Como Funciona O Banquinho De Cócoras, E Por Que Ele Pode Te Ajudar

Você talvez já tenha ouvido falar do banquinho de cócoras (este acessório aqui).

E, se ouviu esse nome, provavelmente ouviu dizer mil maravilhas sobre ele.

Talvez já tenha até ouvido dizer que o banquinho de cócoras:

  • facilita o movimento de evacuação, 
  • é ergonômico, 
  • acaba com o desconforto para defecar, 
  • é barato, e 
  • dura uma vida inteira.

Mas será que tudo isso é verdade mesmo?

Neste artigo, você vai obter a resposta para todas essas perguntas.

E mais: vai descobrir quais tipos de pessoas podem se beneficiar de usar o banquinho de cócoras — um acessório simples mas muito poderoso, especialmente para quem tem intestino preso.

Antes de mais nada, vamos entender o que é o intestino preso, e o que pode estar causando esse problema.

O Que É Intestino Preso Ou Constipação Intestinal

De maneira resumida, a constipação intestinal acontece quando você tem dificuldades de evacuar.

Para diagnosticar isso, você não quer observar apenas a frequência (ou a quantidade) das suas idas ao banheiro — embora isso também seja importante.

Em vez disso, você também vai observar a qualidade das suas idas ao banheiro.

Isto é, se elas acontecem com dor, desconforto, tendo que fazer força para evacuar, com fezes ressecadas, e sensação de “bloqueio” no reto… então possivelmente você está com constipação sim.

Inclusive, a médica especialista em intestino Dra. Ana Martha Moreira explica o seguinte.

O correto seria algo entre duas vezes ao dia, até três dias sem ir.

Isto é, desde ir todos os dias (duas vezes ao dia,) passando por ir uma vez ao dia… até ir uma vez a cada 3 dias.”

Ou seja: não existe uma única frequência saudável de idas ao banheiro — e não é porque você não vai todos os dias que necessariamente há algum problema.

Além disso, a constipação intestinal pode ter várias causas, dentre as mais comuns, incluímos:

  • mudanças na sua dieta,
  • mudanças no seu nível de atividade física,
  • mudanças no seu sono,
  • uso de alguns remédios ou medicações,
  • pouca ingestão de água,

entre outras.

A constipação intestinal também pode ser sintoma de alguma outra condição — por exemplo, ela pode ser um dos sintomas da síndrome do intestino irritável, ou da diverticulite, por exemplo.

Resumindo: A constipação intestinal ou prisão de ventre pode se manifestar de formas diferentes para pessoas diferentes.

Poucas idas ao banheiro (pouca frequência) é uma das mais comuns, mas a necessidade de esforço durante a evacuação, e sensação de evacuação incompleta também são formas de manifestação dessa condição.

Nesse contexto, note que a prisão de ventre pode estar envolvida de alguma forma com a alimentação.

Vamos falar rapidamente sobre isso, antes de explicar como o banquinho de cócoras pode te ajudar.

Intestino Preso E Alimentação

Um dos principais fatores ligados ao intestino preso é, sem dúvida, a alimentação.

Talvez você já tenha ouvido falar isso, e talvez pense que a solução é “comer mais fibras”.

E, às vezes, isso até pode ajudar.

Por exemplo, nesta lista de 15 alimentos low-carb que ajudam a soltar o intestino, você vai ver que vários deles são de fato ricos em fibras.

Estamos falando de alimento como:

No entanto, você pode notar que esta lista conta com outras indicações também.

Como o consumo de água — que é essencial para o bom funcionamento intestinal.

E de azeite de oliva — que facilita a passagem do bolo fecal.

Inclusive, alguns estudos já observaram que a ingestão de azeite de oliva, e de outras gorduras saudáveis, ajuda a combater a prisão de ventre. [1]

E por que é importante falar sobre outros fatores alimentares além das fibras?

Porque nem sempre aumentar a ingestão de fibras melhora a saúde do seu intestino.

Por exemplo, um estudo feito em 2012 e publicado no World Journal of Gastroenterology — uma respeitada revista científica sobre gastroenterologia — mostrou que “cessar ou reduzir a ingestão de fibra dietética reduziu a constipação e os seus sintomas associados.” [2]

Isto é: as pessoas que começaram a comer menos fibras conseguiram melhorar suas idas ao banheiro, e resolver a prisão de ventre.

Para outras pessoas, por exemplo, o consumo de leite e seus derivados pode causar constipação.

