Podcast #067 — Corrida E Dieta Low-Carb, Com O Treinador Danilo Balu

Um bom treinador é aquela pessoa que evita que o cliente, aluno, ou atleta dela faça barbeiragem.”

No episódio de hoje, vamos falar muito sobre corrida.

E nada melhor do que contar com o treinador Danilo Balu para fazer essa verdadeira maratona (não resisti ao trocadilho) por tantos bons assuntos.

Veja que começamos na corrida — mas tem tópicos úteis para muita gente.

E até nós dois, que não corremos, gostamos de entender a maneira inteligente e sensata de abordar os problemas que o Balu demonstra.

Então recomendo que você escute o podcast até o final para saber exatamente:

  • quem é o Balu e quem são “os zumbis da corrida”,
  • quais são os maiores erros da dieta dos corredores,
  • quais os 2 grandes erros de treino os corredores cometem,
  • a verdade sobre a periodização da corrida,
  • o que o Balu aprendeu correndo na Etiópia,
  • a utilidade da beta-alanina na corrida,
  • o que você precisa saber sobre a aveia,
  • por que negamos a realidade para comer coisas de que gostamos,
  • sobre usar cerveja como fonte de água,
  • como começar a correr — se você nunca fez isso antes,
  • qual o papel do treinador para quem começa a correr,
  • por que temos medo de correr? Joelho, lombar, lesões e mais,
  • a corrida atrapalha o ganho de massa muscular?
  • qual é o melhor tênis para correr,
  • como a alimentação low-carb ou cetogênica influencia a corrida,
  • por que você pode ser low-carb — e mesmo assim comer carboidratos pode ajudar seu desempenho,
  • você deveria tomar gel durante a prova? A opinião do Balu,
  • o que o Balu gostaria de pedir a você — e a toda a nossa sociedade,

e muito, muito mais.

Você pode ouvir a entrevista completa no player abaixo.

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E, ao compartilhar este episódio, o conhecimento aqui presente vai ser cada vez mais difundido.

Lembre-se de dizer ao Balu que curtiu o episódio — mande uma mensagem a ele no Instagram @danilobalu (https://instagram.com/danilobalu).

A transcrição completa do episódio está disponível abaixo.

Transcrição Completa Do Episódio Com O Danilo Balu

Bem-vindo a mais um podcast do Senhor Tanquinho. Nós somos Guilherme e Roney, e aqui a nossa missão é deixar você no controle do seu corpo.

E, antes de começarmos a entrevista em si, gostaríamos de agradecer à Eliana, da loja Tudo Low Carb, por apoiar esta iniciativa do podcast.

Ficamos felizes em ter entre nossos apoiadores marcas e empresas que nós mesmos usamos e respeitamos.

E o que é a loja Tudo Low-Carb?

É um e-commerce onde todos os produtos que estão à venda são próprios para a sua dieta baixa em carboidratos.

Então é muito legal — porque eles têm ótimos preços, todos os produtos são baixos em carboidratos e é lá que a gente encontra os nossos próprios ingredientes. Lá tem:

e muito mais.

Conheça a loja Tudo Low-Carb.

Este podcast também é oferecido pelo nosso programa completo Guia Dieta Cetogênica — saiba mais sobre ele clicando aqui.

Guilherme: Olá Tanquinho, olá Tanquinha, sejam bem-vindos à mais um episódio do nosso podcast.

E hoje trazemos conosco o treinador Danilo Balu, que já falou com a gente em outra entrevista. Tudo bem, Balu?

Danilo Balu: Opa, tudo bem. Agradeço o convite e vamos lá, será um prazer.

Roney: Para quem não ouviu a outra entrevista, a gente recomenda que escute depois que terminar de ouvir esta — o link para a primeira entrevista está aqui.

Da outra vez, a gente abordou um pouco mais o assunto de nutrição — até porque o Balu também é autor do livro “O Nutricionista Clandestino”.

Mas, hoje a gente vai abordar mais a parte de esporte, a parte de corrida.

Pois o Balu, como a gente disse, é treinador — e autor do livro “O Treinador Clandestino”.

Além de “O veterinário clandestino” — mas isso fica para uma outra conversa.

(Se quiser bons recursos sobre alimentação saudável para pets, confira este texto completo, e esta entrevista de podcast.)

Danilo Balu E Os Zumbis Da Corrida

Guilherme: Então, no outro papo, a gente se encontrou pessoalmente — para tomar um café, conversar sobre alimentação, e tudo o mais.

Infelizmente, um dos efeitos colaterais de a gente ter gravado num café foi que o áudio ficou abaixo do ideal.

Mas a gente vai corrigir isso neste episódio aqui — sendo que o Balu conta a história (do porquê do nome) “clandestino” no outro.

Desta vez, a gente vai falar sobre corrida.

E uma coisa que é interessante, para quem acompanha o Balu nas redes sociais (como no Instagram @danilobalu), é que ele vive respondendo perguntas dos seguidores.

E, em algumas respostas, ele usa o termo “os zumbis”.

Quem são os zumbis, Balu?

Quem são essas pessoas que você menciona quando fala de corrida?

Danilo Balu: Às vezes eu… não vou dizer “me arrependo”…  mas eu poderia pensar um pouco mais antes de escrever algumas coisas. (risos)

Porque eu escrevi o termo “zumbis” — algumas pessoas já abraçaram o termo, falando “Opa, o Balu tá me chamando de zumbi”. Mas eu nem falei quem era zumbi!

Eu chamo de zumbi aquela pessoa que — e eu também tenho que tomar cuidado com essa frase… Eu ia falar “aquela pessoa que corre muito lento”.

Mas o lento é importante colocar num contexto, para enxergar o “correr lento” e o “correr rápido”.

Primeiro que não é uma regra moral: a pessoa que corre mais rápido não é melhor do que a pessoa que corre mais lento. 

E eu não gosto de falar do correr rápido ou lento como uma grandeza arbitrária.

Ah, lento é acima de 6 para 1, por exemplo (pace de 6 min por km).

Não: eu gosto de falar o “correr lento” olhando pelo aspecto do padrão de movimento.

A pessoa quando ela corre à sua frente, você sabe que ela está correndo: ah, passou alguém aqui correndo na minha frente para pegar um ônibus, passou aqui alguém correndo que está atrasado, ou que está correndo por correr.

Você consegue identificar quando alguém corre: então alguém correr é muito fácil de a gente identificar.

Eu chamo de zumbi aquela pessoa que, ao você olhar para ela, você tem certa dificuldade, vamos dizer assim, de detectar o padrão motor de corrida.

Por quê? Ela está correndo tão lendo, porque assim ela foi instruída, que você se pergunta: “mas essa pessoa está correndo?”

Porque não parece que ela está correndo.

Então o zumbi não é só a pessoa que corre 6 para 1.

Não, não, 6 para 1 não é correr como um zumbi — mas aquela pessoa que corre muito lento.

Para a gente colocar em perspectiva, o tempo médio de uma mulher maratonista brasileira é acima de 6 para 1, a média.

Então se, por exemplo, a mulher que está ouvindo isso ela corre a 6min10s para 1, ela não precisa ficar ofendida.

Porque ela é mais rápida do que mais de 50% das mulheres.

A média, se não me engano hoje, é 4 horas 43 min.

Então o zumbi não é necessariamente aquela pessoa que corre numa determinada velocidade. Mas sim aquela pessoa que, quando você olha, você tem uma certa dificuldade de enxergar nela um padrão motor de corrida, porque ela está correndo muito devagar — independentemente da velocidade em que ela está correndo.

