Dieta Carnívora: O Que É, Benefícios, E Como Fazer Corretamente

Não comer carne pode ser uma decisão. Mas comer carne é um instinto.”

Denis Leary

Você talvez já tenha ouvido falar da dieta carnívora (também conhecida como carnivore).

Esta estratégia pode parecer algo maluca num primeiro momento. 

Ou mesmo algo perigoso.

Até porque vivemos numa sociedade que tem o forte costume de (erroneamente) condenar a carne como um alimento não-saudável.

No entanto, os inúmeros relatos e casos de sucesso com a Carnívora não nos deixam mentir.

A dieta carnívora funciona.

E ela tem ajudado cada vez mais pessoas a emagrecer, melhorar de condições autoimunes, ou mesmo ajudar quem sofre com resistência à insulina.

O fato é que a dieta carnívora está sendo cada vez mais aceita por médicos e profissionais de saúde como uma estratégia válida.

Neste artigo, você vai aprender tudo sobre a dieta carnívora.

  • o que comer na carnívora,
  • quais os alimentos permitidos e proibidos na dieta carnívora (o que você pode e não pode comer),
  • quais as bebidas liberadas na dieta carnívora,
  • quanta comida você pode (ou deve) comer,
  • benefícios e vantagens de se fazer a dieta carnívora,
  • malefícios e possíveis desvantagens desta dieta,

e muito mais.

Ou seja: este é mais um artigo completo, para se somar às centenas que temos aqui no site.

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Tudo para deixar você no controle do seu corpo.

Dito isso, vamos começar deixando logo às claras: o que é exatamente a dieta carnívora?

Relacionado: conheça o manual completo e definitivo para seguir corretamente a dieta carnívora – acompanha cardápio-exemplo e mini livro de receitas.

Dieta Carnívora — O Que É 

Como o próprio nome já diz, a dieta carnívora é um estilo alimentar que se baseia principalmente no consumo de carnes.

Mas você não está restrito a comer apenas carne vermelha ou bovina. 

Pois esta é uma dieta na qual se come todo tipo de alimentos de origem animal.

O que inclui carnes, ovos, queijos, frutos do mar, e muito mais. (Já vamos falar mais sobre os alimentos que são base da estratégia carnivore.)

Portanto, além de ser chamada de “carnívora”, também podemos dizer que esta dieta é low-carb e até mesmo cetogênica.

Pois esta é uma dieta em que a ingestão de carboidratos será extremamente baixa.

Dieta carnívora — o que NÃO é

Também pode ser interessante definir a dieta carnívora pelo que ela não é.

A dieta carnívora não é uma dieta na qual você vai comer alimentos vegetais — isto é, você não vai comer saladas.

Nem alimentos vegetais que são vistos como “saudáveis”: como grãos, leguminosas, oleaginosas, legumes, hortaliças, raízes, e frutas.

No entanto, você também não vai comer alimentos que de origem vegetal que são ruins para a saúde.

Ou seja: você também não vai comer alimentos super processados, incluindo óleos vegetais (soja, canola, girassol e algodão).

E alimentos derivados de grãos ou açúcares, como pães, bolos, massas, doces, e bolachas.

Por fim, podemos dizer que a dieta carnívora não é uma dieta da moda.

Pois ela consiste em ter uma alimentação bem próxima àquela com que os nossos ancestrais evoluíram. [1]

Basta pensarmos no paradigma evolutivo: certamente nossos antepassados tinham muito mais acesso a carnes (caçada ou deixada por outros animais), do que a alimentos processados ricos em carboidratos. [2]

Resumindo: A dieta carnívora é uma estratégia alimentar baseada no consumo de alimentos de origem animal. Automaticamente, isso exclui boa parte dos alimentos processados que estão ligados à crescente epidemia de obesidade, e foca no consumo de fontes alimentares ricas em nutrientes.

Mas o que come, efetivamente, uma pessoa carnívora?

Relacionado: conheça o manual completo e definitivo para seguir corretamente a dieta carnívora +lista de alimentos e tabela de nutrientes.

Dieta Carnívora — Alimentos Permitidos

A base alimentar da dieta carnívora, conforme dito anteriormente, consiste em alimentos de origem animal.

No vídeo acima, documentamos todas as refeições que o Guilherme fez durante uma semana.

Você pode clicar aqui para baixar um pdf com o resumo de todas essas refeições.