As causas são diversas: desde a presença de lactose, até de um tipo específico de caseína (uma das proteínas do leite), muitos são os fatores que levam pessoas a buscarem uma dieta sem laticínios.

E ainda: muitas pessoas ainda podem ter condições como uma sensibilidade aos FODMAPs (alguns tipos de carboidratos fermentáveis).

Essas sensibilidades podem predispor ao intestino preso, mesmo que você esteja “fazendo tudo certo”.

Isto é: a saúde intestinal é algo complexo, e envolve ir além do óbvio.

Temos um treinamento completo sobre o assunto, e ensinamos o passo a passo do intestino saudável do curso Sistema do Intestino Inteligente.

Resumindo: A alimentação pode estar envolvida na constipação intestinal, mas nem sempre basta “acrescentar mais fibras” para melhorar a saúde do intestino.

Nesse contexto,  será que usar o banquinho de cócoras pode ajudar?

Banquinho De Cócoras — Como Funciona

O banquinho de cócoras funciona porque ele simula a posição de cócoras na hora de evacuar.

Essa posição facilita o ato de defecar porque cria um ângulo mais favorável e natural para o cólon. 

Com o uso do banquinho de cócoras, seu cólon fica naturalmente mais aberto (facilitando a passagem das fezes), em vez de torcido.

Inclusive, há um estudo japonês, de 2010, que investigou isso. [3]

O estudo comparou a efetividade de defecar em 3 posições distintas:

  • Sentado,
  • Sentado com um ângulo de 60° (entre o quadril e o resto do corpo), e
  • Agachado, com um ângulo de 22.5° entre o quadril e o resto do corpo.

Note que a posição “agachado” é similar ao efeito de usar um banquinho de cócoras.

Os pesquisadores concluem:

Os resultados do presente estudo sugerem que, quanto maior a flexão de quadril obtida ao se agachar, mais alinhado ficará o canal retal e menos esforço será necessário para defecar.”

Ou seja: usar o banquinho de cócoras para evacuar funciona.

Um outro estudo, de 2019, foi ainda mais preciso. [4]

Nele, 52 voluntários registraram suas idas ao banheiro por 4 semanas: as 2 primeiras semanas, sem o banquinho de cócoras, e as próximas 2, com o banquinho de cócoras.

Os resultados do estudo foram muito bons.

Pois o uso do banquinho de cócoras:

  • diminuiu o esforço necessário para evacuar,
  • melhorou a sensação de esvaziamento completo do intestino, e ainda
  • diminuiu o tempo gasto nas idas ao banheiro.

Ou seja: as pessoas ficaram menos tempo no banheiro, se aliviaram mais, e com menos esforço, ao usar o banquinho de cócoras.

Além disso, outras pesquisas indicam que a posição de defecar influencia bastante os desfechos de saúde.

Porque outro artigo de 2019 nota que, nos locais onde a prática comum é defecar em posição agachada (cócoras), há uma menor incidência de problemas intestinais e pélvicos, como:

  • hemorróidas,
  • prolapso retal,
  • síndrome do intestino irritável,
  • doença intestinal inflamatória,
  • apendicite,
  • câncer colorretal, e
  • colite ulcerativa,

dentre outros. [5]

O estudo conclui o seguinte.

Chegou a hora de ajudarmos as pessoas a se familiarizarem novamente com seus hábitos naturais, e colocar um fim neste experimento infeliz [de defecar sentadas].”

Resumindo: As evidências são muitas de que evacuar em cócoras ajuda no ato de defecar. O banquinho de cócoras atua elevando seus pés para favorecer essa exata posição na hora de ir ao banheiro.

Banquinho De Cócoras — Você Deveria Experimentar?

Até agora, vimos que o ser humano parece ser muito mais apto a evacuar quando numa posição como a de cócoras.

No entanto, será que você deveria testar?

Na nossa opinião, sim.

Por um lado, o banquinho de cócoras não é uma pílula mágica, que vai resolver todo e qualquer problema de ordem intestinal.

Por outro, realmente não há nenhuma contraindicação para seu uso.

Comprar um banquinho de cócoras de boa qualidade é um investimento que você faz apenas uma vez, por pouco mais de 100 reais.

E ele dura por anos e anos a fio — os autores do texto usam o mesmo banquinho já há mais de 5 anos, e ele não apresenta nenhum sinal de desgaste ou uso.