Roney: Perfeito, Balu. E me ocorreu uma dúvida. Eu que não sou do mundo da corrida e não tenho a menor intimidade.

E talvez seja a dúvida dos nossos leitores também, que é à respeito desse termo que você está usando, 6 para 1. O que é isso?

Danilo Balu: Tá. 6 para 1 (6:00min/km)  é um jeito coloquial de a gente falar a velocidade da pessoa.

Se eu falo 6 e 15 para 1, eu estou falando que essa pessoa ela corre 1 km, em 6 minutos e 15 segundos.

Então, 4 e 38 para 1, são 4 minutos e 38 segundos para 1 km.

6 para 1, são 6 minutos e zero segundos para 1 km.

É um termo bem informal de a gente falar do ritmo, da velocidade de uma pessoa.

Roney: Perfeito, agora deu para entender.

Os Maiores Erros Alimentares Que Os Corredores Cometem

Guilherme: Achei legal a gente começar com essa pauta dos zumbis né: quem são, onde vivem, do que se alimentam — bem “Globo Repórter” sobre os zumbis. (risos)

E, falando dessa parte “do que se alimentam”… a gente tem muitos corredores aqui no nosso público. A gente percebe que tem cada vez mais pessoas que se interessam pela corrida.

E elas acabam chegando na nutrição como uma das chaves para possivelmente melhorar a performance delas — muitas vezes abaixando o peso, enfim, facilitando a performance no esporte.

Juntamente com o pessoal (que a gente mencionou antes de começar a gravar), que pega dica de dietas com o tiozinho da academia, são algumas das pessoas que têm algumas das ideias mais esdrúxulas sobre alimentação.

Quais são alguns dos erros principais que você vê de alimentação — ou mesmo sobre treino também, se você quiser falar, mas principalmente sobre alimentação —  dos corredores que você observa da galera que te segue, das perguntas que você recebe por ai?

Danilo Balu: Eu acho que os dois maiores, são:

  1. o pecar pelo exagero (e eu já vou falar o que que é esse exagero), e
  2. achar que a corrida (que é o esporte olímpico mais simples que existe) é complicada.

Porque nada é mais simples do que a corrida — nem mesmo a marcha atlética.

Porque a marcha atlética você tem regras… a pessoa tem que estar com pelo menos um pé no solo. Então, a marcha, tecnicamente falando, é mais complicada, mais complexa do que a corrida.

A corrida é o esporte mais simples que existe.

Então existe essa problematização — você deixar tudo complexo, difícil.

Gente, “todo mundo” consegue correr.

Então calma, vamos simplificar a coisa — não tem toda uma magia em volta para deixar a coisa difícil.

O excesso que eu falo é aquela pessoa que pensa “vou começar a correr”.

Então vou lá, vou descobrir como que eu chego no parque no Ibirapuera (que é talvez um dos pontos mais populares em São Paulo).

A pessoa sai, daí ela come um prato de macarrão, daí ela leva uma banana, e toma água… ela se prepara de tal jeito que ela cria um fardo para ela.

Ela come tanto, bebe tanto que isso é um exagero: correr com muita coisa no estômago ou sistema digestivo torna a coisa mais difícil.

Então, determinar o que é muito e o que é pouco é algo que leva um pouco de tempo — a experiência vai te mostrando.

Mas é bem comum a pessoa pecar pelo excesso (de alimentação / hidratação).

Os Maiores Erros No Treino De Quem Corre

Guilherme: E você mencionou o excesso — então, pecar pelo excesso na alimentação.

A pessoa achar que precisa de muito mais “combustível” para fazer a atividade.

E no treino? Quais são alguns erros comuns que você vê do pessoal que erra — especialmente os iniciantes, mas também os mais avançados?

Danilo Balu: Eu acho que tem um erro que é meio comum, de iniciantes e avançados, é você associar “a mais” como “melhor”.

Então a gente tá falando daquela pessoa lá — que eu expliquei o termo 6 para 1 —  então teoricamente o treinador determinou que um treino para uma pessoa deveria ser a 6 para 1.

E ela acha que ela correr a 5 para 1 é melhor do que o 6 para 1.

Na verdade, o treino tem uma intensidade certa.

E uma intensidade certa não é que “mais é melhor”.

Então a pessoa correr mais rápido, ou correr um pouco a mais (isto é, sempre aumentando a intensidade ou o volume), acaba sendo um erro bem comum entre os iniciantes ou mesmo aqueles mais experientes.

Aquele que é bem mais experiente, a vida ensina essa pessoa: porque nada ensina mais do que o amor ou a dor.

Essa pessoa, quando ela exagera, o corpo dela cobra o preço: ela se machuca, o cansaço acumula.

Então, aquela pessoa que ela é bem mais experiente, ela já não comete mais esse erro.

É um erro típico daqueles que não aprenderam ainda com a dor.

Treino De Corrida Precisa Ser Periodizado?

Guilherme: Perfeito. Nesse ponto, a gente acaba até entrando num tópico mais denso — talvez você queira falar sobre ele, talvez não —  que é sobre modular as intensidades do treino: a chamada periodização. Isso é sobrevalorizado? Ou subvalorizado?

Ainda mais levando em conta que os iniciantes, como você falou, tendem a só querer pisar no acelerador mesmo, aumentando a intensidade sempre.

O que as pessoas têm que saber sobre periodização — além do que elas podem aprender se machucando e aprendendo pela dor?

Danilo Balu: Eu acho que são dois pontos na questão do treinamento, mas eles são distintos.

Um é o cálculo de carga.

E, no mercado profissional mesmo — os treinadores que atendem a atletas amadores — é muito fácil você encontrar esse cálculo de carga sendo feito de modo malfeito, de modo equivocado, ou cálculos incorretos de carga de treino.

E o outro aspecto é a periodização — que nada mais é do que você programar os treinos, com um ar todo rebuscado e exagerado e sobrevalorizado.

E o que a experiência e a prática foram me ensinando é que a periodização do atleta amador é muito “exagerada”.

Exagerada no sentido de que ela não te entrega aquilo que te prometem.

Eu acho muito sobrevalorizada, e praticamente não periodizo os meus atletas.

Eu tenho sim uma preocupação muito grande com cálculo de carga.

Porque como está enraizado esse conceito de que mais é melhor, geralmente você tem que criar as suas próprias ferramentas — e não só de cálculo, mas para se assegurar que o atleta não exagere.

O jeito que eu, Balu, uso para garantir que os meus atletas não vão exagerar é mexer com as pausas de recuperação.

Se eu peço para a pessoa fazer, sei lá, fazer cinco tiros de mil metros, por exemplo, na tal velocidade que eu disse, 6 para 1, e eu sei que a pessoa por um mínimo de experiência vai querer correr a 5 para 1, eu faço a pausa de descanso ser curta — tão curta que ela não vai conseguir correr mais rápido que 6 para 1.

Então é o jeito que eu Balu tenho de me assegurar que a pessoa não vai exagerar por conta a intensidade.

Então quando eu vejo assim, olhando para o mercado, eu vejo que o cálculo de cargas — até por inexperiência dos treinadores, que não têm vivência prática na faculdade — é que eu vejo que o cálculo de cargas ele é bem cheio de equívocos.

E aí o pessoal dá uma atenção em algo que para mim é de pouca valia, que é a periodização.

Roney: E nesse ponto da periodização então você não acha que vale a pena se preocupar muito com isso?

Ou que, se for se preocupar com isso, tem um jeito que é melhor de se fazer do que outro jeito?

