiedade porque o corpo está pedindo isso. Ouça o seu corpo e faça isso.

Há muitos médicos nos Estados Unidos que fazem a cetogênica cíclica para mulheres, pregando que nesta fase entre a ovulação e a TPM, não seria possível ficar em cetose.

Mas é questionável, é questionável. Pode ser que para algumas mulheres sim e para outras não.

Isso aí é de se analisar em longo prazo, ao longo desses meses. Se a situação não melhorou, é de se pensar em uma cetose cíclica, sim.

Agora, o que eu diria de coração para as mulheres?

Gente, não precisa estar na cetogênica para se curar de todos os males!

Por que eu digo isso? Porque eu vejo gente parando de menstruar, gente perdendo cabelo, meninos! As pessoas perdendo cabelo!

E acha que precisa estar na cetogênica… pelo amor de Deus!

Saia da cetose imediatamente se não está menstruando e está perdendo o cabelo!

Porque é grave deficiência nutricional!

Agora, também é importante dizer… “Não, não estou em grave deficiência nutricional, mas eu estou dando umas piradinhas a mais neste período”.

Espera um pouco… “Ah, estou menstruando a mais, menstruei duas vezes no mês”, a hiperfertilidade da keto, que chama. Tomem cuidado! “Ah, eu uso pílula!”.

Tomem cuidado nesse período de adaptação, esses primeiros seis meses, porque a quantidade de relatos de mulheres que tomam pílula, entram na cetogênica tomando pílula e engravidam mesmo assim é significativa.

Então tomem cuidado. A gente fica muito fértil, então pode menstruar mais de uma vez, pode ficar mais fértil do que a pílula desejaria que tu estivesse.

Então desregula bastante nesses meses iniciais.

Ter cautela nesse período, ouvir o corpo e, se começar a ter deficiências graves, por favor, parem com a cetogênica e fiquem em uma low-carb e voltem para a cetogênica nesses 15 dias iniciais do mês, ou não voltem e fiquem em uma low-carb mais restrita.

Os benefícios também vão ser vários, gente, pelo amor de Deus!

É isso que eu tenho para dizer para as mulheres.

Roney: Perfeito, Ju!

Acho que foram ótimas colocações, passou aí uma experiência, tanto a sua quanto a de outras mulheres que você já teve relato, e é super bacana porque nós não podemos passar esse tipo de experiência.

Nós temos alguns relatos, mas não temos a experiência e, com certeza, vai complementar muito, porque é sempre uma dúvida bem recorrente nas mídias sociais, no e-mail, nos comentários do site, então, muito obrigado por essa visão.

Juliana Szabluk: Oh, se eu estivesse respondendo para as leitoras de vocês, eu diria assim: a verdade da TPM nos primeiros seis meses de cetogênica é que ninguém sabe o que vai acontecer. Cada corpo é um corpo.

Agora, pode menstruar mais, pode não menstruar.

Se ficar três, quatro meses sem menstruar, já vai para o médico porque não é bom.

Agora, “não menstruei um mês”, aguarda o próximo; “menstruei mais de uma vez” é normal; “fiquei mais maluquinha do que o normal” é normal; “perdi libido” é normal; “estou subindo pelas paredes, penso no meu marido 24 horas” também é normal.

E para os homens também! Isso é legal de vocês falarem, meninos, porque isso vocês podem falar e eu não.

E tu sabe que os meus clientes homens ficam com vergonha de falar que na cetogênica é aquela loucura, , meninos?

É uma vontade de ter uma namorada, digamos assim em termos bem bonitos, o tempo inteiro porque a libido fica incontrolável para os homens.

Então é um assunto bem interessante colocar também, que eu não tenho respaldo aí para falar.

Mas as mulheres também têm isso.

Ou perdem libido ou aumentam a libido. Ou seja, mexe muito com o sistema e tudo pode acontecer.

Aguardar esses seis meses iniciais para o corpo estabilizar bastante, sabendo que se tiverem coisas graves como perda de cabelo, quebra de unha, insônia, fraqueza muscular, opa, sinal amarelo.

Os Hábitos Saudáveis Da Juliana

Guilherme: Ah, perfeito, Ju!

Bastantes colocações, bastantes ponderações.

Acho que realmente a gente nunca pode parar de ouvir o nosso corpo porque ele está dando sinais o tempo todo — e, ao mesmo tempo, não é para se desesperar por qualquer pequena alteração.

Além de elas serem normais no dia-a-dia, terem vários fatores envolvidos além da mudança dietética — uma semana mais estressante, uma noite mal dormida aqui e ali — também temos que entender que cada vez que você muda alguma coisa de impacto na sua vida, talvez leve um tempo para o corpo se ajustar.

