Será Que Isso Vai Me Tirar da Cetose?

Este artigo sobre “o que tira da cetose” é baseado e inspirado em um post de 2015 de autoria do Flavio Furlan, para o site Ketogains. As adaptações e explicações adicionais são de Guilherme Torres e Roney Fernandes.

Legenda: Antes de se preocupar com sair ou não da cetose, você precisa saber como mensurar isso.

Muitas pessoas iniciam a Dieta Cetogênica para emagrecer e se sentir bem.

E ela funciona de maneira espetacular: basta ver os diversos casos de sucesso e de antes e depois dessa dieta.

Mas outras pessoas gostam de manter este estilo alimentar especialmente para se manter em cetose nutricional.

Seja porque sentem a mente mais afiada assim…

Seja porque buscam a cetose para tratar alguma condição de saúde.

(Afinal de contas, ela pode ser útil para diversas condições — de problemas neurológicos e enxaqueca, até doenças autoimunes e câncer.)

Por este motivo, elas ficam bastante preocupadas, e não querem sair deste maravilhoso estado metabólico.

Assim, uma pergunta constante que ronda suas mentes é a seguinte.

Será que isso vai me tirar da cetose?”

Esta pergunta é feita para os mais diversos tópicos.

Adoçantes, bebidas alcoólicas, proteína em excesso, e por aí vai.

Neste artigo, vamos falar sobre cada um desses itens — e como eles se relacionam com a cetose.

Então, leia o artigo até o final para ter um entendimento muito mais preciso sobre por que a cetose acontece — e como você pode se beneficiar dela.

Sendo que este é mais um artigo completo que oferecemos a você gratuitamente.

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Agora, vamos começar do básico: entendendo por que entramos em cetose.

Por Que Os Seres Humanos Entram Em Cetose?

Para responder essa pergunta, é interessante entender o que faz o corpo “decidir” se ele vai entrar em cetose ou não.

Para essa decisão, o fator mais determinante é a presença de glicogênio no fígado.

(Glicogênio é, de maneira resumida, uma maneira que nosso corpo usa para armazenar carboidratos.)

Se você quiser saber como isso funciona, vou deixar uma explicação mais técnica no quadro abaixo.

Caso não queira os detalhes da bioquímica neste momento, pule direto para a parte do “resumindo” (ninguém vai te julgar).

O glicogênio no fígado induz a formação de Malonil-CoA (malonil coenzima A) pela carboxilação da Acetil-CoA. [1]

A Acetil-CoA é utilizada em muitos processos, sendo o principal substrato utilizado pelo corpo na criação de corpos cetônicos. [2]

Isto significa que, quando o corpo não tem carboidratos disponíveis, as gorduras devem ser quebradas em Acetil-CoA para gerar energia.

E essa Acetil-CoA não é reciclada através do ciclo do ácido cítrico.

Porque os intermediários do ciclo do ácido cítrico (principalmente o oxaloacetato) foram depletados para alimentar a via metabólica da gliconeogênese (que veremos abaixo).

Assim, o acúmulo de Acetil-CoA resultante desse processo ativa o mecanismo de produção de corpos cetônicos — em outras palavras, a cetose.

Isso quer dizer que, quando há mais Acetil-CoA do que oxaloacetato, a Acetil-CoA se torna acetoacetato — um tipo de corpo cetônico [3].

Em português claro: como o oxaloacetato vem dos carboidratos, a conclusão é que, caso não existam carboidratos no seu corpo, você não sairá da cetose.

Essa regra tem algumas exceções, que veremos abaixo.

Resumindo: O corpo humano é tão preparado para o estado de cetose que o atinge facilmente.

Para entrarmos em cetose, basta que nossos estoques de glicogênio estejam baixos.

Relacionado: Conheça nosso cardápio para 147 dias de dieta cetogênica + livro de receitas.

Por Que Os Humanos Entram Em Cetose Tão Facilmente?

É interessante notar que os humanos entram em cetose mais rapidamente do que qualquer outro animal no planeta.

Normalmente, leva algo entre 24 e 72 horas para entrarmos em cetose.

E o motivo para toda essa agilidade é que temos um cérebro muito grande (relativamente ao tamanho dos nossos corpos).

Colocando em perspectiva: nosso cérebro pesa apenas 2% do peso do nosso corpo.

No entanto, ele necessita de cerca de 400 kcal por dia. 