Danilo Balu: Eu acho, na verdade, que é aquela história de a pessoa tá se preocupando com a cereja do bolo — sabe, do bolo low-carb, óbvio. (risos)

Mas preocupada com a cereja, sendo que ela não tem nem os ingredientes em mãos, sabe?

Ela não tem nem a forma do bolo e ela já tá falando, qual vai ser a cor da cereja?

Pô, mas você não tem nem os ingredientes do bolo, você não tem nem fogão para fazer o bolo, então vamos com calma.

Você dá muita atenção para coisas que fazem pouca diferença.

Ah, um atleta que vai ano que vem aos jogos olímpicos de Tóquio, um cara desse precisa acertar o treino dele? Precisa.

E o cara que vai uns 10 km com o pessoal da academia, ele precisa de todo esse cuidado? Ele não precisa!

Porque aí você vai ver o corredor amador — mesmo os mais dedicados — às vezes o cara tem família, tem filhos, aí o cara pega uma febre, ou então o cara viaja a trabalho, sabe? Coisas que mudam todo o treino.

Porque na faculdade — e é um vício do modelo acadêmico brasileiro — a gente fica aprendendo a fazer cálculos de carga e de treino para atleta olímpico.

E aí quando você sai da faculdade graduado, você não vai trabalhar com atleta olímpico.

Você vai trabalhar com o cara que treina três vezes por semana, que como eu disse, tem família, trabalha e pega trânsito.

E aí você fica fazendo cálculos, você põe assim: “ele nesse dia deveria estar fazendo esse treino”. Mas aí ele não foi trabalhar, foi numa reunião do trabalho e ficou preso. Ou até porque a mulher dele ficou doente e ele teve que pegar o filho na escola.

Isso acontece no amador numa frequência muito maior do que a gente aprende na faculdade, vamos dizer assim.

E aí, então, você fica dando atenção, de novo, para a cereja — quando os ingredientes e o fogão você não tem o menor controle.

É até meio arriscado falar isso, porque assim, quando eu falo, as pessoas assustam um pouco, mas eu não faço periodização dos meus atletas, nenhuma, zero.

Não vou falar que é zero que eu faço o que a gente chama de polimento, que é o descanso, voltado para alguma competição, aquele descanso em cima da hora.

Mas, tirando o polimento, eu não faço.

Na prática eu fui vendo que, toda vez que eu investi energia fazendo periodização, a vida, o mundo, real jogava todas as minhas anotações pro alto, e ria da minha cara.

É o mundo real dando risada do mundo teórico.

Guilherme: Excelente: é quase que um polimento do estilo de vida né.

Porque ele acaba colocando redução do número de treinos que uma pessoa faz, ou da intensidade, ou de qualquer coisa.

Porque, como você disse, as pessoas do mundo real têm outras prioridades que não são treinar todos os dias naquela dada intensidade — essa não é a profissão delas.

E achei bacana também isso que você mencionou, de que as pessoas se preocupam muito no detalhezinho, na cereja do bolo antes de ter os ingredientes em ordem.

Isso é uma coisa que a gente vê também na nutrição: muita gente se preocupa com a marca do suplemento que vai usar.

Mas não parou para pensar na alimentação dela normal do dia a dia.

Isso é uma coisa que a gente vê bastante, especialmente quem começa a treinar— seja musculação, seja corrida ou qualquer coisa.

A pessoa fala: “Eu vou comprar um whey protein.”

E você pergunta: “Por quê? Você come pouca proteína?”

E a pessoa: “Não eu como no almoço e no jantar.”

Você: “Mas quanto? Por que você precisa do whey?”

Pessoa: “Ah, não sei quanto eu como. Então eu vou colocar logo 2 scoops por dia. E quero saber qual marca de whey é melhor. E qual tipo de whey é melhor.”

Sendo que a pessoa não parou para pensar no que ela tá fazendo no dia a dia dela.

Tem Beta-Alanina Na Etiópia?

Danilo Balu: É bem isso!

Sabe, eu tive a oportunidade de ir três vezes para a Etiópia, para acompanhar o treinamento dos etíopes.

E to indo daqui a alguns dias volto para a Etiópia de novo para passar um tempo treinando com os etíopes.

E lá não tem whey protein, não tem frequencímetro, marcador de frequência cardíaca…

Não tem triglicérides de cadeia média, não tem essas coisas, não tem beta-alanina, e a pessoa aqui se preocupa com isso.

Eu falo, “pô, se o cara que corre mais do que todo mundo aqui junto não toma isso, por que eu vou tomar?”

Às vezes eu converso com aluno assim mesmo, a pessoa fala, “ah não, eu tenho que ter isso”.

Eu falo: olha, mas você corre mais do que eu? Não, não corre. Então por que você toma isso se eu não tomo?

Se eu que estudo isso não tomo, por que você acha que isso vai te ajudar?

Eu eventualmente recebo convite de empresas perguntando se eu não quero um suplemento.

E eu não aceito.

E eu sempre tive essa busca por excelência na atlética —  sempre quis correr mais rápido e melhor.

Se eu achasse que uma beta-alanina, antes do treino, me ajudasse, eu tomaria.

Eu sei que a beta-alanina não vai me fazer mal. Tomar um pouquinho antes do treino não vai fazer mal.

Mas eu também sei que isso não vai me ajudar.

Então para que que eu vou deixar de fazer algo para tomar beta-alanina? Para que eu vou gastar dinheiro com beta-alanina?

E, mesmo se me dessem o suplemento, eu também não tomaria.

Quando você olha os melhores do mundo, eles não fazem isso.

É sempre essa preocupação de olhar lá em cima da cereja do bolo — e esquecer de todo o resto.

Eu já corri, já treinei, já competi, e já tive como companheiros de equipe vários atletas incríveis.

E o que a experiência foi me mostrando é que esses atletas, os que são fora da curva, eles sabem o que faz deles melhores.

Eu aprendi muito com esses atletas: quando você conversa com eles, eles sabem, “o que me faz melhor é isso aqui”.

Não é comprar um aparelho ou tomar um remédio, é na pista, é fazer o treino.

E é consistência: Tá chovendo, vai treinar. Tá frio, vai treinar. Eu to cansado, vai treinar. Eu saí tarde da prova da faculdade, vai treinar.

É isso que faz a diferença… não é trocar 2 cápsulas de MCT por 3.

Ele vai aprendendo com a experiência o que faz dele melhor.

E eu sei que os mais lentos e os iniciantes têm uma certa dificuldade de leitura de jogo — ele não consegue ler o esporte, ele acredita que existe atalho.

“Ah, mas se eu tomar esse whey protein, eu não preciso treinar seis vezes por semana — que é o que os mais rápidos fazem. Eu posso treinar duas ou três vezes.”

Aí você tem que dar um tapinha no ombro dele e falar: “olha, você pode tomar o quanto você quiser de whey protein. Se você treinar três vezes e o cara seis, não tem como você ganhar desse cara”.

Aquele cara bom, ele sabe o que que faz dele melhor. E o mais iniciante, o mais lento, ele tem mais dificuldade. E aí também de novo é a experiência que vai ensiná-lo.

A “Polêmica” Da Aveia

Roney: Perfeito, Balu. E nesse ponto de supervalorizar algumas coisas que às vezes não tem tanta importância e esquecer de coisas realmente importantes, eu me lembrei de um post que você fez recentemente com relação à alimentação — o famigerado caso da aveia.

Porque muitas vezes a pessoa vem e fala “eu to fazendo certinho a low-carb: como aqui de manhã a minha aveia, e de almoço este outro prato, e depois essa outra coisa. Será que se eu adicionar água com limão entre as refeições eu vou emagrecer?”