Mas também não é nunca para ignorá-lo e ficar se empurrando contra a parede quando tiverem vários sinais de que está tudo errado — igual você mencionou de cair cabelo, perder a libido, não menstruar por meses… bom, talvez “algo de errado não esteja certo”, como se diz por aí.

E chegando na nossa parte final da entrevista, você mencionou vários assuntos interessantes e algumas prioridades que você toma na sua vida, inclusive o controle do cortisol, essa questão do estresse… que outros hábitos saudáveis, além da alimentação, você adota no seu dia-a-dia?

Juliana Szabluk: Eu considero algumas verdades universais e ancestrais que nós perdemos ao longo desses milhares de anos em que a gente ficou preso à visão e ao paladar.

A gente se alimenta através dos seis sentidos. Seis eu coloco porque a gente ainda tem o sentido espiritual junto, que não precisa ser religioso, mas um contato com a natureza, seja o que for. Seis sentidos.

Então, o que tu coloca na tua pele, o que tu fala, o que tu ouve, o que tu lê, o toque, quem te toca… tudo isso te alimenta da mesma forma: “Ah, que coisa mais mística e bagaceira que essa guria está falando!”. Não. Isso é incrivelmente poderoso.

Se a gente parasse para pensar, fizesse uma reflexão um pouco breve sobre como a alimentação ancestral nos modifica a saúde e visse o respeito que esses ancestrais tinham pela alimentação local, pela sazonalidade dos alimentos e, principalmente, pelo respeito aos horários do dia; esse, para mim, olha, com todo o respeito à nutrição, mas o sono é a chave de tudo.

Me pergunta que hora eu durmo e que hora eu acordo… porque eu deito ali pelas 21h, durmo às 21h30 e acordo entre 05h30 e 06h, sendo que eu não tenho horário para trabalhar, como boa freelancer, mas eu acordo esse horário para fazer ioga enquanto as meninas estão dormindo.

E também para ir no jardim e ver o nascer do Sol, essa coisa toda.

Como eu fui uma criança muito urbana, filha de Atari e eu fui comer um legume a primeira vez eu acho que eu tinha 20 anos — tanto que eu tenho miopia porque eu fui uma criança criada dentro de apartamento, não tomava Sol e foi horrível assim — essa descoberta dos outros sentidos, gente, eu não sei dizer para vocês qual deles é o mais poderoso.

Porque eu saio da keto, entro na keto, saio da cetogênica e entro na cetogênica, e os outros sentidos… essa alimentação ancestral dos outros sentidos me mantém firme e forte da mesma maneira.

Mas eu levo aquilo que os cheiros, os aromas, os óleos essenciais que eu uso na minha pele — eu não uso hidratante, eu uso óleo — eu faço massagem para dormir, os cheiros do meu quarto, do meu espaço de ioga, pisar na terra todos os dias, o que me toca — as pessoas que me tocam — eu só ando com as pessoas que eu amo, me fazem bem, os sons que eu ouço — eu estou cada vez menos ouvindo televisão, rádio… não fico no trânsito, essa loucurada do cotidiano…

Me libertando disso tudo cada vez mais e ouvindo o que os meus professores de cultura ancestral têm a me dizer ao longo desses milhares de anos. Eu estudo as frequências dos sons…

Nossa, não tem fim.

Se tu começa a estudar e te apaixonar “mas por que esse tipo de alimentação faz essa transformação no corpo? Por que acordar cedo e dormir cedo faz essa transformação no corpo?” e tu começa…

“E onde é que para isso? Até onde vai tudo isso?”. Essa é a minha sede de conhecimento… “, mas o que essa vida ancestral… qual é o poder dessa vida ancestral?”. Não tem fim!

Não tem fim e é muito lindo e mágico. Não é mágico porque é científico!

É só respeitar o corpo humano da maneira pela qual ele se formou ao longo desses milhares de anos todos.

Então tudo nos atinge, tudo nos afeta: o excesso de informação, o excesso de poluição, o excesso de químico de infinitas formas — não é só o agrotóxico, não é só o produto na caixinha.

É a briga com o marido, é a discussão, é falar mal, é pensar mal…

Todas essas situações têm que ser abordadas e, olha, eu vou dizer para vocês que quando eu coloco nos meus planos que eu indico para as pessoas, eu coloco exercício de respiração, eu coloco o pé no chão e olha, essas pessoas começam a dormir de novo, porque é isso mesmo, gente.

A nutrição é linda e ela abarca infinitas coisas na vida.

Não é só o alimento, ? Essa é a minha mensagem, de alimentação ancestral em todos os sentidos, não só o que entra pela boca.