Sendo que uma lista de alimentos permitidos na carnívora seria a seguinte:

  • carnes de todos os tipos de animais (bovina, suína de cabra, de aves, de coelho, etc.);
  • órgãos e vísceras de todos os tipos de animais (bovina, suína, de aves, etc.);
  • peixes em geral;
  • frutos do mar em geral;
  • ovos de todos os animais;
  • alguns tipos de carnes curadas, frios e embutidos;
  • laticínios (queijos, iogurte, creme de leite, etc.)
  • caldo de ossos;
  • gorduras de origem animal para cozinhar (banha, sebo, manteiga, ghee).

Repare que preferimos pecar pela redundância para deixar bem claro que os produtos de origem animal, principalmente as carnes, são muito bem vindos.

Mesmo assim, alguns pontos merecem atenção especial e vamos discuti-los em mais detalhes abaixo — para que você fuja dos erros comuns dos iniciantes da carnívora.

Carnes de órgãos e caldo de ossos

Apesar de parecer muito fácil a ideia de comer apenas picanha e salmão na dieta carnívora, julgamos ser mais prudente ter uma abordagem de comer do focinho à cauda (nose to tail).

Sendo assim, é muito importante ter uma alimentação variada dentro das possibilidades da carnívora.

Isso porque, uma vez que não estaremos consumindo alimentos de origem vegetal, vamos precisar nos valer de todos os alimentos permitidos (lista acima) de modo a obter uma ingestão adequada de vitaminas e minerais.

Por isso, é de suma importância que eventualmente você inclua carnes de órgãos, como fígado bovino e coração de galinha, em sua alimentação.

Também é interessante incluir caldo de ossos de vez em quando — até porque essa é uma forma incrível de aproveitar os ossos que sobram de suas refeições.

Dessa forma você garante que terá uma nutrição completa tornando sua dieta carnívora totalmente sustentável a longo prazo.

Agora que já deixamos claro quais as base da carnivore, queremos abordar alguns pontos mais sensíveis com relação aos alimentos permitidos — e que mais geram dúvidas.

Peixes em conserva

Consumir peixes eventualmente também vai muito bem, para variar e complementar nutricionalmente sua carnívora.

E quando falamos em peixes, logo vem à cabeça os peixes em lata — como o atum e a sardinha que são tão comuns tanto no Brasil quanto em Portugal.

Nesse ponto, tenha em mente o seguinte.

Peixes em conserva até são aceitáveis na dieta carnívora — desde que não sejam uma constante em seu dia a dia.

E se for comprar peixes enlatados, prefira aqueles conservados em água ou azeite (e não em óleo vegetal).

Mas, obviamente, sempre que possível prefira os peixes gordos in natura — até porque são muito mais gostosos e nutritivos.

Carnes curadas, embutidos e frios

Antes de mais nada, é preciso lembrar que existem diversos tipos de carnes curadas, frios e embutidos.

Conforme mostramos no vídeo acima, existem aqueles que são “super limpos”, compostos apenas por carne e sal.

E aqueles que são “super sujos”, e levam açúcar, derivados do leite e da soja dentre seus ingredientes.

Justamente por isso que:

  • Não podemos generalizar e colocar todos como “farinha do mesmo saco”.
  • Devemos sempre estar atentos a seus rótulos, tanto aos ingredientes quanto às informações nutricionais.

Ainda é válido lembrar que frios e embutidos não devem ser a base da sua alimentação, mas podem aparecer por vez ou outra em pequenas quantidades — sendo uma boa opção para lanches práticos numa estratégia carnívora.

Queijos e laticínios

Novamente, é preciso ressaltar que — assim como no caso dos frios e dos peixes enlatados —  os queijos e laticínios não são a base da dieta carnívora.

No entanto, esses alimentos são adições extremamente bem vindas para complementar sua nutrição e para dar mais sabor a seus pratos.

Dentre os laticínios permitidos na dieta carnívora, podemos destacar os seguintes:

Observe que o leite em si não é um alimento que faz parte da carnívora — pois o leite é um alimentos rico em carboidratos.

A decisão de consumir (ou não) laticínios de dieta carnívora é algo muito pessoal.

Isso porque muitas pessoas apresentam problemas com relação a alguns dos componentes do leite que podem estar presentes em seus derivados.

Estamos falando especialmente de intolerância à lactose, e alergias à caseína ou a outras proteínas do leite.