Aí eu lembro que você falou da aveia num post — e imagino que muitos dos seus alunos talvez tenham tido essa ideia da aveia como fonte de proteína, ou como boa fonte de fibras.

Você poderia fazer um resumo daquele seu post que eu achei fantástico sobre a aveia?

Danilo Balu: A aveia é mais um dos delírios da nutrição ortodoxa.

Por que falo que é um delírio? Porque a pessoa vai lá e fala que “a aveia é fonte de fibra”.

E está até na caixa da aveia de algumas marcas — não é que eu não queira citar, mas é que não me lembro quais — dizem “fonte de fibra”. E outras dizem “fonte de proteína”.

E não é que a marca que vende aveia faz isso para fazer propaganda enganosa.

É que a legislação — que também obviamente é esquizofrênica — permite que ele coloque a aveia é fonte de proteína pro ser humano.

Só que, a mesma legislação que permite com que o fabricante coloque que a aveia é fonte de fibra exige que ele coloque na embalagem a tabela nutricional — não só da aveia, e sim de todos os alimentos processados.

Aí, quando você pega a caixinha, você vê que lá está a tabela, conforme manda a legislação.

Não vou lembrar agora de cabeça de todas as marcas, mas a porção padrão é de 30g de aveia.

Quando você olhar — pode ser a marca que você quiser, pode ser farelo, pode ser a própria aveia.

Você vai ver que, da porção padrão de 30g, 17g são de carboidrato. Vai ter marcas chegando a até 23g de carboidrato.

E, quando você vai para fibra alimentar, você vai ter marcas que falam de 2 ou 3g de fibra, até marcas com 5g ou 6g de fibra.

Então é matemática elementar isso.

Um alimento que dá por volta de 20g de carboidrato e por volta de 4g de fibra não é fonte de fibra — ele é fonte de carboidrato.”

Então como que eu vou assumir que algo é fonte de fibra se o que eu mais tenho no consumo daquele produto é carboidrato?

A aveia é fonte de carboidrato — e a gente tem toda aquela questão, da carga glicêmica, todo o impacto que a glicose da aveia tem para os níveis de insulina.

E as pessoas perguntam: mas não tem fibra também?

Sim, tem fibra também. Mas para eu ter uma quantidade considerável de fibra, vai vir junto necessariamente uma enorme quantidade de carboidrato.

Para a nutrição ortodoxa, quando eles enxergam a aveia eles ficam tão excitados com aquilo que a vista deles fica turva: eles não enxergam o carboidrato, eles só enxergam a fibra.

Como se aquela fibra fosse um remédio, uma vacina, uma salvação.

Pô, você tem alimentos como fonte de fibra: você vai ter ali alimentos fibrosos, pobres em amido e vai ter as folhas.

Esses sim: eles te oferecem uma boa quantidade de fibra. E quando você consome essa fibra vem uma carga muito baixa de carboidrato.

Então, sim: folhas e legumes pobres em amido são alimentos ricos em fibra, porque eles são ricos em fibra e pobres em carboidratos.

A aveia de caixinha, que a gente coloca na banana amassada, é rica em carboidratos e pobre em fibras.

E aí eu amasso, como eu disse ali, na banana, que é rica em carboidrato e pobre em fibra.

E, para dar um pouco de gosto nisso, eu jogo mel, que é rico em açúcar.

Aí o meu combo virou um alimento riquíssimo em carboidrato e pobre em fibra.

E ainda assim, a nutrição ortodoxa fala “olha, consuma aveia”.

Eu acho esse assunto uma loucura que é um delírio coletivo da categoria profissional.

É uma esquizofrenia: porque você fala uma coisa fingindo não enxergar algo tão elementar que está na nossa frente.

E, de novo, eu não to dando informação que eu descobri… não é secreta, não.

É uma informação que está na caixa do próprio produto. É surreal.

Autoengano E Delírio Coletivo

Guilherme: Ótimos pontos! Eu lembro que a gente gostou muito da clareza com que você expôs essa questão da aveia.

Porque, quando a gente compartilhou um post (da nossa amiga Denise, do Low Carb BR) no Instagram, o que não faltou foi gente comentando, chocada em descobrir que “aveia não faz bem”.

Ou mesmo comentários como: “como assim fala mal da aveia? Ela tem betaglucana!”

Ou seja, a pessoa preocupada com o detalhe do detalhe da fibra — e se esquecendo de olhar para a grande quantidade de carboidratos que vem junto.

Ou então, o pessoal compara: “mas comer aveia é melhor que comer açúcar”.

Sendo que a gente não tá nem disputando se é melhor ou se é pior — mas sim que tem uma grande carga de carboidratos.

Então é algo em que “mexeu com a aveia, mexeu com esse delírio coletivo”. Por isso gostei muito da sua explicação.

Danilo Balu: Aveia é um dos alimentos que causam essa reação. Gente banana com aveia, eu não sei vocês… mas eu gosto. Mingau de aveia é uma delícia.

Banana com aveia eu gosto, de verdade, eu não estou sendo irônico.

Ah, e é melhor que açúcar? Sim — e é melhor que cocaína também, mas isso não salva nada.

Não é base de comparação você falar “ah, mas é melhor que açúcar”.

Eu não to falando que é melhor ou pior que açúcar, estou dizendo que a fibra é um elemento minoritário ali na aveia.

Você quer comer aveia porque você gosta do mingau de aveia, tudo bem.

Mas eu acredito que o ser humano faz muito isso: ele cria desculpas para justificar alguns erros.

Então como ele adora um mingau de aveia, ou ele adora banana com aveia — e eu insisto, eu gosto dos dois — ele alimenta na cabeça aquela ideia de que isso aqui é fonte de fibra.

E não é fonte de fibra. Não é fonte de fibra.

Isso é uma fonte de carboidrato — então que você coma sabendo que é uma fonte de carboidrato.

Isso é muito importante mas é, ao lado, do suco de frutas e da batata doce…  talvez sejam alguns dos maiores delírios da nutrição.

Guilherme: Excelente — seria como alguém tomar cerveja achando que é fonte de água, né. Porque é 95% água, então posso substituir livremente.

Danilo Balu: Exato, e ignora tudo o que vem de rebote. Porque, ah, eu quero beber a água da cerveja. Sim, mas junto vai vir todo o resto da cerveja.

Ah, eu quero consumir a fibra da aveia — beleza, mas vai vir todo o resto da aveia.

Não tem como você fazer um exercício de mentalização e falar “olha, sistema digestivo, por favor, ignore o carboidrato que está por vir”.

O corpo não tem essa capacidade.

Como Começar A Correr

Roney: Perfeito, Balu, fechamos bem esse tema da supervalorização de algumas coisas, deixando de lado outras.

E agora, a gente queria falar para aquelas pessoas que querem começar a correr.

Vamos supor então que tenha um adulto saudável que até faz algum tipo de atividade física pode ser academia, calistenia, ou qualquer coisa.

Podemos usar eu ou o Guilherme como exemplo — já que a gente não tem nenhuma intimidade com a corrida, mas praticamos academia há algum tempo.

Quais seriam assim os principais pontos para essa pessoa que quer começar? O que ela precisa fazer e o que ela não precisa fazer?

Danilo Balu: É super complicado. Vocês me conhecem e vocês sabem que eu não sou nada corporativista. A corrida, como eu falei mais cedo, é o esporte mais simples que existe.

Então vai depender muito do histórico esportivo da pessoa — e o treinador, o orientador, não pode ignorar isso.