Roney: Perfeito, Ju!

Caramba, acho que de todos os nossos convidados você foi a que respondeu de forma mais completa essa de outros hábitos saudáveis que têm na vida.

Bastante coisa em todas as áreas, praticamente, e um ponto em comum é a questão do sono.

Acho que a maioria das pessoas que se importam com a saúde acabam percebendo, mais cedo ou mais tarde, que o sono é realmente muito importante para tudo na vida.

E agora, para finalizar, Ju, a gente gostaria que você deixasse as suas mídias sociais, onde quem está nos ouvindo pode te acompanhar mais, ver seus posts e saber mais sobre você.

Entre Em Contato Com A Juliana

Juliana Szabluk: Ah, nem vou indicar as mídias sociais. Eu vou indicar o site e lá no site a pessoa encontra… que grave o site — fica mais fácil — que é: www.revolucaoketo.com.br e lá vai me encontrar e encontrar as mídias sociais por lá.

Guilherme: Show, Ju!

Muito obrigado pela presença, novamente. Nós adoramos contar com você aqui trazendo um pouco da experiência, das trincheiras, a experiência em primeira pessoa desse estilo alimentar, e também dos estudos e de tudo o que você tem pesquisado e implementado na sua vida e ajudado as outras pessoas a implementarem também.

Por isso o nosso muito obrigado novamente por ter participado do nosso podcast.

Juliana Szabluk: Ah, obrigada, meninos!

E parabéns pelo trabalho, que a gente tinha falado antes, eu repito para os leitores e público, audiência: o carinho que esses dois têm com o conteúdo é incrível!

Gente, leva muitas horas para fazer cada coisinha bem feita, diagramada, pensada, sem erros de português, tudo editado…

Tenho um carinho por eles, pela seriedade deles e aqui, da minha parte agora, vocês ganham uma amiga.

Antes vocês tinham uma leitora, agora vocês têm uma amiga.

Sempre que precisarem de uma mão, estou aqui para vocês para ajudar no que precisar, bom?

E para toda a audiência de vocês também. Podem me buscar… o que precisarem.

Guilherme: Ah, que lindo!

Muito obrigado! A gente fica super feliz com os elogios e com as suas palavras gentis.

Obrigadão, Ju!

Juliana Szabluk: Obrigada!

Um beijo para vocês!

Roney: Um beijo, Ju.

E a gente também queria aproveitar para agradecer a todo mundo que nos escutou até aqui, toda a nossa audiência.

Esperamos que você tenha gostado desse episódio e, se gostou, você pode nos seguir lá no Soundcloud, no iTunes, no Spotify — porque todas as segundas-feiras saem episódios novos, como esse.

Guilherme: Pessoal, muito obrigado!

Sigam a gente, sigam a Ju — e a gente se fala segunda-feira que vem.

Um forte abraço,

Guilherme e Roney: Do Senhor Tanquinho.

3
Deixe um comentário

avatar
2 Tópicos da discussão
1 Respostas ao tópicos
0 Seguidores
 
Comentário mais recentes
Comentário mais quentes
3 Comentário dos autores
Guilherme e RoneyRamon PontualNilce Lins Comentário recente dos autores
  Receba atualizações dos comentários  
mais novos mais antigos mais votados
Notifique-me de
Ramon Pontual
Visitante
Ramon Pontual

Fantástico esse podcast!! Acompanho o trabalho de vcs e da Ju tbm!! Vcs estão de parabéns!!

Nilce Lins
Visitante
Nilce Lins

Muito bom esse podcast! Quero entender uma coisa: quando ela fala sobre o colesterol lá no início, que tirou a carne vermelha. Ela realmente aumenta o colesterol?
Aproveitando quero saber uma coisa. o creme de leite de lata ou caixinha não pode ferver ou pode? Vlw meninos. Bju.

Guilherme e Roney
Visitante
Guilherme e Roney

Bom dia Nilce, tudo bom?

O consumo de gorduras saturadas realmente está relacionado com um aumento do colesterol. É falado mais sobre isso aqui: https://www.senhortanquinho.com/podcast-028-nutri-joao-gabriel-abre-o-jogo-sobre-refluxo-colesterol-e-dieta-low-carb/

De toda forma, isso não torna a carne vermelha um alimento perigoso, conforme falamos mais aqui: https://www.senhortanquinho.com/carne-vermelha-8-mitos/

Não conhecemos nenhum problema em ferver o creme de leite, inclusive ele passa por esse processo em diversas receitas que ensinamos, como é o caso do brigadeiro: senhortanquinho.com/brigadeiro

Esperamos ter ajudado – forte abraço!