Sendo que não necessariamente uma pessoa é intolerante a todos esses elementos.

Existem casos de pessoas que são intolerantes à lactose e lidam super bem com queijos bem curados.

E existem pessoas intolerantes à caseína que lidam bem com manteiga e creme de leite, mas têm problemas com os queijos.

Por isso, é extremamente importante se conhecer — ou fazer testes para começar a se conhecer melhor.

Foi justamente para te ajudar com isso que fizemos um artigo completo sobre como testar possíveis intolerâncias ao produtos lácteos que você pode ler aqui.

Por último, existe um outro problema relacionado ao consumo de queijos: a compulsão.

Isso porque algumas pessoas são simplesmente compulsivas por queijo — e quando comem o primeiro pedaço, não conseguem mais parar de comer.

E é “ok” se você fizer isso de “vez em nunca” — mas não é “ok” se você comer grandes quantidades de queijo diariamente.

Principalmente porque os queijos são alimentos altamente calóricos — mas que não proporcionam tanta saciedade assim.

O que pode levar a ingestão de um excesso de calorias sem que você sequer perceba (em termos de saciedade) que está exagerando.

Portanto, se você é desse tipo de pessoa, tome cuidado na hora de fazer uma bela tábua de queijos.

Relacionado: conheça o manual completo e definitivo para seguir corretamente a dieta carnívora – acompanha cardápio-exemplo e mini livro de receitas.

Alimentos da carnívora — Tenho que comer tudo isso?

Você entendeu que a base da alimentação são produtos de origem animal, pouco processados.

Especialmente, gostamos de carnes, ovos, peixes, e órgãos — além de um ocasional caldo de ossos.

No entanto, você pode ter dúvidas sobre inclusões específicas — de ervas e temperos até um consumo ocasional de outros alimentos.

Neste aspecto, conversamos com a nutricionista e praticante de dieta carnívora Tânia Alves, e ela disse o seguinte.

“A gente tem carnívoros que não consomem nem sal, é só carne mesmo, bife, ou a gente chama de músculo, somente aquele tipo de fibra. 

Tem gente que consome só bife, sal e água; tem outras linhas do focinho à cauda, que é a linha que eu mais simpatizo. 

Então não existe uma polícia carnívora, não existe uma entidade carnívora, uma suprema corte carnívora que vai te dizer que é errado comer cebola; é errado comer limão; é errado usar pimenta; é errado isso, é errado aquilo.

Mas, de maneira geral, para fins terapêuticos e utilizando, também, a dieta carnívora como uma dieta de eliminação, pode ser mais interessante que você retire isso tudo — todos os vegetais — e aí depois você reintroduza. 

Em alguns casos, a gente tem que ser até um pouco mais radical e retirar os ovos também, dependendo se aquela pessoa ali digere bem os ovos ou não. 

Então, essa é a questão: quando você está utilizando a carnívora como eliminação, talvez você tenha que seguir uma linha mais estrita para saber o que você tolera ou não. E aí depois você reintroduz.”

Ou seja: pessoas diferentes vão lidar com alimentos da carnívora de maneira diferente.

Se você está fazendo por um motivo terapêutico, provavelmente suas necessidades serão distintas de alguém que deseja apenas fazer carnívora para emagrecer.

Resumindo: A base da estratégia carnívora são carnes. Outros alimentos podem ser incluídos (temperos, queijos, peixes em lata, ovos), dependendo da tolerância individual de cada pessoa.

E a tolerância individual também se aplica quando falamos do nosso próximo tópico: as bebidas na dieta carnívora.

Dieta Carnívora — O Que Posso Beber?

Assim como em qualquer outra dieta que você seguir, o ideal é sua fonte primária de hidratação seja a água

Mas isso não significa que você esteja restrito apenas a água pelo resto da sua vida.

Sendo que, para boa parte das pessoas, existe espaço para outras bebidas na carnívora — que não devem substituir a água como base da hidratação.

No caso, o normal é optar por bebidas minimamente processadas, e livres de açúcar. Isso inclui:

  • água com gás,
  • água com algumas gotas de limão,
  • café,
  • caldo de ossos,
  • chás (incluindo aí chimarrão e tererê também),
  • destilados (cachaça, conhaque, rum, vodka, whisky, etc.),
  • vinhos e espumantes secos.

E, a nosso ver, os dois fatores primordiais de decisão na hora de ingerir um líquido são: a sua tolerância e a sua preferência.