Ah, uma pessoa que, na faculdade, no colégio, fazia atividade física, na faculdade também… e quer mudar de esporte, quer correr.

Essa pessoa tem um histórico que faz com que ela tenha mais facilidade não em “aprender a correr”, mas em assimilar a corrida.

Então depende muito do histórico.

Eu acho que a pessoa precisa começar sendo super cautelosa.

Porque a corrida machuca, corrida é um esporte agressivo, é lesivo.

A pessoa sempre deveria começar a correr correndo menos do que ela gostaria e mesmo mais lento do que ela acha que conseguiria.”

Então ela tem que ser muito prudente.

A pessoa com um histórico um pouquinho mais rico de atividade física, ela pode fazer isso sozinha.

Ela vai lá no parque, perto da casa dela, pega um relógio, coloca lá, vinte minutos, vai correr bem tranquilo.

Ele faz isso, duas ou três vezes por semana, num ritmo que a gente fala que é um conversacional — ou seja, se ela estivesse com um amigo do lado, ela poderia conversar com essa pessoa.

Não uma conversa filosófica, mas uma conversa de pequenas falas, pequenas frases curtas, ela seria capaz de fazer isso.

Para as pessoas que saem de um longo período de sedentarismo, eu vou até na contramão daquilo que eu muitas vezes defendo — eu acho que aí vale a pena a pessoa se aproximar de um orientador.

E não que ela não saiba correr, não é isso.

Eu acredito demais, demais que um bom treinador é aquela pessoa que evita que o cliente, aluno, atleta dela faça barbeiragem.

Então essa pessoa que não tem um passado esportivo não tem a experiência — então ela vai errar.

É um processo natural — e o treinador está lá para evitar que os erros dela sejam muito grandes ou muito graves.

Então ele vai explicar a questão de intensidade, a questão da dor, que dor não é normal.

Essa pessoa correu na segunda-feira, chegou lá para correr na quarta e o joelho está doendo, ela não tem que passar um Gelol, tomar um Advil e ir correr. Não!

Ela tem que dar um espaço e condições para que o corpo dela se recupere.

E o treinador está ali justamente para evitar as barbeiragens.

Aí eu acho que essa pessoa mais insegura, que não tem um passado tão rico, ela deveria buscar alguém para orientá-la.

E, independente se é experiente ou não, independentemente do histórico esportivo, ela deve começar mais lento do que ela acha que conseguiria, e de forma prudente e devagar.

“Devagar” no sentido de ir aumentando as cargas muito devagar porque corrida machuca e lesiona demais. A pessoa tem que ser muito prudente.

Medo De Correr — Ou Será Que É Outra Coisa?

Guilherme: Excelente. É bacana a gente falar isso justamente para evitar a empolgação inicial que leva a erros e lesões muito cedo na carreira da pessoa, interrompendo e mesmo desanimando a pessoa de progredir — na corrida ou em qualquer atividade que seja.

Se ela lesionar o joelho, por exemplo, ela para de fazer a corrida e para de fazer as outras atividades que talvez ela já fizesse.

Mas a gente vê também que muita gente tem medo e não começa a correr por conta de medos, como:

  • “Como eu vou saber se a minha forma tá certa? Eu tenho medo de machucar a lombar!” Ou
  • “eu tenho medo de perder massa muscular por correr. Você já viu aquele pessoal que corre na TV na São Silvestre? É tudo magrinho!”

Então são vários medos que as pessoas têm sobre a corrida. O que tem fundado e de infundado nesses medos?

Danilo Balu: Eu tenho uma teoria — e vejo que as pessoas fazem isso mesmo.

A pessoa fala “eu tenho medo de correr”. Mas ela não tem medo de comer um bolo de chocolate porque aquilo no futuro pode me dar diabetes.”

A pessoa tem medo porque a corrida — não só a corrida mas a prática da atividade física… o benefício dessa prática vem ao custo de um desconforto, de um estresse.

Você começa a correr e 15 segundos depois você está ofegante, o seu corpo começa a falar “ah, vamos reduzir, vamos parar”.

Ou seja: é desconfortável correr — ou fazer qualquer outra atividade física.

Então, é muito fácil a gente montar racionais para se justificar.

Eu não vou correr porque isso machuca o joelho.

Não vou nadar porque isso vai dar otite.

Não vou jogar bola porque vou torcer o pé.

Não vou fazer musculação porque pode machucar a minha coluna.

Eu acho que esse bloqueio tem muito a ver com o desconforto.

De novo, quando a gente coloca comida ou outros prazeres, a pessoa é menos “prudente”, vamos chamar assim, porque ali envolve um prazer imediato — enquanto o benefício da prática esportiva vem no longo prazo.

Você não enxerga no curto prazo os benefícios.

Então, eu acho que tem muito disso: a pessoa criando racionais para ela não sair da zona de conforto.

E tem muitos mitos sobre a prática regular da atividade física — um deles é o que você falou que é a perda de massa muscular.

A corrida é um exercício aeróbio, predominantemente aeróbio e geralmente praticado de forma extensiva.

Então ela tem realmente um caráter catabólico que vai na contra mão quando a pessoa busca hipertrofia.

Por que eu estou falando isso?

Porque o cara que tá em forma, com 1,80m e 75kg, vai perder massa muscular? É improvável.

Agora o cara tem 1,85m e é uma montanha de músculos, pesa 110kg, ele vai perder massa muscular? Provavelmente vai perder massa muscular.

O corpo vai se moldando àquilo que a gente exige dele.

Então o corpo ele enxerga que carregar um corpo extremamente musculoso com pouca gordura em 110kg em 1,85m, aquilo dá um custo muito grande.

O corpo vai “abrindo mão”, vamos dizer assim, de certa forma de parte da massa muscular.

A corrida vai na contramão da hipertrofia?

Se o indivíduo de 1,85m pesa 60 kg e quer ganhar massa —  a corrida realmente vai ser um freio, não vai ajudá-lo.

Não posso dizer que vai atrapalhar, mas ajudá-lo, não vai.

Então a gente tem que ser um pouco cuidadoso ao falar que ela perde massa muscular. Não necessariamente.

Ela agride o joelho?

A gente em levantamentos — a gente não pode chamar de estudos, mas levantamentos muito bem controlados — que mostram que a prática regular de corrida, em níveis moderados, não faz mal ao joelho.

Ela faz bem ao joelho.

Ela protege o joelho no longo prazo.

Quanta corrida?

Aí você vai ter o estudioso ou o pesquisador falando uma coisa como “de duas a três vezes por semana” vai ser mais ou menos a faixa.

Mas vai ter gente falando que até mais vezes por semana protege o joelho.

O sedentarismo sim é um problema — às articulações, ao joelho e ao tornozelo, principalmente, quando a gente fala de corrida.

Então, corrida faz perder massa muscular?

Não é de todo verdade. Mas sim, ela não uma amiga da hipertrofia.

“Ah, eu quero ficar forte, vou correr.” —  Não, ninguém pensa isso, ninguém faz essa associação.

Corrida faz mal para o joelho?

Não, dentro do volume que a média do corredor amador pratica, ela não faz mal ao joelho. Pelo contrário, ela protege os joelhos.

Qual O Melhor Tênis Para Corrida?

Roney: Perfeito, Balu. E já entrando então na parte das questões que as pessoas levantam sobre corrida, uma primeira dúvida que eu queria colocar é a respeito de correr descalço.