Sinceramente, se você tem qualquer problema de ordem intestinal, ou faz força para ir ao banheiro, ou sente que suas evacuações nem sempre são completas…

Vale muito a pena investir num banquinho de cócoras.

Conforme mostramos acima, a ciência aponta que ele facilita muito as idas ao banheiro. 

E, sinceramente, não há motivos para não ter um.

Afinal, mesmo no pior dos casos, nada de ruim vai acontecer. Porque, diferentemente de um remédio, medicamento, ou laxante, apoiar seus pés num  banquinho não tem efeitos colaterais.

E, no melhor dos casos, sua vida, e suas idas ao banheiro, podem mudar de uma vez por todas.

Por fim, o banquinho de cócoras ainda pode proporcionar benefícios como evitar risco de prisão de ventre, hemorroidas, e até mesmo infecções urinárias ou problemas na pélvis.

Resumindo: O banquinho de cócoras não promete resolver todos os problemas intestinais do mundo.

No entanto, ele não tem contraindicações, é altamente durável, é barato, e pode aliviar muito suas idas ao banheiro. Você investe uma vez, e se alivia todos os dias.

Invista agora mesmo no seu conforto intestinal.

Banquinho De Cócoras — Conclusão E Palavras Finais

A constipação intestinal é uma questão multifatorial.

Pessoas com constipação devem investir em todos os tipos de soluções naturais que puderem encontrar.

Algumas das principais incluem:

  • beber mais água,
  • fazer mais atividade física,
  • dormir bem,
  • ajustar a alimentação,

dentre outras.

Um médico especializado vai poder te ajudar mais de perto com todas essas medidas.

Ao mesmo tempo, você pode começar a melhorar a frequência e o conforto das suas idas ao banheiro com uma medida simples, natural, e sem efeitos colaterais, como o banquinho de cócoras.

Se você busca entender mais como os alimentos afetam a saúde intestinal, recomendo que participe do nosso treinamento avançado Sistema do Intestino Inteligente.

E, se deseja aprender mais sobre o banquinho de cócoras e garantir o seu, recomendo que toque aqui e garanta o alívio do seu intestino.

Referências

Para tornar a leitura mais fluida, agrupamos nesta seção algumas das referências consultadas para a elaboração deste artigo.

Note que você pode ter acesso a um livro físico que reúne em linguagem simples (e com mais de 300 referências bibliográficas) tudo o que a ciência reúne de melhor sobre alimentação e saúde: conheça o livro Saúde Sem Mitos.

E lembre-se: você não precisa ler todos os estudos científicos do mundo para ter um intestino saudável e feliz. 

Porque nós já fizemos todo esse trabalho para você, e o apresentamos num simples sistema de 3 fases (os 3 Rs do alívio intestinal), no programa Sistema do Intestino Inteligente.

  1. Ramos, C. I., Andrade de Lima, A. F., Grilli, D. G., & Cuppari, L. (2015). The short-term effects of olive oil and flaxseed oil for the treatment of constipation in hemodialysis patients. Journal of renal nutrition : the official journal of the Council on Renal Nutrition of the National Kidney Foundation, 25(1), 50–56. https://doi.org/10.1053/j.jrn.2014.07.009 
  2. Ho KS, Tan CYM, Mohd Daud MA, Seow-Choen F. Stopping or reducing dietary fiber intake reduces constipation and its associated symptoms. World J Gastroenterol 2012; 18(33): 4593-4596. https://dx.doi.org/10.3748/wjg.v18.i33.4593
  3. Sakakibara, R., Tsunoyama, K., Hosoi, H., Takahashi, O., Sugiyama, M., Kishi, M., Ogawa, E., Terada, H., Uchiyama, T., & Yamanishi, T. (2010). Influence of Body Position on Defecation in Humans. Lower urinary tract symptoms, 2(1), 16–21. https://doi.org/10.1111/j.1757-5672.2009.00057.x 
  4. Modi, R. M., Hinton, A., Pinkhas, D., Groce, R., Meyer, M. M., Balasubramanian, G., Levine, E., & Stanich, P. P. (2019). Implementation of a Defecation Posture Modification Device: Impact on Bowel Movement Patterns in Healthy Subjects. Journal of clinical gastroenterology, 53(3), 216–219. https://doi.org/10.1097/MCG.0000000000001143 
  5. Bhattacharya, S., Chattu, V. K., & Singh, A. (2019). Health promotion and prevention of bowel disorders through toilet designs: A myth or reality?. Journal of education and health promotion, 8, 40. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6432810/ 

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