(Desde que, novamente, estejamos falando de bebidas minimamente processadas e praticamente sem a presença de carboidratos.)

Por fim, uma única ressalva com relação às bebidas alcoólicas é que você, provavelmente, ficará mais sensível a elas. 

Ou seja, a tendência é que você “fique alegre” com uma ingestão menor de bebida — por isso, mais do que nunca: se for beber, beba com moderação.

Até porque, além dos efeitos deletérios do álcool para sua saúde, ele ainda possui calorias, o que não contribui para o seu emagrecimento.

Resumindo: A base da hidratação na carnívora é a água. No entanto, algumas pessoas toleram muito bem outras bebidas — por exemplo, café, diariamente; e uma taça de vinho, ocasionalmente. 

É importante avaliar como seu corpo responde a essas bebidas, e sempre ter um consumo responsável.

Dieta Carnívora — Quanto Posso Comer?

A pergunta de “quanto comer” deve ser uma das mais comuns — em qualquer estratégia alimentar.

Até porque é sempre ouvimos falar que, para emagrecer (ou ganhar massa muscular) é necessário controlar as porções.

(Quem é que nunca foi em uma consulta e saiu de lá com uma folha impressa com as quantidades de alimentos por refeição?)

Mas, felizmente, a verdade é que não precisa haver restrição de quantidades — e muito menos ficar passando fome —  para que você tenha saúde e emagrecimento.

Na verdade, viver em constante privação e fome não é nem mesmo uma estratégia sustentável a longo prazo: você até pode se privar hoje, e passar uma fominha aqui e ali… mas vai fazer isso para sempre?

Quem já tentou e desistiu de um “regime padrão de emagrecimento” conhece bem essa sensação.

Portanto, sempre que recebemos essa pergunta, nossa resposta é igual: coma sempre até a saciedade.

Ou seja: “tem fome, come. Não tem fome, não come. Vai comer? Coma até estar saciado”.

Afinal, a saciedade é um dos grandes trunfos das dietas low-carb, cetogênica, e mesmo da carnívora.

Ao se nutrir corretamente, é bem provável que, com o tempo na dieta carnívora, seu corpo aprenda a identificar melhor o que é “fome” do que é “vontade de comer”.

Resumindo: Na dieta carnívora, você come quando tem fome (nada de seguir o relógio), e sempre até a saciedade.

Este é um dos grandes benefícios da dieta carnívora. Vamos ver quais são os outros a seguir.

Dieta Carnívora — Benefícios

A dieta carnívora têm uma série de benefícios para a saúde. 

Muitos deles semelhantes aos benefícios de uma Dieta Cetogênica.

No entanto, os efeitos costumam ser maiores devido à maior restrição de carboidratos da dieta carnívora — ou mesmo devido a eliminação de algumas fontes vegetais de antinutrientes

Vamos rever alguns dos benefícios esperados.

Maior perda de peso: grande redução do percentual de gordura e da circunferência abdominal geralmente são relatados pelos praticantes da carnívora. Além de um impacto maior na perda de peso, a restrição de carbos também promove maior redução dos riscos de síndrome metabólica comparada à dieta ocidental padrão.

Maior bem-estar mental: dietas muito baixas em carboidratos tendem a resultar em uma melhor performance cognitiva, humor, foco e clareza mental (podendo inclusive aumentar sua produtividade). Muitas pessoas associam esses efeitos ao estado de cetose.

Redução de “desejos” e “cravings”: dietas super baixas em carboidratos aumentam demais a saciedade e reduzem drasticamente os “desejos” por doces e sobremesas.

Normalização da pressão sanguínea: Muitas pessoas usam estratégias de baixo carboidrato para combater a pressão alta.

Melhora no perfil lipídico: as dietas LCHF promovem aumento dos níveis de HDL, e redução dos triglicerídeos.

Diminuição da glicemia: restringir carboidratos reduz e estabiliza os níveis de glicose de jejum;

Melhora da digestão: muitas pessoas experimentam a Dieta Carnívora com a intenção de resolverem problemas intestinais severos.

Melhora na resistência à insulina: A resistência à insulina está ligada a várias outras doenças — de diabetes a síndrome dos ovários policísticos. Um estratégia carnívora vem sendo usada com sucesso por muitas pessoas.