Você falou de joelho — e muita gente tem esse medo, acha que tem que ser aquele tênis do mais caro, com melhor amortecedor possível, última tecnologia para não sofrer nenhum tipo de lesão. Seja no joelho, no calcanhar, no pé enfim.

É verdade que precisa de um bom tênis para correr — ou, pelo contrário, pode correr descalço?

Qual é o certo ou errado (se é que tem um certo ou errado nisso)?

Danilo Balu: O ideal seria a gente ou correr descalço, ou correr com o mínimo de entressola possível.

Eu gosto de chamar de entressola tudo aquilo que é material do tênis, o tênis em si.

Então quando eu falo “menos entressola” quero dizer “menos produtos”.

E eu acho que sim, o ideal seria correr ou descalço ou com o mínimo de entressola possível.

Mas vamos lá, imagina que você vai na casa de um colega e tá lá um canário na casa dele.

Daí ele vai falando “eu tenho esse canário há cinco anos aqui”.

Aí você fala “não, mas o ideal não é deixar o canário aqui na gaiola”.

Aí você abre a gaiola, o canário sai voando e uma hora depois o gato do seu amigo comeu o canário.

Assim: uma coisa é o ideal — e outra coisa é o que a gente tem.

A corrida… e as pessoas não gostam que eu lembre isso. Sempre que eu falo isso as pessoas da corrida não gostam.

Mas a corrida é esporte de gente velha: a gente pega a idade média do praticante da corrida, é de gente ali entre 35 e 45 anos, a maioria.

A pessoa mais nova ela está na academia, ela tá na faculdade. O esporte dela é jogar society com os amigos… gente mais nova não se direciona para a corrida.

Corrida, ele tá ali na faixa entre os 35 e 45 anos, estourando 50 anos.

Quando chega essa pessoa na assessoria de corrida, “nunca corri na vida, mas meu sonho é correr a São Silvestre”.

Você tem que imaginar. Vamos dizer que essa pessoa chegou com 40 anos, nunca correu e quer correr a São Silvestre.

Ela está há 40 anos usando 2cm de uma borracha dura abaixo do pé dela.

Não tem como você chegar para ela e falar “beleza. Eu estudei os tarahumaras (os os mexicanos da tribo tarahumara), e descobri que o ideal é correr descalço”.

Daí você pega um cara de 40 anos, sem passado esportivo, histórico esportivo, completamente enfraquecido, porque ele estava sedentário, e fala para ele correr descalço. É um convite para dar ruim!

É a mesma coisa que você pegar o canário que cresceu na gaiola e soltar porque o ideal é ele viver na natureza.

Você vai machucar essa pessoa.

Então correr descalço é o ideal? Eu sou bem adepto de que sim, é o ideal.

Mas Balu, você corre descalço? Eu, Balu, não corro descalço.

Eu treino desde menino — literalmente, desde menino.

Só que desde menino eu corria de tênis, porque se eu corresse descalço dos meus amigos eles iam me bater no recreio. Eu ia sofrer bullying. Eu corria de tênis.

Eu, Balu, corro com muito pouca entressola porque eu acredito nisso e me sinto muito melhor.

Um tênis tem que ter o mínimo de produto possível. Ele tem que ser maleável e leve. “ 

Imagina que essa mesma pessoa que ela vai procurar uma equipe de corrida, com uns 40 anos para correr.

Imagina que ela vai correr de segunda e quarta, mas terça e quinta ela vai fazer aula de tricô, e de sábado ela vai nadar.

À medida que ela vai terça e quinta no tricô, a pessoa vai falar, vamos usar essa luva de boxe aqui para você tricotar.

“Pô, mas aí eu não vou ter o menor tato, como eu vou segurar a agulha do tricô com essa luva de boxe?”

Ou então, e aí chega no sábado e ela vai nadar. “Agora você vai nadar com essa luva aqui de boxe”. Ah, mas eu não sinto a água com essa luva de boxe.

Eu gosto de enxergar o tênis mais ou menos como uma luva de boxe a quem quer tricotar, quem quer desenhar, quem quer nadar.

Se você usa um tênis de 500g, você não sente o chão.

Como eu vou sentir o chão com esse tênis enorme?

Quem tem cachorro faz esse exercício: pega ali aquelas botinhas horrorosas de cachorro, coloca no cachorro.

Ele fica sem reação — porque ele não tem a sensação do chão, ele perde um feedback.

Então, como ela vai acertar o passo dela se ela tem meio kg de borracha nos pés?

Por isso que eu acho que quando você usa produtos com menos material você acaba aumentando a sensibilidade.

Então é super importante isso.

Para quem já corre, ou para quem nunca correu, vai dar uma corrida em volta do quarteirão, descalça.

Aí a pessoa corre. Se a pessoa acabou a volta em todo o quarteirão dela, colocou o tênis e deu a mesma volta correndo, e você filmar, você vai ver como o padrão de corrida dela é completamente distinto.

A gente tem que olhar sempre o aspecto evolutivo.

O ser humano ele foi se desenvolvendo como espécie, ou descalço ou com muito pouco produto material na entressola — e aí vem alguém, um vendedor, e tenta te convencer que você tem que usar 500g no pé, e aí você não sente o chão.

Como eu vou correr se eu não sinto o chão?

Como eu vou nadar sem sentir a água e como eu vou tricotar sem sentir a agulha?

Então eu sou muito crente de que você deve usar pouco produto nos pés.

Descalço é um crime — quando a gente sabe que o público da corrida é mais velho (não num linguajar depreciativo, mas é mais velho).

Muita gente é sedentária, e ainda vem com um organismo todo enfraquecido de décadas sem praticar o esporte mais elementar que existe.

Alimentação Low-Carb E Corrida

Guilherme: Excelente, Balu.

Foram ótimos pontos a considerar.

E eu gostei da sua menção aos tarahumaras — que eu até li o livro, que foi você que indicou, o Nascidos Para Correr.

E o autor faz parecer que assim que você tirar o tênis do pé, tudo vai acontecer de bom na sua vida — até na loteria você vai ganhar. (risos)

Tem umas maluquices que o autor fala, mas o livro é bem bacana também.

E mais legal até do que ler esses relatos dos tarahumaras é saber como é importante você ter o feedback do chão, e a própria percepção do que está acontecendo ali quando você está correndo.

É importante também entender todo o contexto ao redor da vida da pessoa que não acontece só quando ela tá correndo né, ao que ela tem condicionado o corpo dela ao longo de anos.

E tem tudo a ver com aquele ponto que você mencionou: que correr num volume moderado da maneira correta, fortalece o joelho.

Porque você está usando aquilo que foi feito para ser usado — e não ficando sedentário.

Então, são pontos bem bacanas a lembrar — para todo mundo que se interessa por corrida. Incluindo quem pratica, e quem quer praticar.

E a gente tinha mencionado antes sobre a alimentação, agora a gente falou sobre corrida… e eu queria entender um pouco dessa interface.

Porque a maioria das pessoas que nos seguem, no mínimo se interessa — ou de fato pratica — por uma alimentação low-carb ou cetogênica.

E muitas vezes elas se perguntam se tem que fazer alguma alteração porque vão começar a correr…

Ou se tem que ir no nutricionista esportivo…

Ou sobre suplementos, mas isso a gente já abordou neste episódio, a parte de colocar as prioridades no lugar.

Então o que a pessoa tem que considerar se ela vai começar a praticar a corrida — se ela já pratica esse estilo alimentar mais baixo em carboidratos?

Danilo Balu: É uma instrução, uma orientação — eu não tenho certeza se é da Runners World, acho que a da África do Sul…

A Runners é a maior revista do mundo de corrida, ela tá em vários países, até no Brasil.