Isso pode não parecer muito, mas para a maioria das pessoas isso corresponde a cerca das 25% da demanda total de energia diária.

Esses valores são bem diferentes para outros animais: a maioria deles utiliza apenas algo entre 2% e 8% de seu metabolismo basal para alimentar o cérebro.

Isso significa que a nossa pequena reserva de glicogênio no fígado (de cerca de 100g de carboidratos, ou 400 kcal) é a única fonte interna de glicose para o nosso cérebro.

Ou seja, assim que essas 400 kcal são consumidas por nosso cérebro — o que leva cerca de 24 horas —, não existem outras fontes de glicose a serem utilizadas.

E, após esse período relativamente curto, nosso corpo necessita encontrar uma outra maneira de fornecer energia para o cérebro — e é aí que entra o papel da cetose.

Como vimos, esses 100g de glicogênio duram cerca de 24h.

Então, podemos dizer que o cérebro consome cerca de 4g de glicose por hora.

Essa conclusão é interessante, e nos leva a outro ponto… que pode servir para te deixar mais tranquilo.

Por exemplo, imagine que você coma uma batata, que tem cerca de 20g de carboidratos, e isso o tirou do estado de cetose.

Mesmo que apenas o seu cérebro fosse utilizar a glicose ingerida (sendo que na verdade não é só esse órgão que vai usar esses carboidratos glicose)…  poderíamos considerar uma estimativa de “taxa de consumo” de 4 gramas de glicose por hora.

Então, perceba que, mesmo você saindo da cetose, retornaria a ela em cerca de apenas 5 horas — na pior das hipóteses.

Resumindo: Um corpo adaptado a queimar gordura como combustível consegue sair e retornar ao estado de cetose em poucas horas. 

(Isso pode ser atrapalhado por condições como resistência à insulina, por exemplo.)

Como O Cérebro Consegue Energia Quando Acabam As Reservas De Glicose?

Conforme explicamos acima, quando não há glicose disponível em seu organismo, nosso corpo se encarregará de produzir corpos cetônicos para que o cérebro possa continuar funcionando.

Afinal, esse grande órgão necessita de energia — e ela precisa vir de algum lugar.

Então, se a fonte dessa energia não for a glicose, o que poderia ser?

A única saída são os corpos cetônicos.

E uma pergunta que pode te ajudar a saber mais sobre “se você saiu da cetose ou não” é a seguinte.

De onde vem a energia do seu cérebro neste momento: da glicose ou dos corpos cetônicos?”

E eu gosto dessa pergunta porque o cérebro precisa de energia o tempo todo.

(Caso contrário, morreríamos.)

Então, qualquer quantidade de energia que a glicose não estiver suprindo — mesmo que sejam apenas 50 kcal — será compensada com a produção de corpos cetônicos.

Resumindo: Nosso cérebro precisa de energia o tempo todo, e essa energia vem da glicose ou dos corpos cetônicos. 

Se você está consumindo pouca glicose, irá produzir corpos cetônicos para alimentar o cérebro (e não há nada de errado com isso).

Aliás, mesmo se você não ingerir glicose alguma (como no caso de uma dieta carnívora), seu corpo ainda terá glicose suficiente para alimentar o cérebro.

Pois o corpo é capaz de produzir sua própria glicose, na chamada gliconeogênese — assunto da nossa próxima pergunta.

A Gliconeogênese (GNG) Pode Atrapalhar A Cetose?

Caso você não saiba, a gliconeogênese é basicamente a via metabólica por meio da qual o corpo produz glicose por meio de fontes que não sejam carboidratos — como, por exemplo, por meio dos aminoácidos obtidos na alimentação.

Neste artigo, não vamos discutir como “comer proteína em excesso” impacta a dieta cetônica, porque isso já foi discutido por nós nessa outra postagem.

Sendo assim, vamos focar apenas na gliconeogênese (GNG).

Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, GNG e cetogênese podem acontecer juntas — e, de fato, elas ocorrem juntas o tempo todo.

Conforme um estudo mostrou [4]:

As mudanças hormonais associadas a uma dieta de baixo carboidrato incluem a redução dos níveis de insulina em circulação, e o aumento dos níveis de glucagon.

Isso ativa (as enzimas) fosfoenolpiruvato carboxiquinase, frutose 1,6-bisfosfatase, e glucose 6-fosfatase e também inibe (as enzimas) piruvato cinase, 6-fosfofruto-1-cinase, e glucocinase.