Melhora na pele, cabelo e unhas: Muitas pessoas relatam uma melhor na pele, cabelo e unhas ao eliminar açúcar e outros alimentos processados. Os principais nutrientes importantes para a saúde do cabelo e da pele são encontrados em produtos de origem animal: de biotina e colina, até ferro e colágeno.

Resumindo: A dieta carnívora pode trazer diversos benefícios para a saúde — alguns refletidos em sua aparência (como perda de medidas e melhora da pele), outros em seus exames e em como você se sente.

Não necessariamente você terá todos os benefícios, mas suas chances de obtê-los aumentam drasticamente ao seguir a estratégia carnívora.

Relacionado: conheça o manual completo e definitivo para seguir corretamente a dieta carnívora – acompanha cardápio-exemplo e mini livro de receitas.

Dieta Carnívora — Precisa Fazer Jejum?

A prática de jejum intermitente não é obrigatória na dieta carnívora.

Assim como em qualquer outro estilo alimentar, é muito mais importante “o que” você come do que “o quando” você come.

Ou seja, não adianta ter uma alimentação porcaria e tentar compensar isso com jejuns.

Na dieta carnívora você já estará tendo uma dieta baseada em alimentos com alta densidade nutricional, pouco processados e pobres em carboidratos. Isso é o mais importante — a prática de jejum é algo opcional.

Ao mesmo tempo, há grandes chances de que você passe a fazer jejuns de maneira totalmente natural.

Isso porque se alimentando como seu corpo espera que você se alimente, provavelmente você vai deixar de sentir fome a toda hora — como é comum acontecer na dieta ocidental padrão.

Carnívora e jejum — Minha experiência pessoal 

Minha experiência com a carnívora é muito parecida com a de outros praticantes: ela envolve, na grande maioria dos dias, pular o café da manhã e apenas comer almoço e jantar.

No entanto, houve um ou outro dia em que a fome veio mais cedo — e não tem problema nenhum consumir um café da manhã saudável, totalizando 3 refeições no dia.

Além de, ocasionalmente, o dia ser tão corrido que “esquecemos” de comer — e apenas jantamos, porque a fome não apareceu no restante do dia.

Ou seja: esta é a verdadeira liberdade alimentar, em que você pode comer quando tem fome, e apenas isso.

Você não tem que comer para seguir alguma regra maluca, nem ficar passando fome quando realmente gostaria de se alimentar.

O mais importante de tudo é você estar atento aos sinais do seu corpo — e deixar de lado o hábito e os horários de comer.

Se tiver fome, você pode comer. Caso contrário, pode fazer jejum. 

É tão simples quanto isso, sem necessidade de inventar regras.

O jejum tem benefícios, mas não faz sentido se forçar a fazer jejum. Deixe que a sabedoria natural do corpo te auxilie nessa transição.

Sendo que, ao longo do tempo, a tendência é que você esteja cada vez mais em sintonia com seu corpo e entenda seus sinais.

Assim, a prática de jejum poderá começar a fazer parte do seu dia a dia — se você quiser.

Resumindo: O jejum é algo totalmente opcional, e que pode ser uma boa adição a sua dieta

Dieta Carnívora — Não Vai Causar Falta De Nutrientes?

Não. Os alimentos de origem animal (especialmente quando as carnes de órgãos são incluídas) contêm todas as proteínas, gorduras, vitaminas e minerais que os seres humanos precisam para funcionar.

Além disso, alguns médicos (como o Dr. Paul Saladino) argumentam que as recomendações nutricionais (RDAs) não são aplicáveis para as pessoas que seguem uma estratégia diferente da dieta ocidental padrão.

Eles contêm absolutamente tudo o que precisamos, nas proporções corretas.

E isso faz todo o sentido: porque, durante a maior parte da história da humanidade, esses teriam sido os únicos alimentos disponíveis em praticamente todos os lugares do planeta, em todas as estações.

Tabela das principais fontes de cada micronutriente – a versão completa é só um dos bônus que você leva ao adquirir o manual da dieta carnívora.

Inclusive, abaixo vamos listar algumas vitaminas e minerais essenciais, e explicar como obtê-los na dieta carnívora. Vale observar que 4 deles não existem em alimentos de origem vegetal.