A maior de todas, a americana, é uma referência. E aí as sucursais (vamos chamar assim) dela têm uma certa liberdade editorial.

E aí a sul africana fala que a pessoa que corre, ela não deveria se preocupar em absolutamente nada, nenhuma alteração nutricional enquanto ela corre até 3x por semana, ou 2h30min.

Se você faz isso — se essa é a sua carga de treino — você não tem que mudar absolutamente nada.

Porque o corpo se reajusta: a sensação de sede, e sensação de fome, acabam fazendo o trabalho, a lição de casa.

Então, ou seja, isso já cobre — e eu falo tranquilamente esse número — 80% dos corredores amadores.

A prática mostra que a maioria das pessoas tem um volume parecido: até duas horas e meia, três dias por semana.

Se a pessoa corre mais do que isso “ah, não, vou correr maratona, vou correr a meia maratona do Rio de Janeiro”, por exemplo…

Aí ela pode começar a pensar em outras preocupações, vamos dizer assim —  principalmente durante a prática de treinos mais longos.

E o que são treinos mais longos?

A gente tá falando de pelo menos uma hora contínua de treino. Aí a gente já tá falando de treinos mais longos.

Nesse caso, ela pode começar a precisar ter uma outra abordagem — como consumir algo durante um treino de uma hora e meia, por exemplo. Mas a gente tá falando de coisas pontuais.

“Balu, eu corro de segunda a sexta, eu preciso ter maiores cuidados? “

Eu não consigo enxergar a necessidade de ter maiores cuidados.

Eu trabalho com um grupo de pessoas no atletismo, treinam em pista, competem e tudo mais seis vezes por semana.

Eles não têm absolutamente nada de diferente que uma pessoa comum.

Eles comem mais, obviamente, porque eles correm mais e têm mais fome.

Mas eles não têm suplementos e cuidados durante a prática por serem são mais rápidos. Isso não existe.

Eu acho que, quando a gente fala de amador, o maior cuidado é quando a pessoa faz treinos bem mais longos.

O que é bem comum, por exemplo, quem treina para 21km (meia maratona), ou para a própria maratona — eles têm treinos mais longos.

A Alimentação Certa Para Se Preparar Para Competições

Roney: Certo, certo, perfeito, Balu. E no caso, a maioria do nosso público, como você sabe, segue uma alimentação low-carb ou busca seguir uma alimentação low-carb ou cetogênica.

No caso dessas pessoas, você falou que — se eles treinam normalmente, assim, amadoramente — não precisa se preocupar. Que não precisa fazer nenhum tipo de mudança alimentar quando começam a correr.

Mas, e no caso de uma preparação para uma competição?

Existe diferença entre esse período de competição e preparação para a competição e o treino normal? Ou não, pode manter tudo igual?

Danilo Balu: Vamos tentar separar um pouco — porque algumas provas exigem particularidades.

Vamos falar de provas comuns.

Por “comuns” entende-se até a meia maratona que é de 21km.

Você percebe que a pessoa adepta do low-carb, adepta da cetogênica

A dieta low-carb e a dieta cetogênica fazem com que o corpo — vocês sabem, e explicam isso melhor do que eu — da pessoa seja muito eficiente na queima da gordura como substrato energético, como energia.

Então a gordura se torna fonte de energia — seja a gordura corporal, seja a dietética.

Acontece que, quando você está correndo, você tem uma demanda energética maior.

A dieta — tanto a low-carb quanto a cetogênica — não permite que você tenha uma obtenção maior de energia na forma da gordura. O que faz isso é o treinamento.

Então é normal que, na fase de treinamento, ela sinta essa dificuldade de obter energia pela gordura, então você vai meio que “forçando” o corpo.

Você exige algo do corpo que ele “ainda não tem”, e o corpo vai se adaptando.

Então esse é o objetivo do treinamento: é fazer com que o corpo obtenha mais energia vinda de gordura.

E aí a ideia é que, quando chegar no dia da prova, você esteja bem adaptado.

Nas pessoas que tem um hábito, uma dieta, um estilo de vida low-carb ou cetogênica, você percebe o seguinte.

Que, em provas mais curtas, essa pessoa não muda absolutamente nada na dieta em cima da hora.

O que ela vai fazer, na verdade, é que logo antes da competição ela vai correr menos — para poder descansar, para poder correr melhor.

Ao mesmo tempo você observa que a pessoa que vai correr uma maratona, por exemplo, que são 42km…

Às vezes (e aqui vamos falar da low-carb e deixar um pouco a cetogênica de lado), você percebe que em cima da hora — 3 a 4 dias antes — a pessoa pode optar por alimentos um pouco mais ricos em carboidratos.

Alimentos saudáveis né: um pouco mais de frutas, um pouco mais de tubérculos, para fazer uma reserva para o dia da prova.

Essa estratégia também é bem-vinda antes de treinos muito longos.

Então, se no sábado vou ter que correr 21km porque estou treinando para a maratona de Nova Iorque, aí na noite da sexta a pessoa faz um jantar e faz a inclusão (ou a substituição) por alimentos de maior carga glicêmica.

De novo: inclui ali de repente um tubérculo, uma fruta, uma tapioca — ela passa a optar por alimentos com mais carboidratos.

A pessoa cetogênica, você percebe na prática que a pessoa não muda absolutamente nada.

Ela vai treinando o tempo todo em cetogênica, e chega na prova ela continua em cetose, vai lá em jejum, toma um café, você vê que muda muito pouco.

O que eu venho observando é sempre isso, e tem uma quantidade maior de pessoas low-carb (se a gente comparar em número de pessoas low-carb com o número de pessoas que faz cetogênica). Existem mais corredores low-carb.

E você vê que eles simplesmente podem, em cima da hora de uma competição mais longa (como a meia maratona ou maratona), fazer uso ou consumo de alimentos com um pouco mais de carboidrato.

O cetogênico você vai ver que os mais experientes não mudam absolutamente nada — até me espanta.

Falo assim, “nossa, vamos que vamos” — e é isso o que eu tenho observado bastante.

Corredor Não Precisa Demonizar Os Carboidratos

Guilherme: Perfeito, Balu — eu acho que cobriu um bom espectro de corredores e modalidades alimentares. E explicou bastante dessas várias estratégias e como que elas podem fazer sentido. Muito bacana.

Danilo Balu: Eu posso só complementar uma coisa aqui? Nesse último aspecto, falando de uma coisa que vocês sabem tanto quanto eu — que é um erro comum de quem é adepto desse estilo alimentar.

Não é um erro de todo mundo, óbvio — mas você vê que tem pessoas que demonizam os carboidratos como se fossem um veneno.

É e muito comum você ter atletas que são adeptos da low-carb, que me perguntam assim, quase com uma sensação de culpa: “ah no dia da maratona eu posso usar um gel de carboidrato? “

Eu falo que sim, lógico que pode!

O conceito de low-carb é um consumo reduzido de carboidrato, não é que é proibido comer algum tipo de carboidrato.

Eu posso ser low-carb comendo brigadeiro todo dia?

Pode. De repente se fizermos as contas e o único carboidrato que você vai comer é um brigadeiro por dia, você tá dentro da janela low-carb. Eu não vou discutir se é bom ou ruim, não é isso. Mas o conceito do low-carb é de baixo consumo de carboidrato.

Uma pessoa vai para a maratona… atendi uma menina esse mês, super corredora, só corre em jejum… super habituada, super paleo, super low-carb.