Essas mudanças favorecem a gliconeogênese. Contudo, o corpo limita a utilização de glicose para reduzir a necessidade de gliconeogênese.

Ou seja, como o corpo não usa muita glicose quando ela não está realmente disponível (pois nosso corpo é bem inteligente), então nesse cenário ele não necessita realizar a gliconeogênese tanto assim.

Isso é popularmente resumido na seguinte frase.

A gliconeogênese acontece muito mais pela demanda (de glicose) do que pela oferta (de substratos para que ela ocorra).”

De fato, é mínima a diferença na quantidade de glicose criada via GNG na dieta cetogênica em relação à quantidade criada em uma dieta rica em carboidratos. [5]

Resumindo: O corpo está sempre produzindo um pouquinho de glicose via GNG: isso acontece até mesmo em diabéticos tipo 2 com dietas cheias de açúcar.

Mas nosso corpo não tem motivos para produzir muita glicose quando sua fonte principal de energia está sendo os ácidos graxos.

Entendi Que A Gliconeogênese E A Cetose Acontecem Juntas. Mas O Que Acontece Com A Glicose Gerada Via GNG?

É bem seguro assumir que essa glicose será utilizada pelo corpo.

No entanto, mesmo que nem toda essa glicose seja utilizada imediatamente, a glicose resultante da gliconeogênese não vai atrapalhar a cetose.

Isso acontece porque o próprio processo da gliconeogênese usa o oxaloacetato disponível (veja o caminho bioquímico em [6]).

In essence, this means that regardless of glucose produced or metabolized via GNG, the oxaloacetate provided is likely to be retaken up as necessary to be used for GNG instead of beta oxidation of acetyl-CoA, meaning that acetyl-CoA can become a ketone. Yay!

Em essência, isso significa que, independentemente da glicose (que foi produzida via GNG), o oxaloacetato fornecido será reutilizado pela GNG.

Isso significa que o acetil-CoA não vai sofrer beta-oxidação.

O que significa que ele pode se tornar uma cetona.

Ou seja: a glicose gerada via gliconeogênese não vai interromper sua cetose.

Resumindo: Não se preocupe com toda essa bioquímica. Siga nosso cardápio cetogênico e seja feliz.

Isso É Verdade Mesmo Se Eu Consumir Toda A Proteína Do Meu Dia De Uma Vez?

Sim, o mesmo que foi dito anteriormente continua válido.

Isso porque não importa quão grande seja o pico da insulina.

Pois a insulina por si só não será capaz de te tirar do estado de cetose — isso só aconteceria caso houvesse fornecimento de oxaloacetato.

E, para ter oxaloacetato, seriam necessários carboidratos.

Por fim, vale lembrar que as proteínas também elevam o glucagon, tanto quanto a insulina — e o glucagon tem o poder de aumentar a cetose. [7]

Resumindo: Independentemente da quantidade e do momento do consumo de proteínas, você não precisa se preocupar: essa proteína não vai te tirar do estado de cetose nutricional.

Os Picos De Insulina Nos Tiram Da Cetose?

Podemos dizer que os picos de insulina até poderiam nos tirar do estado de cetose por algum tempo.

Entretanto, não por tempo suficiente para que você tenha de se preocupar com eles.

Isso acontece porque a insulina é rapidamente assimilada.

Nesse sentido, podemos referenciar um estudo [8] em que um homem ficou em jejum por quase um mês.

Seu índice de corpos cetônicos estava inicialmente alto (14 mmol/l), quando ele recebeu uma injeção de insulina (em torno de 0,1UI/kg, ou seja, 7-8UI).

(Pessoas diabéticas tipo 1 sabem exatamente o quanto isso significa.)

Por cerca de 30 minutos após a injeção, tanto seus corpos cetônicos quanto sua glicemia caíram, e houve uma captação massiva de corpos cetônicos pelo cérebro.

Com isso, a produção de novos corpos cetônicos foi paralisada.

Todavia, devido à rápida assimilação da insulina, dentro de 30 minutos seus corpos cetônicos começaram a reaparecer.

Ou seja, mesmo com a injeção de insulina, esse processo não durou muito tempo — justamente porque não houve fornecimento de oxaloacetato.

Resumindo: Picos de insulina por si só não devem ser motivo de preocupação, pois essa insulina é rapidamente assimilada por nosso organismo.