  • Vitamina A: de 12 a 24 vezes mais biodisponível em alimentos de origem animal;
  • Vitaminas B1, B2, B3, B6: os alimentos de origem animal são fontes superiores;
  • Vitamina B12: não encontrada em alimentos de origem vegetal — e é uma das principais deficiências de vegetarianos; [3] [4] [5] 
  • Vitamina C: você pode obter toda a vitamina C que precisa na carne; [6] [7] [8]
  • Vitamina D: não encontrada de maneira biodisponível (vitamina D3) em alimentos de origem vegetal;
  • Vitamina E: mais baixa em alimentos de origem animal. No entanto, alguns alimentos de origem animal (como salmão, bacalhau e ovo cozido) também apresentam esta vitamina;
  • Vitamina K1: disponível em alimentos de origem vegetal e animal;
  • Vitamina K2: não encontrada em alimentos de origem vegetal, exceto em alguns produtos fermentados;
  • Folato: a matriz insolúvel de alguns alimentos vegetais impede a biodisponibilidade;
  • Ferro: o ferro heme (fonte animal) é pelo menos três vezes mais biodisponível que o ferro não-heme (fonte de origem vegetal). A maioria dos componentes das plantas interferem na absorção do ferro não-heme;
  • Cálcio: algumas plantas contêm componentes que interferem na absorção do cálcio;
  • Iodo: algumas plantas contêm goitrogênicos que interferem na utilização do iodo;
  • Zinco: os alimentos de origem animal são fontes superiores. Algumas plantas contêm componentes que interferem na absorção do zinco;
  • Ácidos graxos ômega-3: são divididos em ALA, EPA e DHA. O ALA está presente em alimentos de origem vegetal e em alimentos de origem animal, porém sua conversão para EPA e DHA é ineficiente. EPA e DHA não são encontrados em alimentos de origem vegetal, exceto em algumas microalgas, e algumas gramíneas (que humanos não conseguem digerir). As melhores fontes de EPA e DHA são peixes selvagens, carne e ovos.

Além dos dados acima, temos outras evidências que corroboram este raciocínio.

Isso inclui desde populações como os inuit até os experimentos com os exploradores Vilhjalmur Stefansson e Karsen Anderson.

Veja abaixo um resumo dessa história (excerto do livro completo sobre Dieta Carnívora).

Dieta Carnívora e deficiências nutricionais — o experimento de Stefansson

Ao longo dos anos de sua pesquisa polar, observando e adotando o estilo de vida dos povos do norte, Vilhjalmur Stefansson estava convencido de que — a despeito das visões que a ciência havia estabelecido sobre “uma dieta equilibrada” como a única possível para a sobrevivência humana — comer apenas carne não causa nenhum dano.

Isto é: Stefansson viveu por 4 anos entre o povo Inuit, seguindo uma dieta na qual consumiam apenas carnes e peixes por até 9 meses do ano.

Na ausência de pesquisas clínicas e laboratoriais nessa área na época, Stefansson propôs sua candidatura a um estudo mais controlado — sendo assim, ele concordou voluntariamente em comer exclusivamente alimentos de origem animal por um ano.

Outro homem aceitou participar também, o dinamarquês Karsen Anderson.

Em 1927, no Russell Sage Institute (Instituto de Patologia, Bellevue Hospital Center, NY), um comitê especial foi formado por Raymond Pearl (da Universidade Johns Hopkins), que incluía especialistas em medicina, dieta, biologia e fisiologia. [9]

Para Stefansson, o experimento começou em 13/02/1928: sob a supervisão de médicos, ele mudou completamente para a dieta da carne, permanecendo em observação na clínica até 20.04, após o qual ele foi autorizado a ir para casa.

O experimento terminou em 08/03/1929, seus resultados foram publicados no “American Journal of Digestion and Nutrition”, cujo resumo foi o seguinte: “após 1 ano de experimento, ambos os sujeitos estavam intelectualmente e fisicamente ativos, e nenhuma anormalidade física perceptível foi determinada. Observações clínicas e testes laboratoriais não revelaram nenhum efeito adverso do uso prolongado de uma dieta exclusiva de carne”.

Sendo assim, este é um único estudo que avaliou os efeitos de uma dieta exclusivamente carnívora por um ano — sem suplementos, nem hormônios, nem vitaminas: realmente, só carne — e que viu que os praticantes estavam muito bem, obrigado.

Não houve nenhuma deficiência, os dois homens ficaram perfeitamente saudáveis, suas evacuações permaneceram normais (apenas se tornaram menores, e sem cheiro forte). 