No dia da maratona, ela usou três géis de carboidrato durante a prova

Um na largada — largou e ela tomou um, porque ela tava em jejum — e dois ao longo dos 42 km. Pode?

Pode. E o corpo tem benefícios disso sim: porque durante a prática tem uma inibição da liberação de insulina.

Ela consumiu o sachê de carboidrato, e aquele sachê vai fazer com que o corpo preserve o carboidrato do glicogênio muscular dela.

Então a pessoa ela pode conciliar a prática do low-carb com o consumo de gel de carboidrato.

A diferença é que ela vai consumir muito menos sachês do que uma pessoa que tem uma dieta ou estilo mais high-carb.

Situações Atípicas E Alimentos Atípicos — Posso Consumir Gel?

Guilherme: Excelente, é bom também explicar para o pessoal que não é para eles terem medo.

Quando você fala de uma dieta low-carb como estilo de vida, para o seu dia a dia, é diferente de quando você vai competir numa prova, e correr 42km.

É uma situação completamente atípica — então é totalmente normal e aceitável você contar com gel de carboidrato.

Então sair da sua alimentação típica para uma situação que também não é típica é algo que faz total sentido.

Especialmente quando cada vez mais você busca ter uma boa performance na prova — e não necessariamente se penitenciar e perder o seu desempenho por se ater a um certo limite arbitrário de carboidratos. Este poderia ser o caso de quem está muito fanático por ficar na low-carb a todo custo.

Danilo Balu: Exato, exato, a gente tem que deixar bem claro que não é veneno.

Existem opções boas de carboidrato e opções não tão boas — mas a prova exige uma “estratégia especial”, vamos dizer assim.

Você pode consumir uma maçã durante a prova? Eu nunca consumi.

E não preciso nem tentar para saber que não é uma alternativa muito legal, você tá lá no esforço, a respiração… vamos pro gel.

Então, a gente tem que sempre colocar em perspectiva: a gente não pode ser tão radical, achando que “o low-carb está proibido por lei de tomar um sachê”. Não, não está.

O que você repara na prática é que o cetogênico ele vai muito bem sem — vai muito bem.

A Mensagem Final Do Balu Para Você

Roney: Perfeito, assim a gente fecha bem o assunto. E acredito que quem ouviu deve estar querendo acompanhar mais você — até porque no início e ao longo da entrevista a gente falou que você costuma responder perguntas no seu Instagram.

Então eu já vou falar aqui para todo mundo seguir o Danilo lá, @danilobalu e a gente gosta, sempre, de deixar aquela mensagem final para os nossos ouvintes.

Tem alguma mensagem que você gostaria de deixar para eles, Balu?

Danilo Balu: A minha abordagem com a corrida, eu gosto sempre olhar muito para dois pontos.

Porque a corrida, como eu disse, é o esporte mais simples dentro das modalidades olímpicas. É a mais simples que existe.

E a gente tem que sempre olhar lá para trás, como que se corria lá trás.

Não o corredor que inventou a maratona — mas sim como os nossos ancestrais faziam para correr.

Eles usavam um monitor de frequência? Usavam beta-alanina? Usavam tênis de meio quilo?

Não — a coisa é simples. E o nosso corpo está preparado para o simples.

Então, a gente não pode esquecer dessa questão do simples. A gente tem que olhar para o passado e, por mais motivados e cheios de expectativas que estejamos, a gente não pode esquecer outra coisa: que a corrida é extremamente agressiva.

Então a gente tem que ser muito paciente, não só nos nossos ganhos, mas também na nossa evolução.

E ir devagar, porque ela machuca, ela cobra um preço de quem tenta acelerar. A corrida não tem atalho.

O Que O Balu Quer Pedir Para Você

Guilherme: Perfeito, Balu, essa é uma bela mensagem para se deixar.

E se você pudesse pedir uma ação, algo que você gostaria que quem está nos ouvindo fizesse — se você tivesse alguma ação ou pedido para a nossa audiência, qual seria?

Danilo Balu: Pode ser um pouco enviesado, mas é como eu disse, o correr é agressivo, é desconfortável.

E eu vejo isso no mercado, as pessoas pensam “eu tenho que correr”.

Mas não, você não precisa correr: você precisa se movimentar.

O nosso corpo foi feito para se movimentar.

Se vai ser a corrida, ok.

Se não é a corrida — é você comprar uma bicicleta e ir pedalar. Ou ir na academia, ou dançar zumba… Eu não sei o que é para você.

Na verdade, eu acho que a gente deveria trabalhar movimento, força, resistência, tudo — um pouco de tudo.

Mas eu acho também que é tão desconfortável, às vezes é tão desconfortável fazer atividade física que a gente tem que achar alguma coisa que nos dê prazer, que torne um fardo mais leve.

Mas é extremamente importante a gente se movimentar.

Eu vejo as pessoas se preocupando muito com dieta, com jejum, com peso… e não movimentando o corpo.

Pode ser um pouco material, tipo “ah, não, vamos cuidar da mente, e menos do corpo” — mas a gente não pode esquecer que o corpo também carrega essa mente.

De novo, sou enviesado porque foi a minha primeira formação, mas a gente tem que se movimentar.

Quando você olha as pessoas, percebe que a gente tá numa sociedade que lá na frente vai encarar um problema nunca antes visto — que é muita gente sedentária, com confortos da vida moderna.

Então é o elevador, escada rolante, carro, ar condicionado.

Lá na frente eu não sei como vai ser, então a gente tem que se preparar.

E um dos modos de se preparar é se movimentando.

Roney: Ótima mensagem para deixar aqui no final para os nossos queridos tanquinhos e tanquinhas que nos ouviram até aqui.

Queria aproveitar para te agradecer muito por mais essa entrevista, agradecer pelo seu tempo, pela entrevista maravilhosa que você deu. Com certeza, quem ouviu vai tirar muito valor dela.

Danilo Balu: Imagina, eu que agradeço.

Quando vocês fizeram o convite eu nem tinha que pensar, era só na verdade marcar o dia.

Eu adoro falar sobre corrida, posso ficar falando o tempo que for, né, sobre nutrição e corrida, para mim é um prazer.

E vocês sabem o quanto eu gosto de vocês dois, o quanto eu gosto do trabalho de vocês, é sincero, vocês sabem disso.

Receber o convite para mim é uma honra — e é uma obrigação atender na hora.

Guilherme: Muito obrigado, Balu, a gente fica honrado também de contar com você aqui no nosso podcast.

Você sabe que a admiração é mútua, a gente sempre indica o seu trabalho quando o assunto é corrida.

A gente gosta do jeito que você fala sobre alimentação também, que é uma maneira bem descomplicada e não ortodoxa.

E é muito bom ter esse sopro de ar fresco no meio de um mundo onde tem tantos papagaios, digamos assim, repetindo as mesmas coisas.

Então, obrigado por aceitar o nosso convite — e obrigado também a todo mundo que nos ouviu, que acompanhou a gente.

A gente solta podcast toda segunda-feira e a gente sabe que essa audiência tá só crescendo a cada episódio.

Então obrigado a todos — e queria convidar você que ouviu esse episódio separadamente a ouvir os outros também.

Tem podcast toda segunda e só tem gente boa aqui no nosso podcast: nossos convidados são de primeira, assim como foi o caso com o Balu.

Muito obrigado pessoal, e até segunda-feira que vem.

Um forte abraço do Senhor Tanquinho.

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Olá Guilherme e Ronei um forte abraço. Aprendi um pouco mais sobre corrida de rua com essa aula com vocês e o Daniel Balu. Muito grato e fiquem com Deus.