Relacionado: Conheça nosso cardápio para 147 dias de dieta cetogênica + livro de receitas.

Se A Frutose Não Leva A Um Pico De Glicemia, Isso Significa Que Eu Não Sairei Da Cetose Quando Comer Frutose?

Apesar desse raciocínio parecer certo, na verdade podemos dizer que a frutose é o carboidrato mais “anti-cetose” que existe.

Isso porque esse açúcar só pode ser metabolizado no fígado, que é o único órgão do nosso corpo que produz as enzimas necessárias para isso.

Dessa forma, a frutose acaba por restabelecer rapidamente os depósitos de glicogênio do fígado.

O que praticamente garante uma saída (temporária) do estado de cetose.

Então, para permanecer em cetose, o melhor é evitar as frutas: é preferível comer 10g de carboidratos que não sejam frutose (batata, arroz, feijão) do que 10g de frutose.

Sendo que, em média, 50% dos carboidratos das frutas são do tipo frutose — e que o açúcar de mesa comum (sacarose) também é metade frutose.

Ainda vale lembrar que a glicose pode ir diretamente para os depósitos de glicogênio dos músculos, mas o mesmo não acontece com a frutose.

Pois a frutose precisa necessariamente ser metabolizada no fígado antes de qualquer outra coisa.

Resumindo: Se quiser permanecer em cetose, evite o consumo de frutose. Prefira consumir as frutas liberadas na dieta cetogênica.

Existe Algo Na Gordura Ingerida Na Dieta Que Pode Torná-la “Anti-Cetose”?

Gordura é primariamente cetogênica (90%) mas também tem um sutil efeito anti-cetose (10%).

Isso porque 10% do total de gorduras ingeridas acabarão por aparecer na corrente sanguínea como glicose (por meio da conversão da porção de glicerol dos triglicerídeos).

Então, se 180 gramas de gordura são oxidadas (queimadas) por dia, isso fornecerá 18 gramas de glicose por dia devido à conversão do glicerol.

Mas isso não é motivo algum para preocupação: em termos dos nutrientes que podemos ingerir (gorduras, proteínas, carboidratos), as gorduras são o mais “pró-cetose” de todos.

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Os Adoçantes Artificiais Podem Me Tirar Da Cetose?

Alguns adoçantes artificiais se transformam em glicose quando metabolizados. 

Na tabela abaixo temos alguns exemplos de adoçantes e seus respectivos índices glicêmicos.

AdoçanteTipoÍndice Glicêmico
AlitameAdoçante Artificial0
AspartameAdoçante Artificial0
CiclamatoAdoçante Artificial0
NeotameAdoçante Artificial0
SacarinaAdoçante Artificial0
SucraloseAdoçante Artificial0
Açúcar InvertidoAçúcar Modificado60
CarameloAçúcar Modificado60
Xarope De AgaveAçúcar Modificado15
Xarope De Malte De CevadaAçúcar Modificado42
Açúcar De CocoAçúcar Natural35
MelAçúcar Natural50
Xarope De BordoAçúcar Natural54
Xarope de SorgoAçúcar Natural50
CurculinaAdoçante Natural0
MiraculinAdoçante Natural0
MonelinaAdoçante Natural0
PentadinAdoçante Natural0
SteviaAdoçante Natural0
TaumatinaAdoçante Natural0
Xarope YaconAdoçante Natural1
DextroseAçúcar100
FrutoseAçúcar25
GalactoseAçúcar25
GlicoseAçúcar100
LactoseAçúcar45
MaltodextrinaAçúcar110
MaltoseAçúcar105
SacaroseAçúcar65
TrealoseAçúcar70
EritritolAlcoóis de Açúcar1
GlicerinaAlcoóis de Açúcar5
IsomalteAlcoóis de Açúcar2
LactitolAlcoóis de Açúcar3
MaltitolAlcoóis de Açúcar35
ManitolAlcoóis de Açúcar2
SorbitolAlcoóis de Açúcar4
XilitolAlcoóis de Açúcar12
Caldo De CanaExtrato de Açúcar43
InulinaFibra de Açúcar1
OligofrutoseFibra de Açúcar1

O IG (índice glicêmico) não trabalha sempre como uma comparação direta com a glicose, já que a frutose não eleva a glicose no sangue mas tira você da cetose.

Sendo assim, um modo simples de utilizar a tabela é o seguinte:

  • Caso o adoçante em questão tenha um IG acima de 5, conte grama por grama como equivalente a qualquer outro carboidrato (isto é, 1g de adoçante = 1g de carboidratos).
  • Já para os adoçantes com IG abaixo de 5, conte cada 3g de adoçante como 1g de carboidratos (3g de adoçante = 1g de carboidrato)

Com isso, você ainda pode consumir os adoçantes, desde que você permaneça abaixo de seu limite diário de consumo de carbs.

De toda forma, gostamos de optar por adoçantes como eritritol e stevia — porque eles têm índice glicêmico baixo, e pouca quantidade de carboidratos líquidos.

(Os carboidratos líquidos são aqueles que efetivamente são absorvidos pelo seu organismo.)

Veja a comparação entre xilitol, eritritol, e stevia.

Resumindo: Eu não me preocuparia demais com os adoçantes artificiais e a cetose. 

Em vez disso, minha preocupação seria por eles serem alimentos não-naturais, e poderem causar desequilíbrios na microbiota.

E O Álcool, Me Tira Da Cetose?

Quando o álcool das bebidas (etanol) entra em nosso corpo, passa por várias etapas até ser metabolizado pelo fígado em Acetil-CoA. [9]

Esse processo não gera nenhuma molécula de glicose ou oxaloacetato.

Na verdade, se você não consumir carboidratos juntamente com álcool, esse processo todo irá aumentar a quantidade de corpos cetônicos (cetose) em sua corrente sanguínea, porque a proporção entre Acetil-CoA e oxaloacetato será ainda maior (o corpo tenta limpar o Acetil-CoA transformando-o em mais corpos cetônicos).

O lado negativo é que gerando mais Acetil-CoA no organismo, o álcool faz com que seu corpo pare de usar sua reserva de gordura estocada para criar mais Acetil-CoA, portanto reduzindo a perda de peso.

(Soma-se a isso o fato de álcool possuir cerca de 7,1 kcal por grama.)

De toda forma, se for beber, o ideal é consumir poucas ou nenhuma gordura e carboidratos por algumas horas antes, durante e algumas horas depois da bebedeira.

(Explicamos mais sobre o consumo de álcool em uma dieta low-carb neste artigo aqui: A Verdade Sobre o Álcool, o Emagrecimento e a Hipertrofia.)

Resumindo: O álcool não necessariamente tira você da cetose, mas pode atrapalhar sua perda de peso.

Cetose E Oleaginosas, Laticínios e Café

Basicamente, o que você deve fazer é olhar a tabela nutricional desses alimentos.

Assim como qualquer outro alimento, você deve ver a quantidade de carboidratos.

Mantenha a sua mente com foco em responder a seguinte pergunta:

Quantos carboidratos serão fornecidos? Esses alimentos vão extrapolar o seu limite diário de carboidratos?”

Pois não há nada de mágico com esses alimentos que te fará sair da cetose por si só.

Algumas oleaginosas têm mais carboidratos do que outras — por exemplo, a castanha de caju tem mais do que a castanha do Pará.

Mas não há muito mais com o que se preocupar — em respeito a estes alimentos — do que a quantidade de carboidratos em si.

E como ela se encaixa na sua ingestão de carboidratos do dia.

Assim como muitas pessoas se sentem melhor ao remover os leite e seus derivados da alimentação.

Mas não é por causa da cetose — e sim por conta de outras questões (como intolerância à lactose ou alergia à caseína).

Já com relação ao café, pode ficar tranquilo: pois a cafeína não te tira da cetose e nem gera picos de insulina.

Resumindo: Não há alimentos (ou categorias de alimentos) mágicos em relação à cetose.

Pense no seu cardápio cetogênico como um todo. Aqui sugerimos a maneira ideal de pensar nele.

Tenho De Me Preocupar Com Os Excipientes Nas Pílulas?

Muitas pessoas têm dúvidas sobre remédios e pílulas — tanto sobre elas quebrarem o jejum quanto sobre atrapalharem na cetose.

No entanto, esse medo de que tomar uma ou duas pílulas de remédios ou suplementos atrapalharia sua cetose é totalmente injustificado.

Para dar contexto, primeiro é importante entender que algumas pílulas contêm excipientes (substâncias para preenchimento) das mais variadas.

Desde açúcar puro, até amido ou maltodextrina, passando por lactose, talco, ou outras substâncias inofensivas.

Porém, mesmo se adotarmos o pior cenário possível — aquele em que a pílula seria feita de puro açúcar — você não precisa se preocupar.

Isso porque a sua pílula provavelmente pesa menos de 1g (a maioria delas pesa menos de 0.5g).

Portanto, nem mesmo nesse “pior cenário possível” você estaria ingerindo mais do que apenas 0,5g de carboidratos.

O que não é suficiente para estragar a sua dieta cetogênica — se ela for baseada em um cardápio bem-feito.

Porém, se você é uma pessoa metódica e que gosta de levar em conta os mínimos detalhes, sinta-se à vontade para acrescentar esse 0,5g em sua contagem de carboidratos.

Resumindo: Tome seus remédios conforme orientado pelo médico. Não é o excipiente da pílula que vai atrapalhar seus resultados.

O Glutamato Monossódico (GMS) Pode Me Tirar Da Cetose?

O glutamato monossódico (GMS) é uma molécula de sódio ligada a uma molécula de glutamato, muito presente em temperos, como a maioria dos molhos shoyo do mercado.

O glutamato é um aminoácido glicogênico não essencial que pode ser convertido em glicose.

(O glutamato “de verdade” — isto é, sem ser a variedade de glutamato monossódico — é responsável pelo sabor “umami”, e está presente em alimentos como o caldo de ossos. [10])

Porém, geralmente ninguém consegue comer glutamato monossódico suficiente para que esse efeito seja significativo.

Uma refeição gostosa e bem temperada não possui mais do que alguns miligramas de GMS.

Ou seja: dificilmente você conseguiria comer a quantidade necessária de carboidratos para te tirar totalmente da cetose apenas temperando sua comida.

Porém, caso você deseje retirar o glutamato monossódico da sua dieta por outras questões (intolerância, ou por não julgar que ele seria comida de verdade) sinta-se à vontade também.

Resumindo: Não se preocupe com o glutamato monossódico e a cetose. Você pode querer tirá-lo da alimentação por outros motivos, mas ele não deve atrapalhar sua dieta cetogênica.

Sair Da Cetose — Conclusão E Palavras Finais

Neste artigo, você viu algumas questões comuns relativas à cetose: adoçantes, laticínios, proteínas…

E até algumas menos óbvias: como picos de insulina e glutamato monossódico.

Na nossa opinião, é bem interessante podermos pensar e conversar sobre esse fascinante estado metabólico que é a cetose.

Mas a verdade é uma só.

Que você não precisa se preocupar com todos esses detalhes para emagrecer.

Se o seu objetivo com a dieta cetogênica é apenas emagrecer e se sentir bem, então você pode pular todos esses detalhes técnicos.

E simplesmente seguir um cardápio cetogênico que emagrece.

Isso porque, num estilo alimentar cetogênico bem formulado (como o que ensinamos em nosso Cardápio Tanquinho De Low-Carb E Cetogênica), estar em cetose é apenas uma consequência do seu estilo de vida. E não seu foco principal.

Afinal de contas, você vai perceber no seu ganho de disposição, na sua perda de peso, nas roupas ficando mais folgadas, na pele ficando melhor, e nos elogios de todos ao seu redor…

Que está tudo dando certo.

Sem precisar medir a cetose. Ou se preocupar com vias metabólicas complexas.

Basta seguir o cardápio — que os resultados certamente virão.

No momento em que escrevemos este artigo, mais de 11.000 pessoas já estão seguindo este estilo alimentar, e colhendo resultados incríveis.

Estamos animados para ter você com a gente neste grupo.

>>> Sim, quero emagrecer com o cardápio da dieta cetogênica

Nos vemos no treinamento!

Forte abraço,
— Guilherme e Roney, do Senhor Tanquinho.

Sair Da Cetose — Referências

Para tornar a leitura mais fluida, agrupamos nesta seção algumas das referências usadas para a elaboração deste artigo.

Algumas delas são estudos científicos, que usamos para mostrar situações específicas.

Enquanto outras são explicações de processos bioquímicos do corpo já bem estabelecidos. Nesses casos, optamos por indicar a explicação fornecida pela Wikipedia (em inglês).

Você pode ter acesso a um livro físico que reúne em linguagem simples (e com mais de 300 referências bibliográficas) tudo o que a ciência reúne de melhor sobre alimentação e saúde: conheça o livro Saúde Sem Mitos.

  1. Wikipedia contributors. (2019, June 29). Malonyl-CoA. In Wikipedia, The Free Encyclopedia. Retrieved 13:41, February 3, 2021, from https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Malonyl-CoA&oldid=903955793
  2. Wikipedia contributors. (2021, January 8). Acetyl-CoA. In Wikipedia, The Free Encyclopedia. Retrieved 18:52, February 4, 2021, from https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Acetyl-CoA&oldid=999003871
  3. Wikipedia contributors. (2021, January 2). Ketogenesis. In Wikipedia, The Free Encyclopedia. Retrieved 13:46, February 3, 2021, from https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Ketogenesis&oldid=997887848
  4. Manninen A. H. (2004). Metabolic effects of the very-low-carbohydrate diets: misunderstood “villains” of human metabolism. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 1(2), 7–11. https://doi.org/10.1186/1550-2783-1-2-7 
  5. Bisschop, P. H., Pereira Arias, A. M., Ackermans, M. T., Endert, E., Pijl, H., Kuipers, F., Meijer, A. J., Sauerwein, H. P., & Romijn, J. A. (2000). The effects of carbohydrate variation in isocaloric diets on glycogenolysis and gluconeogenesis in healthy men. The Journal of clinical endocrinology and metabolism, 85(5), 1963–1967. https://doi.org/10.1210/jcem.85.5.6573 
  6. Wikipedia contributors. (2020, December 14). Gluconeogenesis. In Wikipedia, The Free Encyclopedia. Retrieved 18:50, February 4, 2021, from https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Gluconeogenesis&oldid=994179211
  7. Alberti, K. G., Johnston, D. G., Gill, A., Barnes, A. J., & Orskov, H. (1978). Hormonal regulation of ketone-body metabolism in man. Biochemical Society symposium, (43), 163–182. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/749914/ 
  8. Drenick, E. J., Alvarez, L. C., Tamasi, G. C., & Brickman, A. S. (1972). Resistance to symptomatic insulin reactions after fasting. The Journal of clinical investigation, 51(10), 2757–2762. https://doi.org/10.1172/JCI107095 
  9. Wikipedia contributors. (2020, December 16). Ethanol metabolism. In Wikipedia, The Free Encyclopedia. Retrieved 19:08, February 4, 2021, from https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Ethanol_metabolism&oldid=994530906
  10. Wikipedia contributors. (2021, January 18). Umami. In Wikipedia, The Free Encyclopedia. Retrieved 14:20, February 6, 2021, from https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Umami&oldid=1001068367

158 comentários em “Será Que Isso Vai Me Tirar da Cetose?”

  1. Olá! Tudo bem?! Comecei a dieta cetogênica dia 03/07/2021 já estou obtendo resultados. Aprendi muito com o conteúdo compartilhado por vocês, agradeço muito! Mas ainda estou com uma dúvida, eu uso vape e entrei em contato com o fabricante da essência que utilizo, eles utilizam sucralose na fabricação, normalmente eu vaporo em torno de 6ml por dia, não tenho como medir a quatidade de sucralose que acabo ingerindo junto com o vapor, mas será que isso é suficiente para ser considerado na minha conta de ingestão de carboidratos diária? Mais uma vez, muito obrigada e parabéns pelo trabalho de vocês!!!

    1. Guilherme e Roney

      Oi Narjara, tudo bom?

      Não é, uma vez que sucralose não possui carboidratos =)

      Espero ter ajudado, e parabéns pelos resultados. Forte abraço!

  2. Estou fazendo jejum, low carb e amamentando. Tenho sobrepeso e resistência à insulina. Não consigo entrar em cetose. No exame da sempre 0.3 (sangue). Como quebrar esse ciclo e entrar na cetose e emagrecer?

    1. Guilherme e Roney

      Oi Dani, tudo bom? Boa tarde

      Danielle, é comum que essas medições de corpos cetônicos não sejam assim tão confiáveis.

      Falamos mais sobre isso aqui: https://www.senhortanquinho.com/corpos-cetonicos-medicao-urina-sangue-respiracao/

      De toda forma, mais importante do que ter corpos cetônicos em circulação, é emagrecer. Você tem tido resultados?

      Isso que importa! Caso contrário, falamos sobre alguns possíveis erros que você possa estar cometendo aqui: https://www.senhortanquinho.com/erros-dieta-low-carb-cetogenica-como-evitar/

      Forte abraço.

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