A gengivite de Stefansson havia desaparecido ao fim do estudo, e ele optou por comer principalmente carnes mais gordas a maior parte do tempo (sem medo da gordura naturalmente presente na carne), comendo entre 2000 e 3100 kcal por dia, com quase 80% delas vindas das gorduras.

Resumindo: Uma dieta carnívora bem feita não causa deficiências de nutrientes. 

Mais detalhes sobre este tema são abordados no livro: “Dieta Carnívora: Como Consertar Sua Saúde, Aumentar Sua Energia, E Viver Mais Feliz Comendo Carne Todo Dia”.

Dieta Carnívora — E As Idas Ao Banheiro?

Essa é uma das dúvidas mais comuns com relação à dieta carnívora.

E nada mais natural: afinal, sempre ouvimos que as fibras são essenciais para um bom funcionamento intestinal.

E que a melhor solução em caso de prisão de ventre seria justamente consumir mais fibras.

Sendo que as fibras estão presentes em alimentos de origem vegetal — como folhas, e frutas, e psyllium.

E, na dieta carnívora, esses alimentos não são consumidos.

Logo, o pensamento óbvio seria de que as pessoas teriam casos graves de constipação.

Mas, felizmente, não é isso que se observa na prática.

Até porque essa ideia de que quanto mais fibra melhor para regular seu intestino não passa de mais um (dos muitos) mito da nutrição.

Como disse a nutricionista Andrea Bisi em entrevista para nosso podcast:

Tem uma pesquisa que saiu no World Journal of Gastroenterology, de 2012, que afirma que parar ou reduzir a ingestão de fibra dietética, reduz a constipação e os sintomas associados a ela.”

Portanto, se você tem problemas intestinais consumindo boas quantidades de fibras, há grandes chances de resolver isso na dieta carnívora. [10]

E se você não sofre de constipação, então provavelmente vai continuar sem problemas com relação a isso mesmo na carnivore.

Boa parte dos nossos leitores do livro oficial sobre a dieta Carnívora relatam que a diferença para eles consistiu numa diminuição perceptível dos gases e da sensação de inchaço abdominal.

Dessa forma, fica claro que a melhora de problemas intestinais pode ser mais um dos benefícios de uma dieta carnívora bem feita.

Resumindo: A dieta carnívora não impede ninguém de ir ao banheiro (caso contrário, seria impossível de seguir). A diminuição no volume de fezes, e na ocorrência de gases e inchaço podem acompanhar essa mudança.

Dieta Carnívora — Possíveis Desvantagens

Até agora, vimos diversas vantagens e benefícios que você pode colher ao adotar uma estratégia carnívora.

No entanto, é nosso dever também apresentar as desvantagens da dieta:

  • Fica mais difícil de comer na rua, a não ser em restaurantes por quilo ou churrascaria;
  • Geralmente em restaurantes por quilo você encontra muitas carnes com molhos, em que certamente usaram temperos prontos e óleos vegetais;
  • A maioria das refeições acaba sendo feita em casa para que seja possível comer em maior quantidade, e escolhendo carnes adequadas;
  • Algumas pessoas sentem falta da variedade de vegetais e frutas, já que basicamente boa parte da alimentação se resume ao consumo de carnes e ovos como acompanhamento;
  • Fica mais difícil de se alimentar em locais públicos, festas, confraternizações, eventos;
  • Na rua, a carne costuma ser servida em porção menor do que um adepto da carnívora está acostumado a comer (e repetir o prato para consumir mais carnes pode deixar o orçamento apertado);
  • A depender da quantidade consumida por mês e da escolha dos alimentos, as compras podem custar um pouco mais do que o habitual. (No entanto, comer frango, porco, carnes de segunda, vísceras e ovos tende a baratear bastante a dieta.)

Resumindo: As desvantagens da carnívora são principalmente de ordem prática. E comer fora de casa pode ser, em muitos casos, um desafio. 

Buffets self-service e churrascarias tendem a funcionar melhor do que restaurantes à la carte para este estilo alimentar.

Algumas pessoas também sentem falta de maior variedade de alimentos, embora existam várias receitas carnívoras que você pode degustar: oferecemos 10 ideias de receitas carnívoras como bônus aos nossos leitores do livro completo sobre a dieta.

Dieta Carnívora — Conclusão E Como Saber Mais

A dieta carnívora pode ser uma opção interessante para muitas pessoas que já tentaram outras estratégias alimentares sem sucesso.

Sendo que, neste artigo, te demos as bases para que você entenda o que é a carnívora, e respondemos diversas dúvidas comuns (sobre alimentos permitidos, deficiência de nutrientes, e idas ao banheiro, por exemplo).

No entanto, pode ser que você ainda esteja com dúvidas sobre esse estilo alimentar.

Afinal de contas, para termos sucesso em qualquer projeto, é importante que a gente saiba o que está fazendo.

Com isso em mente, quero convidar você a conhecer nosso livro completo sobre a Dieta Carnívora.

Esta é uma obra muito mais abrangente do que este (ou qualquer outro) artigo disponível na internet, com tudo o que você precisa saber para ter sucesso com esta estratégia alimentar.

O livro conta com um guia rápido para você implementar a carnívora e rapidamente começar a ter resultados, além de dezenas de dúvidas respondidas, e explicações úteis.

Tudo isso fundamentado por mais de uma centena de estudos científicos e referências bibliográficas.

Além disso, ao garantir seu acesso ao Manual completo da dieta carnívora, você ainda recebe 5 bônus que preparamos para te ajudar:

  • Cardápio modelo: Você receberá um cardápio-exemplo de 2 semanas de dieta carnívora para inspiração, com ideias do que comer no café da manhã, almoço e janta.
  • Lista de compras: Saiba quais são os alimentos que você pode comprar. Vai ser super fácil e gostoso fazer compras semanais: uma ida ao açougue e está tudo resolvido.
  • Receitas carnívoras básicas: Se quiser experimentar algumas preparações e se aventurar na culinária carnívora, trouxemos 10 receitas totalmente liberadas.
  • Tabela de nutrientes e suas fontes: Para você consultar e até mesmo mostrar para aquele parente chato que vai te importunar por causa da dieta.
  • Planilha de medidas: Uma planilha para você preencher com as suas medidas e observar a sua evolução de perda de peso e/ou ganho de massa magra em dieta carnívora.

Ou seja: este é um recurso absolutamente completo para você ter sucesso com a dieta carnívora.

Saiba mais sobre ele aqui.

Estamos animados para ter você com a gente nesta jornada.

E vai ser um prazer contar com você no time dos carnívoros, e estamos animados para ver os resultados que você poderá colher com esta transformação alimentar.

Ande com os leões, e você será um deles.”

Forte abraço,
— Guilherme e Roney, do Senhor Tanquinho.

Referências

Para tornar a leitura mais fluida, agrupamos nesta seção algumas das referências consultadas para a elaboração deste artigo.

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  1. de Heinzelin, J., Clark, J. D., White, T., Hart, W., Renne, P., WoldeGabriel, G., et al. (1999). Environment and behavior of 2.5-million-year-old Bouri hominids. Science (New York, N.Y.), 284(5414), 625–629. http://doi.org/10.1126/science.284.5414.625 
  2. Mann N (2007) Meat in the human diet: an anthropological perspective. Nutr Dietet 64(s4):S102–S107 https://doi.org/10.1111/j.1747-0080.2007.00194.x 
  3. Herrmann, W., Schorr, H., Obeid, R., & Geisel, J. (2003). Vitamin B-12 status, particularly holotranscobalamin II and methylmalonic acid concentrations, and hyperhomocysteinemia in vegetarians. The American Journal of Clinical Nutrition, 78(1), 131–136. http://doi.org/10.1093/ajcn/78.1.131 
  4. Pawlak, R. (2015). Is vitamin B12 deficiency a risk factor for cardiovascular disease in vegetarians? American Journal of Preventive Medicine, 48(6), e11–26. http://doi.org/10.1016/j.amepre.2015.02.009 
  5. Javid, P., & Christensen, E. (2016). [Vegetarians are at high risk of vitamin B12 deficiency]. Ugeskrift for Laeger, 178(1), V06150484. http://ugeskriftet.dk/videnskab/vegetarer-har-hoej-risiko-faa-b12-vitaminmangel 
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  8. Fediuk, K (2000). “Vitamin C in the Inuit diet: past and present.” http://www.whilesciencesleeps.com/pdf/629.pdf 
  9. McClellan, W.S., and E.F. Dubois 1930. Clinical calorimetry XLV. Prolonged meat diets with a study of kidney function and ketosis. J. Biol. Chem. 87:651–668